Eis mais um caso que explica por que, se me deixarem, vou embora "deffepaiff" logo, logo. Recebi hoje uma comunicação da Receita Federal sobre meu IRPF ano base 2004. Ainda não recebi a restituição daquele ano. A RF me alegava que o rendimento que informei estava diferente do informado pela fonte pagadora. Ora, só havia recebido o salário da prefeitura de São Paulo. Agora, a RF me lembra que também recebi grana de uma tal Sociedade Educadora Anchieta. É verdade que lecionei para a Faculdade Anglo Latino no primeiro semestre daquele ano. Mas há um detalhezinho: eles não me pagaram! Deram-me um calote - o terceiro que tomei na minha vida profissional.
Em resumo, eles não me pagam, mentem para a Receita, e eu ainda tenho que pagar imposto por uma renda que não tive!!! Como sou um idiota, perdi o prazo para entrar com processo na Justiça contra aqueles picaretas. Agora, nem posso alegar que estou cobrando a dívida. Mas quero ver eles provarem que me pagaram. Mas vou ter que recorrer. Dá uma incomodação dos diabos.
Falei antes que esse foi o terceiro calote que recebi. Os outros dois foram de "idôneos" empresários de comunicação. O primeiro foi do jornal Indústria & Comércio, do Paraná, e o segundo, da Gazeta Mercantil - ambos tocados por dois picaretas profissionais. Otoni é visto dirigindo carrões importados em Curitiba; não tem bens no próprio nome para não serem tomados pelas centenas de ações judiciais nas quais é réu. Já o picareta Luiz Fernando Levy passou a Gazeta Mercantil para outro não menos picareta, Nelson Tanure. Não é preciso dizer que nenhum dos dois quer saber de pagar a dívida trabalhista que deixaram para trás. Levy deu golpe em centenas de pessoas - boa parte jornalistas - e continua a levar sua vidinha nababesca.
Se me pagassem o que me devem, o dinheiro seria suficiente para comprar um muito bom apartamento aqui em Balneário Camboriú - onde o metro quadrado custa caríssimo. Ganhei os dois processos, mas as chances de receber são remotíssimas. Aqui, no país da picaretagem, vigarista profissional de colarinho branco não paga dívidas; cadeia, então, nem se fala.
Enfim, esse é o brasilzão. Nunca vai ter jeito. O jeito, então, é se mandar daqui. Motivos não faltam.
terça-feira, outubro 09, 2007
Nobel de física
A semana do Prêmio Nobel está só começando. Hoje foi divulgado o de física para um francês e um alemão que descobriram propriedades eletromagnéticas que aumentaram muito a capacidade de leitura de dados em discos rígidos cada vez menores. Leia as notícias em português aqui e aqui.
Amanhã será anunciado o ganhador (ou ganhadores) do prêmio de química; na quinta, o de literatura; na sexta, o da paz e na segunda, o de economia.
Amanhã será anunciado o ganhador (ou ganhadores) do prêmio de química; na quinta, o de literatura; na sexta, o da paz e na segunda, o de economia.
segunda-feira, outubro 08, 2007
domingo, outubro 07, 2007
Acorrentado
Tambosi me incluiu numa corrente que lhe foi passada por Nariz Gelado. Vou apenas responder a ela e, porque sou do contra, não vou vou passá-la adiante.
Devo abrir o livro mais próximo na página 161 e escrever aqui a quinta frase inteira dessa página.
Neste exato momento, tenho dois livros em minha frente, e vou seguir à risca a recomendação: pegar o que me está mais perto - Metodologia da Economia (Mark Blaug). A quinta frase completa da página 161: "De alguma forma misteriosa, a economia clássico-marxista procura fugir de todas essas dificuldades, mas é claro que o faz por meio da evasão da medida empírica da validação de teorias."
Por pura preguiça, não vou aqui explicar quais são as "dificuldades". Trata-se do capítulo 2: Os Falsificacionistas - Uma História Completa do Século XX. E mais não me foi dito nem perguntado.
Devo abrir o livro mais próximo na página 161 e escrever aqui a quinta frase inteira dessa página.
Neste exato momento, tenho dois livros em minha frente, e vou seguir à risca a recomendação: pegar o que me está mais perto - Metodologia da Economia (Mark Blaug). A quinta frase completa da página 161: "De alguma forma misteriosa, a economia clássico-marxista procura fugir de todas essas dificuldades, mas é claro que o faz por meio da evasão da medida empírica da validação de teorias."
Por pura preguiça, não vou aqui explicar quais são as "dificuldades". Trata-se do capítulo 2: Os Falsificacionistas - Uma História Completa do Século XX. E mais não me foi dito nem perguntado.
sexta-feira, outubro 05, 2007
Game theory applied to... games
Desde moleque, sempre pratiquei dois esportes: futebol e basquete. E, modéstia à parte, jogo bem ambos - mas isso não vem ao caso. Nas peladas de futebol, sempre a turma costumava passar dos limites, e as brigas eram um tanto comum. Já nos rachas de basquete isso não acontecia; entreveros eram raros.
Nunca consegui explicar isso, mas agora tenho um palpite - um tanto quanto controverso, admito. No basquete, adotávamos uma única (R): pediu falta, é falta. No futebol não havia isso, e a cada lance polêmico seguia-se uma discussão interminável - não raramente terminando nas "vias de fato". E o importante é notar que brigas havia mesmo com a presença de um juiz - ou muito por causa dele.
Mas cadê o raio da teoria dos jogos, ph? Calma. Minha "tchiuria" parte da hipótese de que o motivo de haver ou não brigas é a existência da tal regra do "pediu, é falta". Tomo basquete e futebol por "jogos repetidos", no sentido de que não são jogos (interação) que terminam em único lance. Assim, os jogadores tenderiam a cooperar para levar o jogo a um bom termo.
Ainda não me fiz claro. Mas vamos lá. No caso do basquete, em que vale a regra R, se um time abusar de pedir faltas, o outro vai fazer a mesma coisa, e o jogo tende ao equilíbrio. Já no caso do futebol, os lances são decididos em discussões intermináveis (quando não há um juiz) ou em reclamações contra o juiz. E o pau segue comendo. E não me perguntem se tem isso algum cabimento.
Nunca consegui explicar isso, mas agora tenho um palpite - um tanto quanto controverso, admito. No basquete, adotávamos uma única (R): pediu falta, é falta. No futebol não havia isso, e a cada lance polêmico seguia-se uma discussão interminável - não raramente terminando nas "vias de fato". E o importante é notar que brigas havia mesmo com a presença de um juiz - ou muito por causa dele.
Mas cadê o raio da teoria dos jogos, ph? Calma. Minha "tchiuria" parte da hipótese de que o motivo de haver ou não brigas é a existência da tal regra do "pediu, é falta". Tomo basquete e futebol por "jogos repetidos", no sentido de que não são jogos (interação) que terminam em único lance. Assim, os jogadores tenderiam a cooperar para levar o jogo a um bom termo.
Ainda não me fiz claro. Mas vamos lá. No caso do basquete, em que vale a regra R, se um time abusar de pedir faltas, o outro vai fazer a mesma coisa, e o jogo tende ao equilíbrio. Já no caso do futebol, os lances são decididos em discussões intermináveis (quando não há um juiz) ou em reclamações contra o juiz. E o pau segue comendo. E não me perguntem se tem isso algum cabimento.
quinta-feira, outubro 04, 2007
Apagando velinhas
Uma pessoa especialíssima faz aniversário hoje: minha mãe! Parabéns, D. Janete! Vida longa, saúde e paz de espírito.
Tem gente que diz que mãe é tudo igual. Não acho, não. Conheço algumas que não fizeram pelos filhos metade do que minha mãe fez por mim e por meus quatro irmãos. Começou a trabalhar muitíssimo cedo. Foi a única, dos dez filhos de minha avó, a estudar. Para isso, teve que trabalhar como empregada na casa de uma família rica. Perseverou e concluiu o colegial.
Casou cedo e teve filhos cedo. Fui o primeiro. A faculdade, concluiu depois de casada. Estudava nas férias em Florianópolis. Era o que havia disponível naquela década de 70. Não havia, como hoje, faculdades no Vale do Araranguá.
Eram tempos duros. Acordava cedinho, lá pelas 5h, deixava a comida quase pronta e a casa limpa. Dava aulas o dia inteiro, e o trabalho continuava em casa. Se hoje não é fácil cuidar de quatro filhos, imagine naquela época. Ia até tarde da noite corrigindo provas e trabalhos de classe. Um sacrifício só. Tudo isso custou a ela alguns problemas de saúde.
Meu pai não era propriamente um parceiro nas atividades domésticas, para dizer o mínimo. Mas sempre foi um excelente pai, com o qual sempre contamos, em todos os momentos. Também ele foi o único a estudar na família de meu avô.
Em resumo, meu pai e minha mãe são bons exemplos de que o esforço individual é o único caminho legítimo para o sucesso. E que somos resultados de nossas escolhas. Não adianta ficar choramingando. Se minha mãe fizesse isso, não teria estudado e alcançado um relativo conforto agora que chega aos 58.
Tem gente que diz que mãe é tudo igual. Não acho, não. Conheço algumas que não fizeram pelos filhos metade do que minha mãe fez por mim e por meus quatro irmãos. Começou a trabalhar muitíssimo cedo. Foi a única, dos dez filhos de minha avó, a estudar. Para isso, teve que trabalhar como empregada na casa de uma família rica. Perseverou e concluiu o colegial.
Casou cedo e teve filhos cedo. Fui o primeiro. A faculdade, concluiu depois de casada. Estudava nas férias em Florianópolis. Era o que havia disponível naquela década de 70. Não havia, como hoje, faculdades no Vale do Araranguá.
Eram tempos duros. Acordava cedinho, lá pelas 5h, deixava a comida quase pronta e a casa limpa. Dava aulas o dia inteiro, e o trabalho continuava em casa. Se hoje não é fácil cuidar de quatro filhos, imagine naquela época. Ia até tarde da noite corrigindo provas e trabalhos de classe. Um sacrifício só. Tudo isso custou a ela alguns problemas de saúde.
Meu pai não era propriamente um parceiro nas atividades domésticas, para dizer o mínimo. Mas sempre foi um excelente pai, com o qual sempre contamos, em todos os momentos. Também ele foi o único a estudar na família de meu avô.
Em resumo, meu pai e minha mãe são bons exemplos de que o esforço individual é o único caminho legítimo para o sucesso. E que somos resultados de nossas escolhas. Não adianta ficar choramingando. Se minha mãe fizesse isso, não teria estudado e alcançado um relativo conforto agora que chega aos 58.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Autoritarismo ou populismo
Alvaro Vargas Llosa conseguiu resumir e explicar, num pequeno texto sobre o Paraguai, direto e elegante, a razão dos males atuais da América Latina: não vemos alternativa a não ser o autoritarismo de direita e o populismo de esquerda. Prova cabal de nosso pouco apreço pela democracia.
PS. Via blog do Tambosi.
PS. Via blog do Tambosi.
terça-feira, outubro 02, 2007
Guerra Fria, Teoria dos Jogos, RAND...
Cheguei a isto pelo De Gustibus. A série de documentários "Pandora´s Box" é imperdível.
segunda-feira, outubro 01, 2007
O que é independência
Diz a boa teoria econômica que quanto mais empresas ofertam um determinado produto, melhor para os consumidores, que podem escolher o menor preço ê/ou a melhor qualidade, etc. Ou seja, o ideal é que haja uma concorrência perfeita, com muitos vendedores e compradores. O monopólio, assim, seria prejudicial às pessoas.
Nas últimas décadas, tem havido uma tendência de concentração de produtores em alguns setores, inclusive na mídia. Essa é uma indústria muito peculiar, que suscita muitas análises românticas, completamente descoladas da realidade. As almas esquerdóides se alvoroçam a cada negócio fechado que poderia sinalizar uma concentração da produção jornalística numa determinada região ou no país. Diferentemente delas - que consideram "independente" um veículo desde que ele seja "progressista" ou qualquer outro lugar comum do jargão - meu conceito de independência de um jornal (ou revista, ou rádio, etc.) está relacionado a aspectos do mercado. Quanto mais ligado ao mercado, menos dependente do governo. E essa independência é que importa.
Aonde eu quero chegar? Vamos lá. Por exemplo: uma região onde quem dá as cartas é uma única organização de mídia, com rádios, jornais e emissoras de televisão. Isso é necessariamente ruim para o público? O senso comum diz que sim. Não há "pluralidade" de coberturas, de discursos (se preferirem).
Mas há um outro aspecto, o do mercado. Se a organização reina praticamente sozinha, deve abocanhar a grande maioria da verba publicitária da região. Se os anúncios vêm majoritariamente da iniciativa privada, a organização de mídia hegemônica (para usar um conceito deles) é muito menos dependente das benesses dos governos. Por ser forte comercialmente, tem condições de fazer coberturas jornalisticamente corretas. Isto é, se tiver que "bater" no poderoso de plantão, baterá, por não depender dele financeiramente.
Já a existência de muitos jornais e revistas pequenos não é garantia alguma de boa prática jornalística. Muito pelo contrário. Em todos os estados há aqueles jornalecos feitos para tirar dinheiro de político. Há muitos jornaizinhos e pouco jornalismo. A quantidade de produtores não garante o abastecimento do mercado com bons produtos jornalísticos. Eles são fracos e dependem das verbas oficiais.
Isso tudo, claro, se tivéssemos um mercado forte aqui no Brasil; se tivéssemos algo que pudésemos chamar de capitalismo. Como não há, as mídias regionais ficam puxando o saco de governadores e prefeitos, com exceções. A saída para tornar a mídia mais independente é: mais mercado.
Nas últimas décadas, tem havido uma tendência de concentração de produtores em alguns setores, inclusive na mídia. Essa é uma indústria muito peculiar, que suscita muitas análises românticas, completamente descoladas da realidade. As almas esquerdóides se alvoroçam a cada negócio fechado que poderia sinalizar uma concentração da produção jornalística numa determinada região ou no país. Diferentemente delas - que consideram "independente" um veículo desde que ele seja "progressista" ou qualquer outro lugar comum do jargão - meu conceito de independência de um jornal (ou revista, ou rádio, etc.) está relacionado a aspectos do mercado. Quanto mais ligado ao mercado, menos dependente do governo. E essa independência é que importa.
Aonde eu quero chegar? Vamos lá. Por exemplo: uma região onde quem dá as cartas é uma única organização de mídia, com rádios, jornais e emissoras de televisão. Isso é necessariamente ruim para o público? O senso comum diz que sim. Não há "pluralidade" de coberturas, de discursos (se preferirem).
Mas há um outro aspecto, o do mercado. Se a organização reina praticamente sozinha, deve abocanhar a grande maioria da verba publicitária da região. Se os anúncios vêm majoritariamente da iniciativa privada, a organização de mídia hegemônica (para usar um conceito deles) é muito menos dependente das benesses dos governos. Por ser forte comercialmente, tem condições de fazer coberturas jornalisticamente corretas. Isto é, se tiver que "bater" no poderoso de plantão, baterá, por não depender dele financeiramente.
Já a existência de muitos jornais e revistas pequenos não é garantia alguma de boa prática jornalística. Muito pelo contrário. Em todos os estados há aqueles jornalecos feitos para tirar dinheiro de político. Há muitos jornaizinhos e pouco jornalismo. A quantidade de produtores não garante o abastecimento do mercado com bons produtos jornalísticos. Eles são fracos e dependem das verbas oficiais.
Isso tudo, claro, se tivéssemos um mercado forte aqui no Brasil; se tivéssemos algo que pudésemos chamar de capitalismo. Como não há, as mídias regionais ficam puxando o saco de governadores e prefeitos, com exceções. A saída para tornar a mídia mais independente é: mais mercado.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Livros, livros
Dauro Veras (link ao lado) escreveu um post muito legal sobre livros. E instigou os visitantes a listar alguns livros que de alguma forma os influenciaram. Fiz uma pequena lista dos primeiros livros que me vieram à cabeça:
1. Desafio aos Deuses: Uma Breve História do Risco. (Bernstein)
2. Ensaios Analíticos (M. H. Simonsen)
3. Conjectures and Refutations (Karl Popper)
4. Manual do Perfeito Idiota Latino Americano (Llosa et all)
5. A Sangue Frio (Truman Capote)
É claro que há mais. Poderia citar até o manual de microeconomia do Varian. E o mais perto que consegui chegar do jornalismo foi o título do Truman Capote, mesmo.
O Dauro é um cara bacana. Está, hoje, mais à esquerda do que eu no espectro político. Até porque essa distinção entre esquerda e direita, na minha opinião, já não mais se sustenta. Mas também eu fui um esquerdista, por muito mais tempo do que deveria. Hoje sou um porco liberal a serviço do capitalismo da civilização judaico-cristã ocidental. Tanto que o blog do Dauro é o único mais "à esquerda" na lista de links aí à direita (ops!).
Temos, eu e Dauro, em comum a tolerância. Notem que também ele tem um link para o blog do Aluizio Amorim, cujas idéias são bem difererentes das dele, creio. Eu tenho um amigo e colega de profissão com quem travo longas discussões sobre política, ou melhor, sobre o governo. A gente quebra o pau, mas não deixa de conviver bem. É por isso que visito o blog do Dauro com regularidade. E também porque é bem escrito.
Ah, ia esquecendo: faça a sua lista.
1. Desafio aos Deuses: Uma Breve História do Risco. (Bernstein)
2. Ensaios Analíticos (M. H. Simonsen)
3. Conjectures and Refutations (Karl Popper)
4. Manual do Perfeito Idiota Latino Americano (Llosa et all)
5. A Sangue Frio (Truman Capote)
É claro que há mais. Poderia citar até o manual de microeconomia do Varian. E o mais perto que consegui chegar do jornalismo foi o título do Truman Capote, mesmo.
O Dauro é um cara bacana. Está, hoje, mais à esquerda do que eu no espectro político. Até porque essa distinção entre esquerda e direita, na minha opinião, já não mais se sustenta. Mas também eu fui um esquerdista, por muito mais tempo do que deveria. Hoje sou um porco liberal a serviço do capitalismo da civilização judaico-cristã ocidental. Tanto que o blog do Dauro é o único mais "à esquerda" na lista de links aí à direita (ops!).
Temos, eu e Dauro, em comum a tolerância. Notem que também ele tem um link para o blog do Aluizio Amorim, cujas idéias são bem difererentes das dele, creio. Eu tenho um amigo e colega de profissão com quem travo longas discussões sobre política, ou melhor, sobre o governo. A gente quebra o pau, mas não deixa de conviver bem. É por isso que visito o blog do Dauro com regularidade. E também porque é bem escrito.
Ah, ia esquecendo: faça a sua lista.
quarta-feira, setembro 26, 2007
Genial
Texto de Cláudio Angelo, editor de ciência da Folha de S. Paulo. Uma mostra de que há vida inteligente no jornalismo brasileiro. Não poupa as bobagens pós-modernas e politicamente corretas.
Tive o desprazer de conversar com Richard Dawkins apenas duas vezes na vida. É um sujeito antipático, pedante e de uma intolerância insuportável. Exatamente o oposto da personalidade que se espera encontrar em alguém cuja profissão de (ops!) fé é levar a ciência ao grande público. E que é, goste-se ou não dele, um dos intelectuais mais brilhantes que a seleção natural já produziu.
Talvez essa certeza de superioridade, que transborda nos escritos do biólogo britânico, explique em parte por que Dawkins é tão vilipendiado pelos ditos intelectuais "de esquerda" e "culturalistas", para não falar nos (credo!) pós-modernos. Essa patota não hesita em pichá-lo de darwinista bitolado que não consegue enxergar nada além de genes egoístas tramando a destruição do livre-arbítrio humano.
São poucos, no entanto, os que terão notado a seguinte passagem no clássico dos clássicos de Dawkins, "O Gene Egoísta", de 1976: "Para compreender a evolução do homem moderno, nós devemos começar jogando fora o gene como a única base das nossas idéias sobre a evolução". Os que notaram talvez a tenham creditado a um erro de edição. Ou, na obsessão por afastar o cálice da biologia dos lábios sacrossantos do comportamento humano, resolveram simplesmente varrê-la para baixo do tapete e seguir atirando no mensageiro.
Dawkins tem pago o preço de sua honestidade intelectual desde então. "O Gene Egoísta" foi publicado apenas um ano depois de o também zoólogo Edward Osborne Wilson, de Harvard, ter despertado a fúria da "ciência marxista" (acredite, isso já existiu) com a publicação de "Sociobiologia", a primeira obra a dizer com todas as letras (e sem muito tato) que o comportamento humano poderia ser explicado pela seleção natural darwinista.Embora hoje isso seja óbvio em certa medida -dado que o comportamento é produto do cérebro e o cérebro é objeto de seleção natural-, Wilson foi chamado de porco nazista.
Ao dar munição à sociobiologia com suas idéias sobre genética, Dawkins também virou alvo. O máximo expoente da "biologia dialética", Richard Lewontin, chegou a deturpar uma passagem de "O Gene Egoísta". Onde Dawkins dizia "eles [os genes] nos criaram, corpo e mente", Lewontin enxertou "eles nos controlam, corpo e mente". Até hoje não se desculpou por isso.
Com "Deus, um Delírio", o zoólogo britânico volta a atrair detratores, de ambas as extremidades do espectro político, de todas as cores e -principalmente- credos. Seu único crime terá sido meter a mão num vespeiro (a religião) para o qual os cientistas têm insistido em dar as costas, enquanto dele esvoaçam sem cessar fanáticos do calibre de Osama Bin Laden e George W. Bush. Dawkins esnoba os críticos. Ele sabe que o "meme" darwinista triunfa, e que a luz já foi lançada sobre o mistério da existência humana.
Tive o desprazer de conversar com Richard Dawkins apenas duas vezes na vida. É um sujeito antipático, pedante e de uma intolerância insuportável. Exatamente o oposto da personalidade que se espera encontrar em alguém cuja profissão de (ops!) fé é levar a ciência ao grande público. E que é, goste-se ou não dele, um dos intelectuais mais brilhantes que a seleção natural já produziu.
Talvez essa certeza de superioridade, que transborda nos escritos do biólogo britânico, explique em parte por que Dawkins é tão vilipendiado pelos ditos intelectuais "de esquerda" e "culturalistas", para não falar nos (credo!) pós-modernos. Essa patota não hesita em pichá-lo de darwinista bitolado que não consegue enxergar nada além de genes egoístas tramando a destruição do livre-arbítrio humano.
São poucos, no entanto, os que terão notado a seguinte passagem no clássico dos clássicos de Dawkins, "O Gene Egoísta", de 1976: "Para compreender a evolução do homem moderno, nós devemos começar jogando fora o gene como a única base das nossas idéias sobre a evolução". Os que notaram talvez a tenham creditado a um erro de edição. Ou, na obsessão por afastar o cálice da biologia dos lábios sacrossantos do comportamento humano, resolveram simplesmente varrê-la para baixo do tapete e seguir atirando no mensageiro.
Dawkins tem pago o preço de sua honestidade intelectual desde então. "O Gene Egoísta" foi publicado apenas um ano depois de o também zoólogo Edward Osborne Wilson, de Harvard, ter despertado a fúria da "ciência marxista" (acredite, isso já existiu) com a publicação de "Sociobiologia", a primeira obra a dizer com todas as letras (e sem muito tato) que o comportamento humano poderia ser explicado pela seleção natural darwinista.Embora hoje isso seja óbvio em certa medida -dado que o comportamento é produto do cérebro e o cérebro é objeto de seleção natural-, Wilson foi chamado de porco nazista.
Ao dar munição à sociobiologia com suas idéias sobre genética, Dawkins também virou alvo. O máximo expoente da "biologia dialética", Richard Lewontin, chegou a deturpar uma passagem de "O Gene Egoísta". Onde Dawkins dizia "eles [os genes] nos criaram, corpo e mente", Lewontin enxertou "eles nos controlam, corpo e mente". Até hoje não se desculpou por isso.
Com "Deus, um Delírio", o zoólogo britânico volta a atrair detratores, de ambas as extremidades do espectro político, de todas as cores e -principalmente- credos. Seu único crime terá sido meter a mão num vespeiro (a religião) para o qual os cientistas têm insistido em dar as costas, enquanto dele esvoaçam sem cessar fanáticos do calibre de Osama Bin Laden e George W. Bush. Dawkins esnoba os críticos. Ele sabe que o "meme" darwinista triunfa, e que a luz já foi lançada sobre o mistério da existência humana.
sexta-feira, setembro 21, 2007
Nome aos bois
Estes são os picaretas de SC que votaram a favor da CPMF e CONTRA O POVO:
Angela Amin (PP), Carlito Merss (PT), Celso Maldaner (PMDB), Cláudio Vignatti (PT), Décio Lima (PT), Djalma Berger (PSB), Edinho Bez (PMDB), João Matos (PMDB), João Pizzolatti (PP), Nelson Goetten (PR), Odacir Zonta (PP) e Valdir Colatto (PMDB).
A favor do povo, que paga os impostos, ficaram apenas quatro deputados: Fernando Coruja (PPS), Gervásio Silva (Dem), Paulo Bornhausen (DEM) e José Carlos Vieira (DEM).
Engraçada esta nossa "política". Aqui em SC, PP e PMDB se engalfinham; ainda são os grandes adversários históricos. Lá em Brasília, no entanto, votam juntinhos e fazem tudo o que o mestre mandar. O que os une e separa? Cargos. Aqui, não estão juntos simplesmente porque não há como acomodar a todos no mesmo governo. O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) teve que inventar secretarias regionais para empregar todos os puxa-sacos. Já no governo federal cabe todo mundo. Por isso, Angela Amin vota juntinho com todos os peemedebistas. E dane-se o povo, que segue pagando o pato: a maior carga tributária de um país subdesenvolvido.
Angela Amin (PP), Carlito Merss (PT), Celso Maldaner (PMDB), Cláudio Vignatti (PT), Décio Lima (PT), Djalma Berger (PSB), Edinho Bez (PMDB), João Matos (PMDB), João Pizzolatti (PP), Nelson Goetten (PR), Odacir Zonta (PP) e Valdir Colatto (PMDB).
A favor do povo, que paga os impostos, ficaram apenas quatro deputados: Fernando Coruja (PPS), Gervásio Silva (Dem), Paulo Bornhausen (DEM) e José Carlos Vieira (DEM).
Engraçada esta nossa "política". Aqui em SC, PP e PMDB se engalfinham; ainda são os grandes adversários históricos. Lá em Brasília, no entanto, votam juntinhos e fazem tudo o que o mestre mandar. O que os une e separa? Cargos. Aqui, não estão juntos simplesmente porque não há como acomodar a todos no mesmo governo. O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) teve que inventar secretarias regionais para empregar todos os puxa-sacos. Já no governo federal cabe todo mundo. Por isso, Angela Amin vota juntinho com todos os peemedebistas. E dane-se o povo, que segue pagando o pato: a maior carga tributária de um país subdesenvolvido.
Faroeste caboclo
"Ele queria era falar pro presidente
pra ajudar toda esta gente
que só faz sofrer" (Legião Urbana)
Notem que o pobre coitado não quer um esmolão; quer educação para os filhos, atendimento médico de qualidade e policiamento!
Lavrador invade Planalto para pedir ajuda
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedia uma entrevista ao jornal "The New York Times", no terceiro andar do Palácio do Planalto, um incidente mobilizou a segurança no saguão. Ângelo de Jesus, 37, agricultor baiano, invadiu o local por volta das 9h. Ele queria falar com Lula. Passou direto pelo detector de metais, mas foi rendido pelos seguranças do Planalto -foram necessários seis para segurá-lo. "Presidente, salva eu, salva eu presidente", gritava o agricultor.
Ângelo insistia em falar com Lula e se debatia, tentando se desvencilhar dos seguranças. Disse aos jornalistas que estava há quatro dias sem comer e que sofria de hanseníase. Saiu do palácio algemado e carregado por seguranças e policiais militares, chamados ao local. De ambulância, foi levado ao Hospital Regional da Asa Norte, aonde chegou, segundo funcionários, "com desorientação" e freqüência cardíaca de 144 batimentos por minuto.
Segundo a assistente social Edna Joaquim de Moraes, ele disse que havia vindo para Brasília, de carona, "por causa das injustiças em sua cidade", mas já havia desistido de falar com Lula porque "o povo não tem vez". Edna ligou para um departamento de assistência social do Distrito Federal para providenciar uma passagem de volta para o agricultor, mas, ao pedir um carro do hospital para levá-lo ao departamento, viu que ele havia sumido.
Segundo a Presidência, Ângelo foi transferido para o Hospital das Forças Armadas, onde um médico e um assessor do gabinete pessoal de Lula acompanham o agricultor. Funcionários também tentavam, até ontem à tarde, contatar familiares de Ângelo. Ele é natural de Pindobaçu, Bahia.
Do orelhão da cidade, a mulher de Ângelo e uma de suas vizinhas, que viram tudo pela TV, disseram que, na segunda-feira, ele encontrou uma amiga da família no ponto de ônibus e pediu que ela avisasse que ele ia a Brasília falar com Lula. Segundo a vizinha, "ele está muito revoltado" com a escola de seus quatro filhos, que tem um esgoto aberto, com a falta de policiamento e com o sistema de saúde do município.
Tentativas de invasões e protestos são relativamente comuns nas áreas do governo. Em 2004, um ex-prefeito de Diadema se acorrentou no hall de entrada do Planalto. Em 2005, um mecânico desempregado subiu a rampa do Planalto de mobilete. Em 2003, um vendedor ambulante tentou invadir o Palácio da Alvorada, e derrubou o portão com um Fiat Uno.
pra ajudar toda esta gente
que só faz sofrer" (Legião Urbana)
Notem que o pobre coitado não quer um esmolão; quer educação para os filhos, atendimento médico de qualidade e policiamento!
Lavrador invade Planalto para pedir ajuda
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedia uma entrevista ao jornal "The New York Times", no terceiro andar do Palácio do Planalto, um incidente mobilizou a segurança no saguão. Ângelo de Jesus, 37, agricultor baiano, invadiu o local por volta das 9h. Ele queria falar com Lula. Passou direto pelo detector de metais, mas foi rendido pelos seguranças do Planalto -foram necessários seis para segurá-lo. "Presidente, salva eu, salva eu presidente", gritava o agricultor.
Ângelo insistia em falar com Lula e se debatia, tentando se desvencilhar dos seguranças. Disse aos jornalistas que estava há quatro dias sem comer e que sofria de hanseníase. Saiu do palácio algemado e carregado por seguranças e policiais militares, chamados ao local. De ambulância, foi levado ao Hospital Regional da Asa Norte, aonde chegou, segundo funcionários, "com desorientação" e freqüência cardíaca de 144 batimentos por minuto.
Segundo a assistente social Edna Joaquim de Moraes, ele disse que havia vindo para Brasília, de carona, "por causa das injustiças em sua cidade", mas já havia desistido de falar com Lula porque "o povo não tem vez". Edna ligou para um departamento de assistência social do Distrito Federal para providenciar uma passagem de volta para o agricultor, mas, ao pedir um carro do hospital para levá-lo ao departamento, viu que ele havia sumido.
Segundo a Presidência, Ângelo foi transferido para o Hospital das Forças Armadas, onde um médico e um assessor do gabinete pessoal de Lula acompanham o agricultor. Funcionários também tentavam, até ontem à tarde, contatar familiares de Ângelo. Ele é natural de Pindobaçu, Bahia.
Do orelhão da cidade, a mulher de Ângelo e uma de suas vizinhas, que viram tudo pela TV, disseram que, na segunda-feira, ele encontrou uma amiga da família no ponto de ônibus e pediu que ela avisasse que ele ia a Brasília falar com Lula. Segundo a vizinha, "ele está muito revoltado" com a escola de seus quatro filhos, que tem um esgoto aberto, com a falta de policiamento e com o sistema de saúde do município.
Tentativas de invasões e protestos são relativamente comuns nas áreas do governo. Em 2004, um ex-prefeito de Diadema se acorrentou no hall de entrada do Planalto. Em 2005, um mecânico desempregado subiu a rampa do Planalto de mobilete. Em 2003, um vendedor ambulante tentou invadir o Palácio da Alvorada, e derrubou o portão com um Fiat Uno.
quarta-feira, setembro 19, 2007
Pesquisa em jornalismo
O curso de mestrado em jornalismo da UFSC está realizando o I Simpósio de Pesquisa Avançada da Região Sul, transmitido ao vivo pela internet.
sábado, setembro 15, 2007
Congresso em foco
Por que gosto muito de Perez e Simon. Na lista, também está o Fernando Coruja, o melhor congressista catarinense. É claro que o fato de estar na lista não significa atestado de competência e ética, pois lá está também a Ideli Salvasti Calheiros - defensora dos mensaleiros e de senador criador de bois voadores e de pomares de laranja.
quinta-feira, setembro 13, 2007
Booom!
O nosso 12 de setembro: um atentado contra o Senado Federal, um deboche à frágil democracia brasileira.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Simulação do eclipse solar
O Grupo de Estudos de Astronomia da UFSC fez uma simulação do eclipse parcial do sol que vai ocorrer na próxima terça-feira de manhã.
segunda-feira, setembro 03, 2007
coragem, inteligência e honestidade
Da Folha de S. Paulo. Alguém corajoso no Itamaraty a ponto de contraditar os stalinistas de plantão.
Excelência, defina "elite".
Quando alguém me pergunta qual o principal problema do Brasil atual, não hesito em responder: a falta de precisão vocabular. Vivemos sob o império dos sofismas, em que toda ilegalidade tem direito a um eufemismo, todo impostor, livre acesso à honradez, e toda bravata, o status de argumento. Num ambiente semelhante, o debate público, sério e fundamentado, se torna inviável.
Exemplos existem aos montes, mas talvez nenhum deles seja tão grave quanto a utilização que se vem fazendo do termo "elite". Toda vez que um de nossos dirigentes precisa livrar-se de acusações, desqualificar opositores ou simplesmente neutralizar qualquer crítica, a palavra "elite" surge como o pecado feito verbo. Ela encarna tudo o que há de ruim e malvado, o dolo em essência, o egoísmo mais nocivo, a traição sempre à espreita.
Curiosamente, essa "elite" não tem rosto. Ela é sempre o outro -o inimigo, o desafeto, o adversário, o opositor. Em suma: o dissenso. Diz-se pertencer à "elite" o indivíduo ou instituição que ouse questionar os atos do poder. Em qualquer língua do planeta, esse substantivo afrancesado -"elite"- inclui o estamento dirigente da nação. Salvo no idioma falado pelos próceres de nossa República.
Aqui, ministros de Estado, secretários de governo, parlamentares, magistrados, diretores de bancos e empresas estatais, nenhum se julga parte da "elite". Tampouco são vistos como integrantes da "elite" usineiros heróicos, empreiteiros amigos, marqueteiros audazes ou banqueiros satisfeitos.
Já o cidadão de classe média que manifesta publicamente o seu desagrado com o Estado de anomia do país é, de imediato, acusado de tramar o eterno retorno das desigualdades sociais e da concentração de renda. A ofensa é absurda, mas poucos se dão conta disso. Ora, quem paga os elevadíssimos impostos que, já de algum tempo, são cobrados no Brasil não pode ser acusado de responsável pelo atraso da nação. Os verdadeiros culpados são aqueles que tomam esses impostos sem investir corretamente na educação do povo e no desenvolvimento de nossas forças produtivas.
As "bandas podres" existem, disso não resta a menor dúvida. Mas hoje, tal como ontem, elas vivem em conúbio com o Estado. O atual governo não moveu uma palha para mudar tal quadro. Pelo contrário, especializou-se em lotear cargos e apadrinhar o fisiologismo. Além disso, encampou a ortodoxia monetária tucana, continuando a desperdiçar o arrocho fiscal no enriquecimento dos grandes investidores nacionais e estrangeiros.
Como pode então que os dirigentes continuem a ver nas vaias de alguns ou nas críticas da imprensa a mão conspiratória da "elite"? Dá vontade de dizer: "Excelência, defina elite!". O uso sofístico do conceito de "elite" teve sua origem em nossa intelectualidade. Foi ela quem ensinou aos atuais homens de poder a conveniente manipulação da antinomia elite-povo e quem primeiro se auto-excluiu da tão odiosa "elite brasileira".
Ao passar décadas tratando a "elite" como um bloco monolítico e, sobretudo, ao fazer de conta que um país justo se possa estruturar sem elites técnicas, científicas, intelectuais, políticas, burocráticas, artísticas e econômicas, nossa intelectualidade transformou o conceito em um mero clichê ao dispor das lideranças populistas de viés autoritário. Basta-lhes agora dizer "eu sou o povo" e todo questionamento passa a estar identificado com a insatisfação da "elite reacionária".
Basta-lhes repetir "o povo chegou ao poder" e o papel histórico da democracia se cumpre, tornando-se ela um instrumento obsoleto. Para que alternância de partidos se quem está de fora é a "elite"? O atual debate sobre a crise aérea espelha à perfeição os efeitos nefastos desse pântano conceitual. Todas as críticas são ditas "provenientes da elite". O próprio tema dos aeroportos em pane e do caos regulatório do setor é tratado como um assunto menor, de exclusivo interesse da "elite".
Dois aviões já caíram. Quantos mortos a mais serão necessários para que os governistas de plantão acordem de seu transe? Nenhum povo jamais foi redimido pelo sucateamento dos setores de ponta da economia. Em um debate público sério, estaríamos agora discutindo a crônica incapacidade de nossos governos em assegurar a modernização da infra-estrutura do país. Ao insistirmos na utilização oportunista de conceitos, continuaremos enfrentando crise após crise. O Brasil ficará para trás. A pobreza se eternizará. E a democracia descerá pelo ralo.
MARCELO OTÁVIO DANTAS , 43, formado em ciências econômicas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é escritor, roteirista e diplomata de carreira, autor do livro "Três Vezes Mago" (no prelo). É chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais do Ministério das Relações Exteriores.
Excelência, defina "elite".
Quando alguém me pergunta qual o principal problema do Brasil atual, não hesito em responder: a falta de precisão vocabular. Vivemos sob o império dos sofismas, em que toda ilegalidade tem direito a um eufemismo, todo impostor, livre acesso à honradez, e toda bravata, o status de argumento. Num ambiente semelhante, o debate público, sério e fundamentado, se torna inviável.
Exemplos existem aos montes, mas talvez nenhum deles seja tão grave quanto a utilização que se vem fazendo do termo "elite". Toda vez que um de nossos dirigentes precisa livrar-se de acusações, desqualificar opositores ou simplesmente neutralizar qualquer crítica, a palavra "elite" surge como o pecado feito verbo. Ela encarna tudo o que há de ruim e malvado, o dolo em essência, o egoísmo mais nocivo, a traição sempre à espreita.
Curiosamente, essa "elite" não tem rosto. Ela é sempre o outro -o inimigo, o desafeto, o adversário, o opositor. Em suma: o dissenso. Diz-se pertencer à "elite" o indivíduo ou instituição que ouse questionar os atos do poder. Em qualquer língua do planeta, esse substantivo afrancesado -"elite"- inclui o estamento dirigente da nação. Salvo no idioma falado pelos próceres de nossa República.
Aqui, ministros de Estado, secretários de governo, parlamentares, magistrados, diretores de bancos e empresas estatais, nenhum se julga parte da "elite". Tampouco são vistos como integrantes da "elite" usineiros heróicos, empreiteiros amigos, marqueteiros audazes ou banqueiros satisfeitos.
Já o cidadão de classe média que manifesta publicamente o seu desagrado com o Estado de anomia do país é, de imediato, acusado de tramar o eterno retorno das desigualdades sociais e da concentração de renda. A ofensa é absurda, mas poucos se dão conta disso. Ora, quem paga os elevadíssimos impostos que, já de algum tempo, são cobrados no Brasil não pode ser acusado de responsável pelo atraso da nação. Os verdadeiros culpados são aqueles que tomam esses impostos sem investir corretamente na educação do povo e no desenvolvimento de nossas forças produtivas.
As "bandas podres" existem, disso não resta a menor dúvida. Mas hoje, tal como ontem, elas vivem em conúbio com o Estado. O atual governo não moveu uma palha para mudar tal quadro. Pelo contrário, especializou-se em lotear cargos e apadrinhar o fisiologismo. Além disso, encampou a ortodoxia monetária tucana, continuando a desperdiçar o arrocho fiscal no enriquecimento dos grandes investidores nacionais e estrangeiros.
Como pode então que os dirigentes continuem a ver nas vaias de alguns ou nas críticas da imprensa a mão conspiratória da "elite"? Dá vontade de dizer: "Excelência, defina elite!". O uso sofístico do conceito de "elite" teve sua origem em nossa intelectualidade. Foi ela quem ensinou aos atuais homens de poder a conveniente manipulação da antinomia elite-povo e quem primeiro se auto-excluiu da tão odiosa "elite brasileira".
Ao passar décadas tratando a "elite" como um bloco monolítico e, sobretudo, ao fazer de conta que um país justo se possa estruturar sem elites técnicas, científicas, intelectuais, políticas, burocráticas, artísticas e econômicas, nossa intelectualidade transformou o conceito em um mero clichê ao dispor das lideranças populistas de viés autoritário. Basta-lhes agora dizer "eu sou o povo" e todo questionamento passa a estar identificado com a insatisfação da "elite reacionária".
Basta-lhes repetir "o povo chegou ao poder" e o papel histórico da democracia se cumpre, tornando-se ela um instrumento obsoleto. Para que alternância de partidos se quem está de fora é a "elite"? O atual debate sobre a crise aérea espelha à perfeição os efeitos nefastos desse pântano conceitual. Todas as críticas são ditas "provenientes da elite". O próprio tema dos aeroportos em pane e do caos regulatório do setor é tratado como um assunto menor, de exclusivo interesse da "elite".
Dois aviões já caíram. Quantos mortos a mais serão necessários para que os governistas de plantão acordem de seu transe? Nenhum povo jamais foi redimido pelo sucateamento dos setores de ponta da economia. Em um debate público sério, estaríamos agora discutindo a crônica incapacidade de nossos governos em assegurar a modernização da infra-estrutura do país. Ao insistirmos na utilização oportunista de conceitos, continuaremos enfrentando crise após crise. O Brasil ficará para trás. A pobreza se eternizará. E a democracia descerá pelo ralo.
MARCELO OTÁVIO DANTAS , 43, formado em ciências econômicas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é escritor, roteirista e diplomata de carreira, autor do livro "Três Vezes Mago" (no prelo). É chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais do Ministério das Relações Exteriores.
quinta-feira, agosto 30, 2007
Genial!
Adam Smith desembarca em Brasília
Rolf Kuntz*
Sujeitinho vivo era aquele escocês, o tal Adam Smith. Ele notou, há mais de 200 anos, que os ganhos de produtividade acumulados durante séculos eram explicáveis, na maior parte, pela divisão do trabalho. Ele achou essa idéia tão importante que resolveu apresentá-la no primeiro capítulo de um grande livro a respeito da riqueza das nações. Essa idéia não era exatamente uma novidade. Um amigo mais velho de Smith, chamado David Hume, havia descrito num ensaio econômico o crescimento de uma economia a partir da diferenciação entre atividades agrícolas e não agrícolas. Seu parceiro aprofundou a análise.
Essa noção foi incorporada pelo senso comum há muito tempo, mas tem sido rejeitada por integrantes do governo brasileiro. Parece, agora, estar ficando popular pelo menos no Palácio do Planalto. A Presidência divulgou, ontem, dados sobre a melhora das condições de vida dos brasileiros. A desigualdade e a miséria têm diminuído. Tomando-se como referência o salário mínimo, as parcelas de brasileiros pobres e extremamente pobres passaram, entre 1990 e 2005, de 52% para 38% e de 28% para 16%, respectivamente. Ainda há fome e desnutrição, segundo o documento, mas esse desafio resulta, sobretudo, "do baixo poder aquisitivo de milhões de brasileiros".
Os primeiros dados eram mais ou menos conhecidos e já haviam sido examinados tanto pelo IBGE quanto pelo Ipea. A grande novidade, em termos políticos, é a aceitação, no Palácio do Planalto, da idéia de que a fome, no Brasil, é um problema de falta de dinheiro. Trocando em miúdos: há comida suficiente para quem pode comprá-la, seja qual for sua ocupação. Quem tem uma atividade razoavelmente rentável, seja como assalariado ou como trabalhador por conta própria, é capaz de encher seu prato e os de seus dependentes.
Quando assumiu o governo pela primeira vez, há pouco mais de cinco anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda parecia acreditar em duas lendas da esquerda: a produção de alimentos era insuficiente para a exportação e para o abastecimento do mercado interno e muitos brasileiros comiam menos que o necessário porque não tinham terra para plantar.
Ele parecia não haver notado, em sua breve experiência como operário, que trabalhadores da indústria conseguiam comer sem plantar, desde que recebessem um salário tolerável, e que milhões de brasileiros podiam ter carros e geladeiras mesmo sem ser donos de fábricas de automóveis e de eletrodomésticos. Se tivesse considerado o assunto com um pouco mais atenção aos fatos e menos aos incompetentes que o cercavam, poderia ter percebido outro dado notável: quanto mais a agropecuária se mostrava capaz de exportar, mais baratos se tornavam, a longo prazo, os produtos vendidos no mercado interno. O mesmo ocorria com os bens industriais.
Foi assim que o frango, um alimento de luxo quando era produzido artesanalmente, se tornou uma fonte barata de proteína. Mas isso ocorreu também com alimentos não exportados. As crises de abastecimento de feijão deixaram de ocorrer quando se combinaram dois fatores muito importantes, a mudança tecnológica e o fim dos controles de preços. Na turma do presidente Lula havia economistas que durante décadas se haviam dedicado ao estudo da famigerada "questão agrária". Cuidaram tanto desse tema que deixaram de notar o que ocorria na agropecuária brasileira - ou, mais amplamente, no agronegócio. No caso desses acadêmicos, a especialização foi contraproducente, porque resultou mais de antolhos ideológicos do que de um genuíno esforço de investigação.
Os principais ganhos de eficiência foram obtidos pelos produtores que se modernizaram e passaram a trabalhar levando em conta o mercado - como fornecedores de indústrias ou como competidores diretos no comércio de produtos básicos. Essa foi a experiência tanto da agropecuária empresarial quanto das unidades familiares mais permeáveis à modernização. A distinção relevante, nesse caso, não é entre a propriedade patronal e a familiar. Comida barata, boa e vendida em condições de competitividade foi o que fez diminuir o peso da alimentação no orçamento familiar dos brasileiros.
O resto é um besteirol que o governo deveria esquecer. Seu problema é criar oportunidades de empregos produtivos, tomando o cuidado de não atrapalhar a modernização do setor rural. O governo do presidente Lula ainda tem muita gente fascinada pela agricultura de pés descalços, enxada enferrujada e galinha ciscando no terreiro.
*Rolf Kuntz é jornalista
Rolf Kuntz*
Sujeitinho vivo era aquele escocês, o tal Adam Smith. Ele notou, há mais de 200 anos, que os ganhos de produtividade acumulados durante séculos eram explicáveis, na maior parte, pela divisão do trabalho. Ele achou essa idéia tão importante que resolveu apresentá-la no primeiro capítulo de um grande livro a respeito da riqueza das nações. Essa idéia não era exatamente uma novidade. Um amigo mais velho de Smith, chamado David Hume, havia descrito num ensaio econômico o crescimento de uma economia a partir da diferenciação entre atividades agrícolas e não agrícolas. Seu parceiro aprofundou a análise.
Essa noção foi incorporada pelo senso comum há muito tempo, mas tem sido rejeitada por integrantes do governo brasileiro. Parece, agora, estar ficando popular pelo menos no Palácio do Planalto. A Presidência divulgou, ontem, dados sobre a melhora das condições de vida dos brasileiros. A desigualdade e a miséria têm diminuído. Tomando-se como referência o salário mínimo, as parcelas de brasileiros pobres e extremamente pobres passaram, entre 1990 e 2005, de 52% para 38% e de 28% para 16%, respectivamente. Ainda há fome e desnutrição, segundo o documento, mas esse desafio resulta, sobretudo, "do baixo poder aquisitivo de milhões de brasileiros".
Os primeiros dados eram mais ou menos conhecidos e já haviam sido examinados tanto pelo IBGE quanto pelo Ipea. A grande novidade, em termos políticos, é a aceitação, no Palácio do Planalto, da idéia de que a fome, no Brasil, é um problema de falta de dinheiro. Trocando em miúdos: há comida suficiente para quem pode comprá-la, seja qual for sua ocupação. Quem tem uma atividade razoavelmente rentável, seja como assalariado ou como trabalhador por conta própria, é capaz de encher seu prato e os de seus dependentes.
Quando assumiu o governo pela primeira vez, há pouco mais de cinco anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda parecia acreditar em duas lendas da esquerda: a produção de alimentos era insuficiente para a exportação e para o abastecimento do mercado interno e muitos brasileiros comiam menos que o necessário porque não tinham terra para plantar.
Ele parecia não haver notado, em sua breve experiência como operário, que trabalhadores da indústria conseguiam comer sem plantar, desde que recebessem um salário tolerável, e que milhões de brasileiros podiam ter carros e geladeiras mesmo sem ser donos de fábricas de automóveis e de eletrodomésticos. Se tivesse considerado o assunto com um pouco mais atenção aos fatos e menos aos incompetentes que o cercavam, poderia ter percebido outro dado notável: quanto mais a agropecuária se mostrava capaz de exportar, mais baratos se tornavam, a longo prazo, os produtos vendidos no mercado interno. O mesmo ocorria com os bens industriais.
Foi assim que o frango, um alimento de luxo quando era produzido artesanalmente, se tornou uma fonte barata de proteína. Mas isso ocorreu também com alimentos não exportados. As crises de abastecimento de feijão deixaram de ocorrer quando se combinaram dois fatores muito importantes, a mudança tecnológica e o fim dos controles de preços. Na turma do presidente Lula havia economistas que durante décadas se haviam dedicado ao estudo da famigerada "questão agrária". Cuidaram tanto desse tema que deixaram de notar o que ocorria na agropecuária brasileira - ou, mais amplamente, no agronegócio. No caso desses acadêmicos, a especialização foi contraproducente, porque resultou mais de antolhos ideológicos do que de um genuíno esforço de investigação.
Os principais ganhos de eficiência foram obtidos pelos produtores que se modernizaram e passaram a trabalhar levando em conta o mercado - como fornecedores de indústrias ou como competidores diretos no comércio de produtos básicos. Essa foi a experiência tanto da agropecuária empresarial quanto das unidades familiares mais permeáveis à modernização. A distinção relevante, nesse caso, não é entre a propriedade patronal e a familiar. Comida barata, boa e vendida em condições de competitividade foi o que fez diminuir o peso da alimentação no orçamento familiar dos brasileiros.
O resto é um besteirol que o governo deveria esquecer. Seu problema é criar oportunidades de empregos produtivos, tomando o cuidado de não atrapalhar a modernização do setor rural. O governo do presidente Lula ainda tem muita gente fascinada pela agricultura de pés descalços, enxada enferrujada e galinha ciscando no terreiro.
*Rolf Kuntz é jornalista
domingo, agosto 26, 2007
Professor aloprado
Vejam, vocês, que o homem que cuida do nosso longo prazo consegue se perder nos corredores do Palácio do Planalto. Poderia ter sido comido por um minotauro - ou por um sapo barbudo.
Num dos muitos delírios, uma viagem para disseminar a mobilização pelo interior do país por uma nova ordem econômica e social, foi atropelado por um Kombi, teve a mão machucada por espinhos e caiu num poço e quebrou o braço. Jeitoso, o homi, não?
A sorte que, no longo prazo, estaremos todos mortos, como bem disse Keynes.
Num dos muitos delírios, uma viagem para disseminar a mobilização pelo interior do país por uma nova ordem econômica e social, foi atropelado por um Kombi, teve a mão machucada por espinhos e caiu num poço e quebrou o braço. Jeitoso, o homi, não?
A sorte que, no longo prazo, estaremos todos mortos, como bem disse Keynes.
O IPCC não é mais aquele
Coluna Ciência em Dia
Marcelo Leite
Folha de S.Paulo - caderno Mais 12 de agosto de 2007
Há quase duas décadas escrevo sobre aquecimento global. Esses anos todos serviram para criar a convicção de que a fonte mais confiável de projeções sobre o problema são os relatórios do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática posto em ação pela ONU em 1988. Talvez seja hora de adicionar um grão de sal a essa convicção.
Quem primeiro alertou para a possibilidade de haver algo questionável no IPCC foi o economista José Eli da Veiga, da USP. Há coisa de seis meses, ouvi dele a intrigante afirmação de que não identificara grandes nomes da economia ambiental entre os autores dos textos do IPCC publicados no com repercussão no começo do ano.
Para quem não está familiarizado com o modo de produção dos relatórios do IPCC, é bom saber que mais de 2.000 pesquisadores de muitos campos e países participam. A cada meia década, revisam toda a literatura científica sobre várias áreas de especialidade. Daí surgem seus cenários sobre aumento de temperatura (pelo menos mais 1,8C até 2100) e elevação do nível do mar (de 18 cm a 59 cm).
Como é mais ou menos óbvio, essas projeções dependem de séries de dados econômicos sobre atividades emissoras de gases do efeito estufa, de energia a transportes e agricultura. Prever quanto, onde e como a economia vai crescer é crucial para predizer o futuro das emissões e, portanto, da temperatura (que se eleva com o acúmulo de gás carbônico na atmosfera).
Pelo menos desde 2003 uma dupla de especialistas -David Henderson (ex-OCDE) e Ian Castles (ex-presidente do Birô de Estatísticas Australiano)- questiona premissas econômicas básicas dos cenários do IPCC. Parece um mero detalhe técnico: o painel usa preços de mercado nas comparações de PIBs nacionais e sua evolução, em lugar de valores expressos no conceito de "paridade de poder de compra" (PPP, na sigla em inglês).
Sem entrar aqui na minúcia econômica, para Henderson e Castles isso leva o IPCC a superestimar a diferença de riqueza entre países pobres e ricos em 1990, ano de referência dos cenários. Em conseqüência, também haveria distorções no crescimento estimado das economias desde então, o que por sua vez tenderia a inflar as emissões de gases-estufa.
Não é uma objeção trivial, longe disso. A dupla acusa o IPCC, porém, de desconsiderá-la sumariamente desde 2003, apesar da receptividade inicial demonstrada por Rajendra Pachauri, que preside o painel. Um apanhado recente da controvérsia (em inglês) se encontra no artigo "Governos e Questões de Mudança Climática", publicado por Henderson na edição de abril-junho do periódico "World Economics".
O autor denuncia ali que nenhum de seus artigos sobre o tema foi incluído entre mais de 400 referências do "Quarto Relatório de Avaliação" lançado neste ano (AR4, como ficou conhecido), embora incluam um comunicado de imprensa em que Pachauri ataca o duo.
Henderson e Castles ponderam que órgãos estatísticos internacionais recomendam o uso da metodologia PPP. Defensores do IPCC retrucam que a mudança não alteraria de modo significativo as projeções físicas (como a temperatura) e que seria ônus dos críticos produzir modelos e estimativas que demonstrem o oposto. O IPCC tem a seu favor o argumento de que muitas medições desde 1990 confirmam as tendências delineadas pelo órgão.
Essa pendenga não se resolverá tão cedo, mas precisa vir a público -para indicar que o IPCC não é bem um evangelho que deve ser seguido por todos cegamente.
Marcelo Leite
Folha de S.Paulo - caderno Mais 12 de agosto de 2007
Há quase duas décadas escrevo sobre aquecimento global. Esses anos todos serviram para criar a convicção de que a fonte mais confiável de projeções sobre o problema são os relatórios do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática posto em ação pela ONU em 1988. Talvez seja hora de adicionar um grão de sal a essa convicção.
Quem primeiro alertou para a possibilidade de haver algo questionável no IPCC foi o economista José Eli da Veiga, da USP. Há coisa de seis meses, ouvi dele a intrigante afirmação de que não identificara grandes nomes da economia ambiental entre os autores dos textos do IPCC publicados no com repercussão no começo do ano.
Para quem não está familiarizado com o modo de produção dos relatórios do IPCC, é bom saber que mais de 2.000 pesquisadores de muitos campos e países participam. A cada meia década, revisam toda a literatura científica sobre várias áreas de especialidade. Daí surgem seus cenários sobre aumento de temperatura (pelo menos mais 1,8C até 2100) e elevação do nível do mar (de 18 cm a 59 cm).
Como é mais ou menos óbvio, essas projeções dependem de séries de dados econômicos sobre atividades emissoras de gases do efeito estufa, de energia a transportes e agricultura. Prever quanto, onde e como a economia vai crescer é crucial para predizer o futuro das emissões e, portanto, da temperatura (que se eleva com o acúmulo de gás carbônico na atmosfera).
Pelo menos desde 2003 uma dupla de especialistas -David Henderson (ex-OCDE) e Ian Castles (ex-presidente do Birô de Estatísticas Australiano)- questiona premissas econômicas básicas dos cenários do IPCC. Parece um mero detalhe técnico: o painel usa preços de mercado nas comparações de PIBs nacionais e sua evolução, em lugar de valores expressos no conceito de "paridade de poder de compra" (PPP, na sigla em inglês).
Sem entrar aqui na minúcia econômica, para Henderson e Castles isso leva o IPCC a superestimar a diferença de riqueza entre países pobres e ricos em 1990, ano de referência dos cenários. Em conseqüência, também haveria distorções no crescimento estimado das economias desde então, o que por sua vez tenderia a inflar as emissões de gases-estufa.
Não é uma objeção trivial, longe disso. A dupla acusa o IPCC, porém, de desconsiderá-la sumariamente desde 2003, apesar da receptividade inicial demonstrada por Rajendra Pachauri, que preside o painel. Um apanhado recente da controvérsia (em inglês) se encontra no artigo "Governos e Questões de Mudança Climática", publicado por Henderson na edição de abril-junho do periódico "World Economics".
O autor denuncia ali que nenhum de seus artigos sobre o tema foi incluído entre mais de 400 referências do "Quarto Relatório de Avaliação" lançado neste ano (AR4, como ficou conhecido), embora incluam um comunicado de imprensa em que Pachauri ataca o duo.
Henderson e Castles ponderam que órgãos estatísticos internacionais recomendam o uso da metodologia PPP. Defensores do IPCC retrucam que a mudança não alteraria de modo significativo as projeções físicas (como a temperatura) e que seria ônus dos críticos produzir modelos e estimativas que demonstrem o oposto. O IPCC tem a seu favor o argumento de que muitas medições desde 1990 confirmam as tendências delineadas pelo órgão.
Essa pendenga não se resolverá tão cedo, mas precisa vir a público -para indicar que o IPCC não é bem um evangelho que deve ser seguido por todos cegamente.
sábado, agosto 25, 2007
O risco do totalitarismo
Por este texto, o jornalista de Veja responde a inquérito policial. É longo, mas vale a pena, pois retrata o nosso "estado de direito" sob o jugo lulo-petista. Sob o stalinismo, a liberdade de imprensa corre sério risco. E nisso não há exagero nem teoria da conspiração.
Nuvens escuras no horizonte
Por Mario Sabino
As relações do governo Lula com a imprensa voltaram a entrar em temperatura crítica. Na segunda-feira da semana passada, munidos da convicção – calculadamente aloprada – de que a vitória nas urnas significou uma absolvição dos crimes de corrupção do PT, militantes do partido, com o duplo crachá de funcionários públicos, agrediram jornalistas à entrada do Palácio da Alvorada. No dia seguinte, a situação adquiriu contornos ainda mais graves: os repórteres de VEJA Julia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, responsáveis pela apuração de reportagens que mostraram a participação de policiais federais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" no escândalo da compra do dossiê, foram constrangidos nas dependências da Polícia Federal, em São Paulo, pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira. Os repórteres haviam sido convocados para prestar esclarecimentos na condição de testemunhas, mas o delegado, utilizando meios ilegais, tentou transformá-los – e, por extensão, a VEJA – em réus. Como se a revista tivesse "fabricado" as reportagens que revelaram os movimentos de um grupo dentro da PF para apagar, no episódio investigado, as impressões digitais de gente ligada diretamente ao Palácio do Planalto.
Diante da arbitrariedade, VEJA divulgou no mesmo dia uma nota em seu site na qual relatou os abusos cometidos pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira (veja a íntegra abaixo). A reação da sociedade foi imediata e vigorosa. Jornais, colunistas, políticos e entidades de classe protestaram contra as intimidações sofridas pelos repórteres da revista, numa demonstração ao mesmo tempo de solidariedade e indignação diante da ameaça, embutida na atitude do delegado da PF, à liberdade de imprensa.
Há duas formas de observar ambas as ocorrências – a dos jornalistas agredidos no Alvorada e a dos repórteres de VEJA constrangidos na PF. Na primeira, a mais benigna, pode-se enxergá-las como atos isolados, resultantes do fanatismo partidário e da vingança corporativa, respectivamente. Nesse caso, basta expressar a indignação e exigir a neutralização dos seus protagonistas, a ser encarados apenas na qualidade de agentes patogênicos que envenenam a democracia e aos quais as instituições dispõem de instrumentos para expurgar. O segundo modo de examinar os acontecimentos, no entanto, comporta a inquietação maior de que eles são fruto de uma ação coordenada do governo do PT para controlar jornais, revistas e emissoras de televisão – e, por meio de tal controle, obstaculizar a missão da imprensa de fiscalizar o poder. Antecedentes existem: em 2004, o governo, com o bem estimável apoio de pelegos sindicais e editores a serviço do PT, tentou criar um certo Conselho Federal de Jornalismo, que, a pretexto de coibir erros, significaria na prática a imposição de censura prévia aos meios de comunicação. Antes disso, o Planalto quis expulsar o correspondente do jornal americano The New York Times Larry Rohter porque ele registrara o gosto do presidente pelo consumo de bebidas alcoólicas – fato, aliás, que o próprio nunca escondeu de ninguém, mas que de repente adquiriu a proporção de um ataque à honra nacional. Também foram recorrentes, ao longo do primeiro mandato de Lula, as diatribes lançadas contra a imprensa pelo próprio e por assessores seus apanhados em gatunagens.
Quando tudo isso, no entanto, parecia pertencer ao passado, eis que as últimas agressões e arbitrariedades contra jornalistas, não bastasse a sua gravidade intrínseca, ganharam uma moldura preocupante. Ao condenar de forma burocrática o espetáculo promovido por militantes do PT em Brasília, o presidente do partido, Marco Aurélio Garcia, aproveitou a oportunidade para sugerir à imprensa que fizesse uma "auto-reflexão" sobre sua atuação na campanha eleitoral. Ele afirmou ainda que os jornalistas deviam uma informação à sociedade: a de que o esquema do mensalão não existiu. Semelhantes disparates enquadram-se na tradição autoritária da esquerda marxista, da qual Garcia é um inebriado seguidor e que tem como uma de suas estratégias recorrer a eufemismos para perpetrar enormidades. Ao falar em "reflexão", ele na verdade quer dizer "genuflexão". Quando afirma, sem enrubescer, que o esquema do valerioduto não existiu, porque disso não há "evidências", o presidente do PT usa da mesma artimanha do camarada Stalin, que por várias vezes "reescreveu" a história da então União Soviética, apagando de textos históricos os relatos de fatos que lhe eram negativos e de fotografias as imagens de opositores políticos. Salvo melhor juízo, a imprensa ideal de Garcia é a cubana, que goza de toda a liberdade para elogiar Fidel Castro. O furo jornalístico mais recente da imprensa cubana se deu quando o comandante saiu da operação de um tumor no intestino. O furo não foi sobre a gravidade da doença. Esqueça. O jornal estampou a manchete "Absolvido pela história", reverberando a frase famosa do ditador dita quando sua revolução começou a matar gente indiscriminadamente e isso chamou a atenção do mundo.
Garcia, segundo um alto integrante da cúpula governamental, não passa de "um ideólogo perigoso que precisa ser afastado dos ouvidos do presidente". Mas, para dissipar receios, seria recomendável que o presidente Lula fosse mais enfático na condenação às tentativas de cerceamento à liberdade de imprensa. No caso dos constrangimentos impostos aos repórteres de VEJA pelo delegado da Polícia Federal, ele não se pronunciou publicamente. Pelo relato estampado no jornal Folha de S.Paulo, limitou-se a dizer a assessores que era um equívoco "vitimizar" setores da imprensa que julga terem sido "injustos" com ele. Ou seja, é lícito supor que, na visão de Lula, se a inquirição dos repórteres não vitimizasse a imprensa independente do governo, estaria tudo certo.
A acirrar as dúvidas sobre a convicção do atual governo em relação à necessidade de uma imprensa livre, um dos pilares do sistema democrático, levem-se em conta, ainda, as afirmações do ex-ministro Ciro Gomes, aliado de Lula, feitas também na semana passada a um jornalista chapa-branca. De acordo com Gomes, "é preciso incentivar dramaticamente os meios de comunicação alternativos, fortalecer cooperativas de jornalistas". A sintonia do ex-ministro com o programa de "democratização da mídia" do PT é comovente. O tal programa sugere a desconcentração da propriedade de emissoras de rádio e televisão. No que se refere à imprensa escrita, seria preciso criar um "programa de incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes". A verdade é que, por trás de propósitos aparentemente tão nobres, está a aspiração à criação de um kolkhoz jornalístico onde seriam apascentadas dóceis vaquinhas de presépio do governo petista. Por "jornais e revistas independentes", leia-se "publicações submissas ao PT". Quanto à desconcentração da mídia eletrônica – bem, que tal começar pelas emissoras de propriedade dos petistas de ocasião do Norte e do Nordeste?
A liberdade de imprensa tornou ao centro da discussão, o que não é um bom sinal para a democracia brasileira. Menos ainda quando até um chefe de polícia resolve emitir opiniões a respeito, na condição de chefe de polícia. Foi o que se permitiu o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, ao negar os abusos contra os repórteres de VEJA. Ele disse que jornalistas não estão acima da lei. De fato, não estão. Assim como também não estão delegados da PF, Gedimar Passos e Freud Godoy, principais beneficiários da "operação abafa" denunciada por VEJA. É curioso que a Polícia Federal se empenhe tanto nos depoimentos dos jornalistas da revista e seja tão frouxa na investigação desses personagens.
O delegado Moysés Eduardo Ferreira tratou os repórteres de VEJA como suspeitos, não permitiu que eles conversassem com sua advogada e, num ato de flagrante ilegalidade, não deixou que eles saíssem com a cópia de seus depoimentos. A coisa chegou a tal ponto que a procuradora da República Elizabeth Kobayashi, testemunha de tudo, procurou o repórter Marcelo Carneiro e a advogada da Editora Abril, Ana Rita Dutra, antes que eles deixassem as dependências da Polícia Federal. Relata Carneiro: "À nossa saída, já no hall dos elevadores do 9º andar da PF, a procuradora nos abordou e disse: 'Não deixe acontecer no próximo depoimento o que ocorreu hoje aqui. O delegado não podia ter proibido a conversa entre vocês' ". Um dia depois, a procuradora soltou uma nota ambígua, em que, apesar de não desmentir os fatos descritos por VEJA, afirma que, no seu "entendimento pessoal", não havia ocorrido intimidação. Compreende-se o receio de Elizabeth de ter parecido conivente com o delegado Moysés ao não usar de suas prerrogativas institucionais para detê-lo em suas arbitrariedades. Mas, a fim de evitar que nuvens escuras se adensem no horizonte, é preciso que todos se comportem à altura de suas responsabilidades – imprensa, governo, chefes de polícia e procuradores da República.
Nuvens escuras no horizonte
Por Mario Sabino
As relações do governo Lula com a imprensa voltaram a entrar em temperatura crítica. Na segunda-feira da semana passada, munidos da convicção – calculadamente aloprada – de que a vitória nas urnas significou uma absolvição dos crimes de corrupção do PT, militantes do partido, com o duplo crachá de funcionários públicos, agrediram jornalistas à entrada do Palácio da Alvorada. No dia seguinte, a situação adquiriu contornos ainda mais graves: os repórteres de VEJA Julia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, responsáveis pela apuração de reportagens que mostraram a participação de policiais federais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" no escândalo da compra do dossiê, foram constrangidos nas dependências da Polícia Federal, em São Paulo, pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira. Os repórteres haviam sido convocados para prestar esclarecimentos na condição de testemunhas, mas o delegado, utilizando meios ilegais, tentou transformá-los – e, por extensão, a VEJA – em réus. Como se a revista tivesse "fabricado" as reportagens que revelaram os movimentos de um grupo dentro da PF para apagar, no episódio investigado, as impressões digitais de gente ligada diretamente ao Palácio do Planalto.
Diante da arbitrariedade, VEJA divulgou no mesmo dia uma nota em seu site na qual relatou os abusos cometidos pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira (veja a íntegra abaixo). A reação da sociedade foi imediata e vigorosa. Jornais, colunistas, políticos e entidades de classe protestaram contra as intimidações sofridas pelos repórteres da revista, numa demonstração ao mesmo tempo de solidariedade e indignação diante da ameaça, embutida na atitude do delegado da PF, à liberdade de imprensa.
Há duas formas de observar ambas as ocorrências – a dos jornalistas agredidos no Alvorada e a dos repórteres de VEJA constrangidos na PF. Na primeira, a mais benigna, pode-se enxergá-las como atos isolados, resultantes do fanatismo partidário e da vingança corporativa, respectivamente. Nesse caso, basta expressar a indignação e exigir a neutralização dos seus protagonistas, a ser encarados apenas na qualidade de agentes patogênicos que envenenam a democracia e aos quais as instituições dispõem de instrumentos para expurgar. O segundo modo de examinar os acontecimentos, no entanto, comporta a inquietação maior de que eles são fruto de uma ação coordenada do governo do PT para controlar jornais, revistas e emissoras de televisão – e, por meio de tal controle, obstaculizar a missão da imprensa de fiscalizar o poder. Antecedentes existem: em 2004, o governo, com o bem estimável apoio de pelegos sindicais e editores a serviço do PT, tentou criar um certo Conselho Federal de Jornalismo, que, a pretexto de coibir erros, significaria na prática a imposição de censura prévia aos meios de comunicação. Antes disso, o Planalto quis expulsar o correspondente do jornal americano The New York Times Larry Rohter porque ele registrara o gosto do presidente pelo consumo de bebidas alcoólicas – fato, aliás, que o próprio nunca escondeu de ninguém, mas que de repente adquiriu a proporção de um ataque à honra nacional. Também foram recorrentes, ao longo do primeiro mandato de Lula, as diatribes lançadas contra a imprensa pelo próprio e por assessores seus apanhados em gatunagens.
Quando tudo isso, no entanto, parecia pertencer ao passado, eis que as últimas agressões e arbitrariedades contra jornalistas, não bastasse a sua gravidade intrínseca, ganharam uma moldura preocupante. Ao condenar de forma burocrática o espetáculo promovido por militantes do PT em Brasília, o presidente do partido, Marco Aurélio Garcia, aproveitou a oportunidade para sugerir à imprensa que fizesse uma "auto-reflexão" sobre sua atuação na campanha eleitoral. Ele afirmou ainda que os jornalistas deviam uma informação à sociedade: a de que o esquema do mensalão não existiu. Semelhantes disparates enquadram-se na tradição autoritária da esquerda marxista, da qual Garcia é um inebriado seguidor e que tem como uma de suas estratégias recorrer a eufemismos para perpetrar enormidades. Ao falar em "reflexão", ele na verdade quer dizer "genuflexão". Quando afirma, sem enrubescer, que o esquema do valerioduto não existiu, porque disso não há "evidências", o presidente do PT usa da mesma artimanha do camarada Stalin, que por várias vezes "reescreveu" a história da então União Soviética, apagando de textos históricos os relatos de fatos que lhe eram negativos e de fotografias as imagens de opositores políticos. Salvo melhor juízo, a imprensa ideal de Garcia é a cubana, que goza de toda a liberdade para elogiar Fidel Castro. O furo jornalístico mais recente da imprensa cubana se deu quando o comandante saiu da operação de um tumor no intestino. O furo não foi sobre a gravidade da doença. Esqueça. O jornal estampou a manchete "Absolvido pela história", reverberando a frase famosa do ditador dita quando sua revolução começou a matar gente indiscriminadamente e isso chamou a atenção do mundo.
Garcia, segundo um alto integrante da cúpula governamental, não passa de "um ideólogo perigoso que precisa ser afastado dos ouvidos do presidente". Mas, para dissipar receios, seria recomendável que o presidente Lula fosse mais enfático na condenação às tentativas de cerceamento à liberdade de imprensa. No caso dos constrangimentos impostos aos repórteres de VEJA pelo delegado da Polícia Federal, ele não se pronunciou publicamente. Pelo relato estampado no jornal Folha de S.Paulo, limitou-se a dizer a assessores que era um equívoco "vitimizar" setores da imprensa que julga terem sido "injustos" com ele. Ou seja, é lícito supor que, na visão de Lula, se a inquirição dos repórteres não vitimizasse a imprensa independente do governo, estaria tudo certo.
A acirrar as dúvidas sobre a convicção do atual governo em relação à necessidade de uma imprensa livre, um dos pilares do sistema democrático, levem-se em conta, ainda, as afirmações do ex-ministro Ciro Gomes, aliado de Lula, feitas também na semana passada a um jornalista chapa-branca. De acordo com Gomes, "é preciso incentivar dramaticamente os meios de comunicação alternativos, fortalecer cooperativas de jornalistas". A sintonia do ex-ministro com o programa de "democratização da mídia" do PT é comovente. O tal programa sugere a desconcentração da propriedade de emissoras de rádio e televisão. No que se refere à imprensa escrita, seria preciso criar um "programa de incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes". A verdade é que, por trás de propósitos aparentemente tão nobres, está a aspiração à criação de um kolkhoz jornalístico onde seriam apascentadas dóceis vaquinhas de presépio do governo petista. Por "jornais e revistas independentes", leia-se "publicações submissas ao PT". Quanto à desconcentração da mídia eletrônica – bem, que tal começar pelas emissoras de propriedade dos petistas de ocasião do Norte e do Nordeste?
A liberdade de imprensa tornou ao centro da discussão, o que não é um bom sinal para a democracia brasileira. Menos ainda quando até um chefe de polícia resolve emitir opiniões a respeito, na condição de chefe de polícia. Foi o que se permitiu o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, ao negar os abusos contra os repórteres de VEJA. Ele disse que jornalistas não estão acima da lei. De fato, não estão. Assim como também não estão delegados da PF, Gedimar Passos e Freud Godoy, principais beneficiários da "operação abafa" denunciada por VEJA. É curioso que a Polícia Federal se empenhe tanto nos depoimentos dos jornalistas da revista e seja tão frouxa na investigação desses personagens.
O delegado Moysés Eduardo Ferreira tratou os repórteres de VEJA como suspeitos, não permitiu que eles conversassem com sua advogada e, num ato de flagrante ilegalidade, não deixou que eles saíssem com a cópia de seus depoimentos. A coisa chegou a tal ponto que a procuradora da República Elizabeth Kobayashi, testemunha de tudo, procurou o repórter Marcelo Carneiro e a advogada da Editora Abril, Ana Rita Dutra, antes que eles deixassem as dependências da Polícia Federal. Relata Carneiro: "À nossa saída, já no hall dos elevadores do 9º andar da PF, a procuradora nos abordou e disse: 'Não deixe acontecer no próximo depoimento o que ocorreu hoje aqui. O delegado não podia ter proibido a conversa entre vocês' ". Um dia depois, a procuradora soltou uma nota ambígua, em que, apesar de não desmentir os fatos descritos por VEJA, afirma que, no seu "entendimento pessoal", não havia ocorrido intimidação. Compreende-se o receio de Elizabeth de ter parecido conivente com o delegado Moysés ao não usar de suas prerrogativas institucionais para detê-lo em suas arbitrariedades. Mas, a fim de evitar que nuvens escuras se adensem no horizonte, é preciso que todos se comportem à altura de suas responsabilidades – imprensa, governo, chefes de polícia e procuradores da República.
sexta-feira, agosto 24, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
A moda pegou
Depois da USP, agora é a vez do prédio da reitoria da UFSC ser invadido por "alunos". Sim, alunos, e entre aspas, mesmo, já que estudantes não são. Ao magnífico reitor, Lúcio Botelho, uma sugestão bem simples: faça como a direção da faculdade de direito da USP, que não titubeou e chamou a polícia ontem para retirar os invasores do prédio. Decisão irretorquível.
Em vez disso, Botelho preferiu um "apelo ao bom senso". Democrata? Não autoritário? Conciliador? Nada disso: pusilânime, mesmo.
segunda-feira, agosto 20, 2007
Prestando contas
Aos meus milhares de leitores, justifico que passei uma semana fora e, por isso, não atualizei o blog. Passei uns dias no meio-oeste catarinense. Fazia tempo que não ia por aquelas bandas. Muito bom. E trabalho intenso também. Na volta, vim pela serra. Gosto muito daquele clima. Aquela estrada entre Bom Jardim da Serra e Lages é uma delícia. É sempre bom andar por lá.
Visitei vários municípios em apenas cinco dias. Uma delícia.
Da serra para o mar. Desci pela inesquecível Serra do Rio do Rastro. Aproveitei e fui visitar minha mãe, em Araranguá, no litoral sul de Santa Catarina. Em Arroio do Silva, pude apreciar aquela tainha assada com pirão de peixe! E no dia seguinte, a incomparável papa-terra frita feita pela dona Janete. Incomparável!! Vida longa!
Bons motivos para deixar o blog de lado, não é mesmo?
Visitei vários municípios em apenas cinco dias. Uma delícia.
Da serra para o mar. Desci pela inesquecível Serra do Rio do Rastro. Aproveitei e fui visitar minha mãe, em Araranguá, no litoral sul de Santa Catarina. Em Arroio do Silva, pude apreciar aquela tainha assada com pirão de peixe! E no dia seguinte, a incomparável papa-terra frita feita pela dona Janete. Incomparável!! Vida longa!
Bons motivos para deixar o blog de lado, não é mesmo?
sábado, agosto 11, 2007
A modéstia passou longe
O rapaz não fez muita cerimônia ao dizer com todas as letras que os economistas são os cientistas sociais mais bem preparados. Será mesmo? Eu acho que ele não deixa de ter razão.
Está tudo lá no blog do professor Mankiw.
Fui lá em busca de uma avaliação original sobre a crise atual, mas o homem parece não querer mexer com isso, não.
Está tudo lá no blog do professor Mankiw.
Fui lá em busca de uma avaliação original sobre a crise atual, mas o homem parece não querer mexer com isso, não.
quarta-feira, agosto 08, 2007
Reforçando as estruturas
Ontem fui ao lançamento de alguns livros da editora da Univali, entre os quais Teoria das Estruturas II, do meu amigo Luiz Alberto Duarte Filho, professor de engenharia civil daquela universidade. Disse-me, na saída, que uma segunda edição já está a caminho, tamanha a demanda por um livro texto desse tipo. Sucesso, meu caro.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Dois pesos e duas medidas
Outra coisa que lembrei agora mostra o oportunismo e mau caratismo de certas pessoas. Quando desabou aquele buraco do metrô, em São Paulo, choveu gente (ou melhor, petista) culpando o governo do Estado (Alckmin e todos os tucanos). As construtoras só foram lembradas muito depois. Trataram logo de apelidá-lo de "buraco do Alckmin". No jogo pesado da politicagem, acho isso normal, pelo menos aqui no Bananão.
Mas os mesmos picaretas vêem golpismo agora em quem põe no Apedeuta boa parte da culpa do desastre da Tam. Ora, Alckmin não estava gerenciando as obras, assim como Lula não estava pilotando o avião. Se o primeiro foi "culpado" por ser "responsável" pela obra, o segundo também deve ter culpa por ser "responsável" pelo sistem aéreo e, mais especificamente, pela pista de Congonhas. Fosse ela mais longa, com área de escape, não teriam morrido 199 pessoas. Outros dois acidentes semelhantes ocorreram no exterior, com apenas três mortos - nenhum deles passageiro. Tivesse o governo investido primeiro em segurança, e não embelezado os prédios dos aeroportos, o desastre poderia ter sido minimizado.
Mas o que importa, mesmo, é a maquiar. "Ifftou convenffido de que nunca anteff neffepaiff" a fachada foi tão importante.
Mas os mesmos picaretas vêem golpismo agora em quem põe no Apedeuta boa parte da culpa do desastre da Tam. Ora, Alckmin não estava gerenciando as obras, assim como Lula não estava pilotando o avião. Se o primeiro foi "culpado" por ser "responsável" pela obra, o segundo também deve ter culpa por ser "responsável" pelo sistem aéreo e, mais especificamente, pela pista de Congonhas. Fosse ela mais longa, com área de escape, não teriam morrido 199 pessoas. Outros dois acidentes semelhantes ocorreram no exterior, com apenas três mortos - nenhum deles passageiro. Tivesse o governo investido primeiro em segurança, e não embelezado os prédios dos aeroportos, o desastre poderia ter sido minimizado.
Mas o que importa, mesmo, é a maquiar. "Ifftou convenffido de que nunca anteff neffepaiff" a fachada foi tão importante.
Ameaça
Senti um certo tom de ameaça no discurso do Lula lá no Mato Grosso, num ambiente fechado, já que não freqüenta mais as ruas por medo de vaias. Aqui em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul ele não vem tão cedo. hahaha
Voltando ao discurso. A menção à ditadura me pareceu fora de propósito. A menos que ele esteja pensando nisso. É só se espelhar no ditador da Venezuela. É bom que fiquemos atentos.
E por falar em ditadura, é engraçado que a maioria dos que a ela se opuseram, nos 60 e 70, agora não têm vergonha em falar de boicote à "mídia golpista". Não se pode criticar o desgoverno do pt sob pena de ser acusado de golpismo. Para os desesperados "amigos do presidente", criticá-lo é um ato que não cabe à democracia - pelo menos não no modelo como a concebem. Na democracia deles, só aplauso e bajulação. Para esse serviço, não faltarão coleguinhas jornalistas a bom soldo.
Voltando ao discurso. A menção à ditadura me pareceu fora de propósito. A menos que ele esteja pensando nisso. É só se espelhar no ditador da Venezuela. É bom que fiquemos atentos.
E por falar em ditadura, é engraçado que a maioria dos que a ela se opuseram, nos 60 e 70, agora não têm vergonha em falar de boicote à "mídia golpista". Não se pode criticar o desgoverno do pt sob pena de ser acusado de golpismo. Para os desesperados "amigos do presidente", criticá-lo é um ato que não cabe à democracia - pelo menos não no modelo como a concebem. Na democracia deles, só aplauso e bajulação. Para esse serviço, não faltarão coleguinhas jornalistas a bom soldo.
terça-feira, julho 31, 2007
Se fosse petista, seria "golpismo"
O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por suposto abuso de poder econômico na última eleição. Se fosse um petista, a matilha petralha diria que tudo não passara de "golpismo". Golpe - e outras derivadas, como golpismo, golpista - é a palavra do momento na boca da tropa de choque petista, que conta com a participação de coleguinhas jornalistas ilustres, como Luis Nassif.
E não estou aqui defendendo o governador, não. Nem sequer o conheço. Fica muito longe daqui de Santa Catarina. Se abusou do poder econômico, que perca o mandato mesmo.
E não estou aqui defendendo o governador, não. Nem sequer o conheço. Fica muito longe daqui de Santa Catarina. Se abusou do poder econômico, que perca o mandato mesmo.
segunda-feira, julho 30, 2007
Oportunistas
E o oportunismo petista não tem limites. Notem que, quando a informação lhes convém, não há reparos quanto à Veja. Mas quando a revista critica o governo, daí então passa a ser golpista. Se a matéria desta semana dissesse que a culpa pelo acidente é do governo, seria atirada na vala comum do golpismo.
Aliás, esse discurso de golpismo é muito interessante. Coleguinhas chapa-branca de hoje reclamam dos que criticam o governo - papel de toda imprensa que se preze. Para os bajuladores de agora, os críticos querem dar um golpe no apedeuta. Engraçado isso. Quer dizer que eles podiam desancar o FHC, todo santo dia, toda santa semana, mas agora não se pode fazer o mesmo com o Luis Inércio?
Hoje, qualquer crítica ao governo é interpretada como tentativa de golpe; é preconceito contra o metalúrgico pobre que veio do Nordeste; é preconceito contra os nordestinos, e blá, blá, blá. A grande mídia é "golpista". Já as "cartas" e "caros" fazem jornalismo "independente". Só eles têm o direito de fazer oposição, são a reserva moral "deffepaiff". É de chorar de rir.
Aliás, esse discurso de golpismo é muito interessante. Coleguinhas chapa-branca de hoje reclamam dos que criticam o governo - papel de toda imprensa que se preze. Para os bajuladores de agora, os críticos querem dar um golpe no apedeuta. Engraçado isso. Quer dizer que eles podiam desancar o FHC, todo santo dia, toda santa semana, mas agora não se pode fazer o mesmo com o Luis Inércio?
Hoje, qualquer crítica ao governo é interpretada como tentativa de golpe; é preconceito contra o metalúrgico pobre que veio do Nordeste; é preconceito contra os nordestinos, e blá, blá, blá. A grande mídia é "golpista". Já as "cartas" e "caros" fazem jornalismo "independente". Só eles têm o direito de fazer oposição, são a reserva moral "deffepaiff". É de chorar de rir.
Só aqui
Capitaneados pelo finíssimo Sargento Garcia, os petistas estão comemorando a matéria da Veja desta semana que informa ter havido erro dos pilotos do jato da Tam no acidente que matou quase 200 pessoas. Na lógica torta e desumana dessa gente (?), isso exime o desgoverno de qualquer responsabilidade.
Oportunistas como sempre, esquecem de citar uma parte fundamental da reportagem: a de que pelo menos outros dois erros semelhantes ocorreram com aviões de mesmo modelo, nas Filipinas, em 1998, e em Taipei, em 2004. No primeiro, três pessoas morreram, nenhum deles estava no avião, mas em terra. No segundo, nem sequer feridos gravemente. Ambos os aeroportos tinham vastas áreas de escape e pistas maiores do que a de Congonhas.
Por que só aqui morreram todos os passageiros e tripulantes? Perguntem ao apedeuta - ou ao novo ministro, aquele mesmo que se orgulha de ter estuprado o texto constitucional de 1988.
Oportunistas como sempre, esquecem de citar uma parte fundamental da reportagem: a de que pelo menos outros dois erros semelhantes ocorreram com aviões de mesmo modelo, nas Filipinas, em 1998, e em Taipei, em 2004. No primeiro, três pessoas morreram, nenhum deles estava no avião, mas em terra. No segundo, nem sequer feridos gravemente. Ambos os aeroportos tinham vastas áreas de escape e pistas maiores do que a de Congonhas.
Por que só aqui morreram todos os passageiros e tripulantes? Perguntem ao apedeuta - ou ao novo ministro, aquele mesmo que se orgulha de ter estuprado o texto constitucional de 1988.
quarta-feira, julho 25, 2007
A bruxa tá solta
Outro Airbus da Tam apresenta problema em uma das turbinas e faz um pouso não programado em Londrina. Um avião da FAB perde um pedaço da carenagem na Amazônia e faz pouso de emergência. E parte do teto do aeroporto de Viracopos desaba.
E para piorar tudo isso, o inepto Waldir Pires é substituído pelo asqueroso Nelson Jobim, o douto que estuprou o texto constitucional de 1988 e roubou um sino do colégio onde estudou. Dizer que parecemos o Congo, como sugeriu um cara da delegação americana no Pan, é ofender os africanos.
E para piorar tudo isso, o inepto Waldir Pires é substituído pelo asqueroso Nelson Jobim, o douto que estuprou o texto constitucional de 1988 e roubou um sino do colégio onde estudou. Dizer que parecemos o Congo, como sugeriu um cara da delegação americana no Pan, é ofender os africanos.
A incompetência não tem limite
Uma semana depois da tragédia, algumas coisas estão bem claras - e mostram quão indigentes são nossas autoridades federais.
1. A pista de Congonhas sempre foi inadequada para aviões de grande porte.
2. A pista principal foi liberada antes de completada a reforma por pressão das empresas aéreas.
3. Anac e Infraero cederam às pressões.
4. A pista não poderia funcionar em dias de chuva.
5. Mesmo assim a Tam colocou para pousar lá um avião com defeito no sistema de frenagem.
6. Uma hora antes do pouso fatídico, uma dupla de "experts" da Infraero fez uma inspeção e liberou a pista para pousos. Detalhe: a inspeção foi "visual", ou seja, os caras só olharam para a pista e pronto. Deviam ter olho biônico para detectar se a lâmina d´água era inferior a 3 mm (pouco mais do que a espessura de uma moeda de 50 centavos).
7. A pista de Congonhas começa a desmoronar.
8. Enquanto tudo isso acontece e 200 pessoas perdem a vida num aeroporto superlotado, os aeroportos de Vira Copos (Campinas) e Confins (Belo Horizonte) operam abaixo de suas capacidades. Ambas ficam longe de áreas urbanas, têm pistas muito maiores do que a de Congonhas e áreas de escape.
9. Por pressão das empresas, Infraero e Anac não foram capazes de deslocar os vôos de Congonhas - nem mesmo com os problemas gerados depois do acidente com o Boeing da Gol, no ano passado.
10. A culpa é do governo, sem dúvida. Não fiscaliza e cede às pressões das companhias, não planeja o funcionamento do sistema aéreo, não zela pela seguranças das pessoas. Inepto - para não dizer assassino. E ainda passam a vergonha de confundir uma sucata com a caixa preta do avião.
1. A pista de Congonhas sempre foi inadequada para aviões de grande porte.
2. A pista principal foi liberada antes de completada a reforma por pressão das empresas aéreas.
3. Anac e Infraero cederam às pressões.
4. A pista não poderia funcionar em dias de chuva.
5. Mesmo assim a Tam colocou para pousar lá um avião com defeito no sistema de frenagem.
6. Uma hora antes do pouso fatídico, uma dupla de "experts" da Infraero fez uma inspeção e liberou a pista para pousos. Detalhe: a inspeção foi "visual", ou seja, os caras só olharam para a pista e pronto. Deviam ter olho biônico para detectar se a lâmina d´água era inferior a 3 mm (pouco mais do que a espessura de uma moeda de 50 centavos).
7. A pista de Congonhas começa a desmoronar.
8. Enquanto tudo isso acontece e 200 pessoas perdem a vida num aeroporto superlotado, os aeroportos de Vira Copos (Campinas) e Confins (Belo Horizonte) operam abaixo de suas capacidades. Ambas ficam longe de áreas urbanas, têm pistas muito maiores do que a de Congonhas e áreas de escape.
9. Por pressão das empresas, Infraero e Anac não foram capazes de deslocar os vôos de Congonhas - nem mesmo com os problemas gerados depois do acidente com o Boeing da Gol, no ano passado.
10. A culpa é do governo, sem dúvida. Não fiscaliza e cede às pressões das companhias, não planeja o funcionamento do sistema aéreo, não zela pela seguranças das pessoas. Inepto - para não dizer assassino. E ainda passam a vergonha de confundir uma sucata com a caixa preta do avião.
quinta-feira, julho 19, 2007
Tudo o que eu queria dizer
O que ocorreu não foi acidente, foi crime
FRANCISCO DAUDT
COLUNISTA DA REVISTA DA FOLHA
Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.
Remeto-me ao livro de García Marquez, "Crônica de uma morte anunciada". Todos sabiam e ninguém fez nada. E não me refiro a você, leitor, que se consome em sua impotência diante deste e de tantos descalabros que vimos assistindo semanalmente. Ao ponto de a ministra se permitir ao deboche extremo do "relaxa e goza'? Será esta sua recomendação aos parentes das novas vítimas? Refiro-me às autoridades (in)competentes, inapetentes de trabalho gestor. Refiro-me ao presidente Lula, que, há quantos meses, ó Senhor, disse em uma de suas bazófias inconseqüentes que queria "data e hora para o apagão aéreo acabar", como se não dispusesse da devida autoridade para tal.
Sinto pena de não ter estado na abertura do Pan, de não ter engrossado aquelas bem merecidas vaias. Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais "elites", que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer.
Qual de nós escapou do medo de voar desde o desastre da Gol HÁ NOVE MESES? Qual de nós assistiu confortável o jogo de empurra, "a culpa é dos controladores'; "não, é do ministério da defesa'; "a mídia também exagera tudo'; "é do lobby das empreiteiras que só querem fazer obras inúteis e superfaturadas nos aeroportos". Qual de nós deixou de ficar perplexo com a falta de ação efetiva para que o problema se resolvesse?
Perdão, acho que a tal falta de ação geral de governo é de tamanho tão extenso e dura tanto tempo que muitos de nós a ela nos acostumamos. Sou psicanalista, e, por dever de ofício, devo escutar o que meus clientes queiram dizer. Pois nunca pensei que fosse pronunciar no consultório uma frase que venho repetindo há algum tempo, depois de que mensalões, valeriodutos, Land-Rovers, dólares na cueca, dossiês fajutos, renans calheiros, criminalidade, insegurança pública, impunidade, pizzas e tudo isso que o leitor já sabe se despejam fétida, diária e gosmentamente sobre nossas cabeças. A tal frase: "Não quero falar desse assunto". Os pacientes me respondem com alívio, "Ufa, eu também não!' É o desabafo da impotência partilhada. "Welcome to Congo'? Talvez seja um insulto ao Congo.
Pois agora quero falar deste assunto. Deram-me a oportunidade de ser menos impotente. Sei que falo por uma enorme quantidade de brasileiros trabalhadores que sustentam essa máquina de (des)governo, muitos mais que os 90 mil do Maracanã, para expressar o nojo e a raiva que esse acúmulo de barbaridades nos provoca.
O governo sairá da inação, da omissão criminosa? Alguém será preso, punido por todas essas coisas? Infelizmente, duvido. Talvez condenem a mim, por ter deixado o coração explodir. Pagarei o preço alegremente, lembrando Graciliano Ramos, que, visitado no cárcere, travou com o amigo o seguinte diálogo: - Puxa, Graça, você, aí dentro, de novo? - E você, o que faz aí fora? Nestes tempos, lugar de homem honesto é na cadeia.
FRANCISCO DAUDT , 59, é psicanalista e colunista da Revista da Folha
FRANCISCO DAUDT
COLUNISTA DA REVISTA DA FOLHA
Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.
Remeto-me ao livro de García Marquez, "Crônica de uma morte anunciada". Todos sabiam e ninguém fez nada. E não me refiro a você, leitor, que se consome em sua impotência diante deste e de tantos descalabros que vimos assistindo semanalmente. Ao ponto de a ministra se permitir ao deboche extremo do "relaxa e goza'? Será esta sua recomendação aos parentes das novas vítimas? Refiro-me às autoridades (in)competentes, inapetentes de trabalho gestor. Refiro-me ao presidente Lula, que, há quantos meses, ó Senhor, disse em uma de suas bazófias inconseqüentes que queria "data e hora para o apagão aéreo acabar", como se não dispusesse da devida autoridade para tal.
Sinto pena de não ter estado na abertura do Pan, de não ter engrossado aquelas bem merecidas vaias. Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais "elites", que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer.
Qual de nós escapou do medo de voar desde o desastre da Gol HÁ NOVE MESES? Qual de nós assistiu confortável o jogo de empurra, "a culpa é dos controladores'; "não, é do ministério da defesa'; "a mídia também exagera tudo'; "é do lobby das empreiteiras que só querem fazer obras inúteis e superfaturadas nos aeroportos". Qual de nós deixou de ficar perplexo com a falta de ação efetiva para que o problema se resolvesse?
Perdão, acho que a tal falta de ação geral de governo é de tamanho tão extenso e dura tanto tempo que muitos de nós a ela nos acostumamos. Sou psicanalista, e, por dever de ofício, devo escutar o que meus clientes queiram dizer. Pois nunca pensei que fosse pronunciar no consultório uma frase que venho repetindo há algum tempo, depois de que mensalões, valeriodutos, Land-Rovers, dólares na cueca, dossiês fajutos, renans calheiros, criminalidade, insegurança pública, impunidade, pizzas e tudo isso que o leitor já sabe se despejam fétida, diária e gosmentamente sobre nossas cabeças. A tal frase: "Não quero falar desse assunto". Os pacientes me respondem com alívio, "Ufa, eu também não!' É o desabafo da impotência partilhada. "Welcome to Congo'? Talvez seja um insulto ao Congo.
Pois agora quero falar deste assunto. Deram-me a oportunidade de ser menos impotente. Sei que falo por uma enorme quantidade de brasileiros trabalhadores que sustentam essa máquina de (des)governo, muitos mais que os 90 mil do Maracanã, para expressar o nojo e a raiva que esse acúmulo de barbaridades nos provoca.
O governo sairá da inação, da omissão criminosa? Alguém será preso, punido por todas essas coisas? Infelizmente, duvido. Talvez condenem a mim, por ter deixado o coração explodir. Pagarei o preço alegremente, lembrando Graciliano Ramos, que, visitado no cárcere, travou com o amigo o seguinte diálogo: - Puxa, Graça, você, aí dentro, de novo? - E você, o que faz aí fora? Nestes tempos, lugar de homem honesto é na cadeia.
FRANCISCO DAUDT , 59, é psicanalista e colunista da Revista da Folha
quarta-feira, julho 18, 2007
Nota da Fiesc
MANIFESTO PELA RESPONSABILIDADE
O acidente do vôo 3054, com cerca de duas centenas de mortes, comove e choca o País. Infelizmente não é um caso isolado. É mais um sintoma de uma crise que se arrasta há quase um ano e que ganhou visibilidade para o grande público, lamentavelmente, com outra tragédia - a do vôo 1907, na Amazônia, com 154 vítimas fatais. Tantas outras “quase tragédias” foram noticiadas desde então, levando pânico para quem depende da aviação brasileira. Agora as pessoas pensam duas vezes antes de voar e isso pode resultar em lentidão nas decisões que precisam ser tomadas.
O País assiste a tudo isso atônito. Atordoado com a letargia. Com a inoperância frente à situação. E ela vai muito além das notícias, que muitas vezes parecem inverossímeis de tão graves, sobre uma injustificável crise aérea.
Mais lastimável é o fato de a própria crise aérea ser também apenas o indício de algo que parece estar se generalizando: a displicência com que são tratadas questões prementes. Como se tivéssemos perdido a capacidade de nos indignarmos com o conteúdo que vemos todos os dias no noticiário: a escalada da corrupção, o desrespeito à propriedade privada, a incapacidade de nomear pessoas para ocupar cargos públicos de primeiro escalão ou o comportamento de políticos que devem, mas não prestam explicações à opinião pública.
O mais preocupante nesse quadro é a sensação de falta de comando. As crises que vivemos precisam de solução. O País lutou muito para construir suas instituições e a credibilidade delas está em jogo.
Alcantaro Corrêa, presidente do Sistema FIESC
O acidente do vôo 3054, com cerca de duas centenas de mortes, comove e choca o País. Infelizmente não é um caso isolado. É mais um sintoma de uma crise que se arrasta há quase um ano e que ganhou visibilidade para o grande público, lamentavelmente, com outra tragédia - a do vôo 1907, na Amazônia, com 154 vítimas fatais. Tantas outras “quase tragédias” foram noticiadas desde então, levando pânico para quem depende da aviação brasileira. Agora as pessoas pensam duas vezes antes de voar e isso pode resultar em lentidão nas decisões que precisam ser tomadas.
O País assiste a tudo isso atônito. Atordoado com a letargia. Com a inoperância frente à situação. E ela vai muito além das notícias, que muitas vezes parecem inverossímeis de tão graves, sobre uma injustificável crise aérea.
Mais lastimável é o fato de a própria crise aérea ser também apenas o indício de algo que parece estar se generalizando: a displicência com que são tratadas questões prementes. Como se tivéssemos perdido a capacidade de nos indignarmos com o conteúdo que vemos todos os dias no noticiário: a escalada da corrupção, o desrespeito à propriedade privada, a incapacidade de nomear pessoas para ocupar cargos públicos de primeiro escalão ou o comportamento de políticos que devem, mas não prestam explicações à opinião pública.
O mais preocupante nesse quadro é a sensação de falta de comando. As crises que vivemos precisam de solução. O País lutou muito para construir suas instituições e a credibilidade delas está em jogo.
Alcantaro Corrêa, presidente do Sistema FIESC
Que tristeza!
É difícil não se emocionar com esta tragédia toda. Ontem, uma mãe desesperada chorava a morte dos dois filhos adolescentes, jogado no chão do aeroporto de Congonhas. Um outro garoto conseguiu falar com a mãe pelo celular e certificou-se de que ela não tomara aquele vôo. Alívio.
Hoje, a Infraero abriu Congonhas com restrições para aviões grandes e pesados. Ou seja, esperaram morrer mais 200 pessoas para fazer o que o bom senso exigia há muito tempo!! E liberaram a pista sem as ranhuras (grooving) que escoam a água da chuva e impede a aquaplanagem!! Não há outro nome: isso é assassinato.
Ontem à noite, no aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, um homem resumia a indignação da nação. Mais ou menos assim: "Ninguém faz nada. As pessoas estão reagindo como se isso fosse normal." É isso mesmo. A impressão da gente é que ninguém pode nos livrar destes incompetentes e corruptos que nos desgovernam.
Como diz o Cláudio Shikida, do De Gustibus, agora vão vir com aquela lenga-lenga de que a consternação é porque o problema afeta a classe média, ou porque o presidente é operário. Enfim, o velho discurso petóide que, neste caso, se reveste de conivência com um crime; não 171, como nós já estamos acostumados a ver, mas assassinato.
Quando será o próximo?
Hoje, a Infraero abriu Congonhas com restrições para aviões grandes e pesados. Ou seja, esperaram morrer mais 200 pessoas para fazer o que o bom senso exigia há muito tempo!! E liberaram a pista sem as ranhuras (grooving) que escoam a água da chuva e impede a aquaplanagem!! Não há outro nome: isso é assassinato.
Ontem à noite, no aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, um homem resumia a indignação da nação. Mais ou menos assim: "Ninguém faz nada. As pessoas estão reagindo como se isso fosse normal." É isso mesmo. A impressão da gente é que ninguém pode nos livrar destes incompetentes e corruptos que nos desgovernam.
Como diz o Cláudio Shikida, do De Gustibus, agora vão vir com aquela lenga-lenga de que a consternação é porque o problema afeta a classe média, ou porque o presidente é operário. Enfim, o velho discurso petóide que, neste caso, se reveste de conivência com um crime; não 171, como nós já estamos acostumados a ver, mas assassinato.
Quando será o próximo?
Nota oficial do Planalto
"Efftou convenffido de que nunca anteff neffe paiff caiu tanto avião num só governo".
terça-feira, julho 17, 2007
Assassinato anunciado
Há várias formas de um governo matar pessoas. O governo brasileiro inovou.
Salve-se quem puder.
O acidente foi a uns 150 metros de ondeu eu morava em São Paulo.
Salve-se quem puder.
O acidente foi a uns 150 metros de ondeu eu morava em São Paulo.
sábado, julho 14, 2007
sexta-feira, julho 13, 2007
O cérebro é fascinante
A palestra do professor Renato Flores é muito, mas muito interessante mesmo.
“A criatividade e os Mapas Neurais: o que a neurociência tem a ensinar aos tomadores de decisão” – Renato Flores, Geneticista do Comportamento e Professor do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
“A criatividade e os Mapas Neurais: o que a neurociência tem a ensinar aos tomadores de decisão” – Renato Flores, Geneticista do Comportamento e Professor do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
E dá-lhe mordaça!
O tucano petista Aécio Neves dá uma grande contribuição para o aumento da corrupção e da impunidade "neffepaiff".
É assim que começam a solapar as bases da democracia, devagarinho, usando os próprias instituições democráticas. Precisamos da eterna vigilância.
É assim que começam a solapar as bases da democracia, devagarinho, usando os próprias instituições democráticas. Precisamos da eterna vigilância.
quinta-feira, julho 12, 2007
Testosterona e racionalidade econômica
The Economist que me perdoe, mas não resisto. Reproduzo artigo interessantíssimo.
In english - I´m sorry.
Neuroeconomics
Money isn't everything
Men with a lot of testosterone make curious economic choices
PSYCHOLOGISTS have known for a long time that economists are wrong. Most economists—at least, those of the classical persuasion—believe that any financial gain, however small, is worth having. But psychologists know this is not true. They know because of the ultimatum game, the outcome of which is often the rejection of free money.
In this game, one player divides a pot of money between himself and another. The other then chooses whether to accept the offer. If he rejects it, neither player benefits. And despite the instincts of classical economics, a stingy offer (one that is less than about a quarter of the total) is, indeed, usually rejected. The question is, why?
One explanation of the rejectionist strategy is that human psychology is adapted for repeated interactions rather than one-off trades. In this case, taking a tough, if self-sacrificial, line at the beginning pays dividends in future rounds of the game. Rejecting a stingy offer in a one-off game is thus just a single move in a larger strategy. And indeed, when one-off ultimatum games are played by trained economists, who know all this, they do tend to accept stingy offers more often than other people would. But even they have their limits. To throw some light on why those limits exist, Terence Burnham of Harvard University recently gathered a group of students of microeconomics and asked them to play the ultimatum game. All of the students he recruited were men.
Dr Burnham's research budget ran to a bunch of $40 games. When there are many rounds in the ultimatum game, players learn to split the money more or less equally. But Dr Burnham was interested in a game of only one round. In this game, which the players knew in advance was final and could thus not affect future outcomes, proposers could choose only between offering the other player $25 (ie, more than half the total) or $5. Responders could accept or reject the offer as usual. Those results recorded, Dr Burnham took saliva samples from all the students and compared the testosterone levels assessed from those samples with decisions made in the one-round game.
As he describes in the Proceedings of the Royal Society, the responders who rejected a low final offer had an average testosterone level more than 50% higher than the average of those who accepted. Five of the seven men with the highest testosterone levels in the study rejected a $5 ultimate offer but only one of the 19 others made the same decision.
What Dr Burnham's result supports is a much deeper rejection of the tenets of classical economics than one based on a slight mis-evolution of negotiating skills. It backs the idea that what people really strive for is relative rather than absolute prosperity. They would rather accept less themselves than see a rival get ahead. That is likely to be particularly true in individuals with high testosterone levels, since that hormone is correlated with social dominance in many species.
Economists often refer to this sort of behaviour as irrational. In fact, it is not. It is simply, as it were, differently rational. The things that money can buy are merely means to an end—social status—that brings desirable reproductive opportunities. If another route brings that status more directly, money is irrelevant.
In english - I´m sorry.
Neuroeconomics
Money isn't everything
Men with a lot of testosterone make curious economic choices
PSYCHOLOGISTS have known for a long time that economists are wrong. Most economists—at least, those of the classical persuasion—believe that any financial gain, however small, is worth having. But psychologists know this is not true. They know because of the ultimatum game, the outcome of which is often the rejection of free money.
In this game, one player divides a pot of money between himself and another. The other then chooses whether to accept the offer. If he rejects it, neither player benefits. And despite the instincts of classical economics, a stingy offer (one that is less than about a quarter of the total) is, indeed, usually rejected. The question is, why?
One explanation of the rejectionist strategy is that human psychology is adapted for repeated interactions rather than one-off trades. In this case, taking a tough, if self-sacrificial, line at the beginning pays dividends in future rounds of the game. Rejecting a stingy offer in a one-off game is thus just a single move in a larger strategy. And indeed, when one-off ultimatum games are played by trained economists, who know all this, they do tend to accept stingy offers more often than other people would. But even they have their limits. To throw some light on why those limits exist, Terence Burnham of Harvard University recently gathered a group of students of microeconomics and asked them to play the ultimatum game. All of the students he recruited were men.
Dr Burnham's research budget ran to a bunch of $40 games. When there are many rounds in the ultimatum game, players learn to split the money more or less equally. But Dr Burnham was interested in a game of only one round. In this game, which the players knew in advance was final and could thus not affect future outcomes, proposers could choose only between offering the other player $25 (ie, more than half the total) or $5. Responders could accept or reject the offer as usual. Those results recorded, Dr Burnham took saliva samples from all the students and compared the testosterone levels assessed from those samples with decisions made in the one-round game.
As he describes in the Proceedings of the Royal Society, the responders who rejected a low final offer had an average testosterone level more than 50% higher than the average of those who accepted. Five of the seven men with the highest testosterone levels in the study rejected a $5 ultimate offer but only one of the 19 others made the same decision.
What Dr Burnham's result supports is a much deeper rejection of the tenets of classical economics than one based on a slight mis-evolution of negotiating skills. It backs the idea that what people really strive for is relative rather than absolute prosperity. They would rather accept less themselves than see a rival get ahead. That is likely to be particularly true in individuals with high testosterone levels, since that hormone is correlated with social dominance in many species.
Economists often refer to this sort of behaviour as irrational. In fact, it is not. It is simply, as it were, differently rational. The things that money can buy are merely means to an end—social status—that brings desirable reproductive opportunities. If another route brings that status more directly, money is irrelevant.
quarta-feira, julho 11, 2007
E se alastra
Infelizmente, mais uma universidade capitula. A UFSC, onde estudei, aderiu às cotas.
Não concordo com essas ações afirmativas. Na UnB, a vanguarda para o século XIX, deu em aberrações como aceitar um garoto e recusar o irmão gêmeo.
Prefiro esta aqui, da própria UFSC. Esta, sim, ajuda os alunos carentes a entrar na universidade. Mas por seus próprios méritos. Só o esforço pode ser o caminho para o sucesso.
Não concordo com essas ações afirmativas. Na UnB, a vanguarda para o século XIX, deu em aberrações como aceitar um garoto e recusar o irmão gêmeo.
Prefiro esta aqui, da própria UFSC. Esta, sim, ajuda os alunos carentes a entrar na universidade. Mas por seus próprios méritos. Só o esforço pode ser o caminho para o sucesso.
terça-feira, julho 10, 2007
Estamos melhorando?

Matéria do meu ex-colega de Gazeta Mercantil, Eduardo Geraque, na FSP de hoje.
Ciência brasileira é 20ª em importância
A ciência brasileira está na 20ª colocação no ranking mundial de índice de impacto -a fórmula usada para medir a qualidade de trabalhos científicos. Um levantamento divulgado ontem pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) indica que os estudos publicados entre 2002 e 2006 atingiram uma pontuação média de 2,95.O número foi obtido a partir de uma equação que leva em conta o número de vezes que cada artigo é citado por outros e considera a qualidade da revista onde a pesquisa é publicada.
O ranking, apresentado ontem na reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Belém, mostra que os cientistas brasileiros também melhoram em produtividade. A produção brasileira relativa a 2006 atingiu 16.872 artigos e fez o país ganhar duas posições no ranking de produtividade. O Brasil passou a Suíça e a Suécia e é agora o 15º (veja quadro à dir.).
Os EUA continuam disparados no primeiro lugar, dando conta de 32,3% da ciência feita no mundo. Logo depois vêm Alemanha, Japão, China e Inglaterra, nesta ordem. "Apesar de o Brasil estar atrás da China em termos quantitativos, o impacto da ciência brasileira está mais alto", disse Jorge Guimarães, presidente da Capes.
O impacto de artigos científicos é medido com base no números de vezes que um mesmo artigo científico é citado. Vale apenas a publicação de trabalhos em revistas indexadas em um sistema reconhecido por todos os países, chamado de ISI. O Brasil tem 28 revistas nesse banco de dados.
O crescimento da ciência no Brasil ocorreu em várias áreas, mas algumas se destacaram. "Uma das que mais chamam a atenção é a medicina, que cresceu quantitativamente 17% no triênio 2004-2006 em relação aos três anos imediatamente anteriores", disse Guimarães. Segundo ele, a própria Capes ajudou, adotando uma cobrança mas forte por qualidade no seu sistema de avaliação.
"Temos mais de 400 cursos de medicina hoje no país. E aqueles que estão ruins estão sendo fechados", afirmou. A área que mais cresceu em produção foi a de psicologia e psiquiatria, com índice de 70%.Apesar de críticas, o sistema de avaliação da pós-graduação e da pesquisa que dá peso à quantidade de artigos, segundo Guimarães, é eficaz. "Tem gente que acha que não pode nem avaliar, mas não existe outra forma. A vida é uma pressão permanente. Na área acadêmica, isso é que gera as lideranças", disse Guimarães. "Claro que não podemos exagerar. Publicar por publicar não é certo."
Ciência brasileira é 20ª em importância
A ciência brasileira está na 20ª colocação no ranking mundial de índice de impacto -a fórmula usada para medir a qualidade de trabalhos científicos. Um levantamento divulgado ontem pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) indica que os estudos publicados entre 2002 e 2006 atingiram uma pontuação média de 2,95.O número foi obtido a partir de uma equação que leva em conta o número de vezes que cada artigo é citado por outros e considera a qualidade da revista onde a pesquisa é publicada.
O ranking, apresentado ontem na reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Belém, mostra que os cientistas brasileiros também melhoram em produtividade. A produção brasileira relativa a 2006 atingiu 16.872 artigos e fez o país ganhar duas posições no ranking de produtividade. O Brasil passou a Suíça e a Suécia e é agora o 15º (veja quadro à dir.).
Os EUA continuam disparados no primeiro lugar, dando conta de 32,3% da ciência feita no mundo. Logo depois vêm Alemanha, Japão, China e Inglaterra, nesta ordem. "Apesar de o Brasil estar atrás da China em termos quantitativos, o impacto da ciência brasileira está mais alto", disse Jorge Guimarães, presidente da Capes.
O impacto de artigos científicos é medido com base no números de vezes que um mesmo artigo científico é citado. Vale apenas a publicação de trabalhos em revistas indexadas em um sistema reconhecido por todos os países, chamado de ISI. O Brasil tem 28 revistas nesse banco de dados.
O crescimento da ciência no Brasil ocorreu em várias áreas, mas algumas se destacaram. "Uma das que mais chamam a atenção é a medicina, que cresceu quantitativamente 17% no triênio 2004-2006 em relação aos três anos imediatamente anteriores", disse Guimarães. Segundo ele, a própria Capes ajudou, adotando uma cobrança mas forte por qualidade no seu sistema de avaliação.
"Temos mais de 400 cursos de medicina hoje no país. E aqueles que estão ruins estão sendo fechados", afirmou. A área que mais cresceu em produção foi a de psicologia e psiquiatria, com índice de 70%.Apesar de críticas, o sistema de avaliação da pós-graduação e da pesquisa que dá peso à quantidade de artigos, segundo Guimarães, é eficaz. "Tem gente que acha que não pode nem avaliar, mas não existe outra forma. A vida é uma pressão permanente. Na área acadêmica, isso é que gera as lideranças", disse Guimarães. "Claro que não podemos exagerar. Publicar por publicar não é certo."
sábado, julho 07, 2007
sexta-feira, julho 06, 2007
segunda-feira, julho 02, 2007
Susto
Passei um susto ao saber que meu amigo Serginho Severino (uma das melhores pessoas que conheço) sofrera uma acidente na Guatemala. Ele está fazendo o caminho das Américas, indo de um extremo ao outro do continente com a sua Nave - um Land Rover Defender. Graças a Deus está tudo bem com ele. A aventura é narrada aqui - não perca. Tudibom aí, Severino!
quarta-feira, junho 27, 2007
Apodreçam na cadeia
Acabo de ver na televisão que os playboys que tentaram matar uma moça num ponto de ônibus no Rio de Janeiro (tinha que ser lá) também costumam provocar arruaças em todo lugar, sempre de forma covarde, em bando. Isso que são: um bando. Um bando de covardes.
E uma moradora da região disse que os vizinhos se recusam a falar porque têm receio da reação dos pais dos bandidinhos. Isso mesmo; os pais acobertam tudo. Afinal, são apenas estudantes inofensivos que não poderiam ser misturados com os bandidos na cadeia - como disse um dos pais. Deveriam era ser presos também.
Isso explica porque este país está nesta situação vexatória, deprimente, sem volta. O governo rouba, o ministro rouba, o deputado rouba, o senador rouba, mas o povo continua aprovando o governo, como indicam as últimas pesquisas. Claro, pessoas que acham que espancar e matar não é motivo para ir em cana só podem aprovar um governo corrupto.
E esqueci de mencionar aqui o caso do policial-marginal que matou um aposentado na fila do caixa eletrônico porque se achava no direito de passar na frente dos outros; e também os delinqüentes que mataram um garoto nos Jardins, zona nobre de São Paulo. Só o fim da impunidade pode dar um basta nisso. Enquanto esses marginais forem soltos rapidinhos, voltarão a espancar e matar. E mais: deve haver um rito célere para julgar esses bandidos.
E uma moradora da região disse que os vizinhos se recusam a falar porque têm receio da reação dos pais dos bandidinhos. Isso mesmo; os pais acobertam tudo. Afinal, são apenas estudantes inofensivos que não poderiam ser misturados com os bandidos na cadeia - como disse um dos pais. Deveriam era ser presos também.
Isso explica porque este país está nesta situação vexatória, deprimente, sem volta. O governo rouba, o ministro rouba, o deputado rouba, o senador rouba, mas o povo continua aprovando o governo, como indicam as últimas pesquisas. Claro, pessoas que acham que espancar e matar não é motivo para ir em cana só podem aprovar um governo corrupto.
E esqueci de mencionar aqui o caso do policial-marginal que matou um aposentado na fila do caixa eletrônico porque se achava no direito de passar na frente dos outros; e também os delinqüentes que mataram um garoto nos Jardins, zona nobre de São Paulo. Só o fim da impunidade pode dar um basta nisso. Enquanto esses marginais forem soltos rapidinhos, voltarão a espancar e matar. E mais: deve haver um rito célere para julgar esses bandidos.
terça-feira, junho 26, 2007
As causas da brutalidade
Volta e meia um bando de delinqüentes de classe média alta sai por aí cometendo atrocidades - tocando fogo em índio, batendo em mendigos... Agora, espancaram uma moça num ponto de ônibus porque pensaram que fosse uma prostituta! Ah, sim, prostituta pode espancar até a morte, não tem nenhum!
O pai da moça agredida, com muito menos instrução, pareceu muito mais lúcido do o pai de um dos bandidinhos. Disse que isso acontece porque muitos pais não educam mais filhos, deixam que façam o que bem entenderem. É só ler o texto abaixo pra ver que ele está coberto de razão. Vejam a complacência, a leniência com que o pai trata o filho que quase matou uma pessoa sem motivo algum. É claro que pai nenhum quer ver seu filho na cadeia, mas o fulano aí quer que seu filhinho bem criado seja tratado diferentemente dos outros bandidos.
Da Folha de S. Paulo:
SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
O microempresário Ludovico Ramalho Bruno, 46, disse acreditar que o filho Rubens Arruda, 19, estava alcoolizado ou drogado quando participou do espancamento da empregada doméstica Sirlei Pinto. "Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa?", perguntou ele após ter sido vítima de um tiroteio na delegacia. Dono de uma firma de passeios turísticos marítimos, Bruno afirmou que o filho não deveria ser preso, para não conviver com criminosos na cadeia. "Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores." Se forem indiciados, os acusados vão responder por tentativa de latrocínio (pena de 7 a 15 anos de prisão em caso de condenação) e lesão corporal dolosa (de 1 a 8 anos de prisão).
Folha - O sr. acredita na acusação contra seu filho?
Ludovico Ramalho Bruno - Eles não são bandidos. Tem que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa nisso. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presos. É desnecessário, vai marginalizar lá dentro. Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores.
Folha - O sr. já falou com ele?
Bruno - Não. É um deslize na vida dele. E vai pagar caro. Está detido, chorando, desesperado. Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos.
Folha - O sr. acha que eles tinham bebido ou usado droga?
Bruno - Estamos com epidemia de droga. A droga tomou conta do Brasil. O inimigo do brasileiro é a droga. Tem que legalizar isso. Botar nas farmácias, nos hospitais. Com esse dinheiro que vai ser arrecadado, pagar clínicas, botar os viciados lá, controlar a droga.
Folha - Mas o sr. acha que eles poderiam estar embriagados ou drogados?
Bruno - Mas é lógico. Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa? Lógico que não. Lógico que estavam embriagados, lógico que podiam estar drogados. Eu nunca vi [o filho usar droga]. Mas como posso falar de um jovem de 19 anos que está na rua numa epidemia de droga, com essas festas rave, essas loucuras todas.
Folha - Como é o seu filho em casa?
Bruno - Fica no computador, vai à praia, estuda, trabalha comigo. Uma pessoa normal, um garoto normal.
O pai da moça agredida, com muito menos instrução, pareceu muito mais lúcido do o pai de um dos bandidinhos. Disse que isso acontece porque muitos pais não educam mais filhos, deixam que façam o que bem entenderem. É só ler o texto abaixo pra ver que ele está coberto de razão. Vejam a complacência, a leniência com que o pai trata o filho que quase matou uma pessoa sem motivo algum. É claro que pai nenhum quer ver seu filho na cadeia, mas o fulano aí quer que seu filhinho bem criado seja tratado diferentemente dos outros bandidos.
Da Folha de S. Paulo:
SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
O microempresário Ludovico Ramalho Bruno, 46, disse acreditar que o filho Rubens Arruda, 19, estava alcoolizado ou drogado quando participou do espancamento da empregada doméstica Sirlei Pinto. "Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa?", perguntou ele após ter sido vítima de um tiroteio na delegacia. Dono de uma firma de passeios turísticos marítimos, Bruno afirmou que o filho não deveria ser preso, para não conviver com criminosos na cadeia. "Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores." Se forem indiciados, os acusados vão responder por tentativa de latrocínio (pena de 7 a 15 anos de prisão em caso de condenação) e lesão corporal dolosa (de 1 a 8 anos de prisão).
Folha - O sr. acredita na acusação contra seu filho?
Ludovico Ramalho Bruno - Eles não são bandidos. Tem que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa nisso. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presos. É desnecessário, vai marginalizar lá dentro. Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores.
Folha - O sr. já falou com ele?
Bruno - Não. É um deslize na vida dele. E vai pagar caro. Está detido, chorando, desesperado. Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos.
Folha - O sr. acha que eles tinham bebido ou usado droga?
Bruno - Estamos com epidemia de droga. A droga tomou conta do Brasil. O inimigo do brasileiro é a droga. Tem que legalizar isso. Botar nas farmácias, nos hospitais. Com esse dinheiro que vai ser arrecadado, pagar clínicas, botar os viciados lá, controlar a droga.
Folha - Mas o sr. acha que eles poderiam estar embriagados ou drogados?
Bruno - Mas é lógico. Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa? Lógico que não. Lógico que estavam embriagados, lógico que podiam estar drogados. Eu nunca vi [o filho usar droga]. Mas como posso falar de um jovem de 19 anos que está na rua numa epidemia de droga, com essas festas rave, essas loucuras todas.
Folha - Como é o seu filho em casa?
Bruno - Fica no computador, vai à praia, estuda, trabalha comigo. Uma pessoa normal, um garoto normal.
quarta-feira, junho 06, 2007
Às Claras na final
O meu amigo Marcelo Soares não pára de ser indicado para prêmios. No ano passado ganhouo Esso de melhor contribuição à imprensa com o projeto Deu no Jornal e agora é finalista de um outro importante prêmio internacional. Isso é sinal da competência do pessoal da Transparência Brasil, capitaneada pelo Cláudio Weber Abramo.
O projeto Às Claras, da Transparência Brasil, é finalista do prêmio Ending Corruption: Honesty Instituted (“Para acabar com a corrupção: honestidade instituída”), do projeto Changemakers, da fundação Ashoka.
O prêmio visa a reconhecer as melhores ferramentas para que o público em geral possa fiscalizar melhor o Estado e combater a corrupção.
Outros oito projetos internacionais foram selecionados como finalistas. Ao todo, 80 projetos de 29 países se inscreveram. A premiação será decidida a partir de votação pela internet, neste endereço: http://www.changemakers.net/en-us/competition/endcorruption
Todos podem votar, até o dia 20 de junho.
Criado em 2003, o projeto Às Claras publica e analisa o financiamento de campanhas eleitorais, a partir de dados oficiais da Justiça Eleitoral. Atualmente, estão disponíveis no projeto
Por meio do projeto, é possível saber de quem os políticos receberam, o conjunto dos beneficiados por empresas e doadores individuais e o grau de sucesso de doadores em suas contribuições.
Essas informações também fazem parte dos dados incluídos no projeto Excelências, que reúne fichas completas de parlamentares a partir de informações públicas. O projeto recebeu o prêmio Esso de melhor contribuição à imprensa em 2006.
O endereço do Às Claras é http://www.asclaras.org.br
O projeto Às Claras, da Transparência Brasil, é finalista do prêmio Ending Corruption: Honesty Instituted (“Para acabar com a corrupção: honestidade instituída”), do projeto Changemakers, da fundação Ashoka.
O prêmio visa a reconhecer as melhores ferramentas para que o público em geral possa fiscalizar melhor o Estado e combater a corrupção.
Outros oito projetos internacionais foram selecionados como finalistas. Ao todo, 80 projetos de 29 países se inscreveram. A premiação será decidida a partir de votação pela internet, neste endereço: http://www.changemakers.net/en-us/competition/endcorruption
Todos podem votar, até o dia 20 de junho.
Criado em 2003, o projeto Às Claras publica e analisa o financiamento de campanhas eleitorais, a partir de dados oficiais da Justiça Eleitoral. Atualmente, estão disponíveis no projeto
Por meio do projeto, é possível saber de quem os políticos receberam, o conjunto dos beneficiados por empresas e doadores individuais e o grau de sucesso de doadores em suas contribuições.
Essas informações também fazem parte dos dados incluídos no projeto Excelências, que reúne fichas completas de parlamentares a partir de informações públicas. O projeto recebeu o prêmio Esso de melhor contribuição à imprensa em 2006.
O endereço do Às Claras é http://www.asclaras.org.br
E a ciência avança
Enquanto os religiosos fundamentalistas esperneiam, os cientistas trabalham.
Três estudos publicados nesta quarta-feira pela revista científica Nature mostram que é possível transformar células normais da pele em células embrionárias, pelo menos em camundongos.
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2007/06/06/ult4477u44.jhtm
Três estudos publicados nesta quarta-feira pela revista científica Nature mostram que é possível transformar células normais da pele em células embrionárias, pelo menos em camundongos.
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2007/06/06/ult4477u44.jhtm
Links novos
Fiz uma atualização dos links aí ao lado. Tirei uma meia dúzia de três ou quatro que não eram atualizados há muito tempo e incluí outros muito interessantes, como o blog do professor de economia de Harvard Greg Mankiw e o blog "ciencia de bolsillo" (ciência de bolso).
terça-feira, junho 05, 2007
A frouxidão nacional
Recomendo artigo do William Waack sobre o fanfarrão e falastrão candidato a ditador da América Latrina.
terça-feira, maio 29, 2007
Adeus às "raças"
quarta-feira, maio 23, 2007
Cumpram a lei
Pronto, agora não falta mais nada. Em vez de trabalharem para restaurar a normalidade na USP, os professores agora decidiram seguir a delinqüência juvenil: entraram em greve. Mas e a decisão judicial de reintegração de posse da reitoria saqueada pelos revolucionários mauricinhos classe média? De nada vale. Ninguém segue a Justiça "neffepaiff".
Por que se rebelaram os agressores almofadinhas? Porque não querem ver as contas da universidade publicadas. Claro, estão acima da lei. E mais: querem a extensão do prazo de jubilamento. Para quê? Para ficarem mais tempo fazendo nada às nossas custas.
A reitoria negociou até a última segunda-feira uma solução pacífica para o caso. Depois não venham reclamar de excessos. Se excessos houve, foi de tolerância.
Sugiro a leitura da análise feita pelo professor Tambosi. Entre os agressores, só dá ECA e FFLCH. Sintomático. Como diz o Tambosi, é o paraíso das ideologias.
Por que se rebelaram os agressores almofadinhas? Porque não querem ver as contas da universidade publicadas. Claro, estão acima da lei. E mais: querem a extensão do prazo de jubilamento. Para quê? Para ficarem mais tempo fazendo nada às nossas custas.
A reitoria negociou até a última segunda-feira uma solução pacífica para o caso. Depois não venham reclamar de excessos. Se excessos houve, foi de tolerância.
Sugiro a leitura da análise feita pelo professor Tambosi. Entre os agressores, só dá ECA e FFLCH. Sintomático. Como diz o Tambosi, é o paraíso das ideologias.
segunda-feira, maio 21, 2007
Jaguaribe 8.3
O sociológo Hélio Jaguaribe teve participação destacada na fundação do PSDB; foi um dos seus ideólogos. Agora, aos 83 anos, critica a (falta de) postura dos tucanos e não poupa o governo Lula. Mesmo que se discorde dele, vale a pena ler a entrevista concedida à revista BrHistória.
domingo, maio 20, 2007
Um pouco de história da ciência
Atendendo ao pedido do Marcelo, vamos atualizar esta porcaria, então /:^>
E em alto nível. Chupando da Folha, pra variar. Quer dizer, do El País.
De Lola Galán
Em Madri, Espanha
A história ainda não se pronunciou sobre Ioannes Myronas. Foi um destrutor da cultura clássica, ou contribuiu para preservá-la, inadvertidamente? Myronas, conhecido só pelos eruditos, foi um monge bizantino autor de um livro de orações -que concluiu em 14 de abril de 1229- confeccionado a partir de vários códices, entre eles o que continha sete tratados de Arquimedes. Mas esse palimpsesto [pergaminho reutilizado], batizado com o nome do cientista grego, guardava outras duas jóias: discursos desconhecidos de Hipérides, um dos grandes oradores gregos, que viveu no século 4º a.C., e um comentário às 'Categorias' de Aristóteles, o pai da filosofia, descoberto graças às últimas técnicas de fotografia digital.
Primeiro foi a ciência, depois a política, finalmente a filosofia. Não é a ordem de criação disposta por alguma deidade caprichosa, mas a seqüência de descobertas que fizeram do chamado Palimpsesto de Arquimedes, submetido a exaustiva análise nos EUA, mais que um manuscrito, uma minibiblioteca clássica ambulante.
No século 13, o presbítero bizantino Ioannes Myronas reciclou, para criar seu breviário, nada menos que quatro códices, tirados de uma biblioteca bem abastecida. Pouco se sabe desse monge, exceto que se aplicou com rigor à tarefa de desmontar de seus bastidores de madeira os fólios do pergaminho e a apagar com ácido as letras minúsculas, do grego clássico. Menos ainda se sabe sobre o escriba cujo trabalho destruía.
A totalidade do saber acumulado na Grécia clássica foi transmitida para o mundo graças a copistas desconhecidos. Mas sua tarefa foi minada pelas vicissitudes da história. O homem que copiou os argumentos de Arquimedes (287-212 a.C.), as sentenças dos discursos de Hipérides (389-322 a.C.) e as reflexões de Alexandre de Afrodísias (cerca de 200 a.C.) a propósito de uma obra essencial de Aristóteles teve um êxito desigual. Nem mesmo sabemos se foi uma única pessoa. Mas sua tarefa exigiu longas horas e numerosas folhas de pergaminho, elaborado a partir da pele de pelo menos 24 ovelhas. (assinante lê tudo aqui)
E em alto nível. Chupando da Folha, pra variar. Quer dizer, do El País.
De Lola Galán
Em Madri, Espanha
A história ainda não se pronunciou sobre Ioannes Myronas. Foi um destrutor da cultura clássica, ou contribuiu para preservá-la, inadvertidamente? Myronas, conhecido só pelos eruditos, foi um monge bizantino autor de um livro de orações -que concluiu em 14 de abril de 1229- confeccionado a partir de vários códices, entre eles o que continha sete tratados de Arquimedes. Mas esse palimpsesto [pergaminho reutilizado], batizado com o nome do cientista grego, guardava outras duas jóias: discursos desconhecidos de Hipérides, um dos grandes oradores gregos, que viveu no século 4º a.C., e um comentário às 'Categorias' de Aristóteles, o pai da filosofia, descoberto graças às últimas técnicas de fotografia digital.
Primeiro foi a ciência, depois a política, finalmente a filosofia. Não é a ordem de criação disposta por alguma deidade caprichosa, mas a seqüência de descobertas que fizeram do chamado Palimpsesto de Arquimedes, submetido a exaustiva análise nos EUA, mais que um manuscrito, uma minibiblioteca clássica ambulante.
No século 13, o presbítero bizantino Ioannes Myronas reciclou, para criar seu breviário, nada menos que quatro códices, tirados de uma biblioteca bem abastecida. Pouco se sabe desse monge, exceto que se aplicou com rigor à tarefa de desmontar de seus bastidores de madeira os fólios do pergaminho e a apagar com ácido as letras minúsculas, do grego clássico. Menos ainda se sabe sobre o escriba cujo trabalho destruía.
A totalidade do saber acumulado na Grécia clássica foi transmitida para o mundo graças a copistas desconhecidos. Mas sua tarefa foi minada pelas vicissitudes da história. O homem que copiou os argumentos de Arquimedes (287-212 a.C.), as sentenças dos discursos de Hipérides (389-322 a.C.) e as reflexões de Alexandre de Afrodísias (cerca de 200 a.C.) a propósito de uma obra essencial de Aristóteles teve um êxito desigual. Nem mesmo sabemos se foi uma única pessoa. Mas sua tarefa exigiu longas horas e numerosas folhas de pergaminho, elaborado a partir da pele de pelo menos 24 ovelhas. (assinante lê tudo aqui)
sexta-feira, maio 11, 2007
Até que enfim
Ô, friozinho bom! Já estava com saudade. Mas hoje o tempo tá maluco. Já choveu e abriu sol umas três vezes. Espero que a chuva pare e fique só o frio. Tenho que começar a me acostumar. Se tudo der certo, devo enfrentar invernos bem mais rigorosos.
terça-feira, maio 08, 2007
Cadeia neles!
Desculpem-me pela ausência, mas estive um tanto ocupado nos últimos dias. A blogosfera, inclusive, esteve em polvorosas com o meu sumiço.
Pois bem, volto falando do que todo mundo já sabe: a tal da Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, em Florianópolis. Algumas pessoas estranharam a operação e vieram com aquela história de que é um circo, que é a "polícia do Lula" atrás dos poderosos de SC. Bobagem. Deve haver indícios fortíssimos para a PF botar no xilindró meia dúzia de magnatas locais, funcionários públicos e políticos (o cabeça do esquema seria o vereador Juarez Silveira).
Não se pode tergiversar: há crime, prenda-se. O estado de direito deve prevalecer; a lei deve ser cumprida. Eles que se defendam. E vão contratar bons advogados e, em pouco tempo, estarão todos passeando em suas lanchas na Lagoa da Conceição.
Agora, uma coisa que se pode discutir é justamente a nossa legislação ambiental e a aplicação dela. Parece que é feita para os espertalhões levar grana a cada prédio construído. Em Floripa, então... Mas é assim em todo o país. Tem projeto impedido de ir adiante porque vai desalojar meia dúzia de quero-queros - ou outra ave - que tinham ninhos nas redondezas.
Acho que falta bom senso. No caso das empresas depapel e celulose, por exemplo, eles resolvem a agressão" ao ambiente ao preservar 30% da área commata nativa. Acho que o negócio tem que ser "flexibilizado" , comodizem por aí. Pode parecer um contrasenso, mas sóassim os empreendimentos vão seguir padrões mínimos dedano ambiental.
Em Floripa, não se pode construir marina. Dêem uma olhada em cidades como Mônaco (tá certo, é um país), Vancouver, Toronto (há fotos na internet), etc, pra ver como é por lá. Tem marina por todo canto.
Aqui ainda tem aquela coisade que não se pode mexer em nada. Daí, molha-se a mãode meia dúzia de vereadores e funcionários públicos etudo passa. Os empresários e investidores sérios ficam de fora. Nenhum estrangeiro vai fazer um grande campode golfe por aqui tendo que subornar vereador picareta. Temos uma mentalidade anticapitalista que só estimula a picaretagem.
Pois bem, volto falando do que todo mundo já sabe: a tal da Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, em Florianópolis. Algumas pessoas estranharam a operação e vieram com aquela história de que é um circo, que é a "polícia do Lula" atrás dos poderosos de SC. Bobagem. Deve haver indícios fortíssimos para a PF botar no xilindró meia dúzia de magnatas locais, funcionários públicos e políticos (o cabeça do esquema seria o vereador Juarez Silveira).
Não se pode tergiversar: há crime, prenda-se. O estado de direito deve prevalecer; a lei deve ser cumprida. Eles que se defendam. E vão contratar bons advogados e, em pouco tempo, estarão todos passeando em suas lanchas na Lagoa da Conceição.
Agora, uma coisa que se pode discutir é justamente a nossa legislação ambiental e a aplicação dela. Parece que é feita para os espertalhões levar grana a cada prédio construído. Em Floripa, então... Mas é assim em todo o país. Tem projeto impedido de ir adiante porque vai desalojar meia dúzia de quero-queros - ou outra ave - que tinham ninhos nas redondezas.
Acho que falta bom senso. No caso das empresas depapel e celulose, por exemplo, eles resolvem a agressão" ao ambiente ao preservar 30% da área commata nativa. Acho que o negócio tem que ser "flexibilizado" , comodizem por aí. Pode parecer um contrasenso, mas sóassim os empreendimentos vão seguir padrões mínimos dedano ambiental.
Em Floripa, não se pode construir marina. Dêem uma olhada em cidades como Mônaco (tá certo, é um país), Vancouver, Toronto (há fotos na internet), etc, pra ver como é por lá. Tem marina por todo canto.
Aqui ainda tem aquela coisade que não se pode mexer em nada. Daí, molha-se a mãode meia dúzia de vereadores e funcionários públicos etudo passa. Os empresários e investidores sérios ficam de fora. Nenhum estrangeiro vai fazer um grande campode golfe por aqui tendo que subornar vereador picareta. Temos uma mentalidade anticapitalista que só estimula a picaretagem.
terça-feira, abril 24, 2007
bye, bye democracia
Dêem uma espiada nisto. Tirei lá do De Gustibus.
Explica muita coisa da onda autoritária que arrasa a América Latrina.
Explica muita coisa da onda autoritária que arrasa a América Latrina.
segunda-feira, abril 23, 2007
Décadence avec élégance
"Direita" e "esquerda" moderadas no segundo turno das eleições presidenciais francesas. Com exceção talvez da política de imigração, para todo o resto vai dar mesma ganhando o conservador Sarkozy ou a socialista Royal. Será? A não ser que Sarkozy decida dar um "choque de capitalismo" naquele que é hoje um país economicamente decadente.
Um exemplo da decadência foi dado pela Sônia Bridi no JN da semana passada. Mostrou o caso de uma brasileira que procurava apartamento para alugar em Paris há meses. Acabou alugando um, um pouco maior do que uma casa de cachorro: 20, isso mesmo, 20 metros quadrados! E por mil euros por mês! O banheiro e a cozinha eram um cômodo só. Tem que entrar de costas pra sair de frente!
Ué, dirão vocês, mas isso é sinal de que o mercado está "aquecido"! Nein, nein. O investidores simplesmente não se arriscam a construir novos prédios simplesmente porque as leis de aluguel lá são francamente favoráveis aos inquilinos. O cara atrasa o pagamento aluguel durante meses e não acontece nada. Para despejar o cidadão é uma batalha!
Perdoem-me o exagero, mas isso dá uma certa medida de como o estado engessa as relações comerciais na terra de Votaire. O estado quer tanto proteger os pobrezinhos indefesos que acaba por prejudicá-los, ao interferir de forma danosa na oferta de bens. O estado mantém ainda um pacote generoso de benefícios sociais que, mais cedo ou mais tarde (e aí pode estar a diferença entre Sarkozy e Royal - a rapidez de algumas reformas) serão reduzidos drasticamente para que a economia volte a engrenar. Só assim será possível gerar os empregos necessários para incluir os pobres e as hordas de imigrantes que aportam por lá todos os anos. Emprego em vez de esmolão.
Mas duvido muito. Vão continuar aferrados ao estado super-protetor. Só Candido para acreditar em destino diferente.
Um exemplo da decadência foi dado pela Sônia Bridi no JN da semana passada. Mostrou o caso de uma brasileira que procurava apartamento para alugar em Paris há meses. Acabou alugando um, um pouco maior do que uma casa de cachorro: 20, isso mesmo, 20 metros quadrados! E por mil euros por mês! O banheiro e a cozinha eram um cômodo só. Tem que entrar de costas pra sair de frente!
Ué, dirão vocês, mas isso é sinal de que o mercado está "aquecido"! Nein, nein. O investidores simplesmente não se arriscam a construir novos prédios simplesmente porque as leis de aluguel lá são francamente favoráveis aos inquilinos. O cara atrasa o pagamento aluguel durante meses e não acontece nada. Para despejar o cidadão é uma batalha!
Perdoem-me o exagero, mas isso dá uma certa medida de como o estado engessa as relações comerciais na terra de Votaire. O estado quer tanto proteger os pobrezinhos indefesos que acaba por prejudicá-los, ao interferir de forma danosa na oferta de bens. O estado mantém ainda um pacote generoso de benefícios sociais que, mais cedo ou mais tarde (e aí pode estar a diferença entre Sarkozy e Royal - a rapidez de algumas reformas) serão reduzidos drasticamente para que a economia volte a engrenar. Só assim será possível gerar os empregos necessários para incluir os pobres e as hordas de imigrantes que aportam por lá todos os anos. Emprego em vez de esmolão.
Mas duvido muito. Vão continuar aferrados ao estado super-protetor. Só Candido para acreditar em destino diferente.
sexta-feira, abril 20, 2007
Há dois anos
A última vez que vi meu pai lúcido foi no dia 20 de abril de 2005. Naquele ano, por estas horas, minha mãe e eu, no hospital, e meus irmãos, à distância, estávamos em plena agonia. A cirurgia cardíaca para colocar quatro pontes de safena e uma mamária começara às 15h em ponto e só terminaria à meia-noite. Sofreu um choque anafilático, disseram os médicos. Estou convencido de que isso não seja exatamente o que aconteceu, mas não há provas. Ele ainda resistiria 27 longos e penosos dias na UTI, até 17 de maio. Nesse período, tive que começar a trabalhar em um novo emprego e defender minha dissertação de mestrado. Não foi nada fácil. O tempo vai amenizando a dor, lentamente, mas a saudade do seu Cláudio... Quando o deixei no hospital, ele me abraçou muito forte, como uma despedida, mesmo.
quinta-feira, abril 19, 2007
A coisa não tem limite
A estupidez na televisão está longe de ser novidade, mas não consigo deixar de comentar dois exemplos rápidos.
O primeiro foi num programa matinal da Record. Uma daquelas apresentadoras bonitinhas começou a falar que, de tanto o homem agredir a natureza, ela acaba se vingando - ou algo assim. Eu fiquei só esperando pra ver o que vinha em seguida. Não, não, nada de desastre natural. Pasmem, ela estava se referindo ao crocodilo que arrancara o braço do tratador que o alimentava. Isso mesmo: o cara estava dando comida ao animal e a moça (e seus editores) viu nisso uma reação da natureza à "agressão humana"!! Sem comentários.
O segundo é não menos idiota. No Jornal Hoje, o apresentador entrevistou uma "especialista" sobre o massacre dos 32 estudantes americanos da Universidade Virginia Tech por um jovem perturbado. Ganha uma estrelinha do PT quem adivinhar qual foi a "explicação" da professora da PUC-SP para a insanidade cometida pelo jovem sul-coreano. Seguindo o catecismo esquerdopata, sapecou sem titubear que o problema é o modelo de sociedade nos Estados Unidos, baseado no capitalismo! Mais clichê, impossível!
Não, não, o garoto não era um doidaço simplesmente - ou, se era, era fruto da sociedade capitalista centrada no consumo. "Você é julgado pelo que consome", perspegou a dita cuja - ou algo muito parecido com isso. Como o maluco não tinha o mesmo nível social dos colegas, resolveu matá-los!!
Ou seja: os EUA abrem as portas do país para uma família sul-coreana que almeja melhorar de vida, dá acesso aos filhos às melhores escolas (tanto que ele estudava com os filhos dos ricos), assim como faz com milhares de imigrantes todos os anos, e ainda são acusados de transformar o garoto doidão em assassino!
Isso é só uma amostra do que andam ensinando os nossos professores Brasil adentro. Os cursos das áreas de humanidades e de algumas "ciências sociais aplicadas" não passam de escola de formação ideológica com base no marxismo de orelhada do tipo mais rastaquera. Atrevam-se, vocês, a sugerir o uso de métodos quantitativos para análise sociológica em qualquer departamento de "ciências sociais" "neffepaiff"!! Serão taxados de reacionários.
O primeiro foi num programa matinal da Record. Uma daquelas apresentadoras bonitinhas começou a falar que, de tanto o homem agredir a natureza, ela acaba se vingando - ou algo assim. Eu fiquei só esperando pra ver o que vinha em seguida. Não, não, nada de desastre natural. Pasmem, ela estava se referindo ao crocodilo que arrancara o braço do tratador que o alimentava. Isso mesmo: o cara estava dando comida ao animal e a moça (e seus editores) viu nisso uma reação da natureza à "agressão humana"!! Sem comentários.
O segundo é não menos idiota. No Jornal Hoje, o apresentador entrevistou uma "especialista" sobre o massacre dos 32 estudantes americanos da Universidade Virginia Tech por um jovem perturbado. Ganha uma estrelinha do PT quem adivinhar qual foi a "explicação" da professora da PUC-SP para a insanidade cometida pelo jovem sul-coreano. Seguindo o catecismo esquerdopata, sapecou sem titubear que o problema é o modelo de sociedade nos Estados Unidos, baseado no capitalismo! Mais clichê, impossível!
Não, não, o garoto não era um doidaço simplesmente - ou, se era, era fruto da sociedade capitalista centrada no consumo. "Você é julgado pelo que consome", perspegou a dita cuja - ou algo muito parecido com isso. Como o maluco não tinha o mesmo nível social dos colegas, resolveu matá-los!!
Ou seja: os EUA abrem as portas do país para uma família sul-coreana que almeja melhorar de vida, dá acesso aos filhos às melhores escolas (tanto que ele estudava com os filhos dos ricos), assim como faz com milhares de imigrantes todos os anos, e ainda são acusados de transformar o garoto doidão em assassino!
Isso é só uma amostra do que andam ensinando os nossos professores Brasil adentro. Os cursos das áreas de humanidades e de algumas "ciências sociais aplicadas" não passam de escola de formação ideológica com base no marxismo de orelhada do tipo mais rastaquera. Atrevam-se, vocês, a sugerir o uso de métodos quantitativos para análise sociológica em qualquer departamento de "ciências sociais" "neffepaiff"!! Serão taxados de reacionários.
segunda-feira, abril 16, 2007
Horror nos EUA
Outro daqueles crimes malucos que volta e meia acontecem em escolas americanas. Esse foi violento.
Horrores no Haiti
Meu primo Tailon passou alguns meses na "força de paz" do Brasil no Haiti e conta os horrores que viveu por lá em um livro, da editora Globo. De volta ao Brasil, ele passou a conviver com os sintomas pós-traumáticos. O exército, é claro, não quer nem saber de ajudar.
domingo, abril 15, 2007
sábado, abril 14, 2007
Buying books
Quer comprar bons livros por cinco dólares? Na Amazon você consegue usados em ótimo estado por esse preço. E bons livros! Comprei ontem Historians´ Fallacies, por recomendação do grande Marcelo Soares. Não leva duas semanas pra chegar aqui em SC. Outro dia comprei um Dicionário de História da Ciência por oito dólares! É claro que tem o frete de uns dez dólares, mas tudo bem. A soma dá uns 30 e poucos reais (ou quase 40) - o que é bem pouco pela qualidade do que se pode encontrar na Amazon.
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