quinta-feira, maio 08, 2008

Retratos do Brasil

Na Folha de S. Paulo de hoje.

Perdulário, submisso e impune

CLAUDIO WEBER ABRAMO

A MESA Diretora da Câmara dos Deputados aumentou a verba mensal que cada deputado tem à disposição para pagamento de "assessores" de gabinete (cabos eleitorais, na verdade). O estipêndio passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil por mês. Cálculo da ONG Contas Abertas estima que, com o aumento, o custo direto de cada deputado federal se elevou a R$ 114 mil mensais. Isso inclui o seu salário, a tal remuneração a cabos eleitorais, uma mesada chamada "indenizatória", despesas com viagens e outros auxílios. Ao todo, R$ 1,368 milhão por ano para cada deputado.

A título de comparação, um membro da Casa dos Comuns britânica custa, por ano, 160 mil libras. Ao câmbio médio de abril de 2008, isso equivale a R$ 536 mil. Ou seja, o custo nominal de um deputado federal brasileiro é mais de 150% superior ao de um parlamentar britânico.

Na verdade, tal comparação é inadequada, pois não leva em conta as diferenças de renda e de custo de vida entre os dois países. Fatorando os números pelo PIB per capita (o da Grã-Bretanha é quase quatro vezes superior ao do Brasil), resulta que o custo direto real de cada deputado federal brasileiro é dez vezes maior do que o que se observa na Grã-Bretanha.

Todas as Casas legislativas do país distribuem dinheiro a seus integrantes por conta da "indenização" de despesas alegadamente incorridas no exercício do mandato. Poucas exibem os números. Naquelas que o fazem, observam-se fenômenos curiosos.

Por exemplo, cada deputado estadual gaúcho tem o direito de gastar até R$ 6.100 por mês com combustíveis e manutenção de veículos. Quase todos usam o dinheiro integralmente, sem que a Casa dê a conhecer os respectivos comprovantes. Na Câmara dos Deputados, no Senado e em diversas outras Casas, é igual: "indenizam-se" os parlamentares, mas os comprovantes são mantidos em segredo.

Essa verdadeira festa da uva se repete na virtual totalidade das Casas legislativas do país. Estudos divulgados no ano passado pela Transparência Brasil sobre os orçamentos (ou seja, custos globais, não apenas os custos diretos incorridos por cada parlamentar) do Congresso, de todas as Assembléias Legislativas estaduais e de todas as Câmaras Municipais de capitais revelam um quadro escandaloso.

Para cada brasileiro, e em termos do salário mínimo anual, o peso de manter o Congresso Nacional (Câmara e Senado) é dez vezes superior ao peso correspondente para um cidadão britânico ou alemão, 8,8 vezes para um espanhol, cinco vezes para um norte-americano e assim por diante.

A maioria das Assembléias Legislativas estaduais custa mais para o cidadão do que custam todas as Assembléias nacionais européias. Duas Câmaras Municipais (São Paulo e Rio de Janeiro) estão entre as campeãs mundiais de gastos.

Tendo em vista o peso financeiro das representações parlamentares do país, é inevitável especular sobre a respectiva relação custo/benefício. É óbvio que a generosidade financeira, aliada à falta de controle, atrai caçadores de renda.

Dados acumulados no projeto Excelências da Transparência Brasil (http://www.excelencias.org.br/) mostram que a Câmara dos Deputados inclui entre seus integrantes nada menos que 178 indivíduos (ou seja, 35% do total de 513 deputados) que respondem em segunda ou terceira instância a processos judiciais por delitos graves ou já foram punidos por Tribunais de Contas. No Senado, essa razão é de 38%. Na Assembléia Legislativa de Goiás, eles são 73%, na de Rondônia, 58% etc.

Ao lado disso, os parlamentos brasileiros se entregam vorazmente ao jogo de cooptação orquestrado pelo Executivo. Como no Brasil o presidente da República pode nomear cerca de 24 mil pessoas para ocupar cargos de confiança, como o governador de São Paulo (por exemplo) nomeia 20 mil indivíduos, e isso se repete em todos os lugares, os Executivos usam a prerrogativa para comprar o apoio dos partidos, populando a administração com exércitos de agentes políticos cuja preocupação com o interesse público pode ser aquilatada pela estatística de casos de corrupção noticiados pela imprensa -nada menos de 1.240 novos escândalos por ano.

Disso só pode resultar o descrédito com a política que se observa no Brasil, com desgaste da legitimidade da representação eleitoral.

Isso só poderá ser revertido por alterações institucionais. Três sobressaem: reduzir de forma drástica a prerrogativa de o Poder Executivo nomear pessoas para ocupar cargos na administração; impedir que pessoas já condenadas em segunda instância em processos criminais participem da vida política; cortar a pelo menos um quinto os orçamentos dos Legislativos.

CLAUDIO WEBER ABRAMO, matemático pela USP e mestre em lógica e filosofia da ciência pela Unicamp, é diretor-executivo da Transparência Brasil, organização dedicada ao combate à corrupção.

domingo, maio 04, 2008

Novos links

Há dois links novos aí ao lado. O blog do meu amigo Magoo (Bonassoli) teve o endereço atualizado. E incluí o link para o "Da Poltrona", do meu amigo Marcelinho, que sabe tudo de cinema. Para quem gosta de cinema, é um prato cheio. Eu não entendo absolutamente nada.

Capitalismo sem risco

O BNDES é uma mãezona, mesmo. Esta entrevista da Folha de S. Paulo de hoje vale a pena.


Diretor do Banco Central (1980-1982) numa época em que o Brasil estava a léguas de distância do grau de investimento conquistado na semana passada, o economista Claudio Haddad, 61, acompanhou- sempre de uma posição privilegiada- a evolução do mercado de capitais do país. Foi sócio do banco Garantia e hoje é diretor-presidente do Ibmec (Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais), em São Paulo. Haddad diz que o grau de investimento é motivo de comemoração, mas que o Brasil ainda oferece muitos outros motivos para preocupação. Entre eles, o que chama de "dinheiro fácil" com que o BNDES financia grandes grupos empresariais. Leia trechos da entrevista.

FOLHA - O senhor criticou enfaticamente o crédito que o BNDES concedeu à Vale. Como vê o apoio para a reestruturação societária da Oi?
CLÁUDIO HADDAD - São companhias muito grandes, que têm todas as condições de se capitalizar no mercado. O valor patrimonial da Vale é de quase R$ 300 bilhões. É uma empresa próspera, que gera caixa, bate recordes de exportação. Teria todas as condições de ir ao mercado e obter excelentes condições de financiamento.

FOLHA - Segundo a Vale, são recursos para investimentos.
HADDAD - Na verdade, é irrisória [a linha de crédito] para a Vale. Mas é muito dinheiro para o BNDES. Complica ainda mais se pensarmos que boa parte dos recursos do banco vem do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). São recursos que o trabalhador brasileiro está subsidiando. Aliás, se a Vale, com o tamanho que tem, precisa de subsídios do BNDES para tocar projetos, talvez sejam projetos que não precisem ser tocados.

FOLHA - E quanto à reestruturação societária da Oi?
HADDAD - O mercado está muito fácil, há liquidez para empresas brasileiras. Existe um amplo mercado de financiamento que os controladores da Oi poderiam buscar. É possível dar as garantias necessárias, tudo o que se exigiria para a operação.

FOLHA - Com o grau de investimento, as condições de obter crédito lá fora melhoram?
HADDAD - Mas as condições já estavam boas! Agora, ficarão melhores. Antes, havia inflação no Brasil, não havia mercado financeiro sólido, não havia financiamento de longo prazo. Mas hoje há várias alternativas no mercado interno e externo.

FOLHA - Há prejuízo para o mercado de capitais?
HADDAD - Sim. Uma das razões para que o mercado financeiro, historicamente, tenha se desenvolvido pouco no país foi a alternativa fácil de poupança oferecida pelos bancos oficiais. Ou seja, o dinheiro fácil do BNDES. O BNDES precisa incentivar o desenvolvimento, e não emprestar dinheiro barato a companhias que podem se financiar no mercado. É preciso romper com isso.

FOLHA - Por que não se rompe?
HADDAD - É um pouco a essência do que alguns chamam de política industrial. No fundo, é a escolha de setores e empresas favorecidas, as campeãs. Foi assim com a proteção ao setor de informática, nos anos 70, com o projeto nuclear. E o que resultou? Destruição de recursos. Se é um projeto socialmente relevante, ambientalmente relevante, que tem rentabilidade baixa, faz parte do papel do BNDES. Não é o caso da Vale ou da Oi.

FOLHA - No caso da Oi, o argumento é que o apoio à reestruturação será fundamental para a consolidação do setor, com a compra da Brasil Telecom.
HADDAD - O BNDES, que é um braço do governo, garante uma reestruturação societária que resultará numa operação de aquisição que ainda depende de uma mudança na lei!

quinta-feira, maio 01, 2008

Blog do Aluizio

Aluízio Amorim está de casa nova. Bem-vindo, meu caro.

Cadê a herança maldita?

Este Lula é mesmo um cara de sorte. Governou boa parte do tempo sob céu de brigadeiro. E quando o tempo fecha sob o risco de recessão nos EUA, lá vem a S&P com o tão sonhado "investment grade".

Isso se deve à tal "herança maldita". FHC fez o "servicinho sujo" que Lula não teria coragem de fazer, mas do qual se beneficiou completamente - a saber, estabilização da moeda, privatização das caquéticas estatais, redução dos gastos públicos (que Lula está tratando de aumentar de novo), metas de inflação, câmbio flutuante, liberdade de movimentação de capitais, etc.

Sem esse "servicinho sujo", Lula não estaria comemorando agora. Ele tem méritos, claro. Manteve a política econômica da "tucanalha" inalterada. Como disse o Sardenberg no Jornal da Globo de Hoje, é a vitória da ortodoxia. Ironicamente, num governo do PT. Isso significa que a coisa poderia ser muito pior se Lula se deixasse levar pelas brilhantes cabeças dos economistas petistas. Verdadeiros aloprados.

quarta-feira, abril 30, 2008

A melhor piada do ano

Eu simplesmente não consigo parar de rir. Dificilmente eu vou ouvir neste ano alguma coisa mais hilária do que isto. O coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia atribui o baixo desempenho do curso no Enade ao baixo QI dos alunos.

Mas a melhor foi dizer que baiano só consegue tocar berimbau porque tem uma corda só. hahaha. Os politicamente corretos odiaram, mas isso é simplesmente hilário. É claro que ele está apenas tentando livrar a cara dos professores ineptos e das péssimas condições do curso. Ah, sim, é claro que há uma penca de alunos incapazes também. Há em qualquer lugar.

Uma pergunta intrigante: por que é que entre os cursos mais bem avaliados há três públicas do Rio Grande do Sul e entre os piores estão as federais da Bahia, de Alagoas, Amazonas e do Pará?

terça-feira, abril 29, 2008

Prisoner´s Dilemma

Chega de samba e futebol. Como este blog é eclético, um pouco de "tchiuria".

Nó na madeira

João Nogueira era um dos sambistas que meu pai mais ouvia quando eu era pequeno, lá pelo final dos 70 e começo dos 80. É um dos que eu mais gosto até hoje. Procurei ele cantando "Nó na madeira", mas não achei. Então, vai esta aqui.

Cobra coral...

... papagaio vintém; vesti rubro-negro, não tem pra ninguém.
Pena que meu pai, meu avô e meu tio não estão mais aqui pra eu mostrar a eles estas pérolas que a gente encontra na internet.

Samba rubro-negro

O mais querido não tem mais Zico, Adílio e Adão. Longe disso. Mas ainda dá pra ganhar do Botafogo, com uma dose de sorte.

quinta-feira, abril 17, 2008

Hartmut Michel on biofuel

Nesta semana, a polêmica dos biocombustíveis veio à tona com a acusação de que eles seriam a causa da inflação mundial dos alimentos, nos últimos meses. Isso me pareceu uma brutal simplificação das coisas. Geralmente, um fenômeno desses não tem uma única causa. Como tem sido dito, há várias: o aumento do consumo (com o aumento da renda em alguns lugares pobres do mundo), o fim dos estoques reguladores, o protecionismo dos países ricos via subsídios e barreiras comerciais e, claro, os biocombustíveis (que competem por terra).

Achei oportuno colocar aqui uma entrevista que fiz com o químico alemão Hartmut Michel, ganhador do prêmio Nobel de Química em 1988.


Qual a sua opinião sobre os biocombustíveis?
O potencial dos biocombustíveis é muito limitado. Há um grande perigo de que o efeito sobre a poluição e o aquecimento global seja negativo. Em particular, a comparação com as células fotovoltaicas, por exemplo, mostra que a eficiência de usar a energia da luz solar, via biocombustíveis, é extremamente baixa. E você ainda tem que investir uma quantidade substancial de energia na produção dos biocombustíveis.

Então eles não podem ser o combustível do futuro, como tem sido alardeado?
Depende do uso que se fizer deles. Para os aviões, por exemplo, ainda precisaremos de combustíveis líquidos. Para os carros, eu antecipo que eles serão impulsionados por motores elétricos, com energia armazenada em baterias. Isso está sendo – e continuará a ser – melhorado. As baterias serão carregadas com células fotovoltaicas (fotoelétricas).

Os biocombustíveis são mais eficientes do que os combustíveis fósseis?
Eficientes em relação a quê? O etanol, por exemplo, contém um átomo de exigênio e, por isso, seu conteúdo energético é consideravelmente baixo – 60% do da gasolina e do biodiesel.

Alguns países começaram a adotar restrições ao uso de combustíveis fósseis e a estimular o consumo de biocombustíveis, com a justificativa de que isso ajudaria no combate ao aquecimento global. O que o senhor acha disso?
Essa restrição é catastrófica. Os países que a adotaram não estão localizados na zona tropical e seu potencial de produzir biocombustíveis de forma eficiente e com custos baixos é extremamente pequeno. O que terão que fazer é importar biocombustíveis dos países em desenvolvimento, onde a produção é muito mais barata. A produção dos biocombustíveis terá, assim, dois efeitos principais: (i) o aumento dos preços dos alimentos, atingindo principalmente as pessoas mais pobres; e (ii) um rápido desmatamento, com queima de árvores, liberando mais dióxido de carbono e outros poluentes no ar do que poderá ser poupado pelo uso de biocombustíveis vindos de áreas já limpas, nos próximos 100 anos. Na Indonésia e na Malásia, uma boa parte das florestas tem sido “limpas” para a plantação de palmeiras.

Em termos de eficiência, de novo, o senhor diria que há combustíveis mais propícios para determinados usos?
De certa forma, sim. Madeira, por exemplo, é mais eficiente para aquecimento, mas pode ser também para gerar energia elétrica. O gás natural e o óleo combustível economizados poderiam ser usados em automóveis e aviões.

Etanol é melhor ou pior do que os outros biocombustíveis?
Etanol é o pior. Isso porque muita energia precisa ser colocada na sua produção, principalmente quando milho, trigo e beterraba são usados como matérias-primas. Além disso, energia precisa ser consumida na produção de fertilizantes, para arar a terra e para a colheita. Você também precisa colocar muita energia para enriquecer o etanol. Várias destilações e outros processos químicos são necessários para o enriquecimento. Se essa energia toda tem origem no carvão, então mais dióxido de carbono será liberado no processo de produção dos biocombustíveis do que seria se a gasolina e o óleo diesel fossem queimados diretamente.

Mas e quanto ao etanol de origem da cana-de-açúcar, como no Brasil? O país poderá dominar esse mercado mundial?
Bem, felizmente a situação do Brasil é diferente porque o bioetanol é derivado da cana-de-açúcar. No Brasil não há necessidade de um plantio e de uma colheita anual, e o país ainda pode usar galhos e folhas secas no processo de destilação. Isso parece dar um ganho de energia de seis a sete vezes [em relação às outras fontes de etanol].

O álcool brasileiro tem potencial menor do que as células fotoelétricas?
O etanol rende 0.6 litro por metro quadrado ao ano, correspondente à energia de 3,8 kWh. A energia do sol, no Brasil, é de 2 mil kWh por metro quadrado por ano. Isso significa que menos de 0,2% da energia do sol é aproveitado no etanol.

E quanto às outras fontes alternativas de energias? Quais as mais promissoras?
Nós não temos uma alternativa realista ao uso da luz solar, direta ou indiretamente. No entanto, colher a energia do sol via fotossíntese das plantas e algas e convertê-la em biogás ou em biocombustíveis é a maneira errada. A capacidade de armazenamento da energia do sol durante a fotossíntese é extremamente baixa. Se usarmos biogás para produzir eletricidade aqui na Alemanha, então, cerca de 0,15% da energia do sol será convertida em eletricidade. A eficiência de conversão das células solares fotoelétricas já disponíveis comercialmente já é de 15%, ou seja, cem vezes mais eficiente. Essa é a razão de por que considero carros movidos a bateria – carregadas por eletricidade oriunda de células fotoelétricas – como o futuro. Além disso, tirando a parte inicial da instalação, nenhum outro trabalho é necessário para produzir eletricidade. A energia eólica, também originada da energia solar, também poderia ser uma alternativa em países onde há ventos fortes e constantes, como na Patagônia, na Argentina. A energia derivada do vento poderia ser usada, principalmente, em indústrias eletro-intensivas, como a de alumínio.

Por fim, o senhor considera o aquecimento global como resultado exclusivamente da ação do homem?
Nunca teremos certeza, mas eu acho provável. Os dados são convincentes (as correlações mostradas pelos modelos). Alguns países vão ser beneficiados com o aquecimento global; outros irão perder.

Quais?
Pergunte aos especialistas do IPCC. Você verá que o Brasil, por exemplo, vai ter menos chuvas, o que pode levar à desertificação. A Sibéria, ao contrário, vai ficar mais quente, o que tornará possível a cultura de cereais.

Gastança

Não é necessário ser petista ou psolista para criticar a decisão do Banco Central de elevar a taxa básica dos juros (Selic) em meio ponto percentual. Aqui há uma brilhante - porque didática - explicação. Via De Gustibus.

A diferença é que Adolfo defende a redução dos gastos do governo, que "explodiram" nos últimos meses - o que é uma heresia, na cartilha stalinista. O cerne do texto do Adolfo é a preferência pelo gasto público ao privado. No fundo, demonstra o que é este país, que cresceu (?) a partir da idéia anticapitalista de que só o governo salva! Ainda não fizemos nossa revolução industrial!

quarta-feira, abril 16, 2008

Manual para boas reportagens

O mestre Frederico Vasconcelos está com um livro novo na praça. Fred é um grande cara, um dos melhores jornalistas do país. Não é badalado, não faz marketing pessoal, mas é de uma competência extrema. E de uma generosidade incrível com os colegas de redação.

Tive o prazer de almoçar com ele algumas vezes no Folhão, naquela ruazinha paralela à Barão de Limeira, atrás da Folha. No cardápio, às vezes nhoque, às vezes bacalhau, e sempre uma aula de jornalismo.

Poucas vezes vi um jornalista compartilhar conhecimento e experiência sem nenhum sinal de arrogância. É o tipo de cara que investiga um monte e não sai por aí propagandeando que é especialista nisto e naquilo. (Outro dia vi um cara se dizendo especialista em "infiltração". Achei que tivesse alguma coisa a ver com joelho e já ia ligar pro cara dar uma olhada na minha condromalácia de patela.)

Enfim, ter trabalhado com o Fred é daquelas coisas que dá vontade de botar no currículo. Mas, por aqui, na província, ninguém conhece o cara. Não ia adiantar muito.

terça-feira, abril 15, 2008

Fenômenos

Eu não sei lidar com estas coisas que remetem à passagem do tempo; coisas que eram e não são mais... enfim. Na TV, hoje, as despedidas de dois fenômenos do esporte brasileiro: Guga e Romário.

Sim, sim, eu sei; há tempos eles não são nem sombra do que já foram. Pois é justamente disso que estou falando. O tempo é cruel.

Mas são dois fenômenos, mesmo? Acho que sim. Romário, com menos de um metro e sessenta, fazia gols de cabeça entre zagueiros holandeses, suecos... E livrava-se deles com extrema facilidade com a bola no chão também. Quando a bola escapava e parecia que não havia jeito, ele, sem cerimônia, metia o bico da chuteira e... gol!

Já Guga... bem... o que dizer de um cara nascido em um estado periférico de um país periférico que se destaca mundialmente num esporte que a maioria dos seus compatriotas nem sequer entende direito? É um gênio.

segunda-feira, abril 14, 2008

Privatização à moda petista

Esta matéria da Folha é só mais um exemplo do assalto ao Estado brasileiro. Os caras estão metendo a mão sem cerimônia alguma. Em cinco anos, milhões e milhões.
Mas, claro, tudo isso não passa de invenção da "imprensa golpista".

MARTA SALOMON
LEILA SUWWAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A pedido de um amigo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de congresso de donos de bares e restaurantes em agosto de 2006. O repasse de verbas federais para apoiar esse evento foi considerado contrário ao interesse público por auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), que analisou amostra de 167 contratos celebrados com organizações não-governamentais no governo Lula. Pagamentos a ONGs consumiram R$ 12,6 bilhões em menos de cinco anos.
O apoio do Ministério do Turismo ao 18º Congresso da Abrasel, entidade de classe que reúne donos de bares e restaurantes, ao custo de R$ 300 mil, é um dos casos emblemáticos de irregularidades graves apontados pelo TCU, em documento a que a Folha teve acesso.
"Não houve atendimento ao interesse público", relata a auditoria sobre contratos da Abrasel, que já recebeu R$ 24 milhões dos cofres públicos em menos de cinco anos. Parte do dinheiro teria beneficiado apenas os dirigentes e associados da entidade, afirma relatório que ainda será levado a voto no plenário do TCU, mas já foi encaminhado à CPI das ONGs.
Auditores do tribunal analisaram contratos celebrados com 26 entidades em nove Estados, de um universo de 7.700 contratadas no período do governo Lula.
Da mesma forma que auditoria anterior em ONGs, votada em 2006, o TCU encontrou irregularidades desde a seleção das entidades -grande parte sem qualificação para as atividades para as quais foram contratadas- até a prestação de contas, passando pela falta de acompanhamento e fiscalização por órgãos do governo. O resultado é conhecido: desperdício -ou simplesmente desvio- de dinheiro público.
Por causa dos convênios com a Abrasel, o Ministério do Turismo foi apontado na auditoria como a pasta cujos convênios envolvem o "maior nível de risco". A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes começou a receber verbas da pasta depois da posse de Paulo Solmucci na entidade. Solmucci teria um amigo em comum com o presidente Lula, além de ter o apoio do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (leia texto na página ao lado).
Com o objetivo de desenvolver o turismo por meio da gastronomia, o convênio mais caro com a entidade já consumiu R$ 11,4 milhões. Ele entrou em vigor em 2004 e acumula as falhas mais graves, segundo a auditoria do TCU. Com o mesmo objetivo, um novo convênio, de R$ 12,8 milhões, foi celebrado em 2007, pela atual ministra do Turismo, Marta Suplicy.
No caso do convênio que já gastou R$ 11,4 milhões, além de falta de interesse público, os auditores verificaram que a Abrasel atuava como intermediária de verbas por meio de "terceirização indevida", com indícios de concorrências dirigidas e de favorecimento ao presidente da associação.
O ministério disse à Folha desconhecer irregularidades nos convênios com a entidade. Pouco mais de 20% dos órgãos públicos cujos convênios foram fiscalizados pelo TCU optaram pela seleção pública na contratação de ONGs. Foram vários os casos em que critérios objetivos e impessoais não foram levados em conta.
No caso da contratação do Centro Piauiense de Ação Cultural pela superintendência do Incra no Piauí, o TCU registra "indício de que a seleção foi feita com base em critério precipuamente político" devido às relações políticas do dirigente da entidade com gestores estaduais e do Instituto Nacional de Reforma Agrária no Estado.
Entre os contratos celebrados pelo Incra, o relatório registra um dos casos mais pitorescos de despesas indevidas: a compra de 2.859 litros de gasolina pelo Centro de Capacitação de Canudos a dias do término da vigência do convênio com a superintendência de Sergipe, comprovada com notas fiscais supostamente frias. Apesar das irregularidades, o Incra celebrou novo convênio milionário com a entidade.
Entre as entidades com irregularidades apontadas pelo TCU, está o Instituto de Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Xingó. A entidade recebeu em três anos R$ 11,2 milhões do Ministério de Ciência e Tecnologia -cota do PSB. E é dirigido pelo tesoureiro do partido em Pernambuco, conforme noticiou a Folha na edição de quinta-feira. Gilberto Rodrigues e o governador Eduardo Campos negam que a amizade e o relacionamento de militância política tenham tido peso no negócio.

domingo, abril 13, 2008

Would you like to play drums?

Quer aprender a tocar bateria? Não? OK.
Ah, quer, mas não tem bateria em casa? Seus problemas acabaram. Este é um bom começo. Eu sempre toquei bateria virtual.

terça-feira, abril 08, 2008

Blaug e van Fraassen via internet

Ah, esta internet! Neste fim de semana, baixei, via emule, dois livros que eu precisava comprar para o meu "projeto de projeto" de doutorado. Economizei uns bons 100 dólares. O primeiro, Economic Theory in Retrospect (Mark Blaug), veio num arquivo de 40 MB. O segundo, The Scientific Image (Bas van Fraassen), era em word e bem menor - só 1 MB.

Acho que Blaug e van Fraassen não ficarão tão chateados pelo não pagamento dos direitos autorais. Tome-se como um ato de caridade deles. Afinal, sou um pobre rapaz latino americano sem dinheiro no bolso, mas com alguma disposição para sair das cavernas.

Gritos do Silêncio

Morreu o símbolo da luta contra um dos regimes mais perversos que já se instalou neste planeta - comunista, claro. Pobre Marx; ainda bem que não viveu para testemunhas as atrocidades que cometeram em seu nome.

sexta-feira, abril 04, 2008

Os da bota

Esta me foi enviada pelo grande amigo Marcelo Santos. Muito engraçada. Proibido para politicamente corretos.

Os malas

Duvido que você não conheça algum tipo como estes. O pior, para mim, é que atualmente as pessoas tendem a tratar o colega de trabalho como se fosse amigo. Se você não vai almoçar junto com eles todos os dias, vixe!, a casa cai. E, de repente, estão te contando as intimidades! Comigo o negócio não vai muito adianta porque eu já corto no começo. E também não dou abertura pra esse tipo de conversa. Eu fujo dos chatos - e acho que eles falam o mesmo de mim!

quarta-feira, abril 02, 2008

A lucidez contra o senso comum

Como é bom ler um texto inteligente e bem escrito. Hélio Schwartsman lembra que o Tibete nunca foi um país independente, com exceção de um pequeno período quando a China estava ocupada demais com seus problemas internos, na primeira metade do século XX.

Com muito mais propriedade e elegância, Hélio diz o mesmo que eu penso: o problema não é a "opressão" da China contra os tibetanos, mas a opressão da China contra todos os chineses. Não estou nem aí pros tibetanos. Aliás, como bem lembrou o Hélio, antes do recente domínio chinês, eles viviam numa teocracia absolutista - argh! Não gosto de religião, muito menos de Estado religioso.

O problema é a ditadura chinesa que oprime mais de um bilhão de pessoas - defendida por muitos esquerdopatas tupiniquins.

E o melhor do texto do Hélio é alertar para o nosso clichê de sempre torcer para o mais fraco.

terça-feira, abril 01, 2008

Exortação ao ceticismo

O professor Nilson Lage , um dos maiores pesquisadores em jornalismo do país, deu uma palestra na abertura de um evento sobre a qualidade do ensino de jornalismo - ou coisa parecida. Um evento sindical, devo dizer - daqueles que não me apetecem nem um pouco, em que tudo gira em torno da defesa da exigência de diploma para quem quiser ser jornalista. Mas isso não é a questão agora.

A palestra do professor Lage deveria ser ouvida por todos os coleguinhas. Em resumo, ele exortou os jornalistas a exercer o ceticismo. (Sei que é quase como jogar pérolas aos porcos, mas vale a tentativa.) Eu lembrei das aulas de Controle de Opinião Pública quando ele sapecou algo mais ou menos assim: se uma coisa precisa ser repetida o tempo todo, provavelmente não deve ser verdadeira. Lembrei do texto do Jean Marie Domenac.

Iconoclasta, Lage investiu contra dois dos discursos mais em voga por estes tempos. O recado aquele sobre a repetição tinha endereço certo: o tal aquecimento global. "Não se sabe se é humano", rebateu. E citou alguns períodos em que a temperatura da Terra se elevou muito mais do que agora.

Depois, sobrou para a agricultura familiar. "A China não vai alimentar um bilhão de pessoas com agricultura familiar."

Por fim, atirou naqueles que chamou de "neoesquerdistas" e "neodireitistas". "São sempre contra as idéias novas" - os transgênicos, por exemplo.

Lage foi na mesma linha do que já foi dito por aqui. Esquerdistas e direitistas - apesar dessas categorias não resistirem a uma análise rigorosa, mas aqui são tomadas por simplificação - são mesmo contra a ciência, contra as liberdades individuais, contra a propriedade privada e contra a democracia. Enfim, são contra a civilização.

Pena que a maioria dos coleguinhas continuem seguindo as mofadas cartilhas ideológicas do século XIX.

quinta-feira, março 27, 2008

"Capitalismo" brasileiro

Um amigo meu esquerdista me mandou um email sobre a criação de um Fundo que vai bancar a expansão do frigorífico JBS Friboi no exterior. O tal Fundo tem participação maciça do BNDES e dos fundos de pensão das estatais - os maiores investidores do país atualmente. O BNDES vai passar a ter 21% da empresa!

Para me provocar, ele sapecou "e ainda dizem que o governo não deve se meter!" Ele está certo: nossos empresários não são liberais, mas estatistas. Criticam o Estado na hora de pagar imposto, mas adoram um dinheirinho público.

De minha parte, retruquei: "e ainda falam em neoliberalismo! Não há, nem nunca houve, liberais no Brasil. Portanto, não há liberalismo, muito menos neoliberalismo - seja lá o que for isso." Até agora, não tive resposta.

terça-feira, março 18, 2008

Já vai tarde

Ninguém acessava o site do chapa-branca-mor. Resultado: foi defenestrado porque dava prejuízo.


Do Comunique-se

Não é possível mais acessar a página que Paulo Henrique Amorim mantinha no iG. O Portal rescindiu contrato com o jornalista, afirmando que vai respeitar todas as cláusulas contratuais, o que significa que ele será indenizado. A medida, segundo a direção do iG, faz parte de um processo de reestruturação de contratos que já começou há algum tempo. Amorim disse que “eles desrespeitaram a cláusula básica que é a duração do contrato.” A negociação seria mantida até 31/12.

O Portal disse ainda que a manutenção do Conversa Fiada era altamente desvantajosa para o modelo de negócios da empresa. A informação que chegou ao Comunique-se é a de que havia um alto custo para manter a página, porque a baixa audiência e receita não compensariam os gastos.
Amorim não quis dizer ao Comunique-se se pretende ter outra página na internet. Limitou-se a dizer: “todo o resto será tratado com os meus advogados”.

Um país de tolos

Belíssima entrevista que o editor da revista Amanhã (para a qual colaboro), Eugênio Esber, fez com o sociólogo Alberto Almeida, autor do livro A Cabeça do Brasileiro. Em resumo, o brasileiro tem a cabeça de um homem da Idade Média!!

Aqui vão alguns excertos, mas leiam a entrevista na íntegra.

"O brasileiro tem uma mentalidade muito arcaica, antiga, atrasada. Quando você pega todos os resultados juntos e vê o panorama total, é surpreendente."

"Só que, aí, você se debruça sobre os resultados e começa a ver melhor... A escolaridade do Brasil é uma das piores do mundo. Quando tomamos a Europa, Portugal tem uma das escolaridades mais baixas. Quando tomamos as Américas, isso se aplica ao Brasil. Não é por acaso. Tal pai, tal filho. A cultura portuguesa que não valoriza a escolarização foi trazida para o Brasil. Por isso somos assim."

"Avaliamos a a visão que o brasileiro tem do destino. Resultado: 60% acreditam que todo o destino, ou grande parte dele, está nas mãos de Deus, e os homens não controlam nada, ou são capazes de mudá-lo muito pouco...Acham que tudo está nas mãos de Deus – ou quase tudo...E só 14% entendem que não há destino. Isso eu considero um quadro de idade média, que justifica muitas coisas. “Ah, estava no lugar errado, na hora errada. É o destino. Deus quis...”

E depois me perguntam por que eu quero imigrar!

(via blog do Tambosi)

Resposta da Globo

Um executivo da Rede Globo ainda se deu ao trabalho de responder às agressões da Record, via a boca alugada do chapa-branca mor, PHAmorim. Disse o que toda pessoa inteligente diria: novela é ficção, e a tentativa de calar o autor é censura. E lembrou ainda que os chutes na imagem de uma santa católica por um pastor desequilibrado não foi ficção, não, mas pura realidade.

Os carolas querem mesmo dar as cartas na nossa vidinha secular. A matéria da Record entrevistou até um jornalista que estudou comigo. Adventista, condenou a cena da novela por ser "preconceituosa" contra os crentes. Faça-me o favor! Não sei se ainda é, mas o cara era chargista quando estudante. Bem ruinzinho, é verdade. Agora, deve ter protestado também contra as charges de Maomé, sempre a partir da idéia de que "poderia ter sido com a minha religião". Valha-me deus. Ops!

segunda-feira, março 17, 2008

A patrulha da turba

Aqui no Bananão, onde o século XX ainda não acabou, a patrulha não dá trégua. Antes do reinado lulático, ela vinha dos partidos "de esquerda". Agora, a patrulha é religiosa. As religiões, sejam quais forem, se acham no direito de interferir nos assuntos de Estado, laicos, portanto. O embate mais recente é o da liberação das pesquisas com células tronco embrionárias.

Não satisfeitos em tentar perpetuar o atraso em que se encontra este grotão (crédito ao Tambosi), os carolas querem agora censurar a produção cultural, principalmente se ela vier da Rede Globo. Sempre com a Rede Record e a "Igreja" Universal por trás das críticas e ações sórdidas.

O episódio mais recente foi um capítulo da novela Duas Caras em que um bando de fanáticos incita o linchamento de pessoas que mantêm um relacionamento assim, digamos, heterodoxo (um triângulo amoroso).

Foi o que bastou para a revolta dos carolas. A Veja publicou uma matéria, e a Record aproveitou a deixa para detratar a Globo num programa exibido neste domingo. A matéria da TV dos bispos entrevistou um punhado de gente, entre religiosos de várias seitas e "especialistas" em "ciência da religião" (sic). Todos contra a novela. Um advogado chegou a recorrer à Constituição para pedir a censura deste tipo de programa, que incitaria o preconceito contra os evangélicos.

Não é a primeira vez que essa turba reacionária critica o autor Aguinaldo Silva. Outro dia um tal de sindicato das enfermeiras protestou porque uma personagem se vestia de enfermeira para fazer strip-tease!! Pode?

Alguém precisa avisar pra esse bando de energúmenos que novela é uma obra de ficção, embora possa se basear em alguns casos do cotidiano. O que não faltam, por exemplo, são fanáticos religiosos por aí. Agindo assim, eles comprovam que o autor está com a razão. Assim como a personagem da novela, promovem um linchamento do autor e da rede de TV.

Esse tipo de estupidez obriga gente inteligente, como Aguinaldo Silva, a explicar o óbvio para um bando que não está nem um pouco interessado em conversar: que não há incitação ao preconceito - pelo contrário, há personagens evangélicos "do bem". Em frente Rede Globo; em frente Aguinaldo.

Fico impressionado ao perceber quanta gente é a favor da censura "neffepaiff". Justamente porque isso aqui não é um país civilizado.

sábado, março 15, 2008

sexta-feira, março 14, 2008

Beautiful mind; beautiful story

Não foi à toa que A Beautiful Mind ganhou o Oscar de melhor filme. A história é linda, comovente, emocionante. A realidade foi muito mais criativa e original do que qualquer autor de Hollywood. Mas o roteiro foi muito bom. Aquela cena das canetas na mesa é, na minha opinião, uma das mais tocantes da história do cinema.

John Nash Jr. é um dos maiores matemáticos vivos e já entrou para a História da ciência do século XX. Sabe o que é o cara dar a volta na esquizofrenia?? Não vou falar mais nada sobre ele porque Sylvia Nasar faz isso com muito mais propriedade.

quinta-feira, março 13, 2008

Décadence sans élégance

Já mencionei aqui que a França me parece um país decadente. Aqui, mais um exemplo da decadência.

Gostaria que algum economista explicasse este fenômeno da crise imobiliária. Se os preços dos aluguéis estão tão altos, por que a oferta não aumenta? Os empresários deveriam ir em busca dos bons retornos dos aluguéis. Suspeito que tem o dedo do governo nisso tudo.

quarta-feira, março 12, 2008

Agora vai!

No Brasil é assim: tudo se "resolve" com uma lei. Ou seja, nada é resolvido de verdade. Um puro faz-de-conta.

Os casos mais recentes são ótimos exemplos. O governo decidiu que as empresas não podem mais exigir dos candidatos a emprego experiência profissional superior a seis meses. Opa, agora vai! Está solucionado o problema do desemprego para os jovens!

Há umas duas semanas eu ouvira que o governo estudava a idéia de acabar com a demissão sem justa causa. As empresas não poderiam mais decidir quem demitir e quando. Precisa dizer que isso é uma absurda interferência na gestão empresarial?

São dois exemplos que revelam o nível dos nossos administradores públicos. São intelectualmente indigentes. Ou mal intencionados, mesmo. Não sabem o básico de Economia.

A raiz de tudo é aquela velha idéia impregnada no nosso "DNA cultural", a saber, a de que o governo tudo resolve, quando, na verdade, abundam exemplos de que o ele não faz mais do que atrapalhar.

sábado, março 08, 2008

Lógico

Na última quinta-feira finalmente saí de casa, depois de uma semana de molho por causa de problemas de estômago (ou seria fígado?) que me levaram ao pronto-socorro - uma congestão, creio.

Assisti a uma aula da cadeira de Lógica I, do curso de Filosofia da UFSC. Excelente. Todo curso superior deveria ter uma cadeira de lógica. Ensina o camarada a pensar de maneira rigorosa. E rigor, sabemos todos nós que cursamos jornalismo ou "comunicação", é o que menos há por aí.

Enfim, uma tarde agradável. A aula foi tão instigante que fez da sala apertada - e abarrotada de calouros que de lógica entendem tanto quanto eu de zoologia - um ambiente agradável, mesmo ultrapassando os 30 graus.

Volto a falar do tema "Lógica". Por ora, deixo uma sugestão de textos interessantíssimos.

quarta-feira, março 05, 2008

Qual é a sua cidade?

A minha é esta aí. Faça o teste no link abaixo.




You Belong in London



A little old fashioned, and a little modern.

A little traditional, and a little bit punk rock.

A unique soul like you needs a city that offers everything.

No wonder you and London will get along so well.

terça-feira, março 04, 2008

A guerra da Maria Louca

Sobre o absurdo a que chegaram os idiotas latino-americanos capitaneados por Hugo Maria Louca Chavez, vocês vão encontrar análises melhores em outros blogs. Vou me limitar a algumas coisas bem básicas, nada diplomáticas.

1. As Farc são uma seita de traficantes de drogas. Nada de guerrilheiros, muito menos "insurgentes".

2. O governo da Colômbia é legítimo e eleito democraticamente para combater traficantes e terroristas, como as Farc.

3. Sim, a Colômbia invadiu território equatoriano, algo condenável diplomaticamente. Mas isso não teria sido necessário se o próprio Equador tratasse de combater bandidos e traficantes em suas terras. Não só não combate como é conivente, como também a Venezuela. O Brasil, mesmo, invadiu terras colombianas para revidar um ataque dos fascínoras das Farc a um destacamento do exército brasileiro na Amazônia. Há uma convenção da ONU que permite isso, desde que o objetivo seja combater o terrorismo (é o que sustenta legalmente as operações no Afeganistão).

4. Um conflito é tudo de que Chavez precisa para desviar a atenção do estado calamitoso da economia venezuelana. Alimentos básicos estão em falta em todos os mercados, inclusive os estatais, por causa do tabelamento de preços. O tirano não aprendeu nada com a história recente.

5. Corrêa, do Equador, e Morales, da Bolívia, são títeres a soldo da Maria Louca do continente. Passam a ser estados delinqüentes.

6. Lula condenou a invasão colombiana, mas é conivente com a bandidagem das Farc. Ou seja, entre o governo democrático de Álvaro Uribe e os traficantes, o apedeuta opta pelos últimos - últimos mesmo. Uma vergonha!

segunda-feira, março 03, 2008

O anti-carolas

Reinaldo Azevedo é dos blogueiros mais populares do país. É o que os petralhas costumam chamar de "direita". Quanto a mim, concordo com ele em tudo que diz de Lula e dos petralhas em geral, mas discordo quanto a vários pontos. Ele parece ver grandes diferenças entre PSDB e PT, eu não. Ele é o que chamo de carola, eu não agüento discurso religioso travestido de pseudo-científico. Para uma crítica muito mais contundente de Azevedo, recomendo o excelente blog do Zappi.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Geniozinho


O único tipo de instrumento que eu consigo tocar é o de percussão. Nada de sopro ou cordas. Adoro bateria, mas toco muito mal. Já este moleque aí é impressionante.

Nosso observador

O mais arguto observador da imprensa não é aquele observatório coalhado de chapas-brancas, mas o Marcelo Soares, do E você com isso? Sozinho, faz melhor do que aquele bando.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

E você com isso?

Esse é o sugestivo nome do blog do meu amigo Marcelo Soares, grande jornalista. Já está na lista de links ao lado.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Socorrei-nos, Montesquieu!


Sabem aquela história de que o Estado moderno é fundado sobre o princípio da separação dos três poderes? Vale para o primeiro mundo. Isso ainda não chegou por aqui, não.

O que vou tratar aqui é apenas um singelo exemplo do que sempre acontece nas nossas altas cortes. Ontem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE ) paralisou o julgamento do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, acusado de abuso do poder econômico na última eleição, quando se reelegeu. O placar já estava em 3 a 0 contra o governador e mais um voto contra resultaria numa inédita perda do mandato.

O que fez o TSE? Por sugestão dos juízes Marco Aurélio de Mello, presidente, e Marcelo Ribeiro, o Tribunal decidiu incluir no processo o vice-governador para, teoricamente, dar a ele o direito de defesa, já que a cassação também o afetaria. Normal, justo? Parece. Mas tem um detalhe: isso vai fazer com que o processo volte ao começo. Ou seja, os três votos contrários não valem mais nada - os juízes terão que votar de novo.

Mas o que tem de errado nisso? Acho muito curioso que os nossos digníssimos magistrados só se tenham percebido do equívoco depois de a tropa de choque do governador catarinense acampar em Brasília a semana toda. Pura coincidência, claro. Afinal, como bem sabemos, o Direito não se curva, jamais, aos interesses políticos. Imagina; não no Brasil.

Não tenho nada contra o governador, diga-se. Pelo contrário, minha crítica aqui é muito, muito mais ao Judiciário do que ao governador, com quem até simpatizo. Acho sua administração ligeiramente melhor do que as anteriores. A mais alta corte eleitoral do país demora meses para notar que o vice-presidente precisa ser incluído no processo e só decide incluí-lo porque havia o risco de a decisão ser contrária.

A gente olha aqueles senhores togados e acha que são sumidades. É preciso não esquecer de que são indicados politicamente. Salve, Montesquieu!

Leia mais aqui.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Intimidação à imprensa

Minha solidariedade à colega Elvira Lobato e ao jornal Folha de S. Paulo, vítimas de uma campanha sórdida da "igreja" Universal e da Rede Record. Não me venham com essa conversa fiada de que elas têm direito de recorrer à Justiça por se sentirem ofendidas por uma matéria da Folha. É claro que têm.

O problema é que não se trata de uma ação, mas de um conjunto delas orquestradas pela "igreja" por todo o país, principalmente em lugares de difícil acesso, na região Norte. Algumas audiências são no mesmo dia, o que impede a presença dos réus, que podem ser condenados à revelia. A sorte é que há juízes inteligentes que percebem o ardil. Um deles já condenou a igreja por litigância de má fé. Como bem lembrou o ministro Celso Melo, do STF, trata-se de "abuso do direito de demandar".

A intenção da "igreja" e dos fiéis não é condenar a jornalista e o jornal, mas puní-los com o simples fato de os obrigar a responder vários processos nos quatro cantos do país. É usar do aparato da Justiça para punir aqueles que não fizeram outra coisa senão dizer a verdade: "Universal chega aos 30 anos com império empresarial". E mais: é um aviso para os que se atreverem a mexer com a organização daqui para a frente.

E o presimente não vê atentado à liberdade de imprensa. Não é de se espantar, já que de democracia ele e o partido dele não entendem nada. Gostam é de uma ditadurazinha, desde que "de esquerda", claro. Ou melhor, desde que seja a deles.

PS. Aqui mais coisas interessantes sobre o caso. E aqui a matéria da Record, um exemplo de jornalismo isento.

Ó o OI, ó!

Pela quantidade de artigos em defesa do Pequeno Timoneiro, o Observatório da Imprensa parece ter capitulado. Neste aqui, Alberto Dines nem disfarça. E olha que eu andei concordando com ele várias vezes quando ele defendeu a imprensa dos ataques luláticos.
Abaixo, segue o comentário que deixei lá.

"Li e não acreditei. Este texto deve ter uma só explicação: Dines adoeceu - ou coisa parecida - e um militante tomou o seu lugar. Defender o cabidão de empregos?? E ainda mais com essa lenga-lenga de "fundamentalistas da livre iniciativa"!!!! Deve ter na cabeceira "As veias abertas da américa latina". Sugiro o Manual do Perfeito Idiota Latino Americano. É por isto que este Grotão está assim: porque as pessoas só vêem solução no governo, enquanto que os governos só fazem atrapalhar. Quanto menos governo, muito melhor! Se governo resolvesse problema a América Latrina não estava deste jeito. Pelamordedeus, a gente não consegue sair da década de 60!! Se bobearmos, Cuba vai sair antes da gente."

Now hiring


De novo falando do Canadá, aqui está uma matéria da minha amiga Gabi Veras para a RCI sobre a oferta de trabalho em Alberta.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Regras de ouro



Esta internet deixa as coisas mais fáceis pra gente, não é mesmo? Conheço muitos que só usam a pobre coitada pra bater papo. Não sabem o que estão perdendo. Coisas como esta. Quem já teve que escrever uma tese ou dissertação sabe do quão importantes são essas dicas.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fé cega e autoritária

Enquanto o chapa-branca número 2 briga com a Veja, o verdadeiro ataque à liberdade de imprensa vem, vejam só, de uma "igreja". E o pior de tudo isso é que a tal "igreja" tem várias concessões de rádio e TV pelo país afora e pretende chegar "à liderança" na televisão aberta. Dá-lhe Rede Globo.

Vejam as matérias aqui e aqui.

A coisa é mais séria do que pode parecer porque premeditada. Uma tentativa sórdida de intimidar a impresa. Minha solidariedade aos jornais Folha de S. Paulo e Extra e à jornalista Elvira Lobato, uma das melhores repórteres do país.

Canadá no JN

O Jornal Nacional desta segunda-feira encerrou com uma matéria grande sobre a imigração para o Canadá. A matéria até que foi boa, mas tenho alguns reparos.

Primeiro, a matéria passou a impressão de que qualquer um pode imigrar para lá. Uma mulher entrevistada chegou a dizer que o país não precisa apenas de doutores, mas de qualquer tipo de mão-de-obra. É uma meia verdade.

É fato que o Canadá é país mais aberto à imigração entre os desenvolvidos. Isso não quer dizer que seja fácil. Antigamente era; agora, não mais. Para conseguir imigrar, o candidato deve somar 67 pontos de um máximo de 100 num teste que pode ser feito pela internet. Se atingir isso, tem boas chances, mesmo que não tenha arranjado emprego lá.

Essa é, aliás, a grande diferença do Canadá para os outros países: você pode imigrar sem ter um emprego certo. Eles avaliam o potencial de cada pessoa de se estabelecer por lá. Eles precisam, sim, de todo tipo de mão-de-obra, mas é difícil um pedreiro, por exemplo, passar no teste de imigração por aqui. A menos que consiga um emprego antes mesmo de ir, o que é bem difícil.

A matéria só ouviu gente que já está lá e nem sequer mencionou o tal teste de imigração. Ainda assim, só entrevistou gente trabalhando na construção civil.

Pensando melhor, a matéria ficou uma porcaria. Deveriam ter entrevistado gente que passou pelo processo de imigração e já está lá trabalhando legalmente. E também os que ainda estão por aqui esperando o resultado. Ficaria muito mais completa.

Mesmo com todos esses reparos, o Canadá é, sim, o país mais aberto à imigração. Para os Estados Unidos, por exemplo, é impossível imigrar se não for para trabalhar, digo, se o cidadão não tiver um trabalho certo.

Estive em Toronto em 2001 e adorei a cidade. Mas queremos mesmo é morar em Vancouver, do outro lado, no Pacífico. É que a província de Ontário, onde está Toronto, passa por algumas dificuldades econômicas. Já não é a mais pujante do país. Esse título é de Alberta, onde o petróleo jorra fácil. Mas Vancouver, em British Columbia, é a melhor cidade para viver. Entre as dez melhores escolhidas na pesquisa da Economist, há também Calgary e Toronto.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Astrologia

Mais de cinco meses depois de eu ter publicado aquela matéria sobre astrologia no Valor Econômico (que está no link do post anterior), o Estadão deu esta aqui, bem mais condescendente com os astrólogos. É claro, sem citar a minha. Nas redações Brasil afora, grassa o pensamento anticientífico e anticapitalista. Deve ser a razão de todo este nosso desenvolvimento.

Magnífica picaretagem

Este é o reitor ferrenho defensor do sistema de cotas e todas as plataformas politicamente corretas que se possa imaginar. Um exemplo de retidão, como se vê pelo noticiário dos últimos dias. Da UnB não se espera muita coisa, depois que instituiu um curso de extensão sobre astrologia. E não era para estudar se ela funciona ou não, mas para legitimá-la.
Matéria da Folha de S. Paulo de hoje:

O reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland, recebeu no dia 31 de janeiro diária de R$ 3.953,06 para ir a um congresso sobre educação superior em Cuba ao qual ele não foi. Segundo a assessoria da UnB, o dinheiro foi devolvido -mas somente duas semanas depois, na última quinta-feira, mesmo dia em que a instituição foi questionada pela Folha sobre a despesa.

A diária havia sido repassada pela FUB (Fundação da Universidade de Brasília), mantenedora da UnB. No dia 7 de fevereiro, ele recebeu mais uma diária relativa à viagem não realizada a Cuba (R$ 550,63), paga pela secretaria de Educação Superior do MEC -igualmente devolvida só na última quinta-feira, de acordo com a assessoria da UnB.

Os pagamentos estão listados no Siafi (sistema de acompanhamento de gastos federais). A assessoria de orçamento da liderança do DEM fez um levantamento no sistema a pedido da Folha. A reportagem pediu à UnB cópia do comprovante de restituição do dinheiro, mas a universidade afirmou que se trata de um "documento de controle interno".

A assessoria da UnB não soube dizer se as devoluções foram feitas antes ou depois do contato da reportagem, nem por que 14 dias após o primeiro pagamento ou cinco dias depois da data marcada para ida. Também não informou quando o reitor soube que não viajaria.

Segundo o órgão, a restituição ocorreu dentro do prazo legal. O decreto nº 5.992, de 2006, diz que "serão restituídas pelo servidor, em cinco dias contados da data do retorno à sede originária de serviço, as diárias recebidas em excesso", e que o prazo vale para a restituição de diárias pagas por viagem não feita. As diárias do reitor eram válidas para o período entre 9 de fevereiro e hoje.

Segundo a UnB, o decano de ensino de graduação, Murilo Camargo, foi ao congresso representando Mulholland, que desistiu de ir ao evento "porque não poderia sair agora".

O nome do reitor aparece em investigações do Ministério Público do Distrito Federal que vieram à tona recentemente. Elas apontam que o apartamento funcional onde ele morava havia sido mobiliado com R$ 470 mil da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), fundação direcionada ao apoio à pesquisa. A assessoria de imprensa da UnB diz que a reforma custou R$ 350 mil.

Entre os gastos encontra-se a aquisição de três lixeiras (R$ 2.738), de equipamentos de TV e de som (R$ 36.603) e o plantio de 16 vasos com "plantas diversas" (R$ 7.264).Após argumentar que o imóvel servia a reuniões acadêmicas, o reitor o desocupou na semana passada, segundo ele com o objetivo de "preservar a instituição".

O caso foi um dos motivos para a Justiça do DF decretar, na última sexta, uma intervenção na Finatec.Servidores da UnB gastaram entre 2004 e 2007 R$ 3,4 milhões com cartões corporativos do governo federal -31% do gasto pelo MEC.

domingo, fevereiro 17, 2008

Assassinato no aeroporto



Vejam a barbaridade que fizeram com este cara no aeroporto de Vancouver. Sim, ele estava alterado, mas não agrediu nenhum dos policiais. Estava há horas esperando para ser liberado para entrar no país, mas não falava uma palavra em inglês. O cara acabou morto por choque elétrico! Isso só mostra que polícia despreparada há em todo lugar, até nos melhores países. E ainda tem gente que quer ir morar lá.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A sorte está lançada

Ontem, enviei ao consulado do Canadá a documentação para o processode imigração. Acabou a primeira parte. Na verdade, eles ainda podem pedir documentos adicionais. Depois, se nos considerarem aptos, vão nos pedir os exames médicos. E, por fim, os passaportes. O processo começou em 27 de março de 2007 e pode se estender até o fim deste ano ou o começo de 2009. Não resta mais nada a fazer a não ser esperar.

Para os interessados, aqui estão as informações.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Instinto Moral

A Folha de S. Paulo publicou a tradução deste texto do Steven Pinker no domingo. Como o site do jornal é fechado e estou cansado de não pagar os direitos autorais para os textos que coloco aqui, aqui vai o link para o artigo original no site do Pinker. É longo, mas muito interessante.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Hilário

Quando a realidade é mais espetacular do que a ficção, fica difícil ganhar a vida como escritor.

Essa entrevista está hilária, sensacional.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Picaretagem quântica


Fazia tempo que não assistia ao Roda Viva; andava muito chato, com assuntos que não significavam muito pra mim. Hoje, fui dar uma espiada. Dessa vez não apenas chato, mas uma picaretagem só.

Entrevistaram (não sei se era reprise) o físico (que vontade de botar umas aspas aqui) indiano Amit Goswami, defensor de uma "nova ciência" - "menos materialista e mais espirtualista". E a base de tudo, claro, é a teoria quântica. Valha-me Deus! Um tal de "corpos sutis" pra cá, "ativismo quântico" pra lá... Mas ele tem uma carinha simpática, não?

Aliás, lembrou-me muito os "pós-modernos" picaretas que misturam um monte de termos da física para montar um discurso supostamente científico quando, na verdade, é completamente vazio. Mesmo sendo físico, o tal Goswami pareceu misturar um monte de conceitos científicos num liquidificador. Falou muito de consciência

Para resumir, o cara é autor de livros de auto-ajuda, como O Universo Autoconsciente. Help Mr. Dawkins!

Com exceção de Maurício Tuffani, os demais entrevistadores foram muito complacentes com o picareta - como sempre, aliás.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Luto

Se a semana já estava triste por todos os motivos apontados pelo Damião, meu Carnaval foi ainda pior. Um tio meu, irmão mais novo do meu falecido pai, morreu no domingo, aos 55 anos. Uma consternação só.

Não sei se alguém sabe, mas eu não sei lidar com a morte - ou com o tempo. Acho esquisito o tempo passar, as crianças crescerem, a gente envelhecer e morrer. Em oito anos, perdi meu avô, meu pai e meu tio. O vô já tinha 76 anos, mas o pai e o tio nem completaram 60. Acho muito cedo.

O núcleo da família vai se esfacelando. Não tem mais a casa da vó e do vô; nem as reuniões de família lá. A casa da mãe está cada vez mais vazia. Os irmãos vão cada um pro seu lado. Enfim...
É claro que isso ia acontecer, mas precisava ser tão cedo?

Se foi pesado pra mim, imaginem para a minha vó. O envelhecimento cobra um preço alto: chegar aos 80 e perder dois filhos é um fardo pesado demais. Está desolada, tadinha. Corta o coração da gente. Espero que ela, minha tia e primos tenham força pra suportar mais essa barra.

Relevem esse desabafo piegas.

sábado, fevereiro 02, 2008

Semana triste

Sobre notícias da capital de todos os catarinenses, eu recomendo fortemente o blog do Damião - excelente jornalista. Nesta nota, ele fala dos infortnúnios que se abateram sobre a nossa Floripa, na última semana. Abaixo, o comentário que deixei lá.

Se ele encantava crianças eu não sei, mas que Beto Carrero foi um empreendedor de mão cheia, ah isso foi. Um visionário, eu diria. Quem, em sã consciência, construiria um parque de diversões neste fim de mundo?? Se eu tivesse o dinheiro, teria aplicado noutra coisa. Mas ele era empreendedor e sonhador. E o sonho deu lucro. Ele colocou essa região aqui de Penha no mapa do Brasil. Eu admiro os empreendedores - talvez por não ser um deles. Eu admiro nos outros as virtudes que não tenho.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O caos total

Foto: Daniel Conzi/DC

Ninguém entra nem sai de Florianópolis nos últimos dois dias. A BR-101 está interditada em vários pontos. Quem está em Floripa e quer ir pro sul do estado ou para Curitiba não consegue. E os gaúchos e paulistas que vieram passar o Carnaval por aqui enfrentam filas de 40 Km.

As rodovias federais estão um caos. Fui a São Paulo há 15 dias. Um pesadelo. A Régis Bittencourt está pavorosa. Em alguns trechos, o motorista tem que andar a 40 Km/h para escolher os buracos menores. Tenho pena dos caminhoneiros - apesar de muitos serem culpados pelo excesso de peso e de velocidade. Encontrei vários caminhões andando a mais de 100 Km/h, com chuva e estrada em péssimas condições. É claro que os motoristas de automóveis também exageram, mas acho mais complicado controlar um caminhão carregado a 100 Km/h do que um carro de passeio.

O pior é se sentir um otário completo. As estradas estão assim, e a gente não pode fazer nada. A não ser pagar o IPVA religiosamente. Dinheiro botado fora.

Pânico no mar

Boa cobertura do jornal A Notícia. Só fiquei curioso por mais detalhes do salvamento dos homens que ficaram presos na barcaça e foram salvos por mergulhadores.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

"Cotas estimulam o ódio racial"

Essa entrevista do Estadão está ótima. O procurador simplesmente destrói esse discurso politicamente correto das cotas. Segue um trecho.

O polêmico debate sobre a reserva de vagas da universidade para estudantes negros e egressos do ensino público ganhou um novo ingrediente com a liminar que o procurador da República Davy Lincoln Rocha conseguiu da Justiça Federal para suspender o sistema na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na sexta-feira, e as opiniões fortes que ele vem emitindo desde então. Na ação, Rocha sustentou que as cotas não estão previstas em lei, que a autonomia não dá às universidades o direito de legislar e que a Constituição estabelece a igualdade de direitos.

Em comentários posteriores, ele considerou o sistema de cotas uma hipocrisia que coloca pessoas despreparadas na universidade e propôs que as compensações aos negros e aos pobres sejam pagas por toda a sociedade por meio de bolsas de estudo e não cobradas de estudantes que se saíram melhor no vestibular. Afirmou, ainda, que os cotistas estarão sujeitos ao vexame na faculdade e à discriminação no mercado.

Rocha, de 48 anos, baseia-se na sua experiência para contestar as cotas. Filho de um retirante do Piauí e de uma cabocla catarinense, se considera um “vira-lata racial”. Mas conta que, por esforços próprios, seu pai se formou em Letras e se tornou tradutor da missão naval dos Estados Unidos no Rio, e a mãe saiu do analfabetismo já adulta para se formar em enfermagem. Rocha só estudou em escolas públicas, é formado em Engenharia e Direito e passou em concurso para a procuradoria da República em Santa Catarina em 1998.

Justiça PC

O desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), suspendeu, nesta quinta-feira, a liminar da Justiça Federal de Florianópolis que derrubava o sistema de cotas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Flores Lenz entendeu que a liminar deveria ser suspensa, tendo em vista a jurisprudência sobre o assunto no TRF4. O caso ainda será analisado pela 3ª Turma do tribunal. Leia aqui.

A decisão já era esperada. O desembargador, assim como todo o tribunal, prefere ser politicamente correto a cumprir um preceito constitucional básico, a saber, o de que todos são iguais perante a lei.

Eu fui um dos prejudicados pelas cotas. Fiz vestibular e fiquei em 95º lugar no curso de sistemas de informação, que oferece 100 vagas. Por causa das cotas, não fui classificado.

Eu poderia ter optado pela cota, já que sempre estudei em colégio público. Mas não optei pela esmola. Sim, é uma burrice sem tamanho. Mesmo tendo estudado em escola pública, passei no vestibular de 1993 para jornalismo na própria UFSC. Não precisei de cota nenhuma.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Sentença irretorquível

Recorrer à Justiça é um direito garantido em todo Estado democrático. Ao contrário do que pensam os que defenderam o ladrão do relógio de Luciano Huck, a lei deve prevalecer para que vivamos com alguma descência. Pois bem, mesmo esse sagrado (figurativamente falando) direito não pode ser exacerbado, como bem experimentaram alguns picaretas seguidores da igreja (?) universal.

Numa tentativa claramente orquestrada de intimidação à imprensa, vários "fiéis" entraram com ações na Justiça contra a Folha de São Paulo alegando terem tido a moral afrontada por causa de uma matéria publicada no dia 15 de dezembro último. Um juiz do Mato Grosso do Sul condenou um deles por litigância de má fé. Trocando em miúdos, isso significa que o cara, mesmo sabendo que não tinha direito nenhum lesado, decidiu processar o jornal. Isso custa dinheiro ao Estado, sobrecarrega a Justiça, etc. E, claro, tenta intimidar a imprensa.

Intimidar a imprensa por meios judiciais é uma das estratégicas preferidas dos picaretas por aí. Isso porque dá um ar de legalidade, quando, na verdade, não passa de exacerbação, intimidação. E é bom que haja juízes que não se prestam a esse tipo de serviço. Leia mais aqui.

sábado, janeiro 26, 2008

Feliz aniversário

Sim, sim, sei que tenho relaxado com o blog. Mas tenho estado um tanto ocupado.

Meu grande amigo Marcelo Santos fez aniversário ontem. O cara é tão importante que no dia do aniversário é feriado na capital do Estado dele. São Paulo fez 454 anos. Claro, o Marcelo é um pouquinho mais novo. Parabéns Marcelão! Tudo de bom pra vocês.

Por falar em São Paulo, estive lá há uma semana. Era sábado, e o trânsito estava bom. Bateu-me uma saudade tremenda. Foram setes anos profícuos da minha vida por lá.

Para mim, muito mais do que a violência, o principal problema de Sampa é o trânsito. O transporte público é ruim e os carros abarrotam as ruas. Como não andam, as pessoas acabam ficando ainda mais vulneráveis aos assaltos.

Apesar de tudo, é lá que as coisas acontecem. Nos sete anos em que morei na capital paulista, não lembro de terem me perguntado de onde eu vinha. São Paulo é assim, democrática. A maioria das pessoas não é de lá, e a cidade está aberta a todos.

Por outro lado, morar na província não é fácil. Ou melhor, é mais fácil, mas pode ser muito mais chato. Mas passa a ser uma alternativa quando você começa a perceber quanto tempo perde sentado no carro esperando o trânsito desafogar.

Vi uma pesquisa outro dia em que os paulistanos declaravam amor eterno à cidade, mas quase dois terços admitiram que mudariam de cidade se tivessem oportunidade. Uma contradição compreensível.

Parabéns, Sampa.

sábado, janeiro 05, 2008

It´s not our fault

De que a temperatura da Terra está se elevando poucos discordam. Agora, até que ponto a "culpa" é do homem é uma discussão interminável. Os caras deste estudo perceberam que o aquecimento do Ártico pode estar sendo causado por fenômenos naturais.


Nature 451, 53-56 (3 January 2008)

Vertical structure of recent Arctic warming

(Rune G. Graversen1, Thorsten Mauritsen1, Michael Tjernström1, Erland Källén1 & Gunilla Svensson1)

Near-surface warming in the Arctic has been almost twice as large as the global average over recent decades — a phenomenon that is known as the 'Arctic amplification'. The underlying causes of this temperature amplification remain uncertain. The reduction in snow and ice cover that has occurred over recent decades may have played a role. Climate model experiments indicate that when global temperature rises, Arctic snow and ice cover retreats, causing excessive polar warming. Reduction of the snow and ice cover causes albedo changes, and increased refreezing of sea ice during the cold season and decreases in sea-ice thickness both increase heat flux from the ocean to the atmosphere. Changes in oceanic and atmospheric circulation, as well as cloud cover, have also been proposed to cause Arctic temperature amplification.

Here we examine the vertical structure of temperature change in the Arctic during the late twentieth century using reanalysis data. We find evidence for temperature amplification well above the surface. Snow and ice feedbacks cannot be the main cause of the warming aloft during the greater part of the year, because these feedbacks are expected to primarily affect temperatures in the lowermost part of the atmosphere, resulting in a pattern of warming that we only observe in spring. A significant proportion of the observed temperature amplification must therefore be explained by mechanisms that induce warming above the lowermost part of the atmosphere.

We regress the Arctic temperature field on the atmospheric energy transport into the Arctic and find that, in the summer half-year, a significant proportion of the vertical structure of warming can be explained by changes in this variable. We conclude that changes in atmospheric heat transport may be an important cause of the recent Arctic temperature amplification.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

O caos terrestre

Saímos de Araranguá (Sul de SC) ontem às 11h em direção a Balneário Camboriú - uma viagem que deveria levar no máximo quatro horas. Chegamos em Florianópolis às 19h30! Isso mesmo, oito horas para percorrer 200 quilômetros!!

Neste trecho não duplicado da BR-101, vimos um show de mau caratismo. Vários motoristas andando pelo acostamento. Acham-se melhores do que os outros. Um absurdo. É verdade que a maioria seguia pacientemente na fila.

E poderia ter sido pior. Soube depois que até mesmo o trecho duplicado - de Florianópolis para cima - também esteve congestionado à tarde. Mas à noite, quando passamos por ali, já estava bom.

É o show de horrores patrocinado por este (e os anteriores) governo inepto. Cobrar impostos ele sabe direitinho. É revoltante. Você se sente um idiota, um trouxa.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz 2008!


Fim de ano, festas, viagens... Estive longe da internet por alguns dias e só agora apareço aqui para desejar a todos um belíssimo 2008!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

De solstícios e equinócios

Vim ao mundo no solstício de verão de 1970. Quer dizer, não sei bem se aquele dia 21 de dezembro foi mesmo o solstício, já que costuma variar entre 21 e 23. Whatever.

Fazer aniversário perto do Natal é bom e ruim. A gente costuma ganhar só um presente. Não dos pais, claro. Mas não estou sozinho nisso. Meu irmão Sócrates faz 30 amanhã, dia 22. Parabéns, Tóti!

Mas a vantagem é que nos tempos de escola já estávamos em férias. Podia jogar bola o dia todo. Hoje só jogo às quartas-feiras. Uma única horinha em toda a semana!

Mas é bom fazer aniversário por estes dias porque há sempre um clima bom de Natal - ainda que esta época do ano me deixe meio ensimesmado. Sim, concordo, parece contraditório.

O fato é que dos 37 anos, os sete em que morei em São Paulo foram os que passaram mais rápido. Fiz 30 e, de repente, já estou na segunda metade dos trinta. O tempo é cruel.

Os solstícios - de inverno e de verão - costumam ser datas de muito significado no mundo todo. O Natal chegou a ser fixado em 25 de dezembro porque essa data coincidia com o solstício de inverno no Hemisfério Norte, pelo calendário juliano. Na verdade, as festas pagãs realizadas nos períodos de solstício e de equinócio foram quase todas apropriadas pelo cristianismo - Natal, Páscoa, etc.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Imperdível

O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas preparou um guia sobre o mundo digital para jornalistas. O download do e-book é gratuito.

Um belo exemplo

Dona Florinda tirou o primeiro diploma aos 9o anos. Não é mais analfabeta. É o tipo de coisa que me deixa emocionado. É o tipo de gente que admiro.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Campanha pela sensatez




Os jornais do grupo RBS têm capas fantásticas hoje. Diário Catarinense e Zero Hora mostram a seguinte manchete: "Isso tem que ter fim"

Abaixo, simplesmente uma lista de nomes de pessoas e a respectiva idade... com que morreram em acidentes de trânsito em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, no verão passado.

Nas estradas catarinenses, morreram 261 pessoas. Outras 379 perderam a vida no Rio Grande do Sul. Não precisa dizer mais nada, não é mesmo?

Essa é uma campanha da RBS para tentar reduzir esse absurdo. Não sei exatamente se funciona, mas a parabenizo pela iniciativa.

E as capas dos jornais ficaram ótimas. A Zero Hora já havia feito algo parecido no desastre do avião da Tam - a capa toda coberta com as fotos das vítimas. Ela concorre, aliás, ao prêmio Esso de melhor capa deste ano. Parabéns aos colegas jornalistas e ao Marcelo Rech, diretor de jornais da RBS.

Eu só trocaria o slogan para "Isso tem que acabar", para evitar a repetição do verbo "ter".

Dawkins, Dennett, Harris e Hitchens

Esta eu tirei lá do blog do Tambosi. Os quatro "cavaleiros" falam de ciência e religião. Ou melhor, por que são acusados pelos religiosos de arrogantes e outros adjetivos poucos simpáticos. Vale a pena.

terça-feira, dezembro 18, 2007

O contraponto ao catastrofismo

Do International Herald Tribune.


Excesso de retórica ambientalista enfraquece argumentação contra o aquecimento global

John Vinocur

As pessoas que se preocupam com o aquecimento global contam com uma boa argumentação. Uma argumentação que tem tanto mérito que as figuras de retórica atualmente usadas para apoiá-la - nações mobilizadas para a guerra, coragem moral, Hitler, Churchill - minam a sua credibilidade.

Essas palavras se constituem em fatores excludentes, bloqueadores maniqueístas da discussão e barreiras do tipo "ou está conosco ou está contra nós" de tal magnitude que elas tendem a transformar perguntas, sugestões e diversas interpretações da questão em dissenso herético.

Bastava ouvir Al Gore na semana passada, aceitando a sua parcela do Prêmio Nobel da Paz por ter popularizado a idéia de que o controle climático constitui-se em um vasto problema internacional:"Quando se trata de aquecimento global, atualmente um número muito reduzido de líderes se constitui em Winstons Churchill respondendo à ameaça representada por um Hitler", disse Gore. Para ele, neste momento o mundo precisa aglutinar uma determinação que só foi vista anteriormente "quando nações mobilizaram-se para a guerra".

Ele disse: "Nós e o clima da Terra estamos interconectados em uma relação que é familiar para os planejadores da guerra - a garantia da destruição mútua". E conclamou: "Seja um daqueles que a quem a História perguntará com admiração, 'Como você encontrou a coragem moral para se levantar e enfrentar uma crise que muitos descreveram como não tendo solução?'"

Se a certeza e a retidão expressas nessas frases terminarem vinculadas às preocupações que costumam ser menos exaltadas, como aquela com o preço do litro de gasolina ou com a luta para se eleger em um mundo de temores imediatos, uma candidatura poderá entrar em colapso devido ao peso do excesso político de Gore.

Avaliemos o quadro: aquecimento global é política, assim como a política é a administração de opções; e a demagogia é a política feita de uma forma que não permite tais opções e a suas discussões. Bjorn Lomborg está longe de se definir como anti-Gore - ele acredita que o aquecimento global realmente existe e que os seres humanos são um fator central para a intensificação desse problema -, mas ele é rotulado de negador da crise climática. Isso soa meio como uma tentativa de colocá-lo na categoria de um David Irving, que foi preso na Áustria por negar a existência do Holocausto.

Lomborg, um professor dinamarquês de estatística que se auto-descreve como "um pouco esquerdista na Dinamarca, o que provavelmente faz de mim uma pessoa muito esquerdista nos Estados Unidos", apresenta uma análise não histérica da mudança climática em livros (como, "Cool It: The Skeptical Environmentalist's Guide to Global Warming"/algo como "Esfriando as Coisas: O Guia do Aquecimento Global para o Ambientalista Cético") e palestras.

Basicamente, sem guinchos apocalípticos ou o desprezo zombeteiro dos desmascaradores, Lomborg diz que a discussão real é "sobre o quanto podemos fazer". A sua opinião:"Se você gastar US$ 180 bilhões anualmente com a redução das emissões de dióxido de carbono por meio do processo de Kyoto, será capaz de adiar o aquecimento global em cinco anos no final do século. Mas se esse dinheiro for destinado a pesquisa e desenvolvimento no sentido de que se lide melhor com o processo em um período de 50 anos, ou se for gasto com coisas mais concretas, como a restauração de pântanos e charcos ou o combate a malária, o mundo terá feito um bem formidável às pessoas e à natureza reais".

Vários argumentos de Lomborg reduzem o teor dramático do debate ao criarem modelos para o aquecimento global baseados em projeção médias fundamentadas em tendências existentes. Até mesmo para os imparciais, isso nitidamente não leva muito em conta os piores cenários possíveis, e Lomborg me disse que o seu livro deveria ter um capítulo que proporcionasse uma análise racional da possibilidade das hipóteses mais assustadoras.

Mas Lomborg não retrocede. Em uma conversa, ele disse que pronunciamentos como o discurso de Gore ao receber o Prêmio Nobel dizem respeito a sustentar o pânico como um substituto para "as questões e políticas desagradáveis e chatas relativas à infra-estrutura" que se concentrariam em controlar danos causados por inundações ou furacões no futuro relativamente próximo.

"Essa abordagem permitiu aos políticos centralizar as atenções como defensores dos interesses da humanidade, distanciando-se daquela luta diária que é típica da política baseada no auto-interesse". Nomes, por favor? Gerhard Schröder, Angela Merkel, respondeu ele.

Lomborg argumenta que ficar do lado certo quanto aos padrões de níveis de emissão foi uma jogada fácil para a Alemanha e o Reino Unido, já que as circunstâncias industriais dos dois países quase que acidentalmente os colocaram nessa posição desde 1997.

E quanto ao processo de Kyoto, como é que ele o vê politicamente? Sem ser amigo do governo Bush, Lomborg disse que, "se os Estados Unidos não estiverem cooperando, para muitos isto torna Kyoto algo extra-bom e correto".

No seu livro, Lomborg sustenta: "Infelizmente Kyoto tornou-se o símbolo da oposição a um Estados Unidos aparentemente desinteressado nas opiniões do resto do mundo. Assim, Kyoto foi ressuscitado politicamente sem ter sido seriamente questionado quando à sua eficiência e factibilidade. E essa é a verdadeira questão: Kyoto é ao mesmo tempo impossivelmente ambicioso e ambientalmente desimportante. As suas tentativas de modificar padrões que vigoram há séculos em 15 anos terminaram custando uma fortuna e apresentando quase que nenhum resultado".

Lomborg comparou Kyoto "às políticas maçantes" e às concessões necessárias para se lidar com a Rodada Doha, as negociações de comércio mundial, notavelmente no que se refere aos subsídios agrícolas, que estão se desenrolando desde 2001 entre os países industriais e o mundo em desenvolvimento.

"A Europa simplesmente não cede", disse ele. "Eis aqui uma questão moral que ilude tanto os consumidores europeus quanto as perspectivas de construção de economias vigorosas nas nações pobres".Nada disso torna Lomborg um negador da crise climática. Seria mais justo chamá-lo de relativista climático.

Mas, e quanto a Al Gore? Talvez ele devesse ser chamado de absolutista climático. Para Gore, o aquecimento global constitui-se em uma última chance de redenção universal para a população atual. Compre essa causa e, conforme as palavras de Lomborg ao citar o ex-vice-presidente, "ganhe uma missão que engloba gerações; o regozijo do objetivo moral; uma causa compartilhada e unificadora; a emoção de ser forçado pelas circunstâncias a deixar de lado as mediocridades e conflitos que com tanta freqüência reprimem a incansável necessidade humana de transcendência".

Isso é algo mais do que encontrar um campo efetivo de respostas para o aquecimento global. Em síntese, trata-se de uma abordagem que provoca o efeito divisivo e até mesmo debilitante de falar sobre soluções em termos cataclísmicos ou messiânicos. Incluindo referências à guerra e à paz, às desprezadas advertências de Winston Churchill e à brutalidade de Adolf Hitler.

sábado, dezembro 15, 2007

Utilidade pública

Aos turistas que pretendem vir a Santa Catarina neste verão, um serviço de utilidade pública. Veja aqui como estão as condições de balneabilidade das praias catarinenses. O mar de Balneário Camboriú, por exemplo, a mais movimentada, está em péssimas condições. É praticamente um esgoto a céu aberto, com exceção da ponta Sul e de Estaleiro. Em Florianópolis a coisa não é muito melhor, não.

Na minha Balneário Arroio do Silva, dos dois pontos medidos pela Fatma, um deles está impróprio para banho. Já Morro dos Conventos, em Araranguá, está em boas condições.

É um retrato da falta de saneamento básico em Santa Catarina, um dos estados mais desenvolvidos do país. Uma vergonha para um estado que se propõe turístico.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

É dose

É possível o editor de um veículo especializado em economia e negócios não saber o que vem a ser balanço de pagamentos? É, sim. Tudo bem que o cara só escreva sobre aqueles temas chatos de gestão; aqueles mesmos que costumam ser objeto da chamada literatura de aeroporto. Mas o problema é que fica chato o cara perguntar em alto e bom som se "um tal de balanço de pagamentos" se escreve com caixa alta ou baixa (maiúscula ou minúscula). Fiz questão de mostrar minha cara de espanto diante de demonstração de tamanha ignorância.

E a figura já tem anos de experiência, o que lhe rendeu um ar meio arrogante e presunçoso. Isso tudo porque conhece todos os gurus do que se convencionou chamar de "gestão de empresas" - o campo mais fértil para a proliferação da picaretagem acadêmica. E acha que isso é economia.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Palestras dos laureados

No site do Prêmio Nobel é possível assistir às palestras dos ganhadores deste ano e acompanhar os slides ao mesmo tempo. Realmente, vale a pena.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Desabou o mundo

Um dia de São Paulo em Balneário Camboriú. A cidade parou durante a manhã e boa parte continuou inacessível durante todo o dia. Choveu em algumas horas o equivalente ao mês todo. Minha mulher não conseguiu chegar no trabalho. Saiu de casa e ficou ilhada. Voltou para casa e tentamos uns minutos mais tarde, quando a chuva cedera. Não deu. Ficamos parado num posto de gasolina até o meio-dia. O jeito foi dar uma baita volta, ir até o trevo de Itajaí e voltar pela BR-101.

Morei em São Paulo quase oito anos e nunca passei por uma dessas. Tal qual a capital paulista, descobri que Balneário Camboriú também é uma cidade impermeável. Mas isso nem foi o pior. Pior mesmo foi a água entrando nas casas e desabrigando muitas famílias, que perderam móveis e tudo mais. Uma lástima.

Os idiotas latino-americanos da academia

Mais uma do vestibular da UFSC. Na abertura de uma questão da prova de História, lia-se algo assim: a revolução cubana estimulou a intelectualidade de esquerda na América Latina na busca por um futuro melhor para os povos. Assim mesmo, na cara dura.

Uma das alternativas da mesma questão dizia que a revolução cubana teve a mesma importância para a América Latina como a chinesa para Ásia e a russa para a Europa. E daí, fazer o que, nesse caso? Assinalei que sim. Acho que era o que eles queriam ler.

Deixei vários comentários de protesto ao longo da prova. Sem contar que algumas questões tinham alternativas que poderiam estar certa ou errada, dependendo do ponto de vista. Um comunista realmente vai concordar com a abertura da questão a que me referi. É dose.

Pensando alto

A prova de língua portuguesa do vestibular da UFSC continha um excerto de um texto de Marilena Chauí sobre, vejam vocês,... ética! A cidadã que defendeu o governo Lula nos vários escândalos em que se meteu com a alegação de que tudo não passou de invenção da mídia burguesa e golpista.

Aridez

Andei meio sumido, eu sei. Como não sou rico, preciso trabalhar. Estive na redação de um veículo de comunicação aqui do Sul. Como andam modorrentas estas redações. Uma molecada não sei se arrogante ou se tímida que se esconde à frente da tela do computador. Uma aridez só.

Não é um fenômeno local, não. No país inteiro é assim. As redações costumam ter um clima sepulcral. As discussões, quando ocorrem, costumam ser um punhado de lugares comuns. Na maioria das vezes, reles tentativa de demonstração de "cultura". E o significado dessa palavra é quase sempre reduzido a coisas como cinema e música - quando muito, teatro. Literatura anda meio em baixa. Ciência? Nem pensar.

Sim, mas eu também não tenho muita paciência para papo cabeça do pessoal da "cultura". Muito menos para discussões políticas que resvalam para o lugar comum, para os clichês e frases feitas tiradas de cartilhas de grupelhos "de esquerda". Dão-me ânsia de vômito.

Quatro dias trabalhando fora foram suficientes para sentir uma baita falta do isolamento de meu escritório residencial. Pelo menos aqui posso de debater com gente bem mais interessante. Ora com Chaim Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca, ora com Mirowski, ou então Machado ou Carl Sagan. Como as pessoas andam desinteressantes! Ou estarei eu ainda mais rabugento do que de costume? Acho que as duas coisas.

Mas há exceções. Pelo menos soube que um amigo anda fazendo a festa na bolsa de valores. Aprendi alguma coisa útil nestes quatro dias, sem dúvida. Huuum, acho que vou pensar melhor neste assunto.