quinta-feira, outubro 16, 2008

Coincidência

Completando o post sobre a mágica eleitoral, a diferença entre o primeiro e o segundo colocados na eleição para prefeito de Balneário Arroio do Silva foi de quase mil votos - dez vezes maior do que a registrada na eleição anterior. Houve eleição que a diferença foi de 30 votos. Ou seja, o número absoluto de crescimento do colégio eleitoral foi muito parecido com a diferença de votos em favor do candidato vencedor. Pura coincidência.

Se somarmos a isso os casos em que um único candidato levou 100% dos votos do município teremos evidências fortes de fraude eleitoral em tempos de urna eletrônica.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Quarta-feira negra

Nos mercados e aqui em Balneário Camboriú também; escureceu antes das quatro da tarde.

Mágica eleitoral

Alguém sabe me explicar como o colégio eleitoral de um municipiozinho aumenta de 5600 para 6500 eleitores em dois anos? Pois foi o que aconteceu em Balneário Arroio do Silva, no sul de Santa Catarina, terra da minha família.

Em tempos de urna eletrônica, as fraudes migraram dos chamados "votos-carbonos", "votos formiguinhas" e outros tantos para coisas mais complexas, como a transferência de domicílio eleitoral. Em municípios pequenos, onde a diferença de votos numa eleição para prefeito fica abaixo de 100, trazer eleitores de fora pode fazer toda a diferença.

E o que me chama mais a atenção é que a Justiça Eleitoral não está nem aí. Os partidos é que são obrigados a vigiar uns aos outros. A Justiça Eleitoral está mais preocupada com a escolha dos eleitores. Passou a campanha toda nos enchendo a paciência com aquela campanha do voto consciente - aquela dos quatro anos. Justiça eleitoral não tem nada que se meter no voto dos eleitores. Eles que decidam como quiserem.

A Justiça deveria era se preocupar com a lisura da votação. Como é que um colégio eleitoral cresce quase 20% em dois anos e a Justiça não desconfia de nada?!

quinta-feira, outubro 09, 2008

A Lógica no país das maravilhas

Lewis Carroll é famoso por ser autor do clássico Alice no País das Maravilhas. E confesso que só o conhecia por isso. Eis, então, que me deparo, surpreso, com o nome dele no livro de lógica que usamos no curso de Lógica II, na UFSC. Isso porque, além da tal Alice, ele também criou um joguinho muito interessante - os doublets de Carroll.

A brincadeira consiste em partir de uma palavra e chegar a uma outra completamente diferente, seguindo uma única regra: trocar apenas uma letra por vez, formando sucessivas palavras diferentes. Por exemplo, partir de "gato" e chegar em "paio": gato, rato, raio, paio; ou de "sol" para "lua": sol, sul, sua, lua.

Esses são exemplos bem fáceis. Você consegue sair de "deusa"e chegar em "diaba"? Ou de "professor" para "estudante"?

Mas que diabos isso faz em um livro de lógica? Como bem explica o professor Cézar Mortari, autor de Introdução à Lógica, a coisa toda é parecida com os sistemas formais axiomáticos: as palavras iniciais seriam os axiomas, a partir dos quais deriva-se novas fórmulas, seguindo as regras formação.

Como vocês já devem ter percebido, o o livro do professor Mortari é ótimo. Ele trata de lógica formal com uma desenvoltura incrível. Vocês podem ter idéia do que se faz numa aula de lógica espiando os exercícios na página dele.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Melhor texto que li sobre a crise

O debate sobre de quem é a culpa pela crise econômica - se do excesso de liberalismo ou de intervenção estatal - esquenta. Este texto aqui é muito, muito explicativo. Contém informações que eu desconhecia, principalmente aquelas referentes às empresas que fomentaram a bolha imobiliária nos EUA. Percebe-se que a culpa deve ser dividida entre democratas e republicanos, já que tudo começou lá atrás, com Mr Clinton.
Via De Gustibus.

História americana...

... na Rádio 4 da BBC.

terça-feira, outubro 07, 2008

Notas de viagem

Voltei. Foram 15 dias de correria, ao melhor estilo viagem de turista. Enquanto o mundo desabava, eu e a Renata viajávamos. Escolhemos a dedo o período da viagem: dólar subindo, bancos falindo, crédito secando...

Na semana em que a crise recrudesceu, estávamos em Londres. É claro que tive tempo para ler jornais detidamente, mas, ao chegar em Paris, comentei com a Renata de que tinha impressão de que os europeus estavam achando graça da desgraça americana. Pelo que diziam algumas autoridades da EU, estariam imunes à crise. Seria a vitória do "modelo europeu" - seja lá o que for que isso signifique - sobre o americano. Dois dias depois, a CNN e a BBC só falavam nos bancos europeus que agonizavam.

Comprei a The Economist na manhã da sexta passada, antes de embarcar para Milão. Estava lá, em "Lessons from a crisis", maravilhosamente ilustrada com um desenho de Sarkozy lendo Das Capital. "One by one, European leaders have lined up to hail the triumph of welfare over Wall Street. 'The idea that markets are always right was a mad idea', declared the French president, Nicolas Sarkozy. America´s laissez-faire ideology, as practised during the subprime crisis, 'was as simplistic as it was dangerous', chepped Peer Steinbrück, German finance minister. He added that America would lose its role as 'financial superpower'. The italian finance minister, Giulio Tremonti, claimed vindication for a best-selling book that he wrote earlier this year about the dangers of globalisation."

Dessa vez era eu quem ria. A crise chegara ao Velho Continente, e o texto da revista inglesa era o único alento. "Step foward, Peer Steinbrück, Germany´s finance minister, who rashly declared on September 25th tha America was 'the source... and the focus of the crisis', before heralding the end of its role as the financial superpower. Within days, the focus shifted and Mr Steinbrück and his officials were obliged to arrange a 35 billion (euros) loan from German banks and the German government to save Hypo Real Estate, the country´s second-biggest property lender."

E por aí segue na ironia sobre os principais líderes europeus - ou melhor, da Europa Continental - que, independentemente de partidos, adoram o Estado.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Recesso

Vou dar um pulinho ali na Europa e já volto em 15 dias. Claro que, se der, escrevo alguma coisa de lá. Por enquanto, visitem os endereços ali ao lado porque vale a pena.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Enfim, inverno

A semana começou do jeito que eu gosto... fria. Muito melhor pra trabalhar do que aquele calorão.

Heráclito estava certo

"Tudo que viceja
também pode agonizar
e perder seu brilho
em poucas semanas.
E não podemos evitar
que a vida trabalhe
com o seu relógio invisível
tirando tempo de tudo
o que é perecível"
(Biquini Cavadão)

quinta-feira, setembro 04, 2008

quarta-feira, setembro 03, 2008

Douta picaretagem

Vocês podem dizer que estou sendo precipitado, mas se a magnífica reitora não quer divulgar o resultado da investigação é porque tem alguma coisa a esconder.

sábado, agosto 30, 2008

Programa

O currículo do curso de Sistemas de Informação é este aqui. Bem interessante. Mescla disciplinas mais "duras" com outras nem tanto. Um programa bem atual - se me permitem, bem século XXI.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Passei

No ano passado, fiz vestibular para o curso de Sistemas de Informação, da UFSC. Sem estudar absolutamente nada, fiquei em 95º lugar. Como havia 100 vagas, eu deveria estar entre os aprovados em primeira chamada, certo? Não no mundo perfeito das cotas. Havia uma cota (para negros e alunos de escola pública) no meio do caminho. E vieram 14 outras chamadas e nada. Até a décima eu acompanhei, depois desisti.

Já tinha desencanado quando hoje recebi um e-mail da universidade informando que fui convocado na 16ª chamada! A matrícula é na próxima segunda-feira e nem sei se vou encarar mais esta.

O mais curioso é que, se eu tivesse optado pela cota de escola pública, a que tinha direito, teria pontuação suficiente para passar para qualquer curso da UFSC, com exceção de Medicina. Vejam só o nível dos alunos de escola pública!

quarta-feira, agosto 27, 2008

terça-feira, agosto 26, 2008

Ambiente nada científico

Não resisti. O texto de Luiz Felipe Pondé, na FSP, é tão bom, mas tão bom que vou colocá-lo na íntegra aqui.


Quem tem medo do macaco?

A universidade é um dos lugares menos democráticos do planeta

QUEM TEM medo de Darwin? A religião, dirão os mais apressados. E com razão, se pensarmos na obsessão do debate Deus versus Dawkins.
A verdade é que na universidade esse problema é menor e esconde uma briga muito mais feroz. A briga com a teologia é menos significativa por duas razões básicas. A primeira razão é que o darwinismo é materialista como as ciências "duras" enquanto a teologia não é, e por isso ela toma de dez a zero.
A segunda razão é que a teologia é a louca da casa (vive de favor na universidade, não é ciência nem filosofia), relegada ao lugar de vender Jesus como um bom parceiro em lutas sociais ou um bom amigo quando você está deprimido, por culpa dos próprios teólogos que barateiam Deus. Com exceção da medicina, nenhuma "ciência" deveria se comprometer com a felicidade porque ela sempre fica boba quando faz isso. Explico-me: ou a teologia rompe com a "felicidade" ou ela será sempre ridícula.
A briga séria é entre o darwinismo e as teorias que negam qualquer influência biológica definitiva no comportamento humano. Existe um pânico contra a psicologia evolucionista e o macaco no homem e a macaca na mulher. E como a universidade funciona em lobbies, com perseguições e inquisições, facilmente você pode calar alguém se ele ou ela não concordar com você. A universidade é um dos lugares menos democráticos do planeta.
Essas teorias que temem o macaco afirmam que tudo no humano é socialmente construído. Obviamente essas teorias acham que salvarão o mundo, construindo seres humanos livres de seus instintos indesejáveis. Dizem elas: dê uma boneca cor de rosa pra meninos e eles crescerão pensando que são Cinderela. Se a boneca for um bebê, o menino terá desejos de amamentar bebês. Se ensinarmos as meninas a bater nos outros, elas serão como Clint Eastwood.
Desde a caverna a humanidade está dividida em machos e fêmeas, com variações aqui e ali, e que devem ser respeitadas na sua diversidade. De repente é a "ideologia" que ensina você a "escolher" o sexo. Mentira: ninguém "escolhe" o sexo. A palavra "ideologia" deveria ser acompanhada com frases do tipo "o Ministério da Saúde adverte...". A facilidade com a qual deixamos de falar em "sexo" e passamos a falar em "gênero" (sexualidade construída socialmente) revela a superficialidade da idéia.
Qual o problema desse delírio? Por exemplo, ele invade as escolas, e os professores um dia dirão para as crianças que não existem machos e fêmeas na espécie humana e que hábitos morais são "pura invenção".
Professores de escolas costumam se viciar em pensamentos da moda. Essas modas pioram as já difíceis relações entre homens e mulheres depois da emancipação feminina. Por exemplo, essas modas dizem aos homens: sejam sensíveis e chorem. O problema é que a sofrida macaca na mulher, assustada ancestralmente com o parto dolorido e arriscado, tende a ser seletiva na vida sexual. De nada serve a ela, nunca serviu, machos que choram. Aí o marido chorão "dança", apesar do "coro do gênero" dizer o contrário. Dizem "tudo bem se o homem for sustentado pela mulher".
Imaginemos nossas mulheres ancestrais com barrigas grandes tendo que caçar para homens-macacos preguiçosos. Elas até podem, mas não gostam. Será que por isso a imagem de força, segurança e experiência entusiasmam nossas mulheres normais? Fêmeas promíscuas ficavam mais grávidas e há 100 mil anos isso aumentava o risco de morrer de parto e de carregar crias pesadas.
Sexo é fisiologicamente caro para as mulheres e barato para os homens, e isso não é ideológico. Nossas fêmeas inteligentes perceberam isso e "transmitiram essa natureza perspicaz para sua prole feminina". Na savana africana, deveria existir uma luta pelo direito ao pudor.
O fato é que ninguém sabe onde começa e termina a relação entre natureza e cultura. Qualquer afirmação nessa área é pura especulação. Um pouco de senso comum ajudaria os profetas da "natureza zero" serem menos delirantes: seria normal imaginar que somos uma mistura de natureza e cultura, coisa que qualquer pessoa comum sabe.
O lançamento da coleção de DVDs "Evolução" (ed. Duetto) é boa chance de conhecer o darwinismo sem medo e com bela apresentação visual. Da próxima vez que você for ao zoológico, olhe no olho de um chimpanzé e veja se não parece haver ali uma alma encarcerada como a sua.

Artigos imperdíveis

Dêem uma espiada no blog do Tambosi. Há links para dois artigos imperdíveis. O de João Pereira Coutinho é sobre o livro de Nigel Lawson sobre o aquecimento global. Leiam qualquer coisa escrita por Coutinho - sempre vale a pena. O de Luiz Felipe Pondé desanca o ambiente universitário no Brasil. Corram pra lá.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Paisagens da minha terra


Este cenário maravilhoso fica no Vale do Araranguá, na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. Um espetáculo!

quinta-feira, agosto 21, 2008

Jornalismo e hipóteses

Dois acidentes no trecho catarinense da BR-101 com um mesmo modelo de carro - Honda Civic - me chamaram a atenção recentemente. No primeiro, morreu um advogado de Florianópolis. Menos de um mês depois, uma família inteira de São Paulo. Em ambos, os motoristas aparentemente perderam a direção do veículo. Ou seja, simplesmente saíram da pista sem conseguir fazer nenhuma manobra para reduzir o impacto. E noto que os trechos onde houve os acidentes são duplicados e com asfalto relativamente em bom estado de conservação.

Além, claro, das tragédias das famílias envolvidas, gostaria de analisar esses episódios do ponto de vista jornalístico. Em uma lista de jornalistas na internet, eu cheguei a sugerir que valeria a pena dar uma olhada mais de perto nesta história toda. Alguém replicou que apenas dois acidentes não significavam problema com os carros. Of course!

O que eu sugeri é que o assunto fosse investigado. Um jornalista deve ser aquele tipo que sempre duvida das coisas. Por isso é que somos chatos por excelência. Um bom repórter deve ter sempre uma pergunta na cabeça: "Será, mesmo?"

No caso dos dois acidentes, terá sido apenas coincidência? É um bom exemplo de que jornalista deve saber trabalhar com hipótese - e não com "tese", como se diz equivocadamente entre os coleguinhas. O que, num primeiro momento, pode parecer paranóia, pode se revelar uma boa história.

Buenas, mas onde estou querendo chegar? Aqui! A Honda fez um recall dos modelos Civic e Fit anos 2008. Um problema na válvula de combustível pode parar o motor. "[...]Algumas unidades podem apresentar vazamento e, em casos extremos, ocasionar a parada do motor, existindo eventual risco de acidente".

Claro que não há, ainda, - e pode nunca haver - relação entre o problema relatado pela empresa e os dois acidentes mencionados, mas é preciso levar essa hipótese em consideração. Mas apurar uma coisa dessas dá muito trabalho, e eu não estou em nenhuma redação de jornal.

sexta-feira, agosto 15, 2008

A coisa não tem limite

Seria trágico, se não fosse cômico. Vejam a que nível chega a estupidez de jornalistas e "universidades". Dei boas gargalhadas. Como diz o Aluizio, os "botocudos" estão soltos. Minha opinião está lá nos comentários ao post do Marcelo.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Boteco virtual

Dizem por aí que nós, brasileiros, somos simpáticos, altamente sociáveis, etc. Assim, não haveria surpresa alguma no fato de nós, brasileiros, sermos maioria no maior site de relacionamento da internet, o Orkut. Tanto que a administração do site será transferida dos EUA para o Brasil.

Então, somos um povo chegado em tecnologia? Mas de que modo usamos essa tecnologia? A grande maioria dos brasileiros internautas resume a navegação aos serviços de bate-papo e de relacionamento. OK, não há problema nenhum em usar a tecnologia para facilitar a comunicação; é uma de suas funções.

Mas não será a internet sub-utilizada pelos internautas brasileiros? No puro "achismo", acho que sim. Outro dia um colega me disse que, se estamos entre os maiores usuários do Orkut, por outro lado, não somos assíduos freqüentadores da Wikipedia - como fornecedores de informação, não como usuários.

Onde é que eu quero chegar com isso? Queria saber qual o percentual de internautas que usam a rede para estudar (estudar mesmo, não copiar material)? Aprender uma outra língua, por exemplo. Ou fazer um curso à distância. Há farto material na rede, principalmente em inglês. Aí está outra limitação à atuação dos brasileiros; poucos sabem ao menos ler em inglês. Em resumo, a internet, para nós, brasileiros, não passa de um boteco virtual, onde só falta a cerveja gelada.

domingo, agosto 10, 2008

Demorou, mas chegou

O Vancouver Sun recorreu às leis de liberdade de informação dos Estados Unidos para requisitar documentos referentes à visita do presidente George W. Bush ao Canadá, no fim de 2004. Três anos e meio depois, alguns foram liberados. Entre eles, uma espécie de "guia protocolar", que explica algumas peculiaridades do vizinho do Norte. Algumas fazem sentido, como características lingüísticas (o "caipirês" canadense, por exemplo), mas outras são hilárias - como mandar tirar o chapéu em ambiente fechado e os óculos escuros, quando conversar com alguém.
A Casa Branca explicou que o manual anti-gafe no Canadá foi elaborado para os assessores menos graduados - os bagrinhos - e não para o presidente. OK, then.

terça-feira, agosto 05, 2008

Canadá

Achei vários vídeos interessantes sobre o Canadá. E, claro, muitos outros sobre um monte de coisas.

Espírito olímpico

É nisto que dá realizar Olimpíadas em país não civilizado. (Ah, mas a civilização chinesa tem tantos mil anos, blá, blá, blá... Não interessa. Não assimilaram os valores da civilização contemporânea, dos quais a democracia é o principal).
Espero ver mais protestos de atletas contra a ditadura chinesa. Que sejam tão duros com os chineses quanto são com Cuba.

Na terra dos barnabés

Brazilians chase civil servants' "train of happiness"
Thu Jul 24, 2008 12:08pm EDT

By Raymond Colitt

BRASILIA (Reuters) - Late into the night, students diligently
rehearse exam questions at dozens of schools in downtown Brasilia
that offer people the chance for a better, more prosperous life --
that of a Brazilian bureaucrat.

Generous pay, stability, and often easy hours will attract
applications from as many as 10 million people this year for civil
service jobs. Brazilians often refer to getting a government job as
catching the "train of happiness."

In a country with glaring poverty, grossly inadequate public
services and a towering public debt, civil servants do very well, as
the many luxurious homes with pools, servants and shiny cars in the
capital Brasilia's residential areas show.

There are an average of 700 applicants per job and some candidates
study for years to pass an entry exam.

"My parents are civil servants and I want the pay and security they
have so I can buy a house and other things," said Rodrigo Hugueney,
a 19 year-old law student in the capital Brasilia. He is applying at
one of the two state-owned banks.

The problem is that Brazil's bloated public sector is a burden on
business and the economy, leaving little money to invest in
education or infrastructure.

Business leaders frequently complain about excessive red tape and
the complex maze of requirements they face in getting environmental
licenses of even filing their taxes. Rather than slashing jobs, the
government is adding more.

Despite an economic boom in recent years, Brazil ranks poorly in
international competitiveness comparisons, due mostly to an unwieldy
state apparatus that consumes about 38 percent of gross domestic
product.

An accountant or administrator in one of the gray-green ministries
that flank the main avenue of Brasilia's government quarters can
earn more than 10,000 reais ($6,330) a month, or roughly 20 times
the minimum wage.

A police inspector or public prosecutor can bring home twice as
much, the equivalent of around $150,000 a year. In contrast,
Brazil's per capita national income stands well below $10,000
annually.

In addition, most civil servants cannot be fired unless they break
the law and many receive pensions worth 100 percent of their last
salary upon retirement.

Such benefits resulted mostly from years of pressure by unions and
politicians eager to satisfy their constituents.

In some government agencies, such as the Federal Police or National
Revenue service, rigorous hiring, training and performance controls
improved efficiency.

But many areas remain plagued by incompetence, overstaffing and
corruption, says Jose Matias Pereira, a public administration
professor at the University of Brasilia.

"The public sector needs a major reform, a more corporate
management. But, unfortunately, that's not in sight," he said.

TWO-HOUR LUNCHES

Experts say the work ethic has improved in recent years but remains
lax, and two-hour lunches still cause traffic jams at midday in
Brasilia.

"People don't hang their coats and leave for the day anymore --
things have changed," said Jose Wilson Granjeiro, who was a civil
servant for 17 years and runs a school to prep candidates in
Brasilia.

"Now you work six hours or whatever and then do another job, you can
easily double your income," he added.

Only a public outcry this month stopped ruling party and opposition
senators from appointing themselves another well-paid staffer each,
posts widely thought to favor friends or political allies.

Opinion polls show that less than 1 percent of Brazilians trust
Congress, which has been plagued by corruption scandals.

President Luiz Inacio Lula da Silva, a former union leader, cut some
pension benefits during his first year in office but since has hired
as many as 95,000 civil servants and is expected to hire 56,000 more
by next year in part to help replace cheaper, outsourced labor.

Despite the tax burden, union leaders are pleased.

"We're rolling back privatization, which wanted to cut our
benefits," said Sergio Ronaldo da Silva, director of the Condsef
civil servants confederation.

(Additional reporting by Ana Paula Paiva; Editing by Kieran Murray)

segunda-feira, agosto 04, 2008

Massacre

Santa Catarina tem apenas 1% do território do país, mas está sempre entre os primeiros estados em números de acidentes de trânsito. Nos feriados, quando a polícia faz aquelas operações especiais, o Estado quase sempre aparece em segundo lugar, atrás apenas de Minas Gerais, que tem a maior malha viária do país.
Alguém deveria estudar isso seriamente. Agora vejam quantos morreram só no último fim de semana nas estradas catarinenses. Isso em plena vigência da "lei seca"!

UFSC entre as melhores

A UFSC é a sétima melhor universidade da América Latina - e a 381ª do mundo. No Brasil, só perde para USP, para Unicamp e UFRJ. Ou seja, está na frente da UFRGS!
Via blog do gaúcho Cristiano Costa :)

Economia é isto

Deixo este artigo para começar a semana em grande estilo. Cheguei a ele pelo Resistência.

quarta-feira, julho 30, 2008

Coisa de primeiro mundo

Vejam como são tratados os acidentes de trânsito em países desenvolvidos como o Canadá. Por aqui, nada parecido. As pessoas morrem às pencas nas estradas e praticamente não há investigação das causas dos acidentes - a maioria, provocada por imprudência dos motoristas.

terça-feira, julho 29, 2008

Incrível


Esta é uma simulação de um incidente de um vôo da Air Canada. Vejam só a perícia destes pilotos. Precisávamos de alguém assim pilotando "effepaiff".
(Via building bridges)

segunda-feira, julho 28, 2008

Aurora boreal



Com a boca na botija

É por estas e outras que a PRF tem a pior imagem possível! Patrulheiro rodoviário é quase sinônimo de "propineiro". Posso assegurar que há muitos policiais corretos, mas o índice de corruptos na corporação é absurdamente alto.
Se mais motoristas fizessem como o caminhoneiro da matéria linkada, faltaria cadeia para botar todos os policiais corruptos. Mas a maioria prefere molhar a mão dos guardinhas, mesmo.

Parabéns!!

Meu grande amigo Giancarlo, do Casa Proença, está de aniversário hoje. Parabéns, meu velho. Muitos anos saudáveis de vida. Tudibom.

domingo, julho 27, 2008

Alguma coisa etsá froa da odrem

Vejam que interessante. De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea,não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

E5T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R C6MO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 CO4PL6C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4N8O O CÓD1G3 QU453 4UT7M4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1T5, C3RTO? POD3 F1C4R B3M OR5UL1O5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3!

Não é fscianante?

sábado, julho 26, 2008

A última aula



Do Folha online:
Morreu nesta sexta-feira (25) o professor norte-americano Randy Pausch, 47, que ganhou fama em razão do vídeo de sua "Última Aula", ministrada poucas semanas após ele ter descoberto possuir um câncer grave. O filme virou "hit inspiracional" na internet.

sexta-feira, julho 18, 2008

Nova Amélia



Eliana Pittman costumava estar nas fitas cassete de meu pai, nos 70 e 80.

Incendeia

Eis um exemplo de por que a Globo faz hoje o melhor jornalismo nesta Bananão - entre jornais, revistas e TV. Há uma distância abissal entre ela e a sua nova concorrente. A TV dos bispos se alinha claramente ao desgoverno Lula.

Do Painel da FSP:
Profilático. O objetivo da divulgação seletiva da fita da reunião que decidiu pelo afastamento de Protógenes Queiroz da Operação Satiagraha, diz um palaciano, foi "fazer as pessoas desconfiarem de quem passa informações incendiárias". Um alvo é o "Jornal Nacional", da Globo, cujas edições irritaram o governo.

"Incendiárias", é bom que fique claro, são todas as informações que desagradam a este governo muito democrático. Ou, ainda, aquelas jornalisticamente relevantes.

Inteligência no futebol?

Isto é tão bom que vou colocar na íntegra aqui.
Xico Sá, na FSP.


AMIGO TORCEDOR , amigo secador, comovente quando alguém, no mundo do futebol, usa a inteligência uma vez só, como na canção de Roberto e Erasmo. Só na guerra o homem consegue cota de estupidez maior que no esporte. Somos tapados, burros de tropeiros quando esse gênero de paixão nos abate como a uma desprotegida mocinha de Paranapiacaba.
O futebol nos une na estupenda jumentice existencial. Boleiros, torcidas, homens da latinha, gente da crônica e todos os cavaleiros de mesas redondas. Do mais crítico ao mais jabazeiro, digo, os Faustos ludopédicos que vendem até o vento engarrafado. Embora ajam mais por "malandragem regular profissional", para citar o evangelho segundo Chico, do que por qualquer religião ou crença, até os cartolas fogem um segundo da estupidez humana.
Repare no caso do Santos, o maior time de todos os tempos, o único capaz de parar uma guerra, como se deu em 1969 no Congo Belga, quando Pelé valia mais do que todos os falsos poderosos da ONU. Quando todos nós, por perversão ou burrice, achávamos que Cuca seria demitido, a diretoria decide mantê-lo. Palmas! Devemos agradecer ao Cuca, quase um solitário no ramo que junta caráter e futebol bonito, pelo milagre da sua existência nos dias de ira. O mais louco é que esse mesmo Santos sem vitórias, sob o temor do rebaixamento, tem tido os mais incríveis lampejos de arte. O começo do jogo contra o Figueirense, com Kleber Pereira qual uma venenosa flecha negra, foi um espetáculo.
Contra o Grêmio, nem se fala, o Peixe teve de novo os melhores 15 minutos de todos os clubes do certame. Com um gol, de um dos tantos Michaéis da Vila, que mais parecia uma obra de Michelangelo.
Quem é melhor do que Cuca no futebol brasileiro? Creio que só o Muricy Ramalho, esse sim um gênio sem o foguetório do marketing e da falsa glória. Apesar da burrice de muitos torcedores, obra milagres. À prova de janelas européias, é o cara que dá certo na base do "já que não tem tu, vai tu mesmo". O São Paulo joga com mil desfalques, ele pega um moleque e diz: "Obedece à natureza, vai lá no rastro do que o outro fazia, como um vira-lata atrás de um tatu nas primeiras chuvas nos sertões, essas coisas que se repetem como quem anda nas mesmas veredas".
Aliás, chega de queixas à exportação de boleiros. Eu sempre blasfemava, até que uns sábios leitores, que usam a inteligência não apenas uma vez só, convenceram-me de que era uma baita chance para moleques subirem na vida. Basta pegar a balança comercial de humanos e ver que até o Icasa, meu time de infância em Juazeiro, exporta craques. É, amigo, no futebol, mais que o amor, é difícil usar a inteligência.
Como fez Caio Júnior, nosso Harry Potter, ao preferir o calor da massa rubro-negra à incomunicabilidade lastreada em petrodólares.
Mais vale um sorriso banguela de um flamenguista da praça Saens Peña que um ranger de dentes de ouro de um xeque. Sem se falar nas bundas, claro, que de tão lindas mal cabem nesta crônica. Mais vale meia bundinha na fila de uma padaria na Tijuca, cabelo cheirando a Neutrox, do que todos os mistérios guardados e todas as elipses de uma burca.

quinta-feira, julho 17, 2008

Matar, poooode!

No Brasil é assim: se você matou duas pessoas, ou roubou dinheiro público a dar com um pau, não tem problema nenhum. No primeiro caso, não fica nem seis anos na cadeia - cumpre o "resto" da pena em liberdade. Já no segundo caso, nem algemas você pode usar porque, certamente, será um abuso, uma afronta a um bandido de colarinho branco.
Agora experimente roubar um sabonete! Ou, então, atrase o pagamento de impostos de sua pequena empresa. Isso não pode. É crime hediondo!

As impropriedades de Gilmar

Muito melhor do que os meus pitacos despejados nesta página virtual são os juízos de Ilton Dellandréa (juiz aposentado). Veja o que ele diz sobre a operação Satiagraha. Sim, Gilmar Mendes suprimiu um grau de jurisdição: o recurso contra a segunda prisão de Daniel Dantas (preventiva) deveria ser analisado, primeiro, pelo Tribunal imediamente acima do juiz que ordenou a prisão. Além disso, o pito passado por Mendes no juiz De Sanctis não é procedimento aceitável para um magistrado. Mas não percam tempo aqui. Corram pra lá.

quarta-feira, julho 16, 2008

Petralhas são contra investigação da PF

Algumas (para não dizer muitas) coisas não fazem sentido neste episódio todo da prisão de Daniel Dantas. Os críticos do ministro Gilmar Mendes, por ter mandado soltar Dantas por duas vezes, estão sendo acusados de "petralhas". Seriam petistas revanchistas tentando fazer a luta de classes pela via judiciária. Dantas deveria mofar na cadeia para vingar a exploração da "classe trabalhadora" pela "zelite".

Engraçado. A mim ocorre justamente o contrário. As investigações não foram abafadas para impedir que chegassem ao Planalto e a outros gabinetes importantes da República? Ora, nesse caso, quem está contra a investigação está a favor de Lula. "Petralha", mesmo, é quem defende a libertação de criminosos só porque usam colarinho branco. É cristalino.

É claro que houve excessos na tal de Satiagraha - assim como houve em todas as outras. Não gosto do espetáculo, também. Mas, como diriam os "adevogados" é preciso discutir o mérito da questão. A Veja desta semana lista 20 escândalos dos governos FHC e Lula nos quais Dantas teve participação. Dantas não tem lado, não tem partido. Seu partido é o dinheiro - sujo, de preferência. Isso é jornalismo sério. Não fica escondendo informação só para dizer que o Lula é a razão de todos os males "defepaiff". Como os próprios petistas alegaram no escândalo do mensalão, eles são só mais alguns entre os bandidos da alta sociedade.

Aos fatos

Andam dizendo por aí que criticar o STF é golpear a democracia. Que criticar o Judiciário não se pode, já que o Executivo é pior, porque lá está Lula, etc., etc., etc. Como se uma coisa excluísse a outra. Um primor de lógica.

De minha parte, pelo menos, não é. Odeio ditaduras. E o Judiciário é um dos poderes da República. Deve, pois, ser preservado.

Isso não quer dizer que não possa ser criticado. A minha crítica é para fortalecê-lo. Explico. Essa bagunça toda deve servir para que os critérios de constituição do STF - como de todos os outros tribunais - sejam revistos. Cada presidente da República se apressa em nomear o maior número possível de ministros. Quer, claro, ter homens de confiança na mais alta corte do país. Não esqueçam: Nelson Jobim já a presidiu!

Agora, coisa bem diferente é o que o Psol quer fazer: que os ministros do STF ouçam o "clamor popular" e revejam o habeas corpus concedido a Daniel Dantas. Ora, decisão judicial deve seguir a lei, não esse tal de "clamor popular". Mas o que esperar dessas viúvas do que um dia se chamou "socialismo" - que, na verdade, deu foi em ditadura.

Podemos criticar a forma como o tribunal é formado, sim, mas nunca desobedecer às suas decisões. Gilmar Mendes mandou soltá-lo? Pois solto deve ficar.

Tudo isso é mera opinião minha. Os fatos são muito mais interessantes. E eles estão aqui. E mostram que a celeridade com que tiraram Dantas da prisão é exceção na corte onde manda Mendes e já mandou Jobim, o homem que estuprou a Constituição.

terça-feira, julho 15, 2008

"Lá em cima" tá tudo dominado

O Jornal Nacional de hoje mostrou gravações de assessores de Daniel Dantas dizendo que o medo dele era com a primeira instância do Judiciário, pois "lá em cima", nos tribunais superiores, não haveria problema. E, claro, tem petista metido. Engraçado; há petistas dos dois lados: querendo pegar Dantas e querendo livrá-lo da cadeia.

Isso já havia aparecido de relance em outras matérias e me faz desconfiar de ministros do STJ e STF. Quando, em outro post, critiquei o STF, não foi para desmoralizar a instituição. Pelo contrário. Minha crítica é justamente nos critérios adotados para compô-lo - a indicação política. Isso, sim, é que enfraquece a instituição.

Questionar o comportamento de ministros dos tribunais superiores não significa questionar o funcionamento da instituição, fundamental para o regime democrático.

As discussões sobre essa última operação da Polícia Federal têm, invariavelmente, tomado um rumo político. Os que são anti-Lula, criticam-na. Se a PF é do governo, do governo Lula, então devemos ser contra. Ao fazê-lo, esquecem-se de quem é Daniel Dantas.

O clima de arquibancada toma conta das mentes: se você critica alguém que também é criticado por um petista qualquer, automaticamente também se torna um deles. O maior chapa-branca do país, Paulo Henrique Amorim, criticou o STF? Você também criticou o STF? Ora, então você não passa de um sabujo tal e qual o jornalista governista. E assim segue o Brasilzão.

Minha crítica em relação ao STF é uma só: por que não age de maneira célere em todas as situações, seja lá quem for o pobre (ou rico) coitado que esteja precisando de um habeas corpus? Por que o STF manda soltar todos os manda-chuvas imediatamente? Por que não há nenhum deles preso (inclusive gente condenada, como Pimenta Neves)? Nem o Maluf!! Agora, experimente roubar um xampu!

sábado, julho 12, 2008

Dantas e o PT

Relações íntimas.

Aos amigos, a celeridade

Gilmar Mendes conseguiu granjear contra si a ira de juízes, procuradores, delegados da PF. Aqui, um brilhante artigo de um procurador do RS.
Pode-se acusar Mendes de tudo, mas fez algo relevante: ao mostrar a quem continua servindo, deu início à discussão sobre por que os tribunais superiores são tão céleres em livrar a cara de bandido de colarinho branco. Enquanto isso, os não amigos dos ministros mofam na cadeia.

Sejamos francos: o que esperar de uma corte que teve como presidente Nelson Jobim - o homem que se orgulha de ter fraudado o texto constitucional??

quinta-feira, julho 10, 2008

Duas PF

Bob Fernandes conta os bastidores da última operação da PF (esse negócio de batizar prisão de vagabundo com nomes engraçadinhos é um saco!). Há duas PF: a do PT e a tucana - pra ser bem simplista. Bob sempre teve boas fontes na PF - na petista, claro. Mas vale a leitura, apesar do texto indefectivelmente pretensioso.

sexta-feira, julho 04, 2008

Lula lá

Imagina se ele vai perder uma festinha - principalmente às nossas custas. Será que vai competir em levantamento de copo? Ou revezamento de microfone? Ou ainda escalada de palanque?

quarta-feira, julho 02, 2008

Que boa notícia!

Ingrid Betancourt foi libertada! Ponto para a democracia e para o governo de Alvaro Uribe. O que falta para acabarem com estes terroristas das Farc?

domingo, junho 22, 2008

Liberdade de expressão ameaçada

A patrulha politicamente correta dos "direitos humanos" está fazendo estrago também no Canadá. Sim, sim, aquele é um país bem PC. Chega ao absurdo de ter uma comisão de direitos humanos com poderes paralelos ao do sistema judiciário. Matéria da CBC.

quinta-feira, junho 19, 2008

Popper no rádio??

Em que rádio você poderia acompanhar um programa sobre filosofia da ciência, Karl Popper, Círculo de Viena, racionalidade científica, falseabilidade e outros assuntos tão corriqueiros quanto estes? Em alguma estação da Radio One da CBC, of course. Claro que na madrugada, né - agorinha mesmo -,e pra quem manda bem no inglês.

Nature sucumbe

A Nature publicou um trabalho sobre aquecimento global sem nenhuma checagem de dados. O critério de peer review falhou vergonhosamente. O embuste foi desmascarado pelo matemático Douglas Keenan.
O lobby boboca - mas poderoso - dos ecochatos de plantão é tão violento que dribla o sistema de publicação de trabalhos científicos na mais prestigiada revista científica.

(via Blog do Tambosi)

terça-feira, junho 17, 2008

Stalinismo bolivariano

Dois jornalistas mortos na Venezuela em menos de um mês. Pura coincidência serem eles opositores do governo bolivariano. Leia a matéria do Estadão.

segunda-feira, junho 16, 2008

Preciosidade

Como estou tentando me alfabetizar nestas coisas de tecnologia, descobri um site maneiríssimo: apostilando. Nele você consegue baixar apostilas sobre os mais variados assuntos relacionados a informática, desde uma introdução ligeira ao Excel até lógica de programação. Se quiser, pode ajudar a manter o site grauito comprando dois cds utilíssimos.

Eita, cultura!

Em tempos de festas juninas, o Fantástico deste domingo voltou ao assunto "balões". Um menino morreu queimado ao ser atingido por um balão. Na semana passada, uma mulher foi queimada enquanto dormia depois de um balão entrar pela janela do apartamento. Um deles caiu bem ao lado de um avião no aeroporto de Cumbica.

Mas o que mais me chamou a atenção foi uma entrevista com um bando de velhos defendendo o direito de soltar balões. Se uma refinaria pegar fogo? Culpa da refinaria, oras! Entre os vagabundos que não têm mais o que fazer, há coronéis da PM e oficiais das Forças Armadas aposentados.

Ao ser questionado sobre a ilegalidade de soltar balões, um deles sapecou que "a lei é ilegal; nós não reconhecemos essa lei". Viram só? Na democracia bananeira é assim: não gostou de uma lei? Então, ignore-a. E assim o país avança... para trás.

A alegação desses picaretas é que soltar balão faz parte das "manifestações culturais". Um deles teve a coragem de soltar a estupidez de que um balão não representa perigo às aeronaves porque se desfazem antes do impacto por causa do deslocamento de ar!!

Engraçado, não vi nenhuma "ong" criticando esses irresponsáveis que põem fogo por aí. Ah, já sei! É porque não morreu nenhum mico-leão-dourado queimado - só gente.

sexta-feira, junho 13, 2008

Vancouver entre as melhores

Há várias pesquisas sobre as cidades de melhor qualidade de vida do mundo. Em nenhuma delas aparece uma cidade americana entre as dez primeiras - posições ocupadas por cidades européias (principalmente da Suíça, Áustria e Alemanha), canadenses e australianas. Na da The Economist do ano passado, havia três canadenses entre as dez melhores - Toronto, Calgary e Vancouver. Nesta da BusinessWeek, Vancouver está em quarto lugar, e Toronto, em décimo quinto. Dá para entender, agora, por que queremos ir pra lá?

quarta-feira, junho 11, 2008

Menos notícias; mais informação

Ainda sobre a questão dos jornais, este foi meu comentário lá no blog do Tambosi.

"Este é um tema pelo qual tenho predileção. Discordo de que os jornais são bons na cobertura factual. Ser bom na cobertura factual, nesta altura do campeonato, com internet, TV e rádios, é ser um mau jornal.
Na minha opinião, os diários devem abandonar a cobertura factual e concentrar os poucos recursos de que dispõem na produção de reportagens exclusivas. A tendência do USA Today está ficando para trás.
Prefiro o WSJ. O jornalão de economia traz uma coluna na primeira página com notinhas das notícias do dia anterior. Já as matérias são todas não-factuais e, a maioria, exclusiva. E isso não é só porque se trata de um jornal de economia.
De que adianta um jornal simplesmente repetir o que dá noticiaram os veículos online e a TV no dia anterior? A Folha chega ao absurdo de manchetear qualquer bobagem dita pelo presidente (este e os anteriores). E esquecem de cobrir o que realmente interessa na política.
O único jornal que tende para o bom caminho, no Brasil, hoje, é o Valor. O Globo tem boas equipes de jornalismo investigativo, a exemplo da TV Globo.
As revistas semanais já deixaram de ser semanais. Suas capas tratam de temas com menos perenidade - uma matéria sobre saúde (ou doenças) pode ser lida tanto agora quanto daqui a seis meses. E os jornais devem ocupar o lugar deixado pelas semanais, com matérias analíticas e reportagens especiais.
Acho que isso não vai trazer mais custos; é só uma questão de melhor aproveitar os recursos - financeiros e humanos. O dia-a-dia as agências de notícias já cobrem."

domingo, junho 08, 2008

O velório dos jornais

Cheguei a esta matéria da Folha de S. Paulo (para assinantes) via blog do Tambosi. Na verdade, é uma tradução de um texto da New Yorker de março deste ano, sobre o futuro dos jornais impressos.


Seguem alguns trechos (num outro post deixo a minha avaliação):

A maioria dos executivos reagiu ao colapso de seu modelo de negócios com uma espiral de cortes orçamentários, sucursais fechadas, fusões, demissões e reduções de formato e entrelinha. De 1990 para cá, um quarto dos empregos no ramo jornalístico desapareceu. A colunista Molly Ivins [1944-2007] reclamava, antes de morrer, da solução dada pelas companhias aos problema: "Tornar o produto menor, inútil e desinteressante".

O jornalismo de verdade, em especial o investigativo, é caro, não cansam de lembrar; compilação e opinião são baratos.

Em outubro de 2005, numa conferência em Phoenix, Bill Keller reclamou dos blogueiros que apenas "mastigam e reciclam notícias", em contraste com o "jornalismo de verificação" do "Times".

"Os blogueiros não mastigam notícias, eles cospem notícias", protestou Arianna Huffington numa postagem em seu blog. Como muitos blogueiros de esquerda, ela se irrita com a idéia de que a imprensa tradicional é superior à blogosfera quando se trata de publicar a verdade mais dolorida.

Mas Huffington não tem o que dizer sobre a relação parasitária que quase todos os sites mantêm com o jornalismo impresso.

Assim, por mais que se simpatize com os ataques de Huffington ao "Times" e com as críticas de Edsall ao "Post", é impossível não se preocupar com o que será feito das notícias e da democracia quando não houver mais jornais que invistam seus recursos e seu orgulho profissional na tarefa de trazer a nós, mesmo que imperfeitamente, a informação que precisamos ter.

Mas a transformação há de gerar sérias perdas. Os jornais ajudaram a definir o sentido dos EUA para seus cidadãos. Para escolher uma data ao acaso, na manhã de 11 de fevereiro eu fui buscar a versão impressa do "Times" na porta de casa e, além das notícias que eu poderia encontrar em qualquer lugar -Obama vencendo Hillary de novo, e George W. Bush tentando condenar à morte seis prisioneiros de Guantánamo-, a primeira página trazia uma combinação única de artigos e matérias que, sem uma instituição que as gerasse e publicasse, jamais fariam parte de nossa consciência coletiva: uma reportagem de Nairóbi, por Jeffrey Gettleman, sobre o impacto da violência étnica no Quênia na classe média local; uma nota de Doha, por Tamar Lewin, sobre o avanço das universidades americanas no Qatar; e, num furo que o Huffington Post depois viria a reproduzir, uma matéria de Michael R. Gordon sobre um estudo da Corporação Rand que criticava a atuação de Bush no Iraque.

A internet conseguirá lançar a mesma "luz" sem os exércitos de jornalistas e fotógrafos que os jornais tradicionalmente empregaram? É uma questão que talvez os democratas mais ardentes não queiram responder.

terça-feira, junho 03, 2008

Lá é piorrr

Pensando bem, este escândalo aí do pessoal de SC é fichinha perto do que acontece no RJ. Há tempos venho dizendo que aquela é uma cidade decadente, com o perdão dos cariocas.

Vejam que interessante é esta explicação do que acontece por lá no mundo da política/polícia. A economia, cada vez mais, é uma ciência sobre o comportamento das pessoas.

Mais um escândalo

Mal ou bem, os escândalos de corrupção do governo federal são acompanhados pela imprensa nacional. Já as picaretagens perpetradas nos cafundós "deffepaiff" tendem ao esquecimento.

Por isso é chamo a atenção para mais este escândalo envolvendo as mais altas autoridades do governo de Santa Catarina. Chefes do Executivo e do Judiciário comprando matérias numa editora que publica uma revista vendida de um picareta de Blumenau.

Está tudo lá no blog do César Valente. E alguns ainda falam em "Sul maravilha". Maravilha para uma meia dúzia de privilegiados, agraciados com benesses às custas do dinheiro público.

quinta-feira, maio 29, 2008

Por pouco

Como vocês já devem saber, o STF considerou constitucional o artigo da Lei de Biossegurança que trata do uso de células tronco embrionárias para pesquisas científicas. Avanço? Era o mínimo! A lei já é bastante conservadora; permite que só embriões fadados ao descarte (lixo) sejam usados nas pesquisas. E notem que, mesmo assim, cinco ministros votaram por dificultá-las. Temos cinco ministros que consideram constitucional misturar religião com assuntos de estado, que deveria ser laico.

Mas tudo bem; democracia é assim mesmo. Chamo a atenção também para o fato de que aqueles que votaram a favor da Adin (contra as pesquisas) foram os que apresentaram os votos mais rebuscados, cheios de citações, pretensamente eruditos.

Ao fim, César Peluzo e Celso de Melo bateram boca.

Os ministros que não permitiram um retrocesso ainda maior "neffepaiff" são: Cármen Lúcia, Ellen Gracie, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello.

De outro lado, os que cederam - disfarçada ou indisfarçadamente - ao lobby da CNBB: Menezes Direito, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Gilmar Mendes e Cezar Peluso. Perdoai-os, Senhor, eles não sabem o que fazem.

A revolta dos "adevogados"

Marcelo Leite deu um pau no STF por causa do exibicionismo na votação sobre as células tronco embrionárias, e os "adevogados" se revoltaram contra ele nos comentários. Não existe profissão mais corporativista.

Deixei um comentário lá em apoio a ele. "Marcelo, concordo integralmente com você. Foi um show de exibicionismo. Depois que inventaram as TVs da Justiça e da Câmara/Senado, as sessões e CPIs não são mais as mesmas. Não tenha dúvida de que todos os seus detratores aqui são "adevogados". Corporativismo puro. Só acho que é ingenuidade você exigir conhecimentos filosóficos de advogados, mesmo os do STF, que lá chegam por indicação política! Sobre o mérito, a Lei de Biossegurança já permite o mínimo do mínimo. E ainda assim corremos o risco de ficar até sem este mínimo. Pelo menos descobrimos que temos cinco carolas no STF."

quarta-feira, maio 28, 2008

Bem lá!

Empate?

A sessão do STF foi encerrada e será retomada amanhã. O "placar" ficou assim: quatro votos pela improcedência da Adin, ou seja, a favor das pesquisas (Ellen Gracie, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Joaquim Barbosa); dois ministros consideraram a Adin parcialmente procedente (Menezes Direito e Lewandowski); e outros dois, improcedente com ressalvas (Eros Grau e César Peluzo).

Mas este negócio está estranho. "Parcialmente procedente" e "improcedente com ressalvas" não é a mesma coisa? Parece que sim. Ou seja, são quatro os que apoiaram o relator, e outros quatro alteraram o parecer de Ayres Britto.

Amanhã votam Marco Aurélio Mello, Celso de Melo e Gilmar Mendes. O avanço das pesquisas científicas "neffepaiff" está nas mãos destes senhores.

Não deu outra

Lewandowski, o marxista, aceitou a Adin do ex-procurador geral da República, o carola Cláudio Fonteles. Agora, são quatro a favor das pesquisas (Ellen Gracie, Carmen Lúcia, Ayres Brito e Joaquim Barbosa) e três "parcialmente" contra (Menezes Direito, Eros Grau e Lewandowski).

O marxismo na Corte contra a ciência

O ministro Lewandowski, do STF, está falando neste momento, na sessão que julga a constitucionalidade do uso de células tronco embrionárias em pesquisas científicas - o que já foi aprovado em 23 dos principais países. Ele recorre a uma penca de pensadores marxistas para sustentar o seu voto que, presumo, seja a favor da proibição. E dá-lhe Marx, Gramsci, Habermas, etc., para concluir que a ciência é apenas mais uma construção cultural.

A Lei de Biossegurança é até bem conservadora em relação às células tronco. O que o STF está julgando é se os cientistas vão poder usar embriões que estejam "abandonados" em centros de reprodução assistida e que NUNCA serão aproveitados para gerar um ser humano. De maneira bem simplificada, estão a decidir se os cientistas poderão usar um punhados de células (oito!) para pesquisas científicas ou se as jogam fora.

Espertamente, os carolas já sapecaram que quem defende as pesquisas é contra a vida. Pelo contrário, as pesquisas vão usar material biológico fadado ao descarte para se procurar novas terapias para doenças até hoje consideradas incuráveis.

Vamos seguir ou estacionar no obscurantismo em que já nos encontramos neste país que se orgulha de se alcunhar como "o maior país católico do mundo". Além de católicos, o lobby anticientífico é formado por carolas de todas as seitas.

O ministro Direito também produziu uma pérola. Disse que concorda com as pesquisas, desde que os embriões não sejam destruídos - o que é tecnicamente impossível, segundo os cientistas. O voto, que a princípio é a favor das pesquisas, torna-se, ao fim, contrário a elas, já que a condição imposta é impraticável. Mais do que ignorância, isso me soa a esperteza.

terça-feira, maio 27, 2008

Livro? What is that?

Uma das coisas mais interessantes do discurso do senador Jeferson Peres, no post anterior, é quando ele diz que não são as riquezas naturais que determinam o desenvolvimento de um país, mas, sim, o investimento maciço em educação. Certíssimo!
Agora vejam isso aqui. O moço passou horas no aeroporto de Congonhas e se espantou por não ver um mísero brasileiro a ler um livro. Ele segue no caminho de explicar por que os livros são tão caros no Brasil. E são, mas não é isso que explica a falta de leitura. Muita gente, mas muita gente mesmo, pode ler e não lê. Por opção; simples assim.
É disso que falava o saudoso Jeferson Peres. Com um povo assim, não há a menor esperança. Somos um bando de ignorantes impregnados de credos medievais. Não há selva, água ou paisagem maravilhosa que dê jeito.

domingo, maio 25, 2008

Obrigado, Senador!


Jefferson Perez foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores senadores desta República. Este discurso demonstra todo o seu desencanto com a política nacional. Motivos não lhe faltaram, é bem verdade. Ele resume bem o estado da arte "deffepaiff". Nele estão as razões pelas quais muita gente boa abandona isso aqui. Os picaretas da República vão ter mais sossego com a morte do senador amazonense.

terça-feira, maio 13, 2008

Contra o senso comum

Pais, podem ficar tranqüilos: ao contrário do que diz o senso comum, vídeo game não torna as crianças mais violentas. Essa interpretação rasteiras sempre me pareceu uma bobagem descomunal. Fosse assim, os inocentes desenhos animados do Pica-Pau e de tantos outros também tornariam os pequenos em verdadeiras pestinhas. Muitos deles até viram pestes, mesmo, mas é porque os pais se ausentam completamente da educação e não impõem limite algum aos moleques.

Na verdade, a gente atribui muito poder à mídia. Já virou clichê dizer que a mídia influencia isso e aquilo. Por exemplo: alguns jornais e TVs não noticiam suicídios sob o argumento de que estimularia outras pessoas a tirar a própria vida. Isso é apenas uma "hipótese" sem a menor confirmação empírica ou teórica. Assim como o jovem que se deixa influenciar por um jogo de computador, o suicida é uma pessoa perturbada e deve ser tratado de maneira adequada. Uma pessoa equilibrada sabe diferenciar a realidade do mundo virtual.

quinta-feira, maio 08, 2008

Retratos do Brasil

Na Folha de S. Paulo de hoje.

Perdulário, submisso e impune

CLAUDIO WEBER ABRAMO

A MESA Diretora da Câmara dos Deputados aumentou a verba mensal que cada deputado tem à disposição para pagamento de "assessores" de gabinete (cabos eleitorais, na verdade). O estipêndio passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil por mês. Cálculo da ONG Contas Abertas estima que, com o aumento, o custo direto de cada deputado federal se elevou a R$ 114 mil mensais. Isso inclui o seu salário, a tal remuneração a cabos eleitorais, uma mesada chamada "indenizatória", despesas com viagens e outros auxílios. Ao todo, R$ 1,368 milhão por ano para cada deputado.

A título de comparação, um membro da Casa dos Comuns britânica custa, por ano, 160 mil libras. Ao câmbio médio de abril de 2008, isso equivale a R$ 536 mil. Ou seja, o custo nominal de um deputado federal brasileiro é mais de 150% superior ao de um parlamentar britânico.

Na verdade, tal comparação é inadequada, pois não leva em conta as diferenças de renda e de custo de vida entre os dois países. Fatorando os números pelo PIB per capita (o da Grã-Bretanha é quase quatro vezes superior ao do Brasil), resulta que o custo direto real de cada deputado federal brasileiro é dez vezes maior do que o que se observa na Grã-Bretanha.

Todas as Casas legislativas do país distribuem dinheiro a seus integrantes por conta da "indenização" de despesas alegadamente incorridas no exercício do mandato. Poucas exibem os números. Naquelas que o fazem, observam-se fenômenos curiosos.

Por exemplo, cada deputado estadual gaúcho tem o direito de gastar até R$ 6.100 por mês com combustíveis e manutenção de veículos. Quase todos usam o dinheiro integralmente, sem que a Casa dê a conhecer os respectivos comprovantes. Na Câmara dos Deputados, no Senado e em diversas outras Casas, é igual: "indenizam-se" os parlamentares, mas os comprovantes são mantidos em segredo.

Essa verdadeira festa da uva se repete na virtual totalidade das Casas legislativas do país. Estudos divulgados no ano passado pela Transparência Brasil sobre os orçamentos (ou seja, custos globais, não apenas os custos diretos incorridos por cada parlamentar) do Congresso, de todas as Assembléias Legislativas estaduais e de todas as Câmaras Municipais de capitais revelam um quadro escandaloso.

Para cada brasileiro, e em termos do salário mínimo anual, o peso de manter o Congresso Nacional (Câmara e Senado) é dez vezes superior ao peso correspondente para um cidadão britânico ou alemão, 8,8 vezes para um espanhol, cinco vezes para um norte-americano e assim por diante.

A maioria das Assembléias Legislativas estaduais custa mais para o cidadão do que custam todas as Assembléias nacionais européias. Duas Câmaras Municipais (São Paulo e Rio de Janeiro) estão entre as campeãs mundiais de gastos.

Tendo em vista o peso financeiro das representações parlamentares do país, é inevitável especular sobre a respectiva relação custo/benefício. É óbvio que a generosidade financeira, aliada à falta de controle, atrai caçadores de renda.

Dados acumulados no projeto Excelências da Transparência Brasil (http://www.excelencias.org.br/) mostram que a Câmara dos Deputados inclui entre seus integrantes nada menos que 178 indivíduos (ou seja, 35% do total de 513 deputados) que respondem em segunda ou terceira instância a processos judiciais por delitos graves ou já foram punidos por Tribunais de Contas. No Senado, essa razão é de 38%. Na Assembléia Legislativa de Goiás, eles são 73%, na de Rondônia, 58% etc.

Ao lado disso, os parlamentos brasileiros se entregam vorazmente ao jogo de cooptação orquestrado pelo Executivo. Como no Brasil o presidente da República pode nomear cerca de 24 mil pessoas para ocupar cargos de confiança, como o governador de São Paulo (por exemplo) nomeia 20 mil indivíduos, e isso se repete em todos os lugares, os Executivos usam a prerrogativa para comprar o apoio dos partidos, populando a administração com exércitos de agentes políticos cuja preocupação com o interesse público pode ser aquilatada pela estatística de casos de corrupção noticiados pela imprensa -nada menos de 1.240 novos escândalos por ano.

Disso só pode resultar o descrédito com a política que se observa no Brasil, com desgaste da legitimidade da representação eleitoral.

Isso só poderá ser revertido por alterações institucionais. Três sobressaem: reduzir de forma drástica a prerrogativa de o Poder Executivo nomear pessoas para ocupar cargos na administração; impedir que pessoas já condenadas em segunda instância em processos criminais participem da vida política; cortar a pelo menos um quinto os orçamentos dos Legislativos.

CLAUDIO WEBER ABRAMO, matemático pela USP e mestre em lógica e filosofia da ciência pela Unicamp, é diretor-executivo da Transparência Brasil, organização dedicada ao combate à corrupção.

domingo, maio 04, 2008

Novos links

Há dois links novos aí ao lado. O blog do meu amigo Magoo (Bonassoli) teve o endereço atualizado. E incluí o link para o "Da Poltrona", do meu amigo Marcelinho, que sabe tudo de cinema. Para quem gosta de cinema, é um prato cheio. Eu não entendo absolutamente nada.

Capitalismo sem risco

O BNDES é uma mãezona, mesmo. Esta entrevista da Folha de S. Paulo de hoje vale a pena.


Diretor do Banco Central (1980-1982) numa época em que o Brasil estava a léguas de distância do grau de investimento conquistado na semana passada, o economista Claudio Haddad, 61, acompanhou- sempre de uma posição privilegiada- a evolução do mercado de capitais do país. Foi sócio do banco Garantia e hoje é diretor-presidente do Ibmec (Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais), em São Paulo. Haddad diz que o grau de investimento é motivo de comemoração, mas que o Brasil ainda oferece muitos outros motivos para preocupação. Entre eles, o que chama de "dinheiro fácil" com que o BNDES financia grandes grupos empresariais. Leia trechos da entrevista.

FOLHA - O senhor criticou enfaticamente o crédito que o BNDES concedeu à Vale. Como vê o apoio para a reestruturação societária da Oi?
CLÁUDIO HADDAD - São companhias muito grandes, que têm todas as condições de se capitalizar no mercado. O valor patrimonial da Vale é de quase R$ 300 bilhões. É uma empresa próspera, que gera caixa, bate recordes de exportação. Teria todas as condições de ir ao mercado e obter excelentes condições de financiamento.

FOLHA - Segundo a Vale, são recursos para investimentos.
HADDAD - Na verdade, é irrisória [a linha de crédito] para a Vale. Mas é muito dinheiro para o BNDES. Complica ainda mais se pensarmos que boa parte dos recursos do banco vem do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). São recursos que o trabalhador brasileiro está subsidiando. Aliás, se a Vale, com o tamanho que tem, precisa de subsídios do BNDES para tocar projetos, talvez sejam projetos que não precisem ser tocados.

FOLHA - E quanto à reestruturação societária da Oi?
HADDAD - O mercado está muito fácil, há liquidez para empresas brasileiras. Existe um amplo mercado de financiamento que os controladores da Oi poderiam buscar. É possível dar as garantias necessárias, tudo o que se exigiria para a operação.

FOLHA - Com o grau de investimento, as condições de obter crédito lá fora melhoram?
HADDAD - Mas as condições já estavam boas! Agora, ficarão melhores. Antes, havia inflação no Brasil, não havia mercado financeiro sólido, não havia financiamento de longo prazo. Mas hoje há várias alternativas no mercado interno e externo.

FOLHA - Há prejuízo para o mercado de capitais?
HADDAD - Sim. Uma das razões para que o mercado financeiro, historicamente, tenha se desenvolvido pouco no país foi a alternativa fácil de poupança oferecida pelos bancos oficiais. Ou seja, o dinheiro fácil do BNDES. O BNDES precisa incentivar o desenvolvimento, e não emprestar dinheiro barato a companhias que podem se financiar no mercado. É preciso romper com isso.

FOLHA - Por que não se rompe?
HADDAD - É um pouco a essência do que alguns chamam de política industrial. No fundo, é a escolha de setores e empresas favorecidas, as campeãs. Foi assim com a proteção ao setor de informática, nos anos 70, com o projeto nuclear. E o que resultou? Destruição de recursos. Se é um projeto socialmente relevante, ambientalmente relevante, que tem rentabilidade baixa, faz parte do papel do BNDES. Não é o caso da Vale ou da Oi.

FOLHA - No caso da Oi, o argumento é que o apoio à reestruturação será fundamental para a consolidação do setor, com a compra da Brasil Telecom.
HADDAD - O BNDES, que é um braço do governo, garante uma reestruturação societária que resultará numa operação de aquisição que ainda depende de uma mudança na lei!

quinta-feira, maio 01, 2008

Blog do Aluizio

Aluízio Amorim está de casa nova. Bem-vindo, meu caro.

Cadê a herança maldita?

Este Lula é mesmo um cara de sorte. Governou boa parte do tempo sob céu de brigadeiro. E quando o tempo fecha sob o risco de recessão nos EUA, lá vem a S&P com o tão sonhado "investment grade".

Isso se deve à tal "herança maldita". FHC fez o "servicinho sujo" que Lula não teria coragem de fazer, mas do qual se beneficiou completamente - a saber, estabilização da moeda, privatização das caquéticas estatais, redução dos gastos públicos (que Lula está tratando de aumentar de novo), metas de inflação, câmbio flutuante, liberdade de movimentação de capitais, etc.

Sem esse "servicinho sujo", Lula não estaria comemorando agora. Ele tem méritos, claro. Manteve a política econômica da "tucanalha" inalterada. Como disse o Sardenberg no Jornal da Globo de Hoje, é a vitória da ortodoxia. Ironicamente, num governo do PT. Isso significa que a coisa poderia ser muito pior se Lula se deixasse levar pelas brilhantes cabeças dos economistas petistas. Verdadeiros aloprados.

quarta-feira, abril 30, 2008

A melhor piada do ano

Eu simplesmente não consigo parar de rir. Dificilmente eu vou ouvir neste ano alguma coisa mais hilária do que isto. O coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia atribui o baixo desempenho do curso no Enade ao baixo QI dos alunos.

Mas a melhor foi dizer que baiano só consegue tocar berimbau porque tem uma corda só. hahaha. Os politicamente corretos odiaram, mas isso é simplesmente hilário. É claro que ele está apenas tentando livrar a cara dos professores ineptos e das péssimas condições do curso. Ah, sim, é claro que há uma penca de alunos incapazes também. Há em qualquer lugar.

Uma pergunta intrigante: por que é que entre os cursos mais bem avaliados há três públicas do Rio Grande do Sul e entre os piores estão as federais da Bahia, de Alagoas, Amazonas e do Pará?

terça-feira, abril 29, 2008

Prisoner´s Dilemma

Chega de samba e futebol. Como este blog é eclético, um pouco de "tchiuria".

Nó na madeira

João Nogueira era um dos sambistas que meu pai mais ouvia quando eu era pequeno, lá pelo final dos 70 e começo dos 80. É um dos que eu mais gosto até hoje. Procurei ele cantando "Nó na madeira", mas não achei. Então, vai esta aqui.

Cobra coral...

... papagaio vintém; vesti rubro-negro, não tem pra ninguém.
Pena que meu pai, meu avô e meu tio não estão mais aqui pra eu mostrar a eles estas pérolas que a gente encontra na internet.

Samba rubro-negro

O mais querido não tem mais Zico, Adílio e Adão. Longe disso. Mas ainda dá pra ganhar do Botafogo, com uma dose de sorte.

quinta-feira, abril 17, 2008

Hartmut Michel on biofuel

Nesta semana, a polêmica dos biocombustíveis veio à tona com a acusação de que eles seriam a causa da inflação mundial dos alimentos, nos últimos meses. Isso me pareceu uma brutal simplificação das coisas. Geralmente, um fenômeno desses não tem uma única causa. Como tem sido dito, há várias: o aumento do consumo (com o aumento da renda em alguns lugares pobres do mundo), o fim dos estoques reguladores, o protecionismo dos países ricos via subsídios e barreiras comerciais e, claro, os biocombustíveis (que competem por terra).

Achei oportuno colocar aqui uma entrevista que fiz com o químico alemão Hartmut Michel, ganhador do prêmio Nobel de Química em 1988.


Qual a sua opinião sobre os biocombustíveis?
O potencial dos biocombustíveis é muito limitado. Há um grande perigo de que o efeito sobre a poluição e o aquecimento global seja negativo. Em particular, a comparação com as células fotovoltaicas, por exemplo, mostra que a eficiência de usar a energia da luz solar, via biocombustíveis, é extremamente baixa. E você ainda tem que investir uma quantidade substancial de energia na produção dos biocombustíveis.

Então eles não podem ser o combustível do futuro, como tem sido alardeado?
Depende do uso que se fizer deles. Para os aviões, por exemplo, ainda precisaremos de combustíveis líquidos. Para os carros, eu antecipo que eles serão impulsionados por motores elétricos, com energia armazenada em baterias. Isso está sendo – e continuará a ser – melhorado. As baterias serão carregadas com células fotovoltaicas (fotoelétricas).

Os biocombustíveis são mais eficientes do que os combustíveis fósseis?
Eficientes em relação a quê? O etanol, por exemplo, contém um átomo de exigênio e, por isso, seu conteúdo energético é consideravelmente baixo – 60% do da gasolina e do biodiesel.

Alguns países começaram a adotar restrições ao uso de combustíveis fósseis e a estimular o consumo de biocombustíveis, com a justificativa de que isso ajudaria no combate ao aquecimento global. O que o senhor acha disso?
Essa restrição é catastrófica. Os países que a adotaram não estão localizados na zona tropical e seu potencial de produzir biocombustíveis de forma eficiente e com custos baixos é extremamente pequeno. O que terão que fazer é importar biocombustíveis dos países em desenvolvimento, onde a produção é muito mais barata. A produção dos biocombustíveis terá, assim, dois efeitos principais: (i) o aumento dos preços dos alimentos, atingindo principalmente as pessoas mais pobres; e (ii) um rápido desmatamento, com queima de árvores, liberando mais dióxido de carbono e outros poluentes no ar do que poderá ser poupado pelo uso de biocombustíveis vindos de áreas já limpas, nos próximos 100 anos. Na Indonésia e na Malásia, uma boa parte das florestas tem sido “limpas” para a plantação de palmeiras.

Em termos de eficiência, de novo, o senhor diria que há combustíveis mais propícios para determinados usos?
De certa forma, sim. Madeira, por exemplo, é mais eficiente para aquecimento, mas pode ser também para gerar energia elétrica. O gás natural e o óleo combustível economizados poderiam ser usados em automóveis e aviões.

Etanol é melhor ou pior do que os outros biocombustíveis?
Etanol é o pior. Isso porque muita energia precisa ser colocada na sua produção, principalmente quando milho, trigo e beterraba são usados como matérias-primas. Além disso, energia precisa ser consumida na produção de fertilizantes, para arar a terra e para a colheita. Você também precisa colocar muita energia para enriquecer o etanol. Várias destilações e outros processos químicos são necessários para o enriquecimento. Se essa energia toda tem origem no carvão, então mais dióxido de carbono será liberado no processo de produção dos biocombustíveis do que seria se a gasolina e o óleo diesel fossem queimados diretamente.

Mas e quanto ao etanol de origem da cana-de-açúcar, como no Brasil? O país poderá dominar esse mercado mundial?
Bem, felizmente a situação do Brasil é diferente porque o bioetanol é derivado da cana-de-açúcar. No Brasil não há necessidade de um plantio e de uma colheita anual, e o país ainda pode usar galhos e folhas secas no processo de destilação. Isso parece dar um ganho de energia de seis a sete vezes [em relação às outras fontes de etanol].

O álcool brasileiro tem potencial menor do que as células fotoelétricas?
O etanol rende 0.6 litro por metro quadrado ao ano, correspondente à energia de 3,8 kWh. A energia do sol, no Brasil, é de 2 mil kWh por metro quadrado por ano. Isso significa que menos de 0,2% da energia do sol é aproveitado no etanol.

E quanto às outras fontes alternativas de energias? Quais as mais promissoras?
Nós não temos uma alternativa realista ao uso da luz solar, direta ou indiretamente. No entanto, colher a energia do sol via fotossíntese das plantas e algas e convertê-la em biogás ou em biocombustíveis é a maneira errada. A capacidade de armazenamento da energia do sol durante a fotossíntese é extremamente baixa. Se usarmos biogás para produzir eletricidade aqui na Alemanha, então, cerca de 0,15% da energia do sol será convertida em eletricidade. A eficiência de conversão das células solares fotoelétricas já disponíveis comercialmente já é de 15%, ou seja, cem vezes mais eficiente. Essa é a razão de por que considero carros movidos a bateria – carregadas por eletricidade oriunda de células fotoelétricas – como o futuro. Além disso, tirando a parte inicial da instalação, nenhum outro trabalho é necessário para produzir eletricidade. A energia eólica, também originada da energia solar, também poderia ser uma alternativa em países onde há ventos fortes e constantes, como na Patagônia, na Argentina. A energia derivada do vento poderia ser usada, principalmente, em indústrias eletro-intensivas, como a de alumínio.

Por fim, o senhor considera o aquecimento global como resultado exclusivamente da ação do homem?
Nunca teremos certeza, mas eu acho provável. Os dados são convincentes (as correlações mostradas pelos modelos). Alguns países vão ser beneficiados com o aquecimento global; outros irão perder.

Quais?
Pergunte aos especialistas do IPCC. Você verá que o Brasil, por exemplo, vai ter menos chuvas, o que pode levar à desertificação. A Sibéria, ao contrário, vai ficar mais quente, o que tornará possível a cultura de cereais.

Gastança

Não é necessário ser petista ou psolista para criticar a decisão do Banco Central de elevar a taxa básica dos juros (Selic) em meio ponto percentual. Aqui há uma brilhante - porque didática - explicação. Via De Gustibus.

A diferença é que Adolfo defende a redução dos gastos do governo, que "explodiram" nos últimos meses - o que é uma heresia, na cartilha stalinista. O cerne do texto do Adolfo é a preferência pelo gasto público ao privado. No fundo, demonstra o que é este país, que cresceu (?) a partir da idéia anticapitalista de que só o governo salva! Ainda não fizemos nossa revolução industrial!

quarta-feira, abril 16, 2008

Manual para boas reportagens

O mestre Frederico Vasconcelos está com um livro novo na praça. Fred é um grande cara, um dos melhores jornalistas do país. Não é badalado, não faz marketing pessoal, mas é de uma competência extrema. E de uma generosidade incrível com os colegas de redação.

Tive o prazer de almoçar com ele algumas vezes no Folhão, naquela ruazinha paralela à Barão de Limeira, atrás da Folha. No cardápio, às vezes nhoque, às vezes bacalhau, e sempre uma aula de jornalismo.

Poucas vezes vi um jornalista compartilhar conhecimento e experiência sem nenhum sinal de arrogância. É o tipo de cara que investiga um monte e não sai por aí propagandeando que é especialista nisto e naquilo. (Outro dia vi um cara se dizendo especialista em "infiltração". Achei que tivesse alguma coisa a ver com joelho e já ia ligar pro cara dar uma olhada na minha condromalácia de patela.)

Enfim, ter trabalhado com o Fred é daquelas coisas que dá vontade de botar no currículo. Mas, por aqui, na província, ninguém conhece o cara. Não ia adiantar muito.

terça-feira, abril 15, 2008

Fenômenos

Eu não sei lidar com estas coisas que remetem à passagem do tempo; coisas que eram e não são mais... enfim. Na TV, hoje, as despedidas de dois fenômenos do esporte brasileiro: Guga e Romário.

Sim, sim, eu sei; há tempos eles não são nem sombra do que já foram. Pois é justamente disso que estou falando. O tempo é cruel.

Mas são dois fenômenos, mesmo? Acho que sim. Romário, com menos de um metro e sessenta, fazia gols de cabeça entre zagueiros holandeses, suecos... E livrava-se deles com extrema facilidade com a bola no chão também. Quando a bola escapava e parecia que não havia jeito, ele, sem cerimônia, metia o bico da chuteira e... gol!

Já Guga... bem... o que dizer de um cara nascido em um estado periférico de um país periférico que se destaca mundialmente num esporte que a maioria dos seus compatriotas nem sequer entende direito? É um gênio.