terça-feira, junho 27, 2006

Convalescença

Convalesço de uma cirurgia a que me submeti na sexta-feira; vou ficar de molho por algum tempo. Tudo correu muito bem. Assim que estiver plenamente recuperado, volto a escrever as bobagens de sempre.

terça-feira, junho 20, 2006

A mente

Fiz outras duas boas aquisições naquela livraria da qual falei lá no comecinho deste blog. Uma livraria que tem no prédio da editora Globo, no Jaguaré, em Sampa. Comprei o Erro de Descartes, de Antônio Samásio, e O Sítio da Mente, de Schützer Del Nero. Não terminei de ler nenhum. Na verdade, estou fazendo como sempre: lendo-os ao mesmo tempo.

O título do livro do Damásio é muito mais atraente; funciona muito melhor do que o burocrático título do outro. Mas são ambos fascinantes por tratarem do que há de mais misterioso no corpo humano: a mente. A introdução de Del Nero é primorosa, afastando as picaretagens e pseudo-ciências que tratam do comportamento das pessoas. Diz que a existência de várias doutrinas ou teorias sobre o funcionamento da mente é um sinal de que a área ainda carece de algum consenso científico. Não sei se ele dá alguma cassetada na psicologia que, para mim, é o campo que mais tem a perder com o avanço da neurociência.

O que me interessa nisso é não especificamente os aspectos puramente biológicos ou neurológicos. Fui atraído para isso pelo meu interesse em teoria da decisão, em como as pessoas decidem fazer uma coisa ou outra e em quê momento. Quanto disso se pode atribuir aos aspectos puramente biológicos. Parece que Del Nero vai bem por esse caminho, o de enfatizar a importância dos aspectos biológicos na formação da mente humana, tão negligenciados pela psicologia, desde priscas eras.

Já Damásio começa o livro contando uma história verdadeira de um cara que teve a cabeça atravessada por uma barra de ferro e nem sequer desmaiou. E mais: não perdeu memória nem nada, mas teve a personalidade completamente modificada. De um funcionário exemplar e competentíssimo de uma estrada de ferro, Phineas Gage passou a um relapso que não conseguia seguir convenções sociais. Fantástico!

Civilizados

Quando ouvi aquilo, gelei. Sabia que despertaria a ira de todos os politicamente corretos do Brasil, que não são poucos. No meio do jogo entre Suíça e Togo, o comentarista da Globo Sérgio Noronha exultou com o fato de um evento como a Copa do Mundo de futebol reunir a "civilizada Suíça" com o "não tão civilizado assim" Togo, numa festa bonita. Entendi o que ele quis dizer, mas as minhas professoras do mestrado não o perdoariam pelo ato falho: admitir que um país possa ser mais "civilizado" do que outro.

Ontem, ouvi colegas de trabalho revoltados com o comentário do Noronha. Preconceito - bradaram -, entre um e outro comentário irônico sobre as qualidades intelectuais do comentarista global. Como assim? Não tem o próprio Noronha os dois pés no continente negro?

A um dos meu colegas de trabalho, o mais exaltado, eu cheguei a escrever um email perguntando se ele achava que as instituições democráticas funcionam tão bem na Suíça quanto no Togo. E o respeito aos direitos humanos num e noutro país? E as relações entre empresas e empregados e/ou clientes? Enfim, tudo sob o ponto de vista da nossa sociedade ocidental "civilizada" construiu a duras penas até agora.

Ele me responderia que isso se deve a essa minha forma de pensar que não respeita as outras culturas, blá, blá, blá... O relativismo cultural. O que é um perigo, porque o relativismo pode ser usado também para justificar barbaridades, como mutilação de mulheres e outras.

Não que eu ache que os suíços, por serem mais desenvolvidos (esse, sim, é o adjetivo mais adequado), mereçam ser mais bem-tratados do que os togoleses. Pelo contrário. Devemos tratá-los tão bem que a eles devemos dispensar atenção especial para que as conquistas da nossa sociedade pequeno-burguesa possam também por lá proliferar.

Então, eu trocaria o "mais civilizado", usado pelo Noronha, por "mais desenvolvido".

sexta-feira, junho 16, 2006

Novos favoritos

Dos cinco favoritos que listei abaixo, os três primeiros foram bem. A Argentina já está classificada, com uma goleada sobre a Sérvia e Montenegro. A Alemanha também está garantida na segunda fase, junto com o Equador, a sensação da copa até aqui.

E o Brasil? Bom, o magro um a zero na estréia contra a Croácia foi, pra quase todo mundo, decepcionante. Pra mim, não. Eu até apostava num empate. Mas acho que o time vai se sair bem melhor no domingo contra a Austrália. Devo dizer que não acredito que repitam 2002. O Parreira é treinador de time ruim. Consegue a proeza de levar um time meia-boca, como o de 1994, ao título; mas não consegue ser heterodoxo o suficiente para dirigir um time de bons jogadores.

Quanto a Portugal e França, duas coisas horrorosas. Substituo-as por República Tcheca e Itália. Sigo não confiando em Holanda e Inglaterra.

sábado, junho 10, 2006

Sofrível

Eta joguinhos ruins estes de sábado! O melhorzinho foi o da Argentina, que ganhou apertado da boa equipe da Costa do Marfim.
Já a Inglaterra, que muitos dizem favorita, ganhou do Paraguai com as calças na mão, com um gol contra do Gamarra. E a surpresa foi o empate em zero a zero entre Suécia e Trinidad e Tobago. É a pior seleção da Suécia que eu já vi jogar.
O negócio é esperar melhores desempenhos de Sérvia e Montenegro x Holanda, amanhã. E também de Portugal x Angola e México x Irã.
Mas como tem time fraco nestas copas do mundo! Deste jeito, até dá pra chegarmos ao hexa.

De volta ao século XIX

Ótima matéria do jornalista Marques Casara sobre o uso de mão-de-obra quase-escrava de imigrantes ilegais na fabricação de roupas vendidas pela multinacional C&A. Não é preciso ser comunista, nem socialista nem outra coisa tola do gênero para combater tais práticas. Vejam vocês mesmos.
http://www.os.org.br/download/er10/c&a.pdf

sexta-feira, junho 09, 2006

Meus favoritos

A Copa começa amanhã e eu não poderia deixar passar. Não fico em cima do muro; vou logo disparando os meus favoritos para ganhar o caneco. Os "patriotas" não vão gostar muito, não sei porque.

Em ordem de favoritismo:
1. Argentina
2. Alemanha
3. Brasil
4. França
5. Portugal

Não acredito na Itália, nem na Holanda, nem na Espanha. Os espanhóis sempre têm um time arrumadinho, mas são frouxos.
Acho que República Tcheca e México podem surpreender, como a Turquia fez na Copa passada.
Tudo bem, explico por que a Argentina. Ao contrário do Brasil, ninguém fala deles; treinam escondidos, na moita; acho que vão comer pelas beiradas e chegar lá, se o Brasil amarelar. Têm o segundo melhor plantel, atrás de nós, é claro, mas acho que formam um time mais arrumado.
Quanto ao Brasil, com aquela zaga fica difícil. Detalhe: o Brasil pode, sim, ser campeão. Mas, para isso, um cara precisa jogar o que não vem jogando: Adriano, o imperador. Só saímos da Alemanha com o hexa se ele acertar aquelas patadas indefensáveis. Vai acabar formando o ataque do Brasil com Robinho, já que Ronaldo não tem condições de jogo (oversize, if you know what I mean).
Tomara que eu esteja redondamente enganado.

domingo, junho 04, 2006

A relatividade absoluta

O professor Orlando Tambosi (link ao lado) publicou, há poucos dias, no seu blog um texto de um professor gaúcho explicando de forma não-técnica a teoria da relatividade, e Einstein. Isso me lembrou do que li num destes livros de divulgação: Fique por Dentro da Física Moderna. As famosas equações de Maxwell mostravam que a velocidade da luz era constante, independentemente de como estão se movendo os objetos e os observadores em relação a ela.

Na física clássica (newtoniana), a forma de se medir as velocidades dos corpos uns em relação aos outros é somando suas velocidades, se estão se aproximando, ou diminuí-las, se se afastam.
Mas isso não funciona para a velocidade da luz. As equações de Maxwell indicavam que a velocidade da luz era constante (c, quase 300 mil quilômetros por segundo), não importando a velocidade de sua fonte. Não havia a possibilidade de "c+1", por exemplo.

Ao contrário de muita gente que não deu bola para Maxwell, Einstein trabalhou com essa idéia e desenvolveu a teoria da relatividade restrita. Em termos matemáticos, a soma newtoniana das velocidades é assim: V= v1+v2.
Já a de Einstein/Maxwell é um pouquinho mais complicada: V= (v1+v2) sobre [1+(v1v2)/c2]. Este c final é ao quadrado.

O curioso é que a fórmula da relatividade funciona perfeitamente igual a de Newton para velocidades baixas, quando comparadas à da luz. Ou seja, a fórmula da relatividade poderia ser considerada uma mais ampla e completa, englobando a anterior - o que em história e filosofia da ciência é uma avaliação muito controversa.

sábado, maio 20, 2006

Salve-se quem puder

Na nota anterior, parece haver uma contradição entre defender, ao mesmo tempo, o estado de direito e que a polícia atire em presos amotinados, mas não há, não. A polícia pode atirar para matar um preso quando este ameaça a vida de um inocente. É legítima defesa de terceiros.

Agora, é preciso analisar por que os presos se rebelam. Na maior parte das vezes, eles alegam falta de condições nas prisões - o que é verdade. Outro dia estava vendo na TV que uma carceragem com condições para abrigar 17 detentos estava com 90! Parece que é feito pros caras se rebelarem, mesmo.

Preso não pode ter regalia nenhuma; nada de TV e o escambau. No máximo, um radinho pra escutar futebol. Mas têm direito, sim, a um espaço decente, sem superlotação.

A Globo mostrou ontem porque não há rebeliões nos presídios americanos há muito tempo. Lá, o sistema carcerário foi completamente reformado depois de uma grande rebelião. Os presos perigosos ficam em celas separadas, vigiados por câmeras, sem direito ao tal "banho de sol" (quando aproveitam para combinar rebeliões e outras coisas) e muito menos a visitas íntimas. E mais: as visitas são criteriosamente selecionadas. Neguinho com passagem pela polícia não pode visitar ninguém, não. Presos perigosos só falam com as visitar separadas por aqueles vidros que a gente vê nos filmes. Só presos com penas leves têm direito ao contato com os outros. Ao menor sinal de algo errado, os presos são trancafiados e só saem das celas quando o diretor julgar adequado. Ou seja, lá as coisas funcionam, e o nível de corrupção é muito menor do que aqui.

E vou reforçar o que disse: se o secretário de segurança pública não quer divulgar os nomes dos mais de cem mortos pela polícia, é porque tem algo a esconder.O receio das pessoas em São Paulo, hoje, não é nem ser morto pelos bandidos, mas ser confundido com um deles pela polícia. Daí, já era. O Estado tem que proteger os cidadãos honestos, morem eles em higienópolis ou no Capão Redondo. Isso é estado de direito, é civilidade; é o que deveria diferenciar a polícia dos bandidos. Se não for assim, a população começa a temer tanto um quanto os outros. Ou seja, o salve-se quem puder, a barbárie.


sexta-feira, maio 19, 2006

Se correr o bicho pega...

Antes de mais nada, devo dizer que não compactuo com o discurso politicamente correto de que a bandidagem é fruto apenas da pobreza, da falta de educação, blá, blá, blá.Támbém me incomoda o fato de as entidades de direitos humanos não darem muita bola quando os mortos são policiais.

Feitas as ressalvas, vamos lá. É inadmissível que o governo paulista não divulgue os nomes dos 107 "suspeitos" mortos nos últimos dias. Isso só aumenta a suspeita de que, entre eles, há inocentes. O que seriam "inocentes"? Ora, pessoas sem passagem pela polícia. Dezessete deles nem sequer foram identificados.

Não é que eu tenha pena de bandido, não. O problema é que pode estar havendo simplesmente uma reação exacerbada da polícia, o que se configuraria numa situação fora do estado de direito. Não é possível que o Estado aja da mesma forma que os bandidos.

Eu preferiria que os policiais atirassem, e matassem, os verdadeiros bandidos responsáveis por essa calamidade. Não, não estou falando nos de Brasília, mas dos que fizeram as rebeliões que vão custar milhões aos cofres públicos. Por que é que a polícia não coloca atiradores de elite pra meter bala naqueles vagabundos que ficam se exibindo nos telhados dos presídios rebelados? Outro dia vi na televisão a imagem de um bandido com um refém que poderia muito bem ser alvejado por um bom atirador. Preferia que matassem esses vagabundos na frente das câmeras de TV a matarem um pobre coitado lá no Capão Redondo só porque o cara está na rua à noite.

Pelo que li, já tem grupo de extermínio agindo na periferia. Também são bandidos e a dúvida é saber se há policiais entre eles. Andam mascarados ao estilo ninja e alguns usam até camisa da Le Coq, numa alusão ao grupo de extermínio que agiu durante muito tempo no Espírito Santo.

Se de fato isso estiver acontecendo, torna ainda mais grave a já perversa situação da segurança pública em São Paulo. Seria mais um sinal de que a polícia não tem capacidade técnica para nos proteger. Estamos nas mãos do governador Marcola.

E assim o estado de direito, laico, civilizado, vai deixando de existir. Não há pra onde escapar: se correr dos bandidos, a polícia pode achar que você um deles e meter bala.

quarta-feira, maio 17, 2006

Você foi meu herói

Hoje faz um ano que perdi meu pai. O que sou devo a ele e à minha mãe. Refiro-me mais à criação do que à herança genética. Quando tiver condições, escreverei mais sobre ele.
Não sou fã do Fábio Jr., mas sempre me emocionei quando ouvi esta música.


Pai, pode ser que daqui a algum tempo

Haja tempo pra gente ser mais

Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez

Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta

Longos anos em busca de paz....

Pai, pode crer, eu to bem eu vou indo, to tentando vivendo e pedindo

Com loucura pra você renascer...

Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e não vou ficar mudo

Pra falar de amor pra você

Pai, senta aqui que o jantar ta na mesa, fala um pouco tua voz ta tão presa

Nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver

Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança

Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo

Nos teus passos você foi mais eu

Pai, eu cresci e não houve outro jeito,quero só recostar no teu peito

Pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de amor com meu filho

No tapete da sala de estar

Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo

Nem você nem ninguém ta sozinho, você faz parte desse caminho

Que hoje eu sigo em paz ... pai

terça-feira, maio 16, 2006

No colinho

Como trabalho num jornal "sério", vou dizer que o governo paulista sucumbiu à demonstração de força e organização dos bandidos, com os quais fez um acerto para dar fim aos atentados. Mas eu queria mesmo é, como faria o saudoso Notícias Populares, dizer que o governador Lembo sentou no colo do Marcola; só não teve beijo na boca.

O cessar-fogo teve como contrapartida regalias para os bandidos do PCC, os mesmos que deveriam ser tratados com o máximo rigor concedido pela lei. Aliás, lei que deve ser modificada para permitir o isolamento completo de bandidos perigosos como esses por tempo indeterminado.

Se a situação continuasse, o risco era de os bandidos pés-de-chinelo se aproveitarem para fazer a festa, já que a polícia simplesmente sumiu das ruas de São Paulo, desde sábado. Hoje, parece que as "viaturas" já voltaram para as ruas, já que a gente já não precisa mais deles, pois o Marcola tratou de nos poupar. Tudo sob o controle ... do Marcola.

Deboche

Recomendo uma matéria do grande Bob Fernandes no Terra Magazine. Bob revela que o chefe do PCC, Marcola, disse na cara do delegado do Deic que o mataria.

Ah, e recusou a pizza servida aos outros presos que junto com ele estavam na sede do Deic, em São Paulo; preferiu um x-picanha com batatas fritas, no que foi prontamente atendido.

segunda-feira, maio 15, 2006

Deserto

São Paulo está deserta. Nos quase sete anos que moro aqui, nunca vi a cidade tão vazia. O trânsito na Marginal Pinheiros, quando voltei pra casa, por volta das oito e meia, estava ótimo. Vim do Jaguaré até o aeroporto de Congonhas em 15 minutos. O problema no trânsito foi antes; por volta das seis da tarde o congestionamento passou dos 200 quilômetros.

Aqui em Moema, tudo muito quieto. A avenida dos Bandeirantes quase não faz barulho. O supermercado tinha só um caixa atendendo. Não foi oficial, mas um toque de recolher auto-imposto pela população.

O pânico começou à tarde, com uma onda de boatos. Diziam que a faculdade tal fora metralhada, que a empresa tinha sido saqueada... Escritórios e empresas diversas dispensaram os funcionários no meio da tarde.

Acho que houve uma reação exacerbada, claro, mas compreensível. As pessoas simplesmente não sabiam se teriam como voltar pra casa, já que os ônibus não circularam na zona sul. E também não queriam estar nas ruas à noite, já que não se tinha idéia do que poderia acontecer.

Neste exato momento, um silêncio incomum, daqueles típicos de cidade do interior.

Sob controle

A situação na capital paulista está, realmente, sob controle... dos bandidos. Em menos de meia hora, dois ônibus queimados na zona Leste, nos bairros de Guaianases e Itaquera. A população, principalmente a parte mais pobre, está sitiada. Os ônibus não circulam na zona Sul da cidade. Hoje à noite vou ter que buscar minha mulher no trabalho.

São Paulo sitiada

Os sites de notícia nem sequer conseguem acompanhar a velocidade dos acontecimentos na capital paulista. O Folha onoline informa que são 61 os ônibus queimados, mas a TV já mostra que são 68. O último deles no bairro de Itaim Paulista, na Zona Leste. Os bombeiros não se atrevem a correr para apagar o fogo. Temem ser alvos fáceis para os bandidos.

Nas ruas, as pessoas evitam passar por perto de viaturas e de prédios da polícia ou qualquer coisa parecida. Na zona sul, todos os terminais de ônibus estão fechados; nenhum coletivo circulou na manhã desta segunda-feira. O rodízio municipal de veículos foi suspenso e os carros com placas final 1 e 2 podem circular normalmente entre as 7 horas e as 10 horas da manhã e entre as 17h e às 20h.

Mais de 60 pessoas morreram até a madrugada de domingo. Mais de dez agências bancárias foram atacadas por coquetéis molotov e por tiros da bandidagem.

O governador Cláudio (mo)Lembo, que mais parece personagem saído de filme de terror trash, recusou a ajuda do governo federal porque a situação estaria "sob controle". Claro que está, sob o controle dos bandidos!! Eles controlam todos os presídios de São Paulo! E o governo paulista não consegue nem fazer funcionar os bloqueadores de celulares.

Qualquer gestor minimamente capacitado sabe que sem informação a bandidagem não faz nada. Aliás, sem informação ninguém faz nada certo. E é isso que falta aos nossos administradores: conhecimento. A polícia simplesmente desconhece o que vem a ser "inteligência". Nos Estados Unidos, a polícia desvenda um crime com base em um fio de cabelo encontrado na cena do crime. Aqui, o bandido pode deixar o currículo que nunca será encontrado.

A gente paga impostos que chegam a 38% de toda a riqueza produzida pelo país e tem que agüentar autoridades como estas que estão por aí!

Tudo isso e o Robert Fisk, prestigiado jornalista do The Independent, disse que cobrir um país como o Brasil seria monótono porque não é uma região de conflito. Passa uma semaninha no rio Rio ou em São Paulo para o senhor ver, Mr. Fisk!

domingo, maio 14, 2006

O Haiti é aqui

O país que comanda as tropas de paz no Haiti não só não consegue melhorar a sua própria segurança pública como ainda permite que a situação piore! A televisão tem mostrado a situação deplorável em que está metido o maior estado da Federação. A frase mais ouvida é "se os bandidos estão matando a polícia em plena luz do dia, o que farão de nós, civis"?

Informações do Folha online: "Segundo o balanço parcial do governo do Estado, até a noite deste domingo, foram 115 ataques. Morreram 20 policiais militares -12 deles em folga -, cinco policiais civis - todos em folga -, três guardas municipais, oito agentes penitenciários - todos em folga -, dois civis e 14 suspeitos, baleados em confrontos."

Na noite de sábado, o movimento de carros de polícia era muito acima do normal, aqui nas imediações da avenida Bandeirantes, perto do aeroporto. No domingo, mesmo com o clima de insegurança, arriscamos um passeio até o Memorial da América Latina, na Barra Funda. As ruas estavam bem vazias.

Tudo soa como um grande deboche. A bandidagem tudo pode; o Estado pouco faz. O governo paulista recusa ajuda da Polícia Federal para evitar que, na campanha, Lula diga que teve que socorrer o estado governado por Alckmin até poucos dias atrás. Não importa se pessoas estão sendo mortas.

Dos candidatos ouvidos, a maioria recorreu ao clichê politicamente correto do "é preciso investir em educação, blá, blá, blá". Não vi ninguém, nem a polícia, com uma proposta prática para enfrentar a bandidagem. Por exemplo: por que não atirar nos detentos que se exibem em telhados dos presídios? Sou completamente contra a tortura e acho que o Estado tem o dever de zelar pela vida dos presos, já que estão sob sua guarda. Mas daí a tolerar rebeliões vai uma grande distância. Claro que a polícia não intervém porque os amotinados se escondem por trás dos reféns.

É certo, por outro lado, que as cadeias estão cheias. O governo paulista fez demagogia ao implodir o Carandiru. Pra onde foram todas aquelas pessoas? Certamente, foram superlotar os presídios do interior.

Também é certo que as chamadas desigualdades sociais formam um quadro propício para a explosão do crime. Um jovem desempregado é muito mais facilmente atraído para o crime organizado, que lhes dá dinheiro e status.

Outro deboche a nossa Justiça. As leis - e principalmente o código de processo penal - são feitas para que os bandidos ricos, sejam eles deputados ou traficantes, se beneficiem de uma infinidade de recursos, que fazem a fortuna de muitos advogados. Justiça que tarda falha.

Por último, a fragilidade da polícia. Os policiais ganham pouco em todo o país. Os honestos fazem bicos para poder sobreviver. Os outros... bem... os outros fazem o papel de bandido; permitem a entrada de armas e celulares nos presídios e chegam a integrar o próprio crime organizado.

Mas, indo mais fundo na análise, é preciso mencionar um ponto completamente ignorado: o papel dos entes da Federação. O que fazem os Estados hoje em dia? Quase nada. Limitam-se a pagar a folha de pessoal. Não fazem estradas, não provêem educação com qualidade pelo menos razoável nem garantem a segurança das pessoas de bem. E os municípios? Idem.

É preciso um novo pacto federativo que dê mais autonomia aos estados e municípios; que deixe nos municípios a maior parte do dinheiros dos impostos. É mais para a população cobrar do prefeito do que do presidente da República. E cada estado tem que ter autonomia para adotar suas próprias regras. O que tem em comum a realidade sócio-econômica do interior do Piauí com a de Santa Catarina, por exemplo? O salário mínimo é uma renda considerável para um funcionário de uma prefeitura do interior do Ceará, mas é irrisório na capital paulista, onde uma diarista cobra R$ 60 por uma faxina.

Por fim, é preciso agir estrategicamente no curto e no longo prazos: muito rigor na repressão da bandidagem, agora, imediatamente, não importando se a causa é social, blá, blá, blá. Ao mesmo tempo, um investimento maciço na educação dos nossos jovens que possibilite resgatar as próximas gerações. No Brasil, até agora, o governo investiu para maquiar as estatísticas. Há mais pessoas estudando, menos analfabetos, mas cada vez mais gente formada em curso superior sem saber escrever um parágrafo inteligível em português padrão. Matemática, então, nem se fala.

sexta-feira, maio 12, 2006

Já faz um ano

No dia 12 de maio de 2005, defendi minha dissertação de mestrado na PUC, com nota 10. Não deu nem pra comemorar porque meu pai estava em coma. Minha irmã contou no ouvido dele que eu conseguira e ele esboçou uma reação. Foi um período duro. Deixei-o na UTI, em Santa Catarina, e vim pra São Paulo começar num trabalho novo e apresentar a dissertação. Cinco dias depois, voltei para o sepultamento.

quarta-feira, maio 10, 2006

Leandrinho matando a pau

Do USA Today

O armador Leandro Barbosa dos Phoenix Suns está ganhando apelidos mais rapidamente do que joga. O Borrão Brasileiro. Ligeirinho. O homem mais rápido do planeta, disse o técnico do Suns, Mike D'Antoni. E o mais recente, cunhado pelo companheiro de equipe Boris Diaw: "Papa-léguas".O que provoca a pergunta à medida que esquentam os playoffs da NBA: se o Phoenix Suns joga em velocidade warp, em que marcha joga Leandro.

O MVP da temporada Steve Nash (centro) é saudadado por Shawn Marion (esq) e Leandro"Leandro", disse o melhor jogador da temporada, Steve Nash, o orquestrador do ataque pegue-nos se puder, "tem uma marcha que desconheço totalmente. É engraçado assistir. Quem me dera eu pudesse pegá-la emprestada por um quarto ou dois apenas por diversão. Eu emprestaria meu carro para ele se ele me emprestasse suas rodas".
As rodas estão acelerando em ritmo de 500 Milhas de Indianápolis para Leandro e os Suns. Eles ativaram todos os cilindros novamente na segunda-feira, em uma demonstração ofensiva arrebatadora para abrir a segunda rodada dos playoffs contra o Los Angeles Clippers.O Suns acertaram 54,7% de fora do garrafão, 44,4% da linha de três pontos e 96% da linha de lance livre, obtendo desconcertantes 74 pontos na segunda metade do jogo -após 48 horas de descanso após a vitória emocionante no sétimo jogo contra os Los Angeles Lakers.
Eles se somaram à vitória por 130 a 123 no primeiro jogo das semifinais da Conferência Oeste -um inicio desencorajador para os Clippers, que desperdiçaram um jogo de 40 pontos de Elton Brand, 59,3% de arremessos certos, sete dias de descanso e a presença de um antigo torcedor ao lado da quadra, Billy Crystal."Nós meio que suportamos a tempestade, mas não podemos esperar fazer isto toda noite", alertou o ala James Jones de Phoenix.
Esta sempre é a questão com os defensivamente frouxos Suns, que vivem do ataque quando está sincronizado, mas que morrem quando os oponentes ditam o ritmo com um maior campo ofensivo. Todavia, a bola pequena contra homens grandes se transformou em uma corrida de atletismo em vez de uma luta de boxe, com outra vitória dos Suns na segunda-feira. O segundo jogo será na noite de quarta-feira, em Phoenix.
Desde que os Lakers desaceleraram o ritmo com sucesso e conquistaram uma vantagem de 3 a 1 na sua série, os Suns se reagruparam ofensivamente e venceram quatro consecutivas.Não se tratou apenas de uma volta ao habitual, mas sim uma volta ao incomum. Uma equipe com uma média elevada de 108,4 pontos em uma temporada regular devastou a equipe de Los Angeles nos playoffs com uma média de 122,8 pontos em 55,2% de arremessos de fora do garrafão, 42,9% de longa distância e 89,8% da linha de arremesso livre nos últimos quatro jogos. Isto inclui uma precisão de 61% nos arremessos em meio à pressão que foi o sétimo jogo no sábado.
Não é de se estranhar que Kobe Bryant saiu resmungando que "eles são como corredores olímpicos. Eles têm muito poder de fogo. Eles não cessavam de nos atacar em ondas".
Ondas. Faltou um ponto de Jones para os Suns colocarem sete jogadores somando dois dígitos no primeiro jogo contra os Clippers. Seis estão marcando dois dígitos em média nos playoffs."Eles não vão nos desacelerar", disse o ala Shawn Marion. Nash acrescentou: "Nós estamos melhorando. Estamos ficando mais equilibrados. Nosso ataque está claramente jogando com o tempo, confiança e ritmo que precisamos".
Ritmo, ritmo é o teste. É uma questão de escolher seu veneno com esta equipe, mesmo com Phil Jackson, dono de nove titulos, e agora Mike Dunleavy, o treinador que ressuscitou os Clippers, planejando uma desaceleração do jogo. Mas nenhum teve sucesso. "Ritmo", disse Dunleavy, "não é exatamente o que precisávamos". O que os Clippers precisavam era de um grande jogo no garrafão de Brand, com 6 acertos em 8, e sólido arremesso de fora. Eles conseguiram ambos -mas mesmo assim perderam. "Nosso objetivo é tentar segurá-los", disse Dunleavy. "Obviamente conseguimos passar a bola para Elton e criar algumas oportunidades para os demais. Mas foi um esforço perdido."Surpreendentemente, e talvez mais desanimadoramente para os Clippers, mesmo com o elevado número de acerto nos arremessos, os Suns os superaram."Nós temos que controlar melhor o tempo", disse Brand. "Para colocar o tempo a nosso favor nós precisamos limitar nossos arremessos rápidos. Este é o plano de jogo deles. Não pode ser um ouro de tolo. Este é o ritmo e estilo deles e não podemos fazer isto."Mas é mais fácil dizer que fazer. Pergunte aos Lakers, que contaram com Kwame Brown e Lamar Odom em vez de Bryant e perderam uma vantagem de 3 jogos a 1."Eu vou roubar uma fala da Disney e dizer que é mundo pequeno afinal", disse D'Antoni após a série com os Lakers. "Eu acho que baixinhos podem jogar."Foi outra validação do estilo de D'Antoni, questionado nas duas últimas temporadas pelo seu fracasso nos playoffs. Mas ele levou os Suns para as finais da conferência no ano passado, quando o time perdeu cinco jogos para os futuros campeões San Antonio Spurs -que os derrotaram em seu próprio jogo acelerado. Agora os Suns estão a três vitórias de outra final da conferência."Nós estamos sempre 'arruinados'", disse Nash, respondendo aos críticos. "Nós estamos 'arruinados' antes da temporada, nós estamos 'arruinados' durante a temporada, nós estamos 'arruinados' durante os playoffs. Isto não nos afeta porque sempre duvidam de nós."Preenchendo habilmente os buracosEsta é uma equipe que desafiou as expectativas durante toda a temporada. Ela venceu 54 jogos sem o machucado astro Amare Stoudemire e sem o pivô Kurt Thomas, que está sem jogar desde fevereiro por lesão. As duas lesões ocorreram após a reformulação dos Suns fora da temporada, que trouxe de volta apenas dois iniciantes e quatro jogadores do esforço de 62 vitórias da última temporada."Eu acho que nossa resistência e nossa perseverança foram fundamentais para nosso sucesso", disse Nash. "Nós tivemos tamanha mudança e troca de jogadores que é necessária muita abnegação e muita determinação para realmente apresentarmos o retrospecto que temos e chegarmos aos playoffs. Nós realmente temos que nos apoiar nisto, especialmente estando um pouco abaixo na estatura e enfrentando tantas lesões."Muitos Suns têm se destacado: Nash, Marion, o produtor de duplos dobros; o defensor Raja Bell, o xerife da defesa e ás dos três pontos; Diaw, a ameaça de triplo dobro da França que está com uma média de 21 pontos nos últimos cinco jogos; e o ala Tim Thomas, que foi posto para fora do Chicago Bulls.E é claro, o Borrão Brasileiro, Leandro. O jogador veloz seguiu sua temporada de estréia (máximo de 13,1 pontos, terceiro na liga em arremessos de três pontos com 44,4%) com uma segunda temporada como revelação. Contra os Lakers, nos jogos eliminatórios 6 e 7, o armador totalizou 48 pontos.Leandro tinha 17 pontos em 33 minutos fora do banco no primeiro jogo contra os Clippers. "Este é um grande ás de se ter", disse D'Antoni. "Ele abre tudo."Leandro, uma decepção nos playoffs da temporada passada, começou a mudar sua sorte no começo do segundo semestre do ano passado, quando o presidente dos Suns, Jerry Colangelo, também diretor da seleção americana, o viu jogar pelo Brasil na Copa das Américas, realizada na República Dominicana.Joe Johnston, um armador chave dos Suns na temporada passada, tinha acabado de partir para ganhar mais dinheiro e menos vitórias nos Atlanta Hawks."Eu tentei lhe dar um pouco de incentivo", disse Colangelo sobre Leandro. "Devido às trocas que fizemos ele teve uma grande oportunidade. Eu disse: 'Você precisa pegar esta chance. Você consegue'. A confiança dele aumentou muito. Era tudo o que ele precisava -sua confiança."Leandro Barbosa marcou 37 pontos contra os Estados Unidos em uma derrota -e não olhou para trás.Os Suns trouxeram o irmão de D'Antoni, Dan, um técnico colegial de 30 anos, para trabalhar individualmente com Leandro e os frutos disto foram excelentes."Ele me deixa melhor", disse Leandro, que fala inglês e português. "Ele faz com que eu me sinta confiante."Antes de cada jogo, Dan D'Antoni deixa notas no armário de Leandro para ele se concentrar. A lista é geralmente longa- 10 a 12 notas. Mas antes do sétimo jogo contra os Lakers, ele deixou uma simples mensagem: "Não faça muitas faltas e apenas jogue seu jogo. Está com você agora".A resposta de Barbosa: 26 pontos em 10 arremessos certos em 12, em 31 minutos."Eu estou me sentindo bem, à vontade, confiante", ele disse após o primeiro jogo. "Eu estou me divertindo."Ele é o corredor supremo da equipe e até tem estabelecido o tom com suas disparadas para a cesta e longos arremessos de três pontos."Nós estamos correndo, correndo, correndo e abrindo espaço para arremesso", disse Leandro. "É a forma como gosto de jogar."

terça-feira, maio 09, 2006

Quanta semelhança!

Os fazendeiros resolveram imitar o MST: fizeram uma série de manifestações por todo o país. Em comum, as ações também infringiram a lei: impediram a entrada de funcionários públicos e um órgão da fazenda, no Mato Grosso, e ergueram barreiras em várias rodovias importantes do país, impedindo o direito de ir e vir das pessoas.
E o que disse o ministro Roberto Rodrigues, o inimigo número 1 do MST neste governo esquizofrênico, que sempre critica as arruaças da turma do Stédile? "O movimento é legítimo!" E o que querem os "produtores rurais"? Ora, o de sempre: que o governo não lhes cobre as dívidas. Assim é o nosso capitalismo tupiniquim: quando dá lucro, o fazendeiro embolsa; quando dá prejuízo, a gente paga o pato.