Dêem uma espiada nisto. Tirei lá do De Gustibus.
Explica muita coisa da onda autoritária que arrasa a América Latrina.
terça-feira, abril 24, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Décadence avec élégance
"Direita" e "esquerda" moderadas no segundo turno das eleições presidenciais francesas. Com exceção talvez da política de imigração, para todo o resto vai dar mesma ganhando o conservador Sarkozy ou a socialista Royal. Será? A não ser que Sarkozy decida dar um "choque de capitalismo" naquele que é hoje um país economicamente decadente.
Um exemplo da decadência foi dado pela Sônia Bridi no JN da semana passada. Mostrou o caso de uma brasileira que procurava apartamento para alugar em Paris há meses. Acabou alugando um, um pouco maior do que uma casa de cachorro: 20, isso mesmo, 20 metros quadrados! E por mil euros por mês! O banheiro e a cozinha eram um cômodo só. Tem que entrar de costas pra sair de frente!
Ué, dirão vocês, mas isso é sinal de que o mercado está "aquecido"! Nein, nein. O investidores simplesmente não se arriscam a construir novos prédios simplesmente porque as leis de aluguel lá são francamente favoráveis aos inquilinos. O cara atrasa o pagamento aluguel durante meses e não acontece nada. Para despejar o cidadão é uma batalha!
Perdoem-me o exagero, mas isso dá uma certa medida de como o estado engessa as relações comerciais na terra de Votaire. O estado quer tanto proteger os pobrezinhos indefesos que acaba por prejudicá-los, ao interferir de forma danosa na oferta de bens. O estado mantém ainda um pacote generoso de benefícios sociais que, mais cedo ou mais tarde (e aí pode estar a diferença entre Sarkozy e Royal - a rapidez de algumas reformas) serão reduzidos drasticamente para que a economia volte a engrenar. Só assim será possível gerar os empregos necessários para incluir os pobres e as hordas de imigrantes que aportam por lá todos os anos. Emprego em vez de esmolão.
Mas duvido muito. Vão continuar aferrados ao estado super-protetor. Só Candido para acreditar em destino diferente.
Um exemplo da decadência foi dado pela Sônia Bridi no JN da semana passada. Mostrou o caso de uma brasileira que procurava apartamento para alugar em Paris há meses. Acabou alugando um, um pouco maior do que uma casa de cachorro: 20, isso mesmo, 20 metros quadrados! E por mil euros por mês! O banheiro e a cozinha eram um cômodo só. Tem que entrar de costas pra sair de frente!
Ué, dirão vocês, mas isso é sinal de que o mercado está "aquecido"! Nein, nein. O investidores simplesmente não se arriscam a construir novos prédios simplesmente porque as leis de aluguel lá são francamente favoráveis aos inquilinos. O cara atrasa o pagamento aluguel durante meses e não acontece nada. Para despejar o cidadão é uma batalha!
Perdoem-me o exagero, mas isso dá uma certa medida de como o estado engessa as relações comerciais na terra de Votaire. O estado quer tanto proteger os pobrezinhos indefesos que acaba por prejudicá-los, ao interferir de forma danosa na oferta de bens. O estado mantém ainda um pacote generoso de benefícios sociais que, mais cedo ou mais tarde (e aí pode estar a diferença entre Sarkozy e Royal - a rapidez de algumas reformas) serão reduzidos drasticamente para que a economia volte a engrenar. Só assim será possível gerar os empregos necessários para incluir os pobres e as hordas de imigrantes que aportam por lá todos os anos. Emprego em vez de esmolão.
Mas duvido muito. Vão continuar aferrados ao estado super-protetor. Só Candido para acreditar em destino diferente.
sexta-feira, abril 20, 2007
Há dois anos
A última vez que vi meu pai lúcido foi no dia 20 de abril de 2005. Naquele ano, por estas horas, minha mãe e eu, no hospital, e meus irmãos, à distância, estávamos em plena agonia. A cirurgia cardíaca para colocar quatro pontes de safena e uma mamária começara às 15h em ponto e só terminaria à meia-noite. Sofreu um choque anafilático, disseram os médicos. Estou convencido de que isso não seja exatamente o que aconteceu, mas não há provas. Ele ainda resistiria 27 longos e penosos dias na UTI, até 17 de maio. Nesse período, tive que começar a trabalhar em um novo emprego e defender minha dissertação de mestrado. Não foi nada fácil. O tempo vai amenizando a dor, lentamente, mas a saudade do seu Cláudio... Quando o deixei no hospital, ele me abraçou muito forte, como uma despedida, mesmo.
quinta-feira, abril 19, 2007
A coisa não tem limite
A estupidez na televisão está longe de ser novidade, mas não consigo deixar de comentar dois exemplos rápidos.
O primeiro foi num programa matinal da Record. Uma daquelas apresentadoras bonitinhas começou a falar que, de tanto o homem agredir a natureza, ela acaba se vingando - ou algo assim. Eu fiquei só esperando pra ver o que vinha em seguida. Não, não, nada de desastre natural. Pasmem, ela estava se referindo ao crocodilo que arrancara o braço do tratador que o alimentava. Isso mesmo: o cara estava dando comida ao animal e a moça (e seus editores) viu nisso uma reação da natureza à "agressão humana"!! Sem comentários.
O segundo é não menos idiota. No Jornal Hoje, o apresentador entrevistou uma "especialista" sobre o massacre dos 32 estudantes americanos da Universidade Virginia Tech por um jovem perturbado. Ganha uma estrelinha do PT quem adivinhar qual foi a "explicação" da professora da PUC-SP para a insanidade cometida pelo jovem sul-coreano. Seguindo o catecismo esquerdopata, sapecou sem titubear que o problema é o modelo de sociedade nos Estados Unidos, baseado no capitalismo! Mais clichê, impossível!
Não, não, o garoto não era um doidaço simplesmente - ou, se era, era fruto da sociedade capitalista centrada no consumo. "Você é julgado pelo que consome", perspegou a dita cuja - ou algo muito parecido com isso. Como o maluco não tinha o mesmo nível social dos colegas, resolveu matá-los!!
Ou seja: os EUA abrem as portas do país para uma família sul-coreana que almeja melhorar de vida, dá acesso aos filhos às melhores escolas (tanto que ele estudava com os filhos dos ricos), assim como faz com milhares de imigrantes todos os anos, e ainda são acusados de transformar o garoto doidão em assassino!
Isso é só uma amostra do que andam ensinando os nossos professores Brasil adentro. Os cursos das áreas de humanidades e de algumas "ciências sociais aplicadas" não passam de escola de formação ideológica com base no marxismo de orelhada do tipo mais rastaquera. Atrevam-se, vocês, a sugerir o uso de métodos quantitativos para análise sociológica em qualquer departamento de "ciências sociais" "neffepaiff"!! Serão taxados de reacionários.
O primeiro foi num programa matinal da Record. Uma daquelas apresentadoras bonitinhas começou a falar que, de tanto o homem agredir a natureza, ela acaba se vingando - ou algo assim. Eu fiquei só esperando pra ver o que vinha em seguida. Não, não, nada de desastre natural. Pasmem, ela estava se referindo ao crocodilo que arrancara o braço do tratador que o alimentava. Isso mesmo: o cara estava dando comida ao animal e a moça (e seus editores) viu nisso uma reação da natureza à "agressão humana"!! Sem comentários.
O segundo é não menos idiota. No Jornal Hoje, o apresentador entrevistou uma "especialista" sobre o massacre dos 32 estudantes americanos da Universidade Virginia Tech por um jovem perturbado. Ganha uma estrelinha do PT quem adivinhar qual foi a "explicação" da professora da PUC-SP para a insanidade cometida pelo jovem sul-coreano. Seguindo o catecismo esquerdopata, sapecou sem titubear que o problema é o modelo de sociedade nos Estados Unidos, baseado no capitalismo! Mais clichê, impossível!
Não, não, o garoto não era um doidaço simplesmente - ou, se era, era fruto da sociedade capitalista centrada no consumo. "Você é julgado pelo que consome", perspegou a dita cuja - ou algo muito parecido com isso. Como o maluco não tinha o mesmo nível social dos colegas, resolveu matá-los!!
Ou seja: os EUA abrem as portas do país para uma família sul-coreana que almeja melhorar de vida, dá acesso aos filhos às melhores escolas (tanto que ele estudava com os filhos dos ricos), assim como faz com milhares de imigrantes todos os anos, e ainda são acusados de transformar o garoto doidão em assassino!
Isso é só uma amostra do que andam ensinando os nossos professores Brasil adentro. Os cursos das áreas de humanidades e de algumas "ciências sociais aplicadas" não passam de escola de formação ideológica com base no marxismo de orelhada do tipo mais rastaquera. Atrevam-se, vocês, a sugerir o uso de métodos quantitativos para análise sociológica em qualquer departamento de "ciências sociais" "neffepaiff"!! Serão taxados de reacionários.
segunda-feira, abril 16, 2007
Horror nos EUA
Outro daqueles crimes malucos que volta e meia acontecem em escolas americanas. Esse foi violento.
Horrores no Haiti
Meu primo Tailon passou alguns meses na "força de paz" do Brasil no Haiti e conta os horrores que viveu por lá em um livro, da editora Globo. De volta ao Brasil, ele passou a conviver com os sintomas pós-traumáticos. O exército, é claro, não quer nem saber de ajudar.
domingo, abril 15, 2007
sábado, abril 14, 2007
Buying books
Quer comprar bons livros por cinco dólares? Na Amazon você consegue usados em ótimo estado por esse preço. E bons livros! Comprei ontem Historians´ Fallacies, por recomendação do grande Marcelo Soares. Não leva duas semanas pra chegar aqui em SC. Outro dia comprei um Dicionário de História da Ciência por oito dólares! É claro que tem o frete de uns dez dólares, mas tudo bem. A soma dá uns 30 e poucos reais (ou quase 40) - o que é bem pouco pela qualidade do que se pode encontrar na Amazon.
sábado, março 31, 2007
The Semantic Conception of Truth
Eu ainda estou na fase de me impressionar com o que a gente é capaz de encontrar na internet!
Tem muita gente que só a usa para falar com os amigos. Alguns alunos gostam de fazer "pesquisas" (leia-se Ctrl C/Ctrl V) - e tem professor que aceita.
Mas é possível encontrar coisas como esta http://www.crumpled.com/cp/classics/tarski.html
OK, OK, não é propriamente uma leitura de fim de semana.
Agora, só falta colocarem online o History of Economic Analysis, do Schumpeter - acho que ainda não está em domínio público.
Tem muita gente que só a usa para falar com os amigos. Alguns alunos gostam de fazer "pesquisas" (leia-se Ctrl C/Ctrl V) - e tem professor que aceita.
Mas é possível encontrar coisas como esta http://www.crumpled.com/cp/classics/tarski.html
OK, OK, não é propriamente uma leitura de fim de semana.
Agora, só falta colocarem online o History of Economic Analysis, do Schumpeter - acho que ainda não está em domínio público.
quinta-feira, março 29, 2007
Watergate
Vejam que beleza! A Universidade do Texas pagou a bagatela de US$ 5 milhões e agora abriu parte da papelada da cobertura jornalística mais famosa dos EUA - do mundo, talvez. Ah se eu ainda estivesse dando aulas pra moçada!
http://www.hrc.utexas.edu/exhibitions/online/woodstein/
http://www.hrc.utexas.edu/exhibitions/online/woodstein/
quarta-feira, março 28, 2007
Enfim, vida inteligente...
... nos estudos sobre jornalismo! Sai pra lá, teoria crítica! O último prego no caixão da turma de Frankfurt.
terça-feira, março 27, 2007
Já vai tarde
Desta o Tambosi vai gostar!
Do Comunique-se
Passando por sérias dificuldades financeiras, a Agência Carta Maior corre o risco de interromper a produção de seu conteúdo ainda esta semana. O veículo perdeu um contrato de patrocínio com a Petrobras em dezembro e desde então os profissionais não recebem seu salário. Está marcada para dia 30 uma reunião para o grupo reavaliar a situação e decidir o futuro da agência.
Dia 26, o editor-chefe, Flávio Aguiar, escreveu um editorial informando que o fechamento da revista é iminente, mas que a equipe segue fazendo todos os esforços possíveis para reverter a situação. Além da publicidade, a principal fonte de renda da Carta Maior é o patrocínio de projetos de cunho social. O veículo já encaminhou uma série deles para agentes fomentadores e segue aguardando uma resposta que pode oferecer novo fôlego à agência.
A transição do primeiro para o segundo governo Lula e as incertezas resultantes acerca do comando dos Ministérios e das estatais fizeram com que as verbas destinadas para publicidade em publicações à margem da grande imprensa, possuindo elas viés ideológico ou não, fossem paralisadas. Com isso, a Carta Maior e outros veículos foram prejudicados e passam por um período de crise.
Para minimizar a vulnerabilidade de veículos pequenos que dependem principalmente de verbas estatais, Aguiar defende o estabelecimento de uma política pública independente do governo da ocasião para apoiar esse setor da imprensa. Ele sugere que os balanços e editais de estatais e órgãos públicos, que são publicados em veículos de grande alcance, tenham também uma versão análoga para os veículos de menor porte.
“Essa imprensa alternativa é fundamental, ela é parte da democracia brasileira. O que cabe ao governo é favorecer uma política de estado que contribua para o estabelecimento de critérios equânimes, buscando o favorecimento da democracia de nosso país”, avaliou o editor-chefe de Carta Maior.
Ou seja, os caraminguás oficiais deixam de pingar e a revista "independente" não se sustenta. Independência, para este pessoal, é não estar ligado a uma empresa privada. Pode depender do governo, mas não de anúncios de empresas privadas. É o fim da picada!
Do Comunique-se
Passando por sérias dificuldades financeiras, a Agência Carta Maior corre o risco de interromper a produção de seu conteúdo ainda esta semana. O veículo perdeu um contrato de patrocínio com a Petrobras em dezembro e desde então os profissionais não recebem seu salário. Está marcada para dia 30 uma reunião para o grupo reavaliar a situação e decidir o futuro da agência.
Dia 26, o editor-chefe, Flávio Aguiar, escreveu um editorial informando que o fechamento da revista é iminente, mas que a equipe segue fazendo todos os esforços possíveis para reverter a situação. Além da publicidade, a principal fonte de renda da Carta Maior é o patrocínio de projetos de cunho social. O veículo já encaminhou uma série deles para agentes fomentadores e segue aguardando uma resposta que pode oferecer novo fôlego à agência.
A transição do primeiro para o segundo governo Lula e as incertezas resultantes acerca do comando dos Ministérios e das estatais fizeram com que as verbas destinadas para publicidade em publicações à margem da grande imprensa, possuindo elas viés ideológico ou não, fossem paralisadas. Com isso, a Carta Maior e outros veículos foram prejudicados e passam por um período de crise.
Para minimizar a vulnerabilidade de veículos pequenos que dependem principalmente de verbas estatais, Aguiar defende o estabelecimento de uma política pública independente do governo da ocasião para apoiar esse setor da imprensa. Ele sugere que os balanços e editais de estatais e órgãos públicos, que são publicados em veículos de grande alcance, tenham também uma versão análoga para os veículos de menor porte.
“Essa imprensa alternativa é fundamental, ela é parte da democracia brasileira. O que cabe ao governo é favorecer uma política de estado que contribua para o estabelecimento de critérios equânimes, buscando o favorecimento da democracia de nosso país”, avaliou o editor-chefe de Carta Maior.
Ou seja, os caraminguás oficiais deixam de pingar e a revista "independente" não se sustenta. Independência, para este pessoal, é não estar ligado a uma empresa privada. Pode depender do governo, mas não de anúncios de empresas privadas. É o fim da picada!
sexta-feira, março 23, 2007
Parabéns!
A capital de todos os catarinenses faz 281 anos hoje.
Uma cidade apaixonante que tem sido tão maltratada nos últimos anos. Vivi lá por sete anos, enquanto cursava jornalismo na UFSC, e uns dois anos depois de formado.
Quando voltei a Floripa (os manezinhos não gostam desse apelido) no ano passado, depois de deixar São Paulo, me surpreendi. Mudara muito em tão pouco tempo. E pra pior. Faz tempo que não é mais uma cidade interiorana, traqüila, segura. A Globo mostrou uma matéria nesta semana sobre o uso de crack no centro da capital. É uma das cidades em que há mais usuários "pesados" da droga no país.
Abaixo, comentário meu no blog do Damião, a propósito de um poema saudosista sobre a Ilha de Santa Catarina.
Também eu concordo que Florianópolis está abandonada. A atual administração me parece um descalabro. As anteriores também não se preocuparam em planejar o crescimento da cidade. Ficou tudo ao acaso. Mesmo assim, desculpem-me, acho esse tipo de discurso saudosista demais. Essa Florianópolis aí não existe mais e nem vai voltar a existir. E ainda bem. Os saudosistas não conseguem reconhecer o óbvio: a mudança é inexorável. O que a gente precisa fazer é torná-la menos traumática, com muito planejamento. Florianópolis tem que se tornar uma cidade moderna, não voltar ao tempo em que o mar batia no mercado. Tudo bem, pode-se alegar que se trata de um desabafo, até mesmo de uma linguagem metafórica. Mas abandonemos o saudosismo. Floripa (os manés não gostam dessa palavra, não sei porque) tem que se tornar uma cidade "tecnológica". Muita modernidade para contrastar com as belezas naturais. São belezas diferentes, só isso. Nem melhor, nem pior.
Uma cidade apaixonante que tem sido tão maltratada nos últimos anos. Vivi lá por sete anos, enquanto cursava jornalismo na UFSC, e uns dois anos depois de formado.
Quando voltei a Floripa (os manezinhos não gostam desse apelido) no ano passado, depois de deixar São Paulo, me surpreendi. Mudara muito em tão pouco tempo. E pra pior. Faz tempo que não é mais uma cidade interiorana, traqüila, segura. A Globo mostrou uma matéria nesta semana sobre o uso de crack no centro da capital. É uma das cidades em que há mais usuários "pesados" da droga no país.
Abaixo, comentário meu no blog do Damião, a propósito de um poema saudosista sobre a Ilha de Santa Catarina.
Também eu concordo que Florianópolis está abandonada. A atual administração me parece um descalabro. As anteriores também não se preocuparam em planejar o crescimento da cidade. Ficou tudo ao acaso. Mesmo assim, desculpem-me, acho esse tipo de discurso saudosista demais. Essa Florianópolis aí não existe mais e nem vai voltar a existir. E ainda bem. Os saudosistas não conseguem reconhecer o óbvio: a mudança é inexorável. O que a gente precisa fazer é torná-la menos traumática, com muito planejamento. Florianópolis tem que se tornar uma cidade moderna, não voltar ao tempo em que o mar batia no mercado. Tudo bem, pode-se alegar que se trata de um desabafo, até mesmo de uma linguagem metafórica. Mas abandonemos o saudosismo. Floripa (os manés não gostam dessa palavra, não sei porque) tem que se tornar uma cidade "tecnológica". Muita modernidade para contrastar com as belezas naturais. São belezas diferentes, só isso. Nem melhor, nem pior.
É muita cara de pau!
DA AGÊNCIA FOLHA
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), nomeou como assessoras especiais, lotadas em seu gabinete, a cabeleireira Manuella Figueiredo Barbosa e a esteticista Franciheli de Fátima Oliveira da Costa, que costumam atendê-la.
Os decretos com as nomeações foram publicados no "Diário Oficial" do Estado de 14 de fevereiro e não informavam o salário nem a natureza da atividade que passariam a exercer. As duas profissionais mantêm atividades fora do governo.
A Folha tentou falar ontem com a governadora por meio de sua assessoria, mas não obteve retorno.A reportagem tentou falar com a cabeleireira e com a esteticista, mas não conseguiu. No salão de beleza que pertence à Manuella Barbosa, a reportagem foi informada por telefone de que a governadora é cliente há "muitos anos" e que hoje a cabeleireira atende a petista no local de escolha desta.
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), nomeou como assessoras especiais, lotadas em seu gabinete, a cabeleireira Manuella Figueiredo Barbosa e a esteticista Franciheli de Fátima Oliveira da Costa, que costumam atendê-la.
Os decretos com as nomeações foram publicados no "Diário Oficial" do Estado de 14 de fevereiro e não informavam o salário nem a natureza da atividade que passariam a exercer. As duas profissionais mantêm atividades fora do governo.
A Folha tentou falar ontem com a governadora por meio de sua assessoria, mas não obteve retorno.A reportagem tentou falar com a cabeleireira e com a esteticista, mas não conseguiu. No salão de beleza que pertence à Manuella Barbosa, a reportagem foi informada por telefone de que a governadora é cliente há "muitos anos" e que hoje a cabeleireira atende a petista no local de escolha desta.
quinta-feira, março 22, 2007
A Globo estava certa...
... e o Diogo Mainardi também! Enfim, cai a máscara de Franklin Martins (sempre há aqueles que não conseguiam ver o apetralhamento do colega). Dava um embrulho no estômago assistir aos comentários dele na Band.
Se ele for colocar no Planalto todos os coleguinhas apetralhados vai faltar cadeira.
Se ele for colocar no Planalto todos os coleguinhas apetralhados vai faltar cadeira.
segunda-feira, março 19, 2007
Aleluia!
Não agüento mais ouvir falar deste tal de aquecimento global! Ô coisinha chata! Não suporto histeria e terrorismo politicamente corretos. Mas até que enfim umas vozes dissonantes.
E só poderia vir do Canadá, mesmo. Se permitirem, é pra lá que eu vou.
Estudo coloca em dúvida os cálculos do aquecimento global
ORLANDO LIZAMA
da Efe, em Washington
Nos últimos meses, os alarmes em virtude das conseqüências do aquecimento global foram disparados com previsões de desastres naturais, perdas de colheitas e crise de fome em todo o mundo.
Desde o sombrio documentário do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, "Uma Verdade Inconveniente", ganhador de dois Oscar neste ano, e uma série de estudos e observações, todos concordam que o aquecimento é causado pelos gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono, que contaminam a atmosfera.
No entanto, segundo o pesquisador Bjarne Andresen, "todo o debate sobre o aquecimento global é uma fantasia". Segundo ele, o método utilizado para determinar o aquecimento global e suas conseqüências "é mais político do que científico".
Em artigo publicado na revista "Journal of Non-Equilibrium Thermodynamics", Andresen --do Instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhague-- afirma que o conceito de "temperatura global" é uma impossibilidade termodinâmica e matemática.
O cientista refere-se aos estudos que afirmam que, como conseqüência do aumento das temperaturas, o planeta sofrerá perdas de massas de gelo polar, aumento dos níveis dos oceanos, aumento das chuvas em algumas regiões e secas em outras, além do aumento da intensidade de furacões e tufões.
O último deles, publicado pela revista "Environmental Research Letters', afirmou nesta semana que o aquecimento global provocou uma perda na colheita de produtos essenciais para a dieta dos seres humanos em todo o planeta.
Segundo pesquisadores do Instituto Carnegie e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, entre 1981 e 2002, o aquecimento diminuiu a produção de trigo, milho e cevada em cerca de 40 bilhões de toneladas ao ano. Segundo os cientistas, este estudo mostra que a redução é originada no aquecimento causado pela atividade humana no planeta e que seus efeitos são imediatos.
"A maior parte das pessoas acha que a mudança climática é algo que terá um impacto futuro", afirmou Christopher Field, um dos autores do estudo e diretor do Departamento de Ecologia Global do Instituto Carnegie.
Além disso, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos EUA revelou que este inverno no hemisfério norte foi o mais quente desde 1880. O órgão do governo dos EUA divulgou em seu site que, no período de dezembro a fevereiro, a temperatura foi 0,72ºC superior à média do século 20.
No entanto, segundo Andresen e os cientistas Christopher Essex, da Universidade de Western Ontário, e Ross McKitrick, da Universidade de Guelph, também em Ontário (Canadá), "é impossível falar em uma única temperatura em algo tão complexo quanto o clima da Terra".
Andresen afirma que a temperatura só pode ser definida em um sistema homogêneo, e o clima não pode ser determinado por apenas uma temperatura. 'São as diferenças de temperaturas que impulsionam o processo e criam as tempestades, correntes marinhas, trovões, que são as que constituem o clima", afirma.
"Não faz nenhum sentido falar em uma temperatura global para a Terra", porque existem elementos em todo o planeta que, segundo o especialista, não podem simplesmente ser somados e divididos.
Segundo os cientistas, existem duas formas de calcular as médias, a aritmética e a geométrica. Ambos dão resultados diferentes e ambos estão corretos.
É necessário um motivo forte para escolher um em demérito do outro e, "por isso, as previsões sobre desastre podem ser uma conseqüência do método usado", acrescentam Andresen e seus colegas.
Para eles, são necessários argumentos físicos para decidir pelo uso de um método de análise do estado da Terra, e "não a tradição".
E só poderia vir do Canadá, mesmo. Se permitirem, é pra lá que eu vou.
Estudo coloca em dúvida os cálculos do aquecimento global
ORLANDO LIZAMA
da Efe, em Washington
Nos últimos meses, os alarmes em virtude das conseqüências do aquecimento global foram disparados com previsões de desastres naturais, perdas de colheitas e crise de fome em todo o mundo.
Desde o sombrio documentário do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, "Uma Verdade Inconveniente", ganhador de dois Oscar neste ano, e uma série de estudos e observações, todos concordam que o aquecimento é causado pelos gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono, que contaminam a atmosfera.
No entanto, segundo o pesquisador Bjarne Andresen, "todo o debate sobre o aquecimento global é uma fantasia". Segundo ele, o método utilizado para determinar o aquecimento global e suas conseqüências "é mais político do que científico".
Em artigo publicado na revista "Journal of Non-Equilibrium Thermodynamics", Andresen --do Instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhague-- afirma que o conceito de "temperatura global" é uma impossibilidade termodinâmica e matemática.
O cientista refere-se aos estudos que afirmam que, como conseqüência do aumento das temperaturas, o planeta sofrerá perdas de massas de gelo polar, aumento dos níveis dos oceanos, aumento das chuvas em algumas regiões e secas em outras, além do aumento da intensidade de furacões e tufões.
O último deles, publicado pela revista "Environmental Research Letters', afirmou nesta semana que o aquecimento global provocou uma perda na colheita de produtos essenciais para a dieta dos seres humanos em todo o planeta.
Segundo pesquisadores do Instituto Carnegie e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, entre 1981 e 2002, o aquecimento diminuiu a produção de trigo, milho e cevada em cerca de 40 bilhões de toneladas ao ano. Segundo os cientistas, este estudo mostra que a redução é originada no aquecimento causado pela atividade humana no planeta e que seus efeitos são imediatos.
"A maior parte das pessoas acha que a mudança climática é algo que terá um impacto futuro", afirmou Christopher Field, um dos autores do estudo e diretor do Departamento de Ecologia Global do Instituto Carnegie.
Além disso, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos EUA revelou que este inverno no hemisfério norte foi o mais quente desde 1880. O órgão do governo dos EUA divulgou em seu site que, no período de dezembro a fevereiro, a temperatura foi 0,72ºC superior à média do século 20.
No entanto, segundo Andresen e os cientistas Christopher Essex, da Universidade de Western Ontário, e Ross McKitrick, da Universidade de Guelph, também em Ontário (Canadá), "é impossível falar em uma única temperatura em algo tão complexo quanto o clima da Terra".
Andresen afirma que a temperatura só pode ser definida em um sistema homogêneo, e o clima não pode ser determinado por apenas uma temperatura. 'São as diferenças de temperaturas que impulsionam o processo e criam as tempestades, correntes marinhas, trovões, que são as que constituem o clima", afirma.
"Não faz nenhum sentido falar em uma temperatura global para a Terra", porque existem elementos em todo o planeta que, segundo o especialista, não podem simplesmente ser somados e divididos.
Segundo os cientistas, existem duas formas de calcular as médias, a aritmética e a geométrica. Ambos dão resultados diferentes e ambos estão corretos.
É necessário um motivo forte para escolher um em demérito do outro e, "por isso, as previsões sobre desastre podem ser uma conseqüência do método usado", acrescentam Andresen e seus colegas.
Para eles, são necessários argumentos físicos para decidir pelo uso de um método de análise do estado da Terra, e "não a tradição".
sábado, março 17, 2007
Nas estrelas
Vejam só: o Brasil vai pesquisar a expansão do universo! Saudável, isso!
Só seria interessante levar essa idéia ao governo: por que não descobrir também como expandir "effepaiff"? Como fazer a economia crescer ao ritmo de um país em desenvolvimento, como fazem China, Índia, Coréia...?
Pensando bem, "azelite" - lideradas pelo ex-metalúrgico - já fazem como os cosmológos: vivem no mundo da lua.
RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma equipe de pesquisadores brasileiros vai participar do primeiro grande projeto internacional para investigar a energia escura, uma entidade cósmica de origem misteriosa que faz o Universo se expandir de maneira acelerada.
Em janeiro, cientistas de diversos institutos liderados pelo ON (Observatório Nacional) e pelo CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) firmaram acordo para participar do DES (Levantamento de Energia Escura, na sigla em inglês).
Com início previsto para 2010, o projeto usará um supertelescópio em Cerro Tololo, no Chile, para mapear grande parte do céu do hemisfério Sul.
"O objetivo é ter uma amostra estatística bastante grande de aglomerados de galáxias, para entender como é a distribuição deles", disse à Folha o coordenador do grupo brasileiro no DES, Luiz Nicolaci da Costa, do Observatório Nacional. "Isso permite criar vínculos [entre os dados] e medir a natureza da energia escura."
Para cumprir seu objetivo, o DES criará um grande volume de dados sobre distribuição de galáxias, aglomerados de galáxias, supernovas (explosões estelares) e matéria escura (que não emite radiação).
Tudo isso será observado em diversas freqüências de luz, o que permite medir precisamente com que velocidade essas estruturas se afastam entre si.
Só seria interessante levar essa idéia ao governo: por que não descobrir também como expandir "effepaiff"? Como fazer a economia crescer ao ritmo de um país em desenvolvimento, como fazem China, Índia, Coréia...?
Pensando bem, "azelite" - lideradas pelo ex-metalúrgico - já fazem como os cosmológos: vivem no mundo da lua.
RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma equipe de pesquisadores brasileiros vai participar do primeiro grande projeto internacional para investigar a energia escura, uma entidade cósmica de origem misteriosa que faz o Universo se expandir de maneira acelerada.
Em janeiro, cientistas de diversos institutos liderados pelo ON (Observatório Nacional) e pelo CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) firmaram acordo para participar do DES (Levantamento de Energia Escura, na sigla em inglês).
Com início previsto para 2010, o projeto usará um supertelescópio em Cerro Tololo, no Chile, para mapear grande parte do céu do hemisfério Sul.
"O objetivo é ter uma amostra estatística bastante grande de aglomerados de galáxias, para entender como é a distribuição deles", disse à Folha o coordenador do grupo brasileiro no DES, Luiz Nicolaci da Costa, do Observatório Nacional. "Isso permite criar vínculos [entre os dados] e medir a natureza da energia escura."
Para cumprir seu objetivo, o DES criará um grande volume de dados sobre distribuição de galáxias, aglomerados de galáxias, supernovas (explosões estelares) e matéria escura (que não emite radiação).
Tudo isso será observado em diversas freqüências de luz, o que permite medir precisamente com que velocidade essas estruturas se afastam entre si.
Lavagem cerebral
O aparelhamento do Estado continua pela trupe petralha. Depois de dominar os grotões com os programas assistencialistas (cujo objetivo é manter os pobres nesta condição para garantir o voto nas próximas eleições), agora o governo petista vem com a história de criar uma rede nacional de TV. Por quê? Ora, porque a "grande imprensa", a imprensa "dazelite", do malvado capital, só publica "mentiras". Mentira, aqui, entende-se por tudo aquilo que desagrada ao poder petista.
O negócio, agora, é conquistar corações e mentes. Como não somos um povo muito reconhecido pelo poder intelectual, não deverá ser uma tarefa muito difícil. Depois a gente diz que não sabe para onde vai tanto imposto!
A Folha de hoje traz uma matéria mostrando que, a exemplo do descalabro que aconteceu no orçamento dos jogos Panamericanos, a estimativa do governo para criar a tal TV petista está subestimado.
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
A criação de uma rede estatal de televisão, com cobertura em todo o território nacional, como anunciado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, pode custar no mínimo R$ 523,36 milhões, segundo cálculos de fabricantes e de engenheiros ouvidos pela Folha.
Na segunda-feira passada, Costa apresentou ao presidente Lula a proposta de criação da Rede Nacional de Televisão Pública, ligada ao Executivo, que implicará, segundo ele, em investimentos de R$ 250 milhões em quatro anos.
Na ocasião, Costa disse que a intenção é fazer com que o sinal da nova TV chegue a todos os municípios (5.564). Há no Brasil, segundo o IBGE, 4.458 municípios com população de até 30 mil, dos quais 1.370 têm menos de 5.000 habitantes.
Segundo informação dos fabricantes de equipamentos, o principal item de custo de uma rede nacional de TV é levar o sinal aos pequenos municípios. O custo de um posto de retransmissão mais simples, para localidades com até 10 mil habitantes, foi calculado pelo presidente da Abirt (Associação Brasileira da Indústria de Radiodifusão), Eduardo Santos de Araújo, em R$ 50 mil.
Ou seja, para cobrir os 2.581 municípios com essa população, seria necessário um investimento de R$ 129 milhões.Se o governo for instalar retransmissores em todos os municípios, gastará, pelo menos, R$ 443,36 milhões, fora o investimento na implantação da emissora que vai gerar a programação e colocá-la no satélite para ser retransmitida.
A projeção dos R$ 523,36 milhões foi feita com a máxima economia de custos. Pressupôs, por exemplo, o compartilhamento de torres de retransmissão com outras emissoras, e cessão de terrenos por prefeituras, prática que o ministro cogitou adotar no projeto.
Costa não explicou como chegou à sua cifra, de R$ 250 milhões. Em entrevista à Folha, na terça-feira, disse que se tratava de um número inicial, que precisa ser ""refinado".
Há vários pontos obscuros em relação à estrutura da TV estatal pretendida pelo ministro. O primeiro ponto refere-se à Radiobrás. Costa disse que não está decidido se será aproveitada a estrutura da Radiobrás, que cobre 30% do país.
Segundo especialistas, se o governo for implantar uma rede paralela à da Radiobrás, terá de instalar uma emissora geradora, que será a cabeça da rede. Uma geradora de médio porte, com capacidade de produzir 24 horas de programação, custa, no mínimo, R$ 84 milhões.
Costa afirmou, por meio de sua assessoria, que a decisão final sobre o projeto será dada pela Secom. Em relação ao custo apontado por fabricantes, disse que, se o projeto for compartilhado com Estados e municípios, diminuirá o dispêndio do governo, mas não comentou a diferença entre o valor apontado pelos fabricantes e sua projeção de R$ 250 milhões.
O negócio, agora, é conquistar corações e mentes. Como não somos um povo muito reconhecido pelo poder intelectual, não deverá ser uma tarefa muito difícil. Depois a gente diz que não sabe para onde vai tanto imposto!
A Folha de hoje traz uma matéria mostrando que, a exemplo do descalabro que aconteceu no orçamento dos jogos Panamericanos, a estimativa do governo para criar a tal TV petista está subestimado.
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
A criação de uma rede estatal de televisão, com cobertura em todo o território nacional, como anunciado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, pode custar no mínimo R$ 523,36 milhões, segundo cálculos de fabricantes e de engenheiros ouvidos pela Folha.
Na segunda-feira passada, Costa apresentou ao presidente Lula a proposta de criação da Rede Nacional de Televisão Pública, ligada ao Executivo, que implicará, segundo ele, em investimentos de R$ 250 milhões em quatro anos.
Na ocasião, Costa disse que a intenção é fazer com que o sinal da nova TV chegue a todos os municípios (5.564). Há no Brasil, segundo o IBGE, 4.458 municípios com população de até 30 mil, dos quais 1.370 têm menos de 5.000 habitantes.
Segundo informação dos fabricantes de equipamentos, o principal item de custo de uma rede nacional de TV é levar o sinal aos pequenos municípios. O custo de um posto de retransmissão mais simples, para localidades com até 10 mil habitantes, foi calculado pelo presidente da Abirt (Associação Brasileira da Indústria de Radiodifusão), Eduardo Santos de Araújo, em R$ 50 mil.
Ou seja, para cobrir os 2.581 municípios com essa população, seria necessário um investimento de R$ 129 milhões.Se o governo for instalar retransmissores em todos os municípios, gastará, pelo menos, R$ 443,36 milhões, fora o investimento na implantação da emissora que vai gerar a programação e colocá-la no satélite para ser retransmitida.
A projeção dos R$ 523,36 milhões foi feita com a máxima economia de custos. Pressupôs, por exemplo, o compartilhamento de torres de retransmissão com outras emissoras, e cessão de terrenos por prefeituras, prática que o ministro cogitou adotar no projeto.
Costa não explicou como chegou à sua cifra, de R$ 250 milhões. Em entrevista à Folha, na terça-feira, disse que se tratava de um número inicial, que precisa ser ""refinado".
Há vários pontos obscuros em relação à estrutura da TV estatal pretendida pelo ministro. O primeiro ponto refere-se à Radiobrás. Costa disse que não está decidido se será aproveitada a estrutura da Radiobrás, que cobre 30% do país.
Segundo especialistas, se o governo for implantar uma rede paralela à da Radiobrás, terá de instalar uma emissora geradora, que será a cabeça da rede. Uma geradora de médio porte, com capacidade de produzir 24 horas de programação, custa, no mínimo, R$ 84 milhões.
Costa afirmou, por meio de sua assessoria, que a decisão final sobre o projeto será dada pela Secom. Em relação ao custo apontado por fabricantes, disse que, se o projeto for compartilhado com Estados e municípios, diminuirá o dispêndio do governo, mas não comentou a diferença entre o valor apontado pelos fabricantes e sua projeção de R$ 250 milhões.
terça-feira, março 13, 2007
O politicamente correto está matando o humor
A Folha que me perdoe por copiar aqui textos quase todos os dias, mas é preciso compartilhar algumas coisas interessantes. Como esta entrevista do Jaguar.
SYLVIA COLOMBO
Aos 75 anos e ainda freqüentando de modo assíduo os botequins do Rio -e os da cidade onde estiver-, Jaguar encontrou a Folha num tradicional restaurante da rua São José, no centro da cidade, na tarde da última sexta-feira. O motivo da entrevista é o fato de ele estar agora à frente da coleção de humor da editora carioca Desiderata, publicando novos cartunistas e gente da época do "Pasquim", incluindo ele próprio. Entre os lançamentos vindouros, um livro de cartuns que ele havia publicado apenas na Argentina, há mais de 30 anos, e do qual não lembrava mais. "Voltei para o Rio, cai na gandaia, e esqueci dele." O título, sugestivo, é "Nadie Es Perfecto" (ninguém é perfeito).
Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista.
FOLHA - Como anda o cartum?
JAGUAR - O cartum é uma espécie em extinção. Tem muita gente publicando história em quadrinhos, charges, caricaturas. Não é a mesma coisa. Sou cartunista, mas sobrevivo fingindo que sou chargista. Se não, não pago as minhas contas.
FOLHA - Qual é a diferença essencial entre cartum e charge?
JAGUAR - Simples. Por exemplo. Hoje fiz uma charge sobre a visita do Bush. Desenhei o Lula chamando o Bush, que está indo embora do quadrinho. Só aparecem os pezinhos dele. Lula estica o dedo e chama: "Ei, ô companheiro, e a saideira?". Isso é uma charge. Uma piada que, daqui a cinco anos, ninguém vai entender, porque é em cima de uma circunstância.
FOLHA - E o cartum?
JAGUAR - É um troço que você faz sobre assuntos que daqui a 20 anos qualquer um entenderá. Um exemplo clássico, uma piada qualquer sobre o "Ricardão dentro do armário". Todo mundo sabe do que eu estou falando. Piadas sobre vida conjugal, sexual, todo mundo entende. Em qualquer época. Já piadas em cima de fatos políticos momentâneos vão ficando incompreensíveis.
FOLHA - E por que o cartum está em extinção?
JAGUAR - Porque ninguém mais publica. Eu não tenho onde publicar. De vez em quando emplaco um cartum. Mas tem de ser disfarçado de charge. Se não for assim, não passa.
FOLHA - O mundo está se desinteressando do humor?
JAGUAR - Pelo menos deste formato de humor, sim. Tanto que revistas no mundo todo estão desaparecendo. A única que ainda publica cartum de verdade é a "The New Yorker".
FOLHA - Há uma nostalgia excessiva com relação ao "Pasquim"? As pessoas romantizam demais essa época?
JAGUAR - Eu não tenho nostalgia nenhuma. Só quero saber o que vou fazer amanhã. Mas as pessoas ficam com esse papo: "Ah, no tempo do "Pasquim'". É uma bobagem, coisa de velho gagá. Como se tivesse sentido existir o "Pasquim" até hoje.
FOLHA - Quando lê os jornais, vê a influência do "Pasquim"?
JAGUAR - Os jornais mudaram muito. Mas acho que mudariam de qualquer jeito. Se não fosse por um lado, seria pelo outro. As coisas já estavam em transformação.
FOLHA - Mas você escreveu que, com o "Pasquim", a imprensa tirou o paletó e a gravata.
JAGUAR - É verdade, mas a mudança já estava acontecendo. O "Pasquim" deu certo porque as pessoas se identificaram. Por outro lado, posso dizer que quem começou essa transformação toda na imprensa brasileira fui eu, e por acidente.
FOLHA - Como assim?
JAGUAR - A gente tinha feito uma entrevista com o Ibrahim Sued. Fomos eu, o Tarso de Castro e o Sérgio Cabral. Mas depois todo mundo sumiu.
FOLHA - Sumiu?
JAGUAR - Sim, sumiu. Éramos um bando de porra-louca. Os dois foram para a farra e eu tive de tirar a entrevista sozinho. Só que eu não sou jornalista e não sabia fazer isso. E deixei o texto com o jeito coloquial mesmo. Virou nosso "estilo".
FOLHA - E pegou na hora?
JAGUAR - Não. Demorou. Os jornais resistiram a adotar o tom coloquial. Só depois que a publicidade começou a usá-lo é que a imprensa foi atrás. Mas hoje já acho que essa fórmula se esgotou.
FOLHA - Por quê?
JAGUAR - Nossas entrevistas ficavam boas porque éramos um monte de caras de porre que íamos falar com um coitado de um entrevistado que não tinha chance de abrir a boca. Passava um aperto danado. Depois que a coisa pegou, a imprensa começou a usar essa fórmula, só que para levantar a bola do entrevistado. Aí perdeu a graça.
FOLHA - Até quando, então, você acha que o "Pasquim" justificou a sua existência?
JAGUAR - O "Pasquim" foi uma experiência muito divertida, mas eu poderia tê-la diminuído em dez anos. Fiquei fazendo o jornal de teimoso. Me endividei. Foi um horror. Todos pularam fora e eu fiquei. O jornal perdeu a influência, a tiragem era pífia. Podia ter feito como os outros, que foram cuidar de suas vidas. Mas, não, fiquei lá, morando na redação, dormindo num colchonete debaixo da prancheta. Um maluco.
FOLHA - Dá para viver de cartum?
JAGUAR - Não. Eu trabalhei 17 anos no Banco do Brasil. E nunca faltei nem um dia. O banco foi fundamental. Não só pela grana, mas porque me ensinou a ser profissional. Sou um porra-louca, bêbado, alcoólatra, um monte de coisa. Mas nunca faltei no trabalho. Também nunca deixei de entregar um desenho no horário, no dia certo. Isso eu devo ao banco.
FOLHA - Houve um retrocesso no humor brasileiro com relação aos anos da ditadura?
JAGUAR - Sim. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo, por exemplo. Fui casado dez anos com uma crioula. Não é pejorativo. Não vou começar a dizer que casei com uma afro-descendente. É uma hipocrisia.Mas a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: "Ah, é o Jaguar, deixa ele".
SYLVIA COLOMBO
Aos 75 anos e ainda freqüentando de modo assíduo os botequins do Rio -e os da cidade onde estiver-, Jaguar encontrou a Folha num tradicional restaurante da rua São José, no centro da cidade, na tarde da última sexta-feira. O motivo da entrevista é o fato de ele estar agora à frente da coleção de humor da editora carioca Desiderata, publicando novos cartunistas e gente da época do "Pasquim", incluindo ele próprio. Entre os lançamentos vindouros, um livro de cartuns que ele havia publicado apenas na Argentina, há mais de 30 anos, e do qual não lembrava mais. "Voltei para o Rio, cai na gandaia, e esqueci dele." O título, sugestivo, é "Nadie Es Perfecto" (ninguém é perfeito).
Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista.
FOLHA - Como anda o cartum?
JAGUAR - O cartum é uma espécie em extinção. Tem muita gente publicando história em quadrinhos, charges, caricaturas. Não é a mesma coisa. Sou cartunista, mas sobrevivo fingindo que sou chargista. Se não, não pago as minhas contas.
FOLHA - Qual é a diferença essencial entre cartum e charge?
JAGUAR - Simples. Por exemplo. Hoje fiz uma charge sobre a visita do Bush. Desenhei o Lula chamando o Bush, que está indo embora do quadrinho. Só aparecem os pezinhos dele. Lula estica o dedo e chama: "Ei, ô companheiro, e a saideira?". Isso é uma charge. Uma piada que, daqui a cinco anos, ninguém vai entender, porque é em cima de uma circunstância.
FOLHA - E o cartum?
JAGUAR - É um troço que você faz sobre assuntos que daqui a 20 anos qualquer um entenderá. Um exemplo clássico, uma piada qualquer sobre o "Ricardão dentro do armário". Todo mundo sabe do que eu estou falando. Piadas sobre vida conjugal, sexual, todo mundo entende. Em qualquer época. Já piadas em cima de fatos políticos momentâneos vão ficando incompreensíveis.
FOLHA - E por que o cartum está em extinção?
JAGUAR - Porque ninguém mais publica. Eu não tenho onde publicar. De vez em quando emplaco um cartum. Mas tem de ser disfarçado de charge. Se não for assim, não passa.
FOLHA - O mundo está se desinteressando do humor?
JAGUAR - Pelo menos deste formato de humor, sim. Tanto que revistas no mundo todo estão desaparecendo. A única que ainda publica cartum de verdade é a "The New Yorker".
FOLHA - Há uma nostalgia excessiva com relação ao "Pasquim"? As pessoas romantizam demais essa época?
JAGUAR - Eu não tenho nostalgia nenhuma. Só quero saber o que vou fazer amanhã. Mas as pessoas ficam com esse papo: "Ah, no tempo do "Pasquim'". É uma bobagem, coisa de velho gagá. Como se tivesse sentido existir o "Pasquim" até hoje.
FOLHA - Quando lê os jornais, vê a influência do "Pasquim"?
JAGUAR - Os jornais mudaram muito. Mas acho que mudariam de qualquer jeito. Se não fosse por um lado, seria pelo outro. As coisas já estavam em transformação.
FOLHA - Mas você escreveu que, com o "Pasquim", a imprensa tirou o paletó e a gravata.
JAGUAR - É verdade, mas a mudança já estava acontecendo. O "Pasquim" deu certo porque as pessoas se identificaram. Por outro lado, posso dizer que quem começou essa transformação toda na imprensa brasileira fui eu, e por acidente.
FOLHA - Como assim?
JAGUAR - A gente tinha feito uma entrevista com o Ibrahim Sued. Fomos eu, o Tarso de Castro e o Sérgio Cabral. Mas depois todo mundo sumiu.
FOLHA - Sumiu?
JAGUAR - Sim, sumiu. Éramos um bando de porra-louca. Os dois foram para a farra e eu tive de tirar a entrevista sozinho. Só que eu não sou jornalista e não sabia fazer isso. E deixei o texto com o jeito coloquial mesmo. Virou nosso "estilo".
FOLHA - E pegou na hora?
JAGUAR - Não. Demorou. Os jornais resistiram a adotar o tom coloquial. Só depois que a publicidade começou a usá-lo é que a imprensa foi atrás. Mas hoje já acho que essa fórmula se esgotou.
FOLHA - Por quê?
JAGUAR - Nossas entrevistas ficavam boas porque éramos um monte de caras de porre que íamos falar com um coitado de um entrevistado que não tinha chance de abrir a boca. Passava um aperto danado. Depois que a coisa pegou, a imprensa começou a usar essa fórmula, só que para levantar a bola do entrevistado. Aí perdeu a graça.
FOLHA - Até quando, então, você acha que o "Pasquim" justificou a sua existência?
JAGUAR - O "Pasquim" foi uma experiência muito divertida, mas eu poderia tê-la diminuído em dez anos. Fiquei fazendo o jornal de teimoso. Me endividei. Foi um horror. Todos pularam fora e eu fiquei. O jornal perdeu a influência, a tiragem era pífia. Podia ter feito como os outros, que foram cuidar de suas vidas. Mas, não, fiquei lá, morando na redação, dormindo num colchonete debaixo da prancheta. Um maluco.
FOLHA - Dá para viver de cartum?
JAGUAR - Não. Eu trabalhei 17 anos no Banco do Brasil. E nunca faltei nem um dia. O banco foi fundamental. Não só pela grana, mas porque me ensinou a ser profissional. Sou um porra-louca, bêbado, alcoólatra, um monte de coisa. Mas nunca faltei no trabalho. Também nunca deixei de entregar um desenho no horário, no dia certo. Isso eu devo ao banco.
FOLHA - Houve um retrocesso no humor brasileiro com relação aos anos da ditadura?
JAGUAR - Sim. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo, por exemplo. Fui casado dez anos com uma crioula. Não é pejorativo. Não vou começar a dizer que casei com uma afro-descendente. É uma hipocrisia.Mas a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: "Ah, é o Jaguar, deixa ele".
segunda-feira, março 12, 2007
Esquentou!
Na capa da Folha de hoje.
NELSON ASCHER
A política do aquecimento global
A visão de mundo da militância ecológica é regressiva, mística, medieval, paleolítica
TODOS OS anos uma quantidade de neve se deposita em lugares perpetuamente congelados como a Groenlândia. A neve se endurece e se transforma numa nova camada de gelo sobre a qual, entra ano, sai ano, outras semelhantes se sobrepõem. Com sondas, como as utilizadas na prospecção do petróleo, mas especialmente adaptadas, cientistas conseguiram retirar cilindros contínuos de gelo, com quilômetros de comprimento. Analisando a espessura de cada camada anualmente depositada, sua textura e composição, eles deduziram como era o clima do planeta seja há algumas centenas de anos, seja há muitos milhares.
O gelo não é o único fenômeno periódico que, desde que adequadamente observado e esmiuçado, revela detalhes importantes do passado terrestre. O mesmo se aplica a árvores milenares ou às sucessivas camadas de material orgânico que vão se depositando no fundo dos oceanos. Mais importante, porém, do que esses fenômenos é a combinação de todos, que permite calibrar com precisão as conclusões derivadas do exame de cada qual. Soma-se, ademais, à engenhosidade a experiência que possibilita a correção de erros anteriores.
Numa profundidade temporal de centenas de milhares ou de milhões de anos, as oscilações climáticas da Terra não são mais um mistério e é graças ao quadro que já temos delas que muitas das informações obtidas pela paleontologia, arqueologia e, cada vez mais, pelo estudo genético comparativo dos grupos humanos adquirem sentido, pois se torna possível situar tal ou qual fase da evolução da espécie num meio ambiente previamente deduzido. É difícil, portanto, para alguém que vê nisso tudo respostas brilhantes a perguntas que pairavam no ar, pôr em dúvida as projeções futuras dos climatologistas.
Afinal, a ciência envolvida é complexíssima não apenas para os leigos interessados, mas inclusive para os peritos de outras áreas. E, ainda assim, convém aos leigos colocar perguntas mais informadas e também interferir mais no processo decisório que vem depois da ciência. Por quê? Porque a questão do aquecimento global em seu conjunto e nas suas conseqüências transcende a ciência. Ela é política nos seus menores detalhes.
Digamos que o ritmo do aquecimento seja um fato inconteste e, mais, que sua principal razão seja o uso de combustíveis fósseis pelo ser humano. Digamos que a ciência e os modelos utilizados sejam muito melhores do que aqueles que, poucas décadas atrás, prometiam-nos uma nova glaciação ou a exaustão dos recursos naturais. Mesmo assim, a resposta à pergunta "o que fazer agora?" não pertence somente aos cientistas nem pode ser delegada a organizações internacionais ou transnacionais, como a ONU, que não contam com nenhuma medida de legitimidade democrática. Entregar-lhes a solução de qualquer problema rende em geral dois resultados paralelos, ambos negativos, a saber, a perpetuação do problema posto e a criação de um novo, que é o fortalecimento dessas instituições em detrimento das raras ainda democráticas que existem no âmbito de uma minoria de países.
Não é deste modo, contudo, que as inúmeras ONGs (muitas direta ou indiretamente subsidiadas por verbas de tais ou quais governos) e toda a militância verde e ecológica pensam esse assunto. Elas parecem entrever nele uma espécie de oportunidade de ouro não para resolver dilemas concretos, mas para impor-nos sua visão de mundo. Não é mistério que essa é regressiva, mística, medieval, quando não paleolítica, que ela odeia a tecnologia e a ciência (salvo os ramos que confirmem suas profecias) e, sobretudo, acha nossa civilização e modo de vida absolutamente pecaminosos. A ira sagrada que move tais militantes têm menos a ver com o bem-estar geral do maior número de pessoas do que com o fogo do inferno que deveria abrasar uma civilização que lhes contradiz diariamente os dogmas, uma civilização que garante mais vida a mais gente devido ao uso inteligente de outras fontes de energia além das tradicionais, isto é, a musculatura animal e humana.
Vale a pena acrescentar que o militante médio sabe tão pouco da ciência necessária quanto nós, os leigos em geral. Se não temos como julgar diretamente a qualidade da ciência e do aparente consenso que, por enquanto, garantem-nos que há um aquecimento global ocasionado por nossa espécie, podemos, como aliás fazem os cientistas para descobrir o clima de épocas e lugares onde não estavam, tentar deduzir indiretamente que intenções acompanham cada solução proposta, e não só podemos como precisamos avaliar politicamente seu impacto sobre nosso modo de vida.
NELSON ASCHER
A política do aquecimento global
A visão de mundo da militância ecológica é regressiva, mística, medieval, paleolítica
TODOS OS anos uma quantidade de neve se deposita em lugares perpetuamente congelados como a Groenlândia. A neve se endurece e se transforma numa nova camada de gelo sobre a qual, entra ano, sai ano, outras semelhantes se sobrepõem. Com sondas, como as utilizadas na prospecção do petróleo, mas especialmente adaptadas, cientistas conseguiram retirar cilindros contínuos de gelo, com quilômetros de comprimento. Analisando a espessura de cada camada anualmente depositada, sua textura e composição, eles deduziram como era o clima do planeta seja há algumas centenas de anos, seja há muitos milhares.
O gelo não é o único fenômeno periódico que, desde que adequadamente observado e esmiuçado, revela detalhes importantes do passado terrestre. O mesmo se aplica a árvores milenares ou às sucessivas camadas de material orgânico que vão se depositando no fundo dos oceanos. Mais importante, porém, do que esses fenômenos é a combinação de todos, que permite calibrar com precisão as conclusões derivadas do exame de cada qual. Soma-se, ademais, à engenhosidade a experiência que possibilita a correção de erros anteriores.
Numa profundidade temporal de centenas de milhares ou de milhões de anos, as oscilações climáticas da Terra não são mais um mistério e é graças ao quadro que já temos delas que muitas das informações obtidas pela paleontologia, arqueologia e, cada vez mais, pelo estudo genético comparativo dos grupos humanos adquirem sentido, pois se torna possível situar tal ou qual fase da evolução da espécie num meio ambiente previamente deduzido. É difícil, portanto, para alguém que vê nisso tudo respostas brilhantes a perguntas que pairavam no ar, pôr em dúvida as projeções futuras dos climatologistas.
Afinal, a ciência envolvida é complexíssima não apenas para os leigos interessados, mas inclusive para os peritos de outras áreas. E, ainda assim, convém aos leigos colocar perguntas mais informadas e também interferir mais no processo decisório que vem depois da ciência. Por quê? Porque a questão do aquecimento global em seu conjunto e nas suas conseqüências transcende a ciência. Ela é política nos seus menores detalhes.
Digamos que o ritmo do aquecimento seja um fato inconteste e, mais, que sua principal razão seja o uso de combustíveis fósseis pelo ser humano. Digamos que a ciência e os modelos utilizados sejam muito melhores do que aqueles que, poucas décadas atrás, prometiam-nos uma nova glaciação ou a exaustão dos recursos naturais. Mesmo assim, a resposta à pergunta "o que fazer agora?" não pertence somente aos cientistas nem pode ser delegada a organizações internacionais ou transnacionais, como a ONU, que não contam com nenhuma medida de legitimidade democrática. Entregar-lhes a solução de qualquer problema rende em geral dois resultados paralelos, ambos negativos, a saber, a perpetuação do problema posto e a criação de um novo, que é o fortalecimento dessas instituições em detrimento das raras ainda democráticas que existem no âmbito de uma minoria de países.
Não é deste modo, contudo, que as inúmeras ONGs (muitas direta ou indiretamente subsidiadas por verbas de tais ou quais governos) e toda a militância verde e ecológica pensam esse assunto. Elas parecem entrever nele uma espécie de oportunidade de ouro não para resolver dilemas concretos, mas para impor-nos sua visão de mundo. Não é mistério que essa é regressiva, mística, medieval, quando não paleolítica, que ela odeia a tecnologia e a ciência (salvo os ramos que confirmem suas profecias) e, sobretudo, acha nossa civilização e modo de vida absolutamente pecaminosos. A ira sagrada que move tais militantes têm menos a ver com o bem-estar geral do maior número de pessoas do que com o fogo do inferno que deveria abrasar uma civilização que lhes contradiz diariamente os dogmas, uma civilização que garante mais vida a mais gente devido ao uso inteligente de outras fontes de energia além das tradicionais, isto é, a musculatura animal e humana.
Vale a pena acrescentar que o militante médio sabe tão pouco da ciência necessária quanto nós, os leigos em geral. Se não temos como julgar diretamente a qualidade da ciência e do aparente consenso que, por enquanto, garantem-nos que há um aquecimento global ocasionado por nossa espécie, podemos, como aliás fazem os cientistas para descobrir o clima de épocas e lugares onde não estavam, tentar deduzir indiretamente que intenções acompanham cada solução proposta, e não só podemos como precisamos avaliar politicamente seu impacto sobre nosso modo de vida.
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