Acabo de ver na televisão que os playboys que tentaram matar uma moça num ponto de ônibus no Rio de Janeiro (tinha que ser lá) também costumam provocar arruaças em todo lugar, sempre de forma covarde, em bando. Isso que são: um bando. Um bando de covardes.
E uma moradora da região disse que os vizinhos se recusam a falar porque têm receio da reação dos pais dos bandidinhos. Isso mesmo; os pais acobertam tudo. Afinal, são apenas estudantes inofensivos que não poderiam ser misturados com os bandidos na cadeia - como disse um dos pais. Deveriam era ser presos também.
Isso explica porque este país está nesta situação vexatória, deprimente, sem volta. O governo rouba, o ministro rouba, o deputado rouba, o senador rouba, mas o povo continua aprovando o governo, como indicam as últimas pesquisas. Claro, pessoas que acham que espancar e matar não é motivo para ir em cana só podem aprovar um governo corrupto.
E esqueci de mencionar aqui o caso do policial-marginal que matou um aposentado na fila do caixa eletrônico porque se achava no direito de passar na frente dos outros; e também os delinqüentes que mataram um garoto nos Jardins, zona nobre de São Paulo. Só o fim da impunidade pode dar um basta nisso. Enquanto esses marginais forem soltos rapidinhos, voltarão a espancar e matar. E mais: deve haver um rito célere para julgar esses bandidos.
quarta-feira, junho 27, 2007
terça-feira, junho 26, 2007
As causas da brutalidade
Volta e meia um bando de delinqüentes de classe média alta sai por aí cometendo atrocidades - tocando fogo em índio, batendo em mendigos... Agora, espancaram uma moça num ponto de ônibus porque pensaram que fosse uma prostituta! Ah, sim, prostituta pode espancar até a morte, não tem nenhum!
O pai da moça agredida, com muito menos instrução, pareceu muito mais lúcido do o pai de um dos bandidinhos. Disse que isso acontece porque muitos pais não educam mais filhos, deixam que façam o que bem entenderem. É só ler o texto abaixo pra ver que ele está coberto de razão. Vejam a complacência, a leniência com que o pai trata o filho que quase matou uma pessoa sem motivo algum. É claro que pai nenhum quer ver seu filho na cadeia, mas o fulano aí quer que seu filhinho bem criado seja tratado diferentemente dos outros bandidos.
Da Folha de S. Paulo:
SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
O microempresário Ludovico Ramalho Bruno, 46, disse acreditar que o filho Rubens Arruda, 19, estava alcoolizado ou drogado quando participou do espancamento da empregada doméstica Sirlei Pinto. "Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa?", perguntou ele após ter sido vítima de um tiroteio na delegacia. Dono de uma firma de passeios turísticos marítimos, Bruno afirmou que o filho não deveria ser preso, para não conviver com criminosos na cadeia. "Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores." Se forem indiciados, os acusados vão responder por tentativa de latrocínio (pena de 7 a 15 anos de prisão em caso de condenação) e lesão corporal dolosa (de 1 a 8 anos de prisão).
Folha - O sr. acredita na acusação contra seu filho?
Ludovico Ramalho Bruno - Eles não são bandidos. Tem que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa nisso. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presos. É desnecessário, vai marginalizar lá dentro. Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores.
Folha - O sr. já falou com ele?
Bruno - Não. É um deslize na vida dele. E vai pagar caro. Está detido, chorando, desesperado. Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos.
Folha - O sr. acha que eles tinham bebido ou usado droga?
Bruno - Estamos com epidemia de droga. A droga tomou conta do Brasil. O inimigo do brasileiro é a droga. Tem que legalizar isso. Botar nas farmácias, nos hospitais. Com esse dinheiro que vai ser arrecadado, pagar clínicas, botar os viciados lá, controlar a droga.
Folha - Mas o sr. acha que eles poderiam estar embriagados ou drogados?
Bruno - Mas é lógico. Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa? Lógico que não. Lógico que estavam embriagados, lógico que podiam estar drogados. Eu nunca vi [o filho usar droga]. Mas como posso falar de um jovem de 19 anos que está na rua numa epidemia de droga, com essas festas rave, essas loucuras todas.
Folha - Como é o seu filho em casa?
Bruno - Fica no computador, vai à praia, estuda, trabalha comigo. Uma pessoa normal, um garoto normal.
O pai da moça agredida, com muito menos instrução, pareceu muito mais lúcido do o pai de um dos bandidinhos. Disse que isso acontece porque muitos pais não educam mais filhos, deixam que façam o que bem entenderem. É só ler o texto abaixo pra ver que ele está coberto de razão. Vejam a complacência, a leniência com que o pai trata o filho que quase matou uma pessoa sem motivo algum. É claro que pai nenhum quer ver seu filho na cadeia, mas o fulano aí quer que seu filhinho bem criado seja tratado diferentemente dos outros bandidos.
Da Folha de S. Paulo:
SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
O microempresário Ludovico Ramalho Bruno, 46, disse acreditar que o filho Rubens Arruda, 19, estava alcoolizado ou drogado quando participou do espancamento da empregada doméstica Sirlei Pinto. "Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa?", perguntou ele após ter sido vítima de um tiroteio na delegacia. Dono de uma firma de passeios turísticos marítimos, Bruno afirmou que o filho não deveria ser preso, para não conviver com criminosos na cadeia. "Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores." Se forem indiciados, os acusados vão responder por tentativa de latrocínio (pena de 7 a 15 anos de prisão em caso de condenação) e lesão corporal dolosa (de 1 a 8 anos de prisão).
Folha - O sr. acredita na acusação contra seu filho?
Ludovico Ramalho Bruno - Eles não são bandidos. Tem que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa nisso. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presos. É desnecessário, vai marginalizar lá dentro. Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores.
Folha - O sr. já falou com ele?
Bruno - Não. É um deslize na vida dele. E vai pagar caro. Está detido, chorando, desesperado. Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos.
Folha - O sr. acha que eles tinham bebido ou usado droga?
Bruno - Estamos com epidemia de droga. A droga tomou conta do Brasil. O inimigo do brasileiro é a droga. Tem que legalizar isso. Botar nas farmácias, nos hospitais. Com esse dinheiro que vai ser arrecadado, pagar clínicas, botar os viciados lá, controlar a droga.
Folha - Mas o sr. acha que eles poderiam estar embriagados ou drogados?
Bruno - Mas é lógico. Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa? Lógico que não. Lógico que estavam embriagados, lógico que podiam estar drogados. Eu nunca vi [o filho usar droga]. Mas como posso falar de um jovem de 19 anos que está na rua numa epidemia de droga, com essas festas rave, essas loucuras todas.
Folha - Como é o seu filho em casa?
Bruno - Fica no computador, vai à praia, estuda, trabalha comigo. Uma pessoa normal, um garoto normal.
quarta-feira, junho 06, 2007
Às Claras na final
O meu amigo Marcelo Soares não pára de ser indicado para prêmios. No ano passado ganhouo Esso de melhor contribuição à imprensa com o projeto Deu no Jornal e agora é finalista de um outro importante prêmio internacional. Isso é sinal da competência do pessoal da Transparência Brasil, capitaneada pelo Cláudio Weber Abramo.
O projeto Às Claras, da Transparência Brasil, é finalista do prêmio Ending Corruption: Honesty Instituted (“Para acabar com a corrupção: honestidade instituída”), do projeto Changemakers, da fundação Ashoka.
O prêmio visa a reconhecer as melhores ferramentas para que o público em geral possa fiscalizar melhor o Estado e combater a corrupção.
Outros oito projetos internacionais foram selecionados como finalistas. Ao todo, 80 projetos de 29 países se inscreveram. A premiação será decidida a partir de votação pela internet, neste endereço: http://www.changemakers.net/en-us/competition/endcorruption
Todos podem votar, até o dia 20 de junho.
Criado em 2003, o projeto Às Claras publica e analisa o financiamento de campanhas eleitorais, a partir de dados oficiais da Justiça Eleitoral. Atualmente, estão disponíveis no projeto
Por meio do projeto, é possível saber de quem os políticos receberam, o conjunto dos beneficiados por empresas e doadores individuais e o grau de sucesso de doadores em suas contribuições.
Essas informações também fazem parte dos dados incluídos no projeto Excelências, que reúne fichas completas de parlamentares a partir de informações públicas. O projeto recebeu o prêmio Esso de melhor contribuição à imprensa em 2006.
O endereço do Às Claras é http://www.asclaras.org.br
O projeto Às Claras, da Transparência Brasil, é finalista do prêmio Ending Corruption: Honesty Instituted (“Para acabar com a corrupção: honestidade instituída”), do projeto Changemakers, da fundação Ashoka.
O prêmio visa a reconhecer as melhores ferramentas para que o público em geral possa fiscalizar melhor o Estado e combater a corrupção.
Outros oito projetos internacionais foram selecionados como finalistas. Ao todo, 80 projetos de 29 países se inscreveram. A premiação será decidida a partir de votação pela internet, neste endereço: http://www.changemakers.net/en-us/competition/endcorruption
Todos podem votar, até o dia 20 de junho.
Criado em 2003, o projeto Às Claras publica e analisa o financiamento de campanhas eleitorais, a partir de dados oficiais da Justiça Eleitoral. Atualmente, estão disponíveis no projeto
Por meio do projeto, é possível saber de quem os políticos receberam, o conjunto dos beneficiados por empresas e doadores individuais e o grau de sucesso de doadores em suas contribuições.
Essas informações também fazem parte dos dados incluídos no projeto Excelências, que reúne fichas completas de parlamentares a partir de informações públicas. O projeto recebeu o prêmio Esso de melhor contribuição à imprensa em 2006.
O endereço do Às Claras é http://www.asclaras.org.br
E a ciência avança
Enquanto os religiosos fundamentalistas esperneiam, os cientistas trabalham.
Três estudos publicados nesta quarta-feira pela revista científica Nature mostram que é possível transformar células normais da pele em células embrionárias, pelo menos em camundongos.
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2007/06/06/ult4477u44.jhtm
Três estudos publicados nesta quarta-feira pela revista científica Nature mostram que é possível transformar células normais da pele em células embrionárias, pelo menos em camundongos.
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2007/06/06/ult4477u44.jhtm
Links novos
Fiz uma atualização dos links aí ao lado. Tirei uma meia dúzia de três ou quatro que não eram atualizados há muito tempo e incluí outros muito interessantes, como o blog do professor de economia de Harvard Greg Mankiw e o blog "ciencia de bolsillo" (ciência de bolso).
terça-feira, junho 05, 2007
A frouxidão nacional
Recomendo artigo do William Waack sobre o fanfarrão e falastrão candidato a ditador da América Latrina.
terça-feira, maio 29, 2007
Adeus às "raças"
quarta-feira, maio 23, 2007
Cumpram a lei
Pronto, agora não falta mais nada. Em vez de trabalharem para restaurar a normalidade na USP, os professores agora decidiram seguir a delinqüência juvenil: entraram em greve. Mas e a decisão judicial de reintegração de posse da reitoria saqueada pelos revolucionários mauricinhos classe média? De nada vale. Ninguém segue a Justiça "neffepaiff".
Por que se rebelaram os agressores almofadinhas? Porque não querem ver as contas da universidade publicadas. Claro, estão acima da lei. E mais: querem a extensão do prazo de jubilamento. Para quê? Para ficarem mais tempo fazendo nada às nossas custas.
A reitoria negociou até a última segunda-feira uma solução pacífica para o caso. Depois não venham reclamar de excessos. Se excessos houve, foi de tolerância.
Sugiro a leitura da análise feita pelo professor Tambosi. Entre os agressores, só dá ECA e FFLCH. Sintomático. Como diz o Tambosi, é o paraíso das ideologias.
Por que se rebelaram os agressores almofadinhas? Porque não querem ver as contas da universidade publicadas. Claro, estão acima da lei. E mais: querem a extensão do prazo de jubilamento. Para quê? Para ficarem mais tempo fazendo nada às nossas custas.
A reitoria negociou até a última segunda-feira uma solução pacífica para o caso. Depois não venham reclamar de excessos. Se excessos houve, foi de tolerância.
Sugiro a leitura da análise feita pelo professor Tambosi. Entre os agressores, só dá ECA e FFLCH. Sintomático. Como diz o Tambosi, é o paraíso das ideologias.
segunda-feira, maio 21, 2007
Jaguaribe 8.3
O sociológo Hélio Jaguaribe teve participação destacada na fundação do PSDB; foi um dos seus ideólogos. Agora, aos 83 anos, critica a (falta de) postura dos tucanos e não poupa o governo Lula. Mesmo que se discorde dele, vale a pena ler a entrevista concedida à revista BrHistória.
domingo, maio 20, 2007
Um pouco de história da ciência
Atendendo ao pedido do Marcelo, vamos atualizar esta porcaria, então /:^>
E em alto nível. Chupando da Folha, pra variar. Quer dizer, do El País.
De Lola Galán
Em Madri, Espanha
A história ainda não se pronunciou sobre Ioannes Myronas. Foi um destrutor da cultura clássica, ou contribuiu para preservá-la, inadvertidamente? Myronas, conhecido só pelos eruditos, foi um monge bizantino autor de um livro de orações -que concluiu em 14 de abril de 1229- confeccionado a partir de vários códices, entre eles o que continha sete tratados de Arquimedes. Mas esse palimpsesto [pergaminho reutilizado], batizado com o nome do cientista grego, guardava outras duas jóias: discursos desconhecidos de Hipérides, um dos grandes oradores gregos, que viveu no século 4º a.C., e um comentário às 'Categorias' de Aristóteles, o pai da filosofia, descoberto graças às últimas técnicas de fotografia digital.
Primeiro foi a ciência, depois a política, finalmente a filosofia. Não é a ordem de criação disposta por alguma deidade caprichosa, mas a seqüência de descobertas que fizeram do chamado Palimpsesto de Arquimedes, submetido a exaustiva análise nos EUA, mais que um manuscrito, uma minibiblioteca clássica ambulante.
No século 13, o presbítero bizantino Ioannes Myronas reciclou, para criar seu breviário, nada menos que quatro códices, tirados de uma biblioteca bem abastecida. Pouco se sabe desse monge, exceto que se aplicou com rigor à tarefa de desmontar de seus bastidores de madeira os fólios do pergaminho e a apagar com ácido as letras minúsculas, do grego clássico. Menos ainda se sabe sobre o escriba cujo trabalho destruía.
A totalidade do saber acumulado na Grécia clássica foi transmitida para o mundo graças a copistas desconhecidos. Mas sua tarefa foi minada pelas vicissitudes da história. O homem que copiou os argumentos de Arquimedes (287-212 a.C.), as sentenças dos discursos de Hipérides (389-322 a.C.) e as reflexões de Alexandre de Afrodísias (cerca de 200 a.C.) a propósito de uma obra essencial de Aristóteles teve um êxito desigual. Nem mesmo sabemos se foi uma única pessoa. Mas sua tarefa exigiu longas horas e numerosas folhas de pergaminho, elaborado a partir da pele de pelo menos 24 ovelhas. (assinante lê tudo aqui)
E em alto nível. Chupando da Folha, pra variar. Quer dizer, do El País.
De Lola Galán
Em Madri, Espanha
A história ainda não se pronunciou sobre Ioannes Myronas. Foi um destrutor da cultura clássica, ou contribuiu para preservá-la, inadvertidamente? Myronas, conhecido só pelos eruditos, foi um monge bizantino autor de um livro de orações -que concluiu em 14 de abril de 1229- confeccionado a partir de vários códices, entre eles o que continha sete tratados de Arquimedes. Mas esse palimpsesto [pergaminho reutilizado], batizado com o nome do cientista grego, guardava outras duas jóias: discursos desconhecidos de Hipérides, um dos grandes oradores gregos, que viveu no século 4º a.C., e um comentário às 'Categorias' de Aristóteles, o pai da filosofia, descoberto graças às últimas técnicas de fotografia digital.
Primeiro foi a ciência, depois a política, finalmente a filosofia. Não é a ordem de criação disposta por alguma deidade caprichosa, mas a seqüência de descobertas que fizeram do chamado Palimpsesto de Arquimedes, submetido a exaustiva análise nos EUA, mais que um manuscrito, uma minibiblioteca clássica ambulante.
No século 13, o presbítero bizantino Ioannes Myronas reciclou, para criar seu breviário, nada menos que quatro códices, tirados de uma biblioteca bem abastecida. Pouco se sabe desse monge, exceto que se aplicou com rigor à tarefa de desmontar de seus bastidores de madeira os fólios do pergaminho e a apagar com ácido as letras minúsculas, do grego clássico. Menos ainda se sabe sobre o escriba cujo trabalho destruía.
A totalidade do saber acumulado na Grécia clássica foi transmitida para o mundo graças a copistas desconhecidos. Mas sua tarefa foi minada pelas vicissitudes da história. O homem que copiou os argumentos de Arquimedes (287-212 a.C.), as sentenças dos discursos de Hipérides (389-322 a.C.) e as reflexões de Alexandre de Afrodísias (cerca de 200 a.C.) a propósito de uma obra essencial de Aristóteles teve um êxito desigual. Nem mesmo sabemos se foi uma única pessoa. Mas sua tarefa exigiu longas horas e numerosas folhas de pergaminho, elaborado a partir da pele de pelo menos 24 ovelhas. (assinante lê tudo aqui)
sexta-feira, maio 11, 2007
Até que enfim
Ô, friozinho bom! Já estava com saudade. Mas hoje o tempo tá maluco. Já choveu e abriu sol umas três vezes. Espero que a chuva pare e fique só o frio. Tenho que começar a me acostumar. Se tudo der certo, devo enfrentar invernos bem mais rigorosos.
terça-feira, maio 08, 2007
Cadeia neles!
Desculpem-me pela ausência, mas estive um tanto ocupado nos últimos dias. A blogosfera, inclusive, esteve em polvorosas com o meu sumiço.
Pois bem, volto falando do que todo mundo já sabe: a tal da Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, em Florianópolis. Algumas pessoas estranharam a operação e vieram com aquela história de que é um circo, que é a "polícia do Lula" atrás dos poderosos de SC. Bobagem. Deve haver indícios fortíssimos para a PF botar no xilindró meia dúzia de magnatas locais, funcionários públicos e políticos (o cabeça do esquema seria o vereador Juarez Silveira).
Não se pode tergiversar: há crime, prenda-se. O estado de direito deve prevalecer; a lei deve ser cumprida. Eles que se defendam. E vão contratar bons advogados e, em pouco tempo, estarão todos passeando em suas lanchas na Lagoa da Conceição.
Agora, uma coisa que se pode discutir é justamente a nossa legislação ambiental e a aplicação dela. Parece que é feita para os espertalhões levar grana a cada prédio construído. Em Floripa, então... Mas é assim em todo o país. Tem projeto impedido de ir adiante porque vai desalojar meia dúzia de quero-queros - ou outra ave - que tinham ninhos nas redondezas.
Acho que falta bom senso. No caso das empresas depapel e celulose, por exemplo, eles resolvem a agressão" ao ambiente ao preservar 30% da área commata nativa. Acho que o negócio tem que ser "flexibilizado" , comodizem por aí. Pode parecer um contrasenso, mas sóassim os empreendimentos vão seguir padrões mínimos dedano ambiental.
Em Floripa, não se pode construir marina. Dêem uma olhada em cidades como Mônaco (tá certo, é um país), Vancouver, Toronto (há fotos na internet), etc, pra ver como é por lá. Tem marina por todo canto.
Aqui ainda tem aquela coisade que não se pode mexer em nada. Daí, molha-se a mãode meia dúzia de vereadores e funcionários públicos etudo passa. Os empresários e investidores sérios ficam de fora. Nenhum estrangeiro vai fazer um grande campode golfe por aqui tendo que subornar vereador picareta. Temos uma mentalidade anticapitalista que só estimula a picaretagem.
Pois bem, volto falando do que todo mundo já sabe: a tal da Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, em Florianópolis. Algumas pessoas estranharam a operação e vieram com aquela história de que é um circo, que é a "polícia do Lula" atrás dos poderosos de SC. Bobagem. Deve haver indícios fortíssimos para a PF botar no xilindró meia dúzia de magnatas locais, funcionários públicos e políticos (o cabeça do esquema seria o vereador Juarez Silveira).
Não se pode tergiversar: há crime, prenda-se. O estado de direito deve prevalecer; a lei deve ser cumprida. Eles que se defendam. E vão contratar bons advogados e, em pouco tempo, estarão todos passeando em suas lanchas na Lagoa da Conceição.
Agora, uma coisa que se pode discutir é justamente a nossa legislação ambiental e a aplicação dela. Parece que é feita para os espertalhões levar grana a cada prédio construído. Em Floripa, então... Mas é assim em todo o país. Tem projeto impedido de ir adiante porque vai desalojar meia dúzia de quero-queros - ou outra ave - que tinham ninhos nas redondezas.
Acho que falta bom senso. No caso das empresas depapel e celulose, por exemplo, eles resolvem a agressão" ao ambiente ao preservar 30% da área commata nativa. Acho que o negócio tem que ser "flexibilizado" , comodizem por aí. Pode parecer um contrasenso, mas sóassim os empreendimentos vão seguir padrões mínimos dedano ambiental.
Em Floripa, não se pode construir marina. Dêem uma olhada em cidades como Mônaco (tá certo, é um país), Vancouver, Toronto (há fotos na internet), etc, pra ver como é por lá. Tem marina por todo canto.
Aqui ainda tem aquela coisade que não se pode mexer em nada. Daí, molha-se a mãode meia dúzia de vereadores e funcionários públicos etudo passa. Os empresários e investidores sérios ficam de fora. Nenhum estrangeiro vai fazer um grande campode golfe por aqui tendo que subornar vereador picareta. Temos uma mentalidade anticapitalista que só estimula a picaretagem.
terça-feira, abril 24, 2007
bye, bye democracia
Dêem uma espiada nisto. Tirei lá do De Gustibus.
Explica muita coisa da onda autoritária que arrasa a América Latrina.
Explica muita coisa da onda autoritária que arrasa a América Latrina.
segunda-feira, abril 23, 2007
Décadence avec élégance
"Direita" e "esquerda" moderadas no segundo turno das eleições presidenciais francesas. Com exceção talvez da política de imigração, para todo o resto vai dar mesma ganhando o conservador Sarkozy ou a socialista Royal. Será? A não ser que Sarkozy decida dar um "choque de capitalismo" naquele que é hoje um país economicamente decadente.
Um exemplo da decadência foi dado pela Sônia Bridi no JN da semana passada. Mostrou o caso de uma brasileira que procurava apartamento para alugar em Paris há meses. Acabou alugando um, um pouco maior do que uma casa de cachorro: 20, isso mesmo, 20 metros quadrados! E por mil euros por mês! O banheiro e a cozinha eram um cômodo só. Tem que entrar de costas pra sair de frente!
Ué, dirão vocês, mas isso é sinal de que o mercado está "aquecido"! Nein, nein. O investidores simplesmente não se arriscam a construir novos prédios simplesmente porque as leis de aluguel lá são francamente favoráveis aos inquilinos. O cara atrasa o pagamento aluguel durante meses e não acontece nada. Para despejar o cidadão é uma batalha!
Perdoem-me o exagero, mas isso dá uma certa medida de como o estado engessa as relações comerciais na terra de Votaire. O estado quer tanto proteger os pobrezinhos indefesos que acaba por prejudicá-los, ao interferir de forma danosa na oferta de bens. O estado mantém ainda um pacote generoso de benefícios sociais que, mais cedo ou mais tarde (e aí pode estar a diferença entre Sarkozy e Royal - a rapidez de algumas reformas) serão reduzidos drasticamente para que a economia volte a engrenar. Só assim será possível gerar os empregos necessários para incluir os pobres e as hordas de imigrantes que aportam por lá todos os anos. Emprego em vez de esmolão.
Mas duvido muito. Vão continuar aferrados ao estado super-protetor. Só Candido para acreditar em destino diferente.
Um exemplo da decadência foi dado pela Sônia Bridi no JN da semana passada. Mostrou o caso de uma brasileira que procurava apartamento para alugar em Paris há meses. Acabou alugando um, um pouco maior do que uma casa de cachorro: 20, isso mesmo, 20 metros quadrados! E por mil euros por mês! O banheiro e a cozinha eram um cômodo só. Tem que entrar de costas pra sair de frente!
Ué, dirão vocês, mas isso é sinal de que o mercado está "aquecido"! Nein, nein. O investidores simplesmente não se arriscam a construir novos prédios simplesmente porque as leis de aluguel lá são francamente favoráveis aos inquilinos. O cara atrasa o pagamento aluguel durante meses e não acontece nada. Para despejar o cidadão é uma batalha!
Perdoem-me o exagero, mas isso dá uma certa medida de como o estado engessa as relações comerciais na terra de Votaire. O estado quer tanto proteger os pobrezinhos indefesos que acaba por prejudicá-los, ao interferir de forma danosa na oferta de bens. O estado mantém ainda um pacote generoso de benefícios sociais que, mais cedo ou mais tarde (e aí pode estar a diferença entre Sarkozy e Royal - a rapidez de algumas reformas) serão reduzidos drasticamente para que a economia volte a engrenar. Só assim será possível gerar os empregos necessários para incluir os pobres e as hordas de imigrantes que aportam por lá todos os anos. Emprego em vez de esmolão.
Mas duvido muito. Vão continuar aferrados ao estado super-protetor. Só Candido para acreditar em destino diferente.
sexta-feira, abril 20, 2007
Há dois anos
A última vez que vi meu pai lúcido foi no dia 20 de abril de 2005. Naquele ano, por estas horas, minha mãe e eu, no hospital, e meus irmãos, à distância, estávamos em plena agonia. A cirurgia cardíaca para colocar quatro pontes de safena e uma mamária começara às 15h em ponto e só terminaria à meia-noite. Sofreu um choque anafilático, disseram os médicos. Estou convencido de que isso não seja exatamente o que aconteceu, mas não há provas. Ele ainda resistiria 27 longos e penosos dias na UTI, até 17 de maio. Nesse período, tive que começar a trabalhar em um novo emprego e defender minha dissertação de mestrado. Não foi nada fácil. O tempo vai amenizando a dor, lentamente, mas a saudade do seu Cláudio... Quando o deixei no hospital, ele me abraçou muito forte, como uma despedida, mesmo.
quinta-feira, abril 19, 2007
A coisa não tem limite
A estupidez na televisão está longe de ser novidade, mas não consigo deixar de comentar dois exemplos rápidos.
O primeiro foi num programa matinal da Record. Uma daquelas apresentadoras bonitinhas começou a falar que, de tanto o homem agredir a natureza, ela acaba se vingando - ou algo assim. Eu fiquei só esperando pra ver o que vinha em seguida. Não, não, nada de desastre natural. Pasmem, ela estava se referindo ao crocodilo que arrancara o braço do tratador que o alimentava. Isso mesmo: o cara estava dando comida ao animal e a moça (e seus editores) viu nisso uma reação da natureza à "agressão humana"!! Sem comentários.
O segundo é não menos idiota. No Jornal Hoje, o apresentador entrevistou uma "especialista" sobre o massacre dos 32 estudantes americanos da Universidade Virginia Tech por um jovem perturbado. Ganha uma estrelinha do PT quem adivinhar qual foi a "explicação" da professora da PUC-SP para a insanidade cometida pelo jovem sul-coreano. Seguindo o catecismo esquerdopata, sapecou sem titubear que o problema é o modelo de sociedade nos Estados Unidos, baseado no capitalismo! Mais clichê, impossível!
Não, não, o garoto não era um doidaço simplesmente - ou, se era, era fruto da sociedade capitalista centrada no consumo. "Você é julgado pelo que consome", perspegou a dita cuja - ou algo muito parecido com isso. Como o maluco não tinha o mesmo nível social dos colegas, resolveu matá-los!!
Ou seja: os EUA abrem as portas do país para uma família sul-coreana que almeja melhorar de vida, dá acesso aos filhos às melhores escolas (tanto que ele estudava com os filhos dos ricos), assim como faz com milhares de imigrantes todos os anos, e ainda são acusados de transformar o garoto doidão em assassino!
Isso é só uma amostra do que andam ensinando os nossos professores Brasil adentro. Os cursos das áreas de humanidades e de algumas "ciências sociais aplicadas" não passam de escola de formação ideológica com base no marxismo de orelhada do tipo mais rastaquera. Atrevam-se, vocês, a sugerir o uso de métodos quantitativos para análise sociológica em qualquer departamento de "ciências sociais" "neffepaiff"!! Serão taxados de reacionários.
O primeiro foi num programa matinal da Record. Uma daquelas apresentadoras bonitinhas começou a falar que, de tanto o homem agredir a natureza, ela acaba se vingando - ou algo assim. Eu fiquei só esperando pra ver o que vinha em seguida. Não, não, nada de desastre natural. Pasmem, ela estava se referindo ao crocodilo que arrancara o braço do tratador que o alimentava. Isso mesmo: o cara estava dando comida ao animal e a moça (e seus editores) viu nisso uma reação da natureza à "agressão humana"!! Sem comentários.
O segundo é não menos idiota. No Jornal Hoje, o apresentador entrevistou uma "especialista" sobre o massacre dos 32 estudantes americanos da Universidade Virginia Tech por um jovem perturbado. Ganha uma estrelinha do PT quem adivinhar qual foi a "explicação" da professora da PUC-SP para a insanidade cometida pelo jovem sul-coreano. Seguindo o catecismo esquerdopata, sapecou sem titubear que o problema é o modelo de sociedade nos Estados Unidos, baseado no capitalismo! Mais clichê, impossível!
Não, não, o garoto não era um doidaço simplesmente - ou, se era, era fruto da sociedade capitalista centrada no consumo. "Você é julgado pelo que consome", perspegou a dita cuja - ou algo muito parecido com isso. Como o maluco não tinha o mesmo nível social dos colegas, resolveu matá-los!!
Ou seja: os EUA abrem as portas do país para uma família sul-coreana que almeja melhorar de vida, dá acesso aos filhos às melhores escolas (tanto que ele estudava com os filhos dos ricos), assim como faz com milhares de imigrantes todos os anos, e ainda são acusados de transformar o garoto doidão em assassino!
Isso é só uma amostra do que andam ensinando os nossos professores Brasil adentro. Os cursos das áreas de humanidades e de algumas "ciências sociais aplicadas" não passam de escola de formação ideológica com base no marxismo de orelhada do tipo mais rastaquera. Atrevam-se, vocês, a sugerir o uso de métodos quantitativos para análise sociológica em qualquer departamento de "ciências sociais" "neffepaiff"!! Serão taxados de reacionários.
segunda-feira, abril 16, 2007
Horror nos EUA
Outro daqueles crimes malucos que volta e meia acontecem em escolas americanas. Esse foi violento.
Horrores no Haiti
Meu primo Tailon passou alguns meses na "força de paz" do Brasil no Haiti e conta os horrores que viveu por lá em um livro, da editora Globo. De volta ao Brasil, ele passou a conviver com os sintomas pós-traumáticos. O exército, é claro, não quer nem saber de ajudar.
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