quinta-feira, setembro 21, 2006

A sandice oficial

Estive na UFSC conversando com alguns professores sobre um projeto de doutorado. Lá pelas tantas, durante um cafezinho, o professor (uma das maiores autoridades mundiais na área dele) perguntou se eu era "lulista". Ao ouvir o "não", sentiu-se confortável para falar de uma colega dele, da USP. Queria saber o que eu achara da frase da Marilena Chauí sobre o mundo se iluminar quando o Lula fala. "O que leva uma pessoa a dizer uma sandice dessas, me responda?" Não me segurei: "o senhor é que deveria me explicar como deixam essas pessoas entrar na universidade, já que foi colega dela." Acho que vou ter que procurar outro doutorado.

terça-feira, setembro 19, 2006

Eles chafurdam

O PT chafurda no submundo e de lá não quer mais sair. Os petralhas ofereceram as "informações" sobre Serra e Alckmin à revista Época, que agiu corretamente: antes de se comprometer em publicar qualquer coisa, como queriam os petralhas, a revista avisou que checaria as informações.

O bando desistiu e foi bater em outra freguesia. Sabe-se, agora, que a Istoé aceitou; e diz que não pagou pelo dossiê. Certamente! O que me pergunto é quanto levou para publicar aquilo.

Entre os envolvidos, um assessor do presidente Lula (mais um?). O tal Jorge Lorenzetti, mentor da podridão toda, é professor da UFSC, diretor do Besc e, nas horas de trabalho, é o churrasqueiro-mor de Sua Insselença. Oficialmente, Lorenzetti é analista de risco e mídia da campanha de Lula. Em outras palavras, é um tipo de araponga do submundo petista.

Obra-prima 16.4



Cada Bugatti Veyron, feito à mão, custa US$ 1,25 milhão (lá fora). Seu extraordinário motor W16 tem tantos cilindros e turbos quanto quatro Subaru Impreza WRX – e mais potência. O grande, malvado Bugatti acelera mais rápido que um carro da NASCAR e é mais veloz que uma máquina da Fórmula 1. Ainda assim, é dócil como um Lexus. Ele é o carro de produção em série mais rápido, mais veloz e mais caro jamais comercializado.O Veyron é a visão de um homem – Ferdinand Piëch, ex-presidente do grupo VW no mundo – e a Bugatti não ganhará nem um centavo com toda a produção antecipada de apenas 300 carros (50 por ano, no máximo, com aproximadamente um terço deles destinados aos EUA). Sua principal missão é ser a máquina de sonhos da marca, reintroduzindo essa lendária fabricante francesa no mercado em um estilo mais do que adequado.
Um sonho impossível? Não se a gente tivesse uma malinha de dinheiro como aquela do Valdebran e do Gedimar.

domingo, setembro 17, 2006

Sapo barbudo e demônio golpista

Percam as esperanças: o sapo barbudo não vai virar um príncipe, mas talvez um demônio. Um espírito genuinamente democrático este do "nosso guia". Que os deuses nos protejam pelos próximos quatro anos.
Do Gaspari de hoje, na FSP:

Demônio golpista
Durante jantar de plutocratas a que Lula compareceu na quinta-feira, o empresário Eugenio Staub perguntou-lhe como pretendia fazer, durante um segundo mandato, as reformas que julga necessárias. "Nosso guia" respondeu: "Staub, não acorde o demônio que tem em mim, porque a vontade que dá é de fechar esse Congresso e fazer o que é preciso". Segundo Lula, o próximo Congresso será pior do que "esse que está aí", pois virá com Paulo Maluf e Clodovil.Expressando-se na sua língua franca, deixou mal a mãe de pelo menos 20 notáveis nacionais. A proposta golpista do demônio que Lula carrega consigo foi contestada pelos inúmeros convidados que a ouviram.Lula vê outro empecilho para o êxito do seu projeto: a imprensa.Nos últimos 50 anos, o coisa-ruim rondou três presidentes: Jânio Quadros, João Goulart e Costa e Silva. Nenhum deles concluiu o mandato. (Castello Branco e Ernesto Geisel fecharam o Congresso por poucas semanas.) Seja o que Deus quiser.

multiculturalismo?

Um trechinho do artigo de Amartya Sen sobre o multiculturalismo, hoje, na FSP.

Os porta-vozes religiosos das populações imigradas parecem desfrutar junto das autoridades britânicas de um reconhecimento (e de um acesso aos salões do poder) de amplitude inédita. Novas escolas religiosas são criadas com a benção e o encorajamento do governo. Aparentemente, este se preocupa mais com o "equilíbrio" religioso sobretudo mecânico desejado por aqueles que são descritos como "líderes comunitários" do que com ensinar às crianças os conhecimentos básicos e a aprendizagem da razão. As escolas separadas, fenômeno de enclausuramento que, na Irlanda do Norte, conseguiu apenas aumentar o abismo entre católicos e protestantes, passaram a ser autorizadas e até mesmo, na prática, encorajadas para outras parcelas da população britânica. Também lá elas serão um fator de divisão. O que é preciso hoje não é abandonar o multiculturalismo nem renunciar ao objetivo de igualdade "quaisquer que sejam as origens raciais ou étnicas -a língua ou a opção religiosa- , mas dissipar essas duas confusões que já causaram tantos problemas. Isso é imperativo, não só porque a liberdade precisa ser levada em conta mas para evitar a revolta dos mais desfavorecidos, como nos subúrbios franceses. Assim, combateremos a ameaça crescente dos pensamentos comunitaristas violentos, que avançam no Reino Unido e correm o risco de conduzir a atos de brutalidade bárbara. É importante reconhecer que os primeiros êxitos do multiculturalismo no Reino Unido estiveram vinculados aos esforços feitos pelo país não para separar, mas para integrar.

sábado, setembro 16, 2006

Armação

A Istoé se prestou a ecoar a mais recente armação do PT contra o Serra. Tudo para tentar evitar o massacre que se anuncia em São Paulo, onde Mercadante será espancado, nas urnas, no próximo dia primeiro. Como diz o Reinaldo Azevedo (com quem não concordo muitas vezes), é a maior armação de um partido contra outro depois do caso Míriam Cordeiro, do qual Lula fora a vítima.

O resumo da ópera é o seguinte: na CPI, o tal Vedoin disse que o esquema dos sanguessugas não funcionava no governo anterior. Agora, estaria disposto a dizer o contrário. Agora, descobriu-se por que: por R$ 2 milhões, que seriam pagos por um ex-tesoureiro do PT. E essa grana toda por "provas" que, ao que tudo indica, não provam nada.

A Folha online deu matéria sobre a prisão dos distintos cidadãos.

Enfim, o PT desceu ao submundo e de lá parece não querer sair mais. Não vai lhe faltar companhia por lá.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Somos nós, mesmo

Segundo uma pesquisa publicada na Nature e na Folha, a elevação da temperatura na Terra não pode ser atribuída à atividade solar. Ou seja, seria a atividade humana a causadora dos estragos no planeta. Para mim, é tema controverso.

Notinha da FSP:

Estudo inocenta Sol de mudança no clima global
DA REDAÇÃO
Uma das últimas tentativas de negar a culpa da ação humana no aquecimento global parece ter caído por terra de vez: nos últimos mil anos, o calor gerado pelo Sol tem se mantido basicamente constante, de acordo com um novo estudo."Nossos resultados mostram que, durante o último século, as influências humanas devem ter sido muito mais fortes que os efeitos das mudanças no brilho do Sol", afirmou Tom Wigley, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA, que coordenou o estudo.Ele mostrou que a variação de energia solar não ultrapassou os 0,07% nesse período. A pesquisa está na edição de hoje da revista científica "Nature" (
www.nature.com).

quarta-feira, setembro 13, 2006

O que corrói a sociedade americana... e a nossa também

Divirtam-se com a excelente entrevista publicada na Folha, em 2005.


Esquerdismo acadêmico bloqueia debate
Autora de "Personas Sexuais" diz que banalização do politicamente correto dogmatiza a educação Para feminista, esquerdismo acadêmico bloqueia debate
LEILA SUWWAN
DE NOVA YORK

A feminista Camille Paglia, 58, não esconde o rancor quando o assunto é o "politicamente correto" do establishment liberal dos Estados Unidos, grupo cujo pensamento está mais associado à esquerda no país e que se contrapõe aos conservadores. Com língua afiada, queixa-se da uniformização e esterilidade do pensamento acadêmico, da lavagem cerebral feminista, da hipocrisia da esquerda moderna e resume o problema: "O liberalismo está intelectualmente exausto".
A derrota mais recente aconteceu mês passado, quando Larry Summers, reitor da Universidade Harvard, sucumbiu à pressão e decidiu deixar o cargo. Poucos se atreveram a defendê-lo em público e incorrer na mesma pecha de preconceito, racismo e falta de sofisticação acadêmica. Entre esses poucos, Paglia, mulher que se descreve como persona non grata dos campi mais prestigiosos dos Estados Unidos, mas é uma das intelectuais mais influentes no país pela atitude libertária.
Para ela, Summers, que foi também secretário do Tesouro do governo Bill Clinton, errou apenas na conduta, não no mérito das polêmicas que criou. Acovardou-se diante de uma luta válida contra o "politicamente correto entrincheirado" de Harvard, que também corrói outras faculdades de elite do país. Arquiinimiga do feminismo tradicional e "estalinista", considera que a "gafe" de Summers sobre as diferenças inatas de aptidão científica entre homens e mulheres deveria ter suscitado a inclusão da biologia no currículo de estudos de gênero, não num pedido de desculpas.
Em palestra em janeiro de 2005, Summers causou polêmica internacional ao propor uma investigação sobre as diferenças e a variabilidade dessas habilidades entre os sexos para explicar o número inferior de mulheres cientistas e engenheiras. "Nada me agradaria mais do que estar errado", disse Summers então. Porém foi pressionado a recuar e dizer que foi simplista e não tinha embasamento empírico para sustentar sua afirmação. Nisso, Paglia viu mais uma vitória do politicamente correto feminista que promove teses de que todas as diferenças de gênero são resultado de condicionamento social.
Em 2001, Summers confrontou o notório professor Cornel West, cuja produção acadêmica considerava insuficiente para seu posto. West, acadêmico negro, trocou Harvard por Princeton, na esteira de um debate mal resolvido sobre raça e mérito. Para Paglia, um exemplo de mimos dados a acadêmicos medíocres, protegidos pelo politicamente correto.Paglia não poupa ataques a Harvard. Avalia que Summers fracassou na reforma de uma instituição mais prezada pela tradição e rede de contatos profissionais do que pela qualidade de educação.
Autora dos livros "Personas Sexuais", "Sexo, Arte e Cultura Americana" e "Vamps e Vadias", Paglia está promover seu novo best-seller de análise poética, "Break Blow Burn" (sem título em português). Entre aulas e viagens, concordou em responder por escrito a perguntas da Folha. Leia a seguir trechos.
Folha - O que você acha que Larry Summers estava tentando mudar em Harvard?Camille Paglia - O politicamente correto entrincheirado, o elitismo arrogante e uma indiferença quanto à qualidade do curso de graduação.
Folha - Por que ele fracassou?Paglia - Ele teve pouca habilidade diplomática. Ele cometeu fiasco após fiasco, recorreu a brados casuais e espontâneos em vez de apresentar posicionamentos públicos razoáveis para estimular uma política de reforma.
Folha - O episódio Cornel West foi um exemplo de hipocrisia liberal?Paglia - Eu não sou uma admiradora de West, que nunca produziu livros do porte de seu ranking acadêmico cômodo e salário estonteante. Mas eu também não acho que cabe a um reitor de uma universidade cutucar ou provocar um professor sênior da forma que Summers fez com West.Se o Summers quisesse travar uma guerra contra a superpolitização do recrutamento de acadêmicos em Harvard, deveria ter anunciado um programa de ação. Agora, a fúria de West e sua ida para Princeton foram uma eloqüente demonstração da indulgência e do mimo aos quais essas estrelas estão acostumadas.
Folha - E o chamado episódio das "mulheres na ciência"?- O Summers também errou no tratamento da questão de mulheres na ciência. Ele estava correto em levantar a questão biológica como fator de diferença entre os sexos, algo que as feministas atribuem unicamente à injustiça social. Mas ele estava ingenuamente despreparado para o bombardeio e se entregou a seus críticos numa rapidez vergonhosa, como um cão com o rabo entre as pernas.Poderia ter sido um momento importante para o feminismo americano, a introdução de biologia nos estudos de gênero. Hoje a palavra "natureza" sequer pode ser pronunciada. Essa área está cheia de propaganda, retórica e pensamento em grupo. Os alunos estão sofrendo lavagem cerebral. A maternidade é desprezada e os homens são vilanizados.
Folha - Você avalia que a graduação de Harvard depende muito de reputação e virou um ímã de alunos e professores carreiristas?Paglia - A educação universitária de elite nos Estados Unidos virou uma indústria comercial frenética, um espetáculo repulsivo de esnobismo de marca e materialismo explícito. Pais que pagam mais de US$ 40 mil ao ano por um diploma de Harvard para seus filhos estão ávidos por status, mas não há evidência de que a educação em Harvard seja superior à de centenas de outras boas universidades.
Folha - Há recompensa para pensamento independente no mundo acadêmico?Paglia - Certamente não. O pensamento independente foi universalmente silenciado ou isolado. Eu sou persona non grata em quase todos os campi no país, e leciono em uma pequena faculdade de artes. A educação universitária está cada vez mais estéril por causa da autodestruição das ciências humanas desde os anos 70.
Folha - O que está acontecendo com o politicamente correto no mundo acadêmico?Paglia - Muito pouca diversidade de opinião política é permitida entre os professores de humanidades nos Estados Unidos. Só há uma forma de pensar para uma variedade de assuntos, de geopolítica a gênero.
Folha - Isso se traduz em que para os alunos?Paglia - Os estudantes estão sendo doutrinados pelo dogma do relativismo e do niilismo por professores pós-estruturalistas ou pós-construtivistas que parecem não ter valores ou paixão real pelo aprendizado. Por exemplo, Michel Foucault considerou "Esperando Godot", de Samuel Beckett, uma influência marcante na geração de pensadores da França pós-guerra. Eu sempre desprezei Godot pelo pessimismo reacionário e visão neurótica da fragmentação da cultura. A grande forma de arte da minha geração foi o rock, música empática, emocional, sensorial e conduzida pelos ritmos sublimes da natureza.
Folha - E como o feminismo se moldou pelo politicamente correto nos últimos anos?Paglia - No começo dos anos 90 eu declarei guerra contra o estalinismo do politicamente correto no establishment feminista. Isso causou controvérsia, especialmente minha defesa da pornografia e das revistas de moda. Mas, graças à Madonna, minha ala do feminismo ganhou a batalha. Ela influenciou uma geração de mulheres que abraçou novamente o sexo e a beleza.
Folha - E hoje? As mulheres não estão se focando demais no chauvinismo americano?Paglia - As feministas foram marginalizadas nos Estados Unidos por causa dos excessos dos anos 80 e início dos 90. A visão é negativa, de estridência e extremismo. É uma situação desconcertante, mas é culpa das próprias líderes feministas. Elas ficaram obcecadas com aborto e assédio sexual e negligenciaram assuntos muito mais importantes que afetam as mulheres no mundo. Eu acredito em igualdade de oportunidade: os obstáculos para o avanço devem ser removidos, mas sem proteções especiais.
Folha - E as cotas raciais, ajudaram ou atrapalharam?Paglia - A ação afirmativa, como diretriz federal, nunca deveria ter se tornado um sistema de cotas. Deveria apenas ter auxiliado negros da classe trabalhadora a obter acesso à educação universitária que não poderia ser bancada por outros meios. Mas a ação afirmativa foi seqüestrada por mulheres brancas no meio acadêmico; esse é o verdadeiro escândalo. Em todo campus da Ivy League [designação das mais prestigiosas universidades norte-americanas] há exemplos gritantes de mulheres brancas e medíocres que fizeram chantagem para obter cargos altos e lucrativos. São elas a pior fonte do politicamente correto.
Folha - Você é democrata?Paglia - Registrada e horrorizada com a desordem do partido.
Folha - Por que os democratas não conseguem reagir?Paglia - Não há liderança, coragem, programa para o futuro. É assustadora a patética inabilidade dos nossos senadores de capitalizar os erros de George W. Bush.
Folha - Como vê a ascensão do neoconservadorismo?Paglia - Eu respeito, mas não concordo com o ponto de vista conservador. Eles estão certos ao dizer que "o liberalismo está intelectualmente exausto". Os democratas já perderam o apelo com o público. Estamos numa era de terrorismo, e isso pode durar um século. Após o fiasco do Vietnã, os democratas ficaram antimilitares, e essa é uma das razões pela qual são vistos como incompetentes.
Folha - E a questão religiosa?Paglia - Essa é a segunda razão pela qual o neoconservadorismo aumentou seu poder. O humanismo secular, com o qual estou comprometida, tornou-se vazio. Eu sou atéia, mas reverencio as grandes religiões como formas espirituais de relacionar a humanidade e o cosmos. Os neoconservadores oferecem a sensação de tradição, estabilidade e propósito para quem repele o individualismo narcisista e hedonista do nosso tempo. Minha estratégia como escritora é oferecer a arte como uma alternativa à religião
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terça-feira, setembro 12, 2006

O fim do fim da História


Francis Fukuyama, o homem que pregou o "fim da História", agora diz que isso não vale mais. Esteve no Roda Viva de ontem, que acabou há pouco. Peguei só o finalzinho - o suficiente para ouvir algumas obviedades que doem nos ouvidos.

Aqui tem um artigo do Le Monde Diplomatique sobre ele. É preciso lembrar que se trata da indefectível abordagem esquerdista do Diplo. Fukuyama abandonou o governo Bush e anda fazendo uma autocrítica interessante.

Petralhas

Nunca a palavra do título coube tão bem aos petistas. Perderam a compostura. Vejam com quem eles se mancomunaram no Acre. Lembram do bandido da moto-serra? Pois é. (Reproduzo a matéria da Folha aqui porque nem todos podem acessá-la).


FÁBIO ZANINI
ENVIADO ESPECIAL A RIO BRANCO

Oito anos após ter despontado na política com a promessa de tirar o Acre das páginas policiais, o grupo ligado ao governador Jorge Viana (PT) recorreu às mesmas personagens que antes combatia para se manter no poder.Forte candidato para o ministério em um eventual segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Viana conquistou o apoio do ex-governador Orleir Cameli (1995-1998), o mesmo que era caracterizado por ele como responsável pelo "desmonte" do Estado.Cameli entrou no barco petista junto com seu primo Cesar Messias (PP), ex-prefeito de Cruzeiro do Sul (segunda cidade do Estado), indicado vice na chapa do PT ao governo.Do lado do PP, um dos pais da aliança é o ex-deputado Ronivon Santiago, presença constante nos grandes escândalos dos últimos anos -compra de votos, valerioduto e sanguessugas.Mas ele não pôde ver o resultado final de seu trabalho. Foi preso pela Polícia Federal poucas horas antes da apresentação da coligação, em 4 de maio.Figura ainda na frente petista o PL de Aureliano Pascoal, ex-secretário de Segurança Pública de Cameli e primo de Hildebrando Pascoal, símbolo do "faroeste" que o PT combatia. Hildebrando, preso desde 1999 por mandar matar um adversário com uma motosserra, comandava a PM do Estado.Há oito anos, o PT dizia que o Acre era palco de uma luta do bem contra o mal, este simbolizado por Cameli e Ronivon. Como dizia Jorge Viana à época: "São grupelhos que se organizaram e atuam como bandos. Tudo coordenado por um governador [Cameli] que não tem currículo, mas folha corrida".A "folha corrida" de Cameli incluía, além dos muitos CPFs, acusações de desvio de recursos, a apreensão de um Boeing de sua família com contrabando e a intermediação da compra de deputados para aprovar a reeleição no Congresso.O bem, no maniqueísmo vigente, era representado pelos "meninos do PT" -Jorge, o senador Tião Viana e a ministra Marina Silva (Meio Ambiente). Hoje quarentões e grisalhos, assumem o pragmatismo."Um governo que é aprovado por 70% não pode ficar chutando pessoas que queiram apoiar nosso projeto.[...] Qualquer apoio estamos aceitando com gosto", diz Viana, 46. Mas não haverá concessão, nem há compromisso com a partilha do governo, promete. "Nosso projeto não mudou um milímetro".Os petistas agora tentam caracterizar Ronivon como uma figura secundária. "O PP não está preso a ele. O Ronivon não negociou acordo nenhum", afirma o governador.Na verdade, o ex-deputado continua apitando no partido. Seu irmão Carlinhos Santiago preside o diretório estadual do PP. Segundo ele, Ronivon -que, depois da prisão, tem se mantido nas sombras e não atendeu à Folha- teve "participação ativa" na aliança.Cameli, embora formalmente afastado do PP e há oito anos sem mandato, mantém-se influente na política acreana. Sua base é o vale do Juruá, de 120 mil habitantes, na fronteira com o Peru, que sempre foi reduto anti-petista."O Cameli é uma liderança inquestionável, adorado na sua região. Existe uma diferença muito grande entre o que sai nos jornais e o que a população sente", diz Binho Marques, candidato do PT ao governo.A aproximação de PT e PP veio aos poucos. Desde o início do ano, Cameli passou a receber uma romaria de petistas e antigos aliados. Vendiam a ele as vantagens da união. "A aliança abriu a perspectiva da volta dele à política", diz o deputado José Bestene (PP).Em 26 de maio, após o ex-governador ter sido devidamente "amaciado" por meses, a cúpula do PT desembarcou em Cruzeiro do Sul para o lance final.Do aeroporto, uma comitiva liderada por Binho e Tião foi ao escritório dele, no centro da cidade, buscar a bênção do "Barão do Juruá", como é conhecido. Os petistas pediram a Cameli que relevasse as rusgas em nome da união do Acre.O "Barão" ensaiou suspense: queria antes garantias de que seu sobrinho e herdeiro político, Gladson Cameli (PP), seria um dos puxadores de voto da coligação para deputado federal. Trato feito, o anúncio do apoio do ex-governador veio no início de julho. Ele diz que apóia o PT por ter "a melhor proposta" para o Acre.O PT calcula que o ganho por ter fincado bandeira no Juruá compensa o desgaste. É um risco, pois o principal oposicionista, Márcio Bittar (PPS), não se cansa de apontar "incoerência". "Estamos recebendo o apoio de pessoas que nunca gostaram de nosso projeto, mas reconhecem que o Acre mudou", diz Jorge Viana.Os erros dos ex-adversários não sumiram, afirma o governador. "Quem destruiu o Acre tem que acertar as contas com a Justiça. Mas, se querem votar no PT, vamos impedir?".

sexta-feira, setembro 08, 2006

It´s still the economy, stupid!

Trechinho de uma entrevista da Folha de S. Paulo de hoje, do professor americano Nouriel Roubini:

Roubini se preocupa com o efeito da recessão americana em países emergentes. "O Brasil cresceu 2,3% no ano passado e a previsão para este ano é de 3,5%. Neste cenário, é um crescimento medíocre. Se isso é o melhor que vocês conseguem fazer no melhor dos cenários globais, o que vai acontecer quando esse cenário piorar?"

Ou seja, apedeuta se orgulha de o Brasil ter crescido e ter reduzido o chamado risco-Brasil para níveis baixíssimos. Sim, quando o mar está pra peixe, todo mundo deve pescar. Ocorre que a pescaria foi farta para todos os outros países emergentes, que aproveitaram a onda mundial. Nós fomos, como disse o professor, medíocres!
E o pior é que ele prevê uma recessão brava nos Estados Unidos nos próximos anos, o que vai fazer o mar ficar agitado para todo mundo, inclusive para nós, pobres sulamericanos. Mais quatro anos de atraso.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Boas novas

O blogueiro Aluizio Amorim traz notícias alvissareiras sobre as eleições e a possibilidade de termos, sim, pelo menos um segundo turno. Tomara!

Xô, marimbondo!


Os coronéis, vejam só, ainda sobrevivem neste início de século. Alguns deles se escondem em academias de letras fantasiados de marimbondo. Pousam de vestal; adonam-se de casas que um dia abrigaram o grande Machado, o maior de todos.

Está bem, ninguém entendeu nada. É que, com atraso, me incluo só agora na campanha contra o autoritarismo e a favor da liberdade de expressão. Não contente em mandar e desmandar no Maranhão (mas pelo jeito anda sem voto por lá), o marimbondo-de-bigodes agora barbariza no Amapá. Por ordem e mando dele, a Justiça do Amapá censurou o blog da jornalista Alcinéa Cavalcante. O Uol chegou a tirar o blog do ar!!! Leia aqui como democraticamente age a turma do Sarney lá no Norte.

Falar em censura neste caso é pouco. E a gente ainda fica abismado com aquela repercussão toda lá fora por causa das charges satirizando o islã. A censura e intolerância não é exclusividade dos islâmicos radicais, não.

PS. O livro do dito cujo "Marimbondos de Fogo" foi considerado um dos que contêm mais erros de português do país. Não duvido.

terça-feira, setembro 05, 2006

Impostômetro

Todo mundo soube, nesta semana, que a chamada carga tributária alcançou 37,37% do PIB, no ano passado. Ou seja, de cada três reais da riqueza produzida, um vai para o governo nos proporcionar a melhor qualidade de vida do mundo!

No primeiro semestre deste ano, a fome do Leão aumentou ainda mais: 39,41%. No mundo civilizado, só é menor do que as da Suécia, Noruega, França e Itália - paísezinhos que, claro, nem chegam aos nossos pés.

Mas quanto isso representa? Qual a velocidade da arrecadação de impostos? R$ 25.116,13 por segundo! Você duvida? Dê uma espiada no impostômetro.

quinta-feira, agosto 31, 2006

O mesmo

Todo elevador tem a indefectível plaquinha de avertência: "antes de entrar no elevador, certifique-se de que o mesmo se encontra parado no andar...", ou algo feio assim. Além de horrível estilisticamente, é errado usar "o mesmo" no lugar de um pronome. Isso é muito comum também em textos pomposos, pretensamente eruditos, como os forenses. A maioria das pessoas prefere escrever de forma rebuscada à simples.

Alguns exemplos: Li o livro e do mesmo tirei ensinamentos (errado). Li o livro e dele tirei ensinamentos (certo). Não suportando mais a dor, procurei o dentista, mas o mesmo tinha viajado (errado). Procurei o dentista, mas ele tinha viajado.

O motivo desse erro é que as pessoas tendem a enfeitar as frases, achando ser pobre usar o pronome, e logo tascam "o mesmo". Claro, é mais bonito. É nada; é um erro crasso!

Nem sequer

Outro erro freqüente é usar a palavra "sequer" como se ela tivesse sentido negativo. Não tem. "Sequer" significa "pelo menos" e, quando se tem a intenção de falar de algo na forma negativa, é preciso um advérbio de negação. Ou seja, o certo é dizer "nem sequer" quando a frase tiver a intenção negativa. De outra forma, a frase fica com o sentido exatamente contrário ao pretendido.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Democratizar?

Eles não aprendem, mesmo; sempre querendo c..., digo, ditar regras para mudar o mundo. Os petistas querem "democratizar" a comunicação no Brasil. O verbo em aspas aí pode ser lido justamente pelo sentido contrário. Eles querem é patrulhar os veículos de comunicação. Matéria da Folha de hoje diz que um esboço que pode parar no programa de governo de Lula prega "mudanças na legislação para assegurar mais "equilíbrio e proporção" na cobertura de mídia eletrônica, incentivos econômicos para a formação de jornais e revistas independentes e a criação de conselhos populares que teriam poder sobre as atuais e futuras concessões de rádio e TV."

Pelamordedeus!! Um segundo turno, pelo menos, para eles não se sentirem os donos do mundo - ou do país!!

A língua

Que as línguas, de modo geral, são "dinâmicas", todo mundo sabe. Isso é freqüemente usado como desculpa para os deslizes cometidos, principalmente no nosso bonito - mas difícil -português. Não sou um xiita na defesa da chamada língua-padrão, mas há que se colocar um certo limite para os erros de português, principalmente na linguagem escrita. E isso vale mais ainda para nós, jornalistas.

Alguns verbos têm regências estranhas no português e, se o camarada não gosta delas, que não os use. Por exemplo: o verbo visar, no sentido de "ter por objetivo", é transitivo indireto, ou seja, pede a preposição "a". Sim, sim, há vários especialistas que admitem o uso na forma direta, mas a dúvida é se concursos e vestibulares aceitam tal versão como parte da normal culta.

Outro verbo de uso complicado é o singelo "gostar", no sentido de apreciar. A maioria das pessoas acerta a frase "eu gosto disso", mas os erros aparecem quando a frase é invertida: "(D)isso eu gosto".

O uso - ou não - de preposições também é um problema. É comum lermos: "a casa que eu morava..." "A cidade que eu nasci..." Isso na linguagem falada já é estranho; mais ainda na escrita. Ouço muito esse tipo de erro em coleguinhas de TV. Não se pode "comer" o "em" nesse tipo de contrução que se refere a lugares.

Para mim, o principal problema é a falta do hábito de ter dúvidas. As pessoas simplesmente não sabem que não sabem. O negócio, para quem vive de escrever, é ter sempre à mão um bom dicionário e um manual de redação. Sugiro, entre muitos, "Manual de Redação Profissional", de José Maria da Costa. As livrarias estão cheias de manuais de redação e estilo.

Nas próximas notas, problemas com expressões do tipo "através de", "ao invés de", etc.

Mercado de comunicação

O 6° Congresso Brasileiro de Jornais começa na quarta-feria, em São Paulo.

domingo, agosto 27, 2006

Humor nele!


Um dos dois adversários de Chaves na eleição para presidente da República é um dos humoristas mais famosos da Venezuela. Como informa a Folha de hoje, uma das propostas de Benjamin Rausseo, o "conde de Guácharo", é construir um uisqueduto ligando a Venezuela e a Escócia.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Rebaixado

Em tempos de "operação dilúvio", uma notícia de outro mundo: Plutão, coitado, não é mais um planeta; foi rebaixado. Reunidos na capital Tcheca, Praga, cientistas decidiram criar três definições de planetas, e Plutão passou lá pro fim da fila. O primeiro grupo é formado por aqueles oito que a gente estudou na escola. Tá certo, eram nove, mas agora Plutão já era. O segundo grupo é formado pelos asteróides e o terceiro, por objetos como o nanico Plutão e o UB313, descoberto no ano passado. Será que foi o Justus que deu a má notícia pro pobre do Plutão? "Você está demitido!"

Ah, ia esquecendo: como é que fica a astrologia agora que o longínquo Plutão está na terceira divisão? Segundo o Ricardo Fetrim, do Folha Online, "não deve mudar absolutamente em nada o significado, importância ou simbolismo que o planeta (sic) tem na interpretação de mapas astrológicos". Jura?

Esta é a diferença entre a astronomia, uma ciência, e a astrologia, uma... como direi... arte? eu prefiro picaretagem. A ciência é falível, admite seus erros e os corrige, na medida do possível. A astrologia nem sequer leva em consideração a constelação de Ofiúco, por exemplo. A maioria das pessoas nem sabe que ela existe e que é, ainda que rapidamente, visitada pela órbita solar todos os anos. Sobre isso, recomendo matéria minha publicada no Valor Econômico, já postada aqui há alguns meses.

Xeque mate

Depois de muitos lances, a RBS, maior grupo de comunicação do Sul do país, comprou o jornal A Notícia, de Joinville, maior cidade de Santa Catarina. AN é - ou era - o maior concorrente do Diário Catarinense, da RBS.

O mercado de comunicação está movimentado em SC. Há alguns meses, o empresário que detém a TV que retransmite o SBT lançou um jornal popular na região de Florianópolis, o Notícias do Dia. Agora, a RBS vai dar o troco e prepara o Hora de Santa Catarina. Vê-se que de nome de jornal eles não entendem; horrorosos, os dois.

Uma coisa é certa: são lances empresariais, que não chegam a melhorar as condições de trabalho (quero dizer, grana) dos jornalistas catarinenses e gaúchos que por aqui se instalaram.

Tomara que a RBS reforce a estrutura do valoroso AN.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Chegamos

Já estamos instalados em Balneário Camboriú. Já temos endereço, telefone, mas não internet. Já tenho trabalho em vista, mas não emprego :) . Aliás, emprego formal em jornalismo no Sul do país é invariavelmente mal pago e não vale a pena. Ganha-se mais com frilas e com um projeto aqui, outro ali. E ainda não é necessário agüentar chefes malas e, muitas vezes, burros.
É uma coisa meio maluca dormir e acordar com o barulho do mar! Não que isso seja uma completa novidade para mim, já que morei boa parte da minha adolescência e juventude no litoral. Mas isso faz tempo e eu me desacostumei.
É bom por ficarmos mais perto dos familiares e dos amigos.
O começo está sendo auspicioso; espero que continue assim.

domingo, agosto 06, 2006

De volta

Agora é definitivo: estamos, Renata e eu, voltando para Santa Catarina na próxima terça-feira. Cansamos do ritmo alucinante de São Paulo, mas, com certeza, sentiremos saudade - principalmente dos amigos que fizemos nestes quase sete anos.

Posso dizer, com certeza, que aprendi muito por aqui. Foi uma experiência ímpar. Conheci pessoas novas, diferentes, trabalhei bastante e estudei também. Minha passagem por Sampa vai ser quase do tamanho da de Floripa, onde estudei e morei por sete anos.

Vou sentir saudade do centrão, de Moema, do shopping Ibirapuera e, principalmente, das livrarias e dos sebos. Ah, as horas de sábado passadas na Cultura do shopping Villa Lobos!

De começo, vamos morar em Balneário Camboriú. Mais nos próximos posts.

domingo, julho 30, 2006

Parabéns, Gian!

O meu amigo Giancarlo, praticamente um irmão, fez aniversário no último dia 28. Relapso que só eu, acabei não ligando pra ele. Para tentar reparar meu esquecimento, aqui está meus parabéns públicos. Vindo da família que veio, não poderia dar em outra coisa: um cara gente finíssima, presente, inteligente, de caráter irretocável e um pouquinho iconoclasta. Como dizem aí no Sul, parabéns pra ti, guri. Toda felicidade pra família.

Riscos à democracia?

Haverá algum risco às instituições democráticas depois dos estragos causados por mensalões e sanguessugas? Na Folha de S. Paulo deste domingo, Helio Gaspari trata abertamente da possibilidade de alguma aventura autoritária por parte do próximo governo, seja ele qual for, com a justificativa de que o Congresso, mensaleiro, não colabora com a aprovação de "reformas".

Uma outra matéria na mesma Folha trata de movimentos, criados por parte da "elite", que procuram meios internéticos para se mobilizar contra a corrupção. Associei estas duas matérias com um texto que o meu sogro me mostrou dias atrás, supostamente escrito por militares descontentes com o rumo do "bananão". Confesso que me deu um frio na espinha.

Mas, francamente, não acho que haja clima para aventuras desse tipo. Que forças políticas - pelo menos um grande partido - apoiariam uma coisa assim? Mesmo tendo o PT dado demonstrações de autoritarismo descarado (para mim isso fica mais claro no discurso e comportamento messiânico de seus seguidores), não vejo um grande partido disposto a radicalizar. Nem PSDB, nem PMDB. O PFL, bom... o pefelê sempre vai pra onde o vento sopra; de liberal só tem o nome. Mas no Brasil é assim, mesmo, uma coisa engraçada demais: liberais não têm vergonha de apoiar ditaduras.

Pelo sim, pelo não, melhor é elegermos um Congresso digno do nome. Porque está assim de gente por aí que cai na esparrela de que na ditadura não havia corrupção. O que não havia era imprensa livre para denunciar as mutretas. Puro senso comum.

Agora, cá pra nós, a que ponto nos levou o "nosso guia", heim? Estamos aqui de novo a discutir essas coisas que já imaginava enterradas! Realmente, o Luiz Inércio vai ficar na história.

quarta-feira, julho 26, 2006

O cara

Bons tempos aqueles em que os padrecos se dedicavam aos estudos! E não só de teologia, não, como bem demonstra a história de Thomas Bayes, reverendo do condado de Kent, na Inglaterra do século XVIII. Mais não conto; está tudo aqui. Imperdível!

segunda-feira, julho 24, 2006

Links novos

Tem dois links novos aí ao lado. Pensamentos públicos é o blog da minha ex-colega de faculdade Aline. Bom texto, bons causos.

O outro é o Sem ciência que, ao contrário do que o nome diz, trata de ciência, sim - e das boas. Não percam tempo em blogs chatos como este aqui e visitem aquelas dois lá.

Deserto

No inverno, São Paulo fica ainda mais aprazível: temperatura de 30 graus e umidade do ar abaixo dos 30%. Chegou a menos de 20%, no fim de semana.
Ontem fui levar o carro na oficina e voltei caminhando pra casa. Na metade do caminho, o nariz começou a arder e a garganta, a secar. Ah, nada como uma cidade segura, com ar puro e de trânsito fácil! Nem sei porque vou sair daqui.

quinta-feira, julho 20, 2006

Esquerda?

Tomara que a senadora Helóisa Helena (Psol) continue a crescer mais uns pontinhos para garantir o segundo turno nas eleições. Eu até preferiria que o Cristóvam Buarque crescesse mais, mas pelo jeitão da coisa, vai ser difícil.

A senadora bate no peito ao se proclamar de esquerda. Como tem o apoio do PSTU, pode ser considerada uma candidatura de extrema esquerda. Ou não? Bom, segundo informa a Folha de S. Paulo de hoje, não. Heloísa Helena votou contra a discriminalização do aborto e contra as pesquisas com células-tronco embrionária. É a favor apenas de experimentos com células-tronco de cordões umbilicais e de células adultas - o que restringe muito as pesquisas. "Para mim, cientificamente e espiritualmente, o embrião é uma vida", justificou. Engraçado como a nossa esquerda daqui se aproxima da direita lá de fora. Bush certamente assinaria embaixo da frase da senadora.

Como os rótulos "direita" e "esquerda" perdem cada vez mais o sentido, o negócio é escolher o candidato pelas propostas concretas. E a senadora, pelos exemplos citados, não terá o meu voto. Ainda mais depois de ter dito que aprendeu o socialismo na Bíblia! Como me disse um amigo, eu não gostaria de viver no mundo idealizado pela senadora, por mais honesta e bem-intencionada que ela seja.

Cara de pau

Não é piada minha, não; está nos jornais de hoje: Lula disse que perdeu o hábito de fazer campanha! E o que ele faz desde que assumiu (?) a presidência? Como diz um amigo meu, a cara não queima, não.

segunda-feira, julho 17, 2006

Cá como lá

Ê brazilzão! Três dos culpados pela morte de um casal de jovenzinhos no interior de São Paulo, há uns dois ou três anos, vão a julgamento. Mas o principal culpado, assassino confesso, era menor na época (16 anos) e pode ser solto em novembro próximo porque a lei não permite que fique preso por mais de três anos. O tal Champinha vai ficar barbarizando por aí de novo. Quero saber se o Estado vai se responsabilizar pelas atitudes dele depois de solto.

Enquanto isso, na Inglaterra, os policiais que mataram o brasileiro Jean Charles também foram eximidos de qualquer culpa porque "tinham ordem superior para matar". Isso mesmo!

Acho que a polícia de São Paulo vai poder usar o mesmo argumento para justificar a execução de vários dos mortos na represália daquele primeiro levante do PCC, em maio, lembram? O perito Molina, da Unicamp, constatou condições estranhas de morte em mais de 100 laudos. Os corpos tinham muitas marcas de bala, muito acima do normal em uma troca de tiros, e todas em regiões vitais. E os tiros foram dados de cima para baixo. Precisa dizer mais?

Não estou aqui pra defender bandido, não. Pelo contrário. Champinha, por exemplo, deveria apodrecer na cadeia, não importando se era menor. Os vagabundos do PCC também. É verdade que isso, no caso deles, não funciona muito. Afinal, já estão presos, mesmo. O problema é que o Estado não está aí pra executar ninguém, não.

E o problema maior é que pode haver um número enorme de inocentes nos mortos pela polícia. Quer dizer, a população está no meio do fogo cruzado entre bandido e polícia. Correr pra onde?

sábado, julho 15, 2006

Excelência

Quando soube que eu cursara jornalismo na UFSC, o professor da FGV-SP elogiou minha antiga escola, incluindo-a entre as melhores do país. Não tive como discordar. A UFSC sempre foi reconhecida pela excelência de apenas alguns poucos cursos, principalmente na área de engenharia.

Aos poucos, outros cursos também alcançaram tal estatura, como o de jornalismo, no qual me formei em 1997. Ele figura entre os três melhores do país há anos, em todos os rankings. Mas é imperdoável que ainda não haja cursos de pós-graduação stricto sensu. Se o cidadão catarinense quiser fazer um singelo mestrado, terá que sair do estado.

Tenho andado afastado da realidade da única universidade federal de SC, mas, mesmo assim, tenho notado que outros cursos seguem o mesmo caminho - felizmente -, a despeito de todas as restrições impostas pelo atual e pelos governos anteriores.

Outro curso que percebo ter dado um salto qualitativo imenso nos últimos anos é o de filosofia. O departamento ganhou as presenças de professores ilustres, principalmente vindos de São Paulo (USP e Unicamp), como Décio Krause e o internacionalmente reconhecido lógico Newton da Costa - entre muitos outros competentíssimos.

O resultado já começa a aparecer. O curso de doutorado em filosifia foi aprovado no ano passado.

E os professores também enriquecem o catálogo de ótimos livros da Editora da UFSC - há alguns anos mais voltados para livros didáticos na área das chamadas ciências duras. Em filosofia, há dois livros do professor Luiz Henrique de Araújo Dutra que já incluí na minha lista de prioridades: Oposições filosóficas: a epistemologia e suas polêmicas e Introdução à Teoria da Ciência. E do professor Orlando Tambosi recomendo fortemente O Declínio do Marxismo e a Herança Hegeliana.

sexta-feira, julho 14, 2006

Do Nassif, hoje na FSP

LUÍS NASSIF
Lembo no reino dos espertos
O GOVERNADOR Cláudio Lembo é dotado da boa-fé dos justos, quase até o limite da ingenuidade. Quando ocorreu a primeira invasão do PCC, percebeu logo de cara que tinha sido vítima de uma esperteza de seu antecessor, Geraldo Alckmin, que deixou estourar no seu colo a bomba da transferência para presídio de alta segurança das lideranças do PCC. Hoje, livre da batata quente, o ex-governador Alckmin continua criando máximas clássicas, como a de que a melhor maneira de combater o controle do PCC sobre os presídios é "atuar com inteligência, persistência e prender as lideranças do crime"... que controlam os presídios justamente por já estarem presas.

Depois, caiu na esperteza do secretário Saulo de Castro Abreu Filho, capaz de gastar 90% do tempo trabalhando explicações para justificar o que não conseguiu nos 10% restantes. Saulo criou o paradoxo do sucesso explosivo: quanto maior a eficiência das forças de repressão, maior a reação dos bandidos. A consagração virá, provavelmente, quando os criminosos conseguirem explodir a avenida Paulista.
Sua avaliação para a segunda onda do PCC é outro clássico: "Se comparar a situação de maio com a que está acontecendo, houve regresso. Há uma continuidade, mas não em intensidade. Isso simboliza que as pessoas não estão obedecendo cegamente, que a tal liderança começou a ser questionada e, na hora em que começa a ser questionada, a liderança perde força. Perdendo força, acabou". A última estatística falava em 106 ataques.
Aí o governador percebe que tem muito esperto no seu entorno e volta os olhos para o amigo Lula. Trata-o com deferência, convida-o a visitar o Palácio dos Bandeirantes. Em retribuição, Lula anuncia publicamente sua intenção de ajudar São Paulo a combater o crime - a maneira mais eficiente e deselegante de evitar qualquer pedido de ajuda e deixar o amigo em má situação.
Só aí Lembo provavelmente se deu conta de que Lula também é esperto. Tão esperto que, quando foi anunciado o Sistema Único de Segurança, no início do seu governo, tratou de afastar de si esse cálice, para não correr o risco de dividir o ônus de problemas de segurança com os governos de Estados. Preferiu a comodidade atual: a cada crise, ele oferece publicamente a ajuda da onipresente força especial de segurança. Ao seu lado, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, reitera a oferta de ajuda e se permite criticar a "falta de inteligência e de gestão" da polícia paulista.
Ele tem na Polícia Federal um cérebro sem tronco e membros. Por baixo das ações espetaculares, tem-se uma PF sem gasolina para os carros, sem equipamentos básicos para seus escritórios, sem quadros para vigiar a fronteira, uma força que vive de ações tópicas. A única coisa que falta a São Paulo é um delegado Paulo Lacerda.
Nesse reino de espertos, sobrou apenas a boa-fé do governador Lembo. Que a conserve, não grande o suficiente para ser confundida com ingenuidade, mas na proporção exata de quem, em todo esse episódio, parece ser o único homem público sério, que não tenta tirar nem o corpo nem se prevalecer do desastre.

quinta-feira, julho 13, 2006

A inépcia

É impressionante como são competentes as nossas "otoridades". O secretário de segurança pública de São Paulo é um exemplo. Em entrevista ontem, ele tentou desqualificar a organização do crime organizado. Não seria tão organizado assim, com ações atabalhoadas a prédios públicos. Ora, se mesmo desorganizado o secretário não consegue combatê-lo, imagine se fosse organizado. Queria que ele comparecesse ao enterro de uma das vítimas e dissesse isso à família. Aliás, eu sugeriria ao governador Marcola que mandasse um mensageiro fazer uma visitinha desorganziada ao secretário.

O jogo de empurra-empurra continua. Lula empurra para cima de Alckmin, que devolve para Lula. Não adianta; eles esqueceram que são responsáveis pela segurança do país e só pensam nas eleições. A gente não pode esquecer disso.

Proponho voto em qualquer candidato, menos em Lula e Alckmin. E aproveito para fazer minha campanha por Cristóvam Buarque e Jeferson Perez, esse último o melhor senador da República.

De novo

Aconteceu de novo. A maior cidade do país amanheceu quase como há dois meses. Treze empresas de ônibus suspenderam os serviços; o terminal Santo Amaro, na zona sul, um dos maiores, da Capital, simplesmente não está funcionando. O rodízio municipal de veículos foi suspenso.

Os ataques já passam de cem em todo o estado. Cidades do interior e do litoral (15 ao todo) também registraram ataques. Pelo menos seis pessoas foram mortas. A diferença em relação a maio é que, agora, os alvos são civis: bancos, ônibus e até ambulâncias. Só na Capital 43 ônibus foram queimados.

quarta-feira, julho 12, 2006

Zidane

Recomendo a leitura de um artigo do blog 3quarks sobre o caso Zidane.
Só um pedacinho:
"Zidane's act was also an act of contempt for soccer. It may have clarified his priority for pride and honor over winning."

O blog vai pro link porque é ótimo.

terça-feira, julho 11, 2006

sobre homens e mulheres

Entrevista muito interessante esta da Veja.

Por quase dois anos, a jornalista americana Norah Vincent trocou sua identidade feminina pela de um homem.

"Ao ver de perto como os homens se comportam, desmontei a idéia muito propalada entre as mulheres de que tudo na vida é mais fácil para eles. Essa descoberta, confesso, foi um choque. A condição sexual sempre foi vista como um peso muito maior para as mulheres do que para os homens. As feministas queimaram sutiãs nos anos 60 para exorcizar isso. Mas os homens também têm de corresponder a tudo que se espera deles, o que pode resultar numa ansiedade brutal."

"O homem goza de péssima reputação nos dias de hoje. O mundo tende a ver a masculinidade como um desvio politicamente incorreto, assim como vê os brancos ocidentais como vilões por terem colonizado outros povos. Não faltam advogados de defesa dos negros e das lésbicas, mas o macho branco ocidental – e heterossexual, claro – é sempre demonizado. Espero que meu trabalho ajude a ver que é uma bobagem enxergar o mundo por esse prisma estreito."

"De forma geral, é mais fácil ser mulher. Pela natureza da vida social, as mulheres têm de fazer menos esforço para se arranjar – é só esperar até que os caras se aproximem e façam a corte. Se eles tiverem a sorte de não levar um fora, precisarão ainda gastar muita conversa – além de pagar a conta – antes de chegar aos finalmentes."

Como vêem, ela, que se diz homossexual, realmente entendeu as coisas.

sexta-feira, julho 07, 2006

novo link

Tem um link novo na lista aí do lado. É o do excelente blog do jornalista Marcelo Leite, especialista em ciências, Ciência em Dia. Tem um texto fantástico sobre óvulos masculinos. Aproveitem.

terça-feira, julho 04, 2006

Somos uns sortudos

Nos primeiros três meses deste ano, a carga tributária brasileira atingiu 40,69% do Produto Interno Bruto (PIB). O volume total foi de 194,87 bilhões de reais, ante 180,67 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2005. O PIB totalizou 478,9 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2006. A carga tributária equivale à soma da arrecadação de todos os tributos federais, estaduais e municipais.

Ainda bem que, em troca disso tudo, o estado brasileiro nos oferece educação, saúde e segurança da melhor qualidade. De outra forma, seríamos um bando de otários roubados a cada segundo pela máquina estatal.

domingo, julho 02, 2006

Dá-lhe Felipão

Dos cinco favoritos que listei numa nota destas, Brasil e Argentina já estão fora do mundial. Restam Alemanha, França e Portugal. Só não acertei a Itália, na qual sigo não acreditando. Joga mal, e tomara que seja massacrada pela Alemanha.
Entre França e Portugal, fico com os patrícios. É aquele lugar comum de torcer pelos mais fracos. Só mesmo um técnico como o Felipão para levar um time tão medíocre quanto o português à semi-final da copa do mundo.
Devo dizer que errei, já que minha primeira favorita era a Argentina - seguida por Alemanha, Brasil, França e Portugal. Gostaria de uma final Alemanha x Portugal. O título estaria em boas mãos. Os alemães têm o melhor time, na melhor acepção dessa palavra. Não é um monte de estrelas de salto alto, mas um time. Já os portugueses... bem, os portugueses é mais pelo seu espírito de superação de sua fragilidade.
Dos comentários sobre o Brasil, poupo-vos dos lugares comuns que desfiaria aqui.

terça-feira, junho 27, 2006

Convalescença

Convalesço de uma cirurgia a que me submeti na sexta-feira; vou ficar de molho por algum tempo. Tudo correu muito bem. Assim que estiver plenamente recuperado, volto a escrever as bobagens de sempre.

terça-feira, junho 20, 2006

A mente

Fiz outras duas boas aquisições naquela livraria da qual falei lá no comecinho deste blog. Uma livraria que tem no prédio da editora Globo, no Jaguaré, em Sampa. Comprei o Erro de Descartes, de Antônio Samásio, e O Sítio da Mente, de Schützer Del Nero. Não terminei de ler nenhum. Na verdade, estou fazendo como sempre: lendo-os ao mesmo tempo.

O título do livro do Damásio é muito mais atraente; funciona muito melhor do que o burocrático título do outro. Mas são ambos fascinantes por tratarem do que há de mais misterioso no corpo humano: a mente. A introdução de Del Nero é primorosa, afastando as picaretagens e pseudo-ciências que tratam do comportamento das pessoas. Diz que a existência de várias doutrinas ou teorias sobre o funcionamento da mente é um sinal de que a área ainda carece de algum consenso científico. Não sei se ele dá alguma cassetada na psicologia que, para mim, é o campo que mais tem a perder com o avanço da neurociência.

O que me interessa nisso é não especificamente os aspectos puramente biológicos ou neurológicos. Fui atraído para isso pelo meu interesse em teoria da decisão, em como as pessoas decidem fazer uma coisa ou outra e em quê momento. Quanto disso se pode atribuir aos aspectos puramente biológicos. Parece que Del Nero vai bem por esse caminho, o de enfatizar a importância dos aspectos biológicos na formação da mente humana, tão negligenciados pela psicologia, desde priscas eras.

Já Damásio começa o livro contando uma história verdadeira de um cara que teve a cabeça atravessada por uma barra de ferro e nem sequer desmaiou. E mais: não perdeu memória nem nada, mas teve a personalidade completamente modificada. De um funcionário exemplar e competentíssimo de uma estrada de ferro, Phineas Gage passou a um relapso que não conseguia seguir convenções sociais. Fantástico!

Civilizados

Quando ouvi aquilo, gelei. Sabia que despertaria a ira de todos os politicamente corretos do Brasil, que não são poucos. No meio do jogo entre Suíça e Togo, o comentarista da Globo Sérgio Noronha exultou com o fato de um evento como a Copa do Mundo de futebol reunir a "civilizada Suíça" com o "não tão civilizado assim" Togo, numa festa bonita. Entendi o que ele quis dizer, mas as minhas professoras do mestrado não o perdoariam pelo ato falho: admitir que um país possa ser mais "civilizado" do que outro.

Ontem, ouvi colegas de trabalho revoltados com o comentário do Noronha. Preconceito - bradaram -, entre um e outro comentário irônico sobre as qualidades intelectuais do comentarista global. Como assim? Não tem o próprio Noronha os dois pés no continente negro?

A um dos meu colegas de trabalho, o mais exaltado, eu cheguei a escrever um email perguntando se ele achava que as instituições democráticas funcionam tão bem na Suíça quanto no Togo. E o respeito aos direitos humanos num e noutro país? E as relações entre empresas e empregados e/ou clientes? Enfim, tudo sob o ponto de vista da nossa sociedade ocidental "civilizada" construiu a duras penas até agora.

Ele me responderia que isso se deve a essa minha forma de pensar que não respeita as outras culturas, blá, blá, blá... O relativismo cultural. O que é um perigo, porque o relativismo pode ser usado também para justificar barbaridades, como mutilação de mulheres e outras.

Não que eu ache que os suíços, por serem mais desenvolvidos (esse, sim, é o adjetivo mais adequado), mereçam ser mais bem-tratados do que os togoleses. Pelo contrário. Devemos tratá-los tão bem que a eles devemos dispensar atenção especial para que as conquistas da nossa sociedade pequeno-burguesa possam também por lá proliferar.

Então, eu trocaria o "mais civilizado", usado pelo Noronha, por "mais desenvolvido".

sexta-feira, junho 16, 2006

Novos favoritos

Dos cinco favoritos que listei abaixo, os três primeiros foram bem. A Argentina já está classificada, com uma goleada sobre a Sérvia e Montenegro. A Alemanha também está garantida na segunda fase, junto com o Equador, a sensação da copa até aqui.

E o Brasil? Bom, o magro um a zero na estréia contra a Croácia foi, pra quase todo mundo, decepcionante. Pra mim, não. Eu até apostava num empate. Mas acho que o time vai se sair bem melhor no domingo contra a Austrália. Devo dizer que não acredito que repitam 2002. O Parreira é treinador de time ruim. Consegue a proeza de levar um time meia-boca, como o de 1994, ao título; mas não consegue ser heterodoxo o suficiente para dirigir um time de bons jogadores.

Quanto a Portugal e França, duas coisas horrorosas. Substituo-as por República Tcheca e Itália. Sigo não confiando em Holanda e Inglaterra.

sábado, junho 10, 2006

Sofrível

Eta joguinhos ruins estes de sábado! O melhorzinho foi o da Argentina, que ganhou apertado da boa equipe da Costa do Marfim.
Já a Inglaterra, que muitos dizem favorita, ganhou do Paraguai com as calças na mão, com um gol contra do Gamarra. E a surpresa foi o empate em zero a zero entre Suécia e Trinidad e Tobago. É a pior seleção da Suécia que eu já vi jogar.
O negócio é esperar melhores desempenhos de Sérvia e Montenegro x Holanda, amanhã. E também de Portugal x Angola e México x Irã.
Mas como tem time fraco nestas copas do mundo! Deste jeito, até dá pra chegarmos ao hexa.

De volta ao século XIX

Ótima matéria do jornalista Marques Casara sobre o uso de mão-de-obra quase-escrava de imigrantes ilegais na fabricação de roupas vendidas pela multinacional C&A. Não é preciso ser comunista, nem socialista nem outra coisa tola do gênero para combater tais práticas. Vejam vocês mesmos.
http://www.os.org.br/download/er10/c&a.pdf

sexta-feira, junho 09, 2006

Meus favoritos

A Copa começa amanhã e eu não poderia deixar passar. Não fico em cima do muro; vou logo disparando os meus favoritos para ganhar o caneco. Os "patriotas" não vão gostar muito, não sei porque.

Em ordem de favoritismo:
1. Argentina
2. Alemanha
3. Brasil
4. França
5. Portugal

Não acredito na Itália, nem na Holanda, nem na Espanha. Os espanhóis sempre têm um time arrumadinho, mas são frouxos.
Acho que República Tcheca e México podem surpreender, como a Turquia fez na Copa passada.
Tudo bem, explico por que a Argentina. Ao contrário do Brasil, ninguém fala deles; treinam escondidos, na moita; acho que vão comer pelas beiradas e chegar lá, se o Brasil amarelar. Têm o segundo melhor plantel, atrás de nós, é claro, mas acho que formam um time mais arrumado.
Quanto ao Brasil, com aquela zaga fica difícil. Detalhe: o Brasil pode, sim, ser campeão. Mas, para isso, um cara precisa jogar o que não vem jogando: Adriano, o imperador. Só saímos da Alemanha com o hexa se ele acertar aquelas patadas indefensáveis. Vai acabar formando o ataque do Brasil com Robinho, já que Ronaldo não tem condições de jogo (oversize, if you know what I mean).
Tomara que eu esteja redondamente enganado.

domingo, junho 04, 2006

A relatividade absoluta

O professor Orlando Tambosi (link ao lado) publicou, há poucos dias, no seu blog um texto de um professor gaúcho explicando de forma não-técnica a teoria da relatividade, e Einstein. Isso me lembrou do que li num destes livros de divulgação: Fique por Dentro da Física Moderna. As famosas equações de Maxwell mostravam que a velocidade da luz era constante, independentemente de como estão se movendo os objetos e os observadores em relação a ela.

Na física clássica (newtoniana), a forma de se medir as velocidades dos corpos uns em relação aos outros é somando suas velocidades, se estão se aproximando, ou diminuí-las, se se afastam.
Mas isso não funciona para a velocidade da luz. As equações de Maxwell indicavam que a velocidade da luz era constante (c, quase 300 mil quilômetros por segundo), não importando a velocidade de sua fonte. Não havia a possibilidade de "c+1", por exemplo.

Ao contrário de muita gente que não deu bola para Maxwell, Einstein trabalhou com essa idéia e desenvolveu a teoria da relatividade restrita. Em termos matemáticos, a soma newtoniana das velocidades é assim: V= v1+v2.
Já a de Einstein/Maxwell é um pouquinho mais complicada: V= (v1+v2) sobre [1+(v1v2)/c2]. Este c final é ao quadrado.

O curioso é que a fórmula da relatividade funciona perfeitamente igual a de Newton para velocidades baixas, quando comparadas à da luz. Ou seja, a fórmula da relatividade poderia ser considerada uma mais ampla e completa, englobando a anterior - o que em história e filosofia da ciência é uma avaliação muito controversa.

sábado, maio 20, 2006

Salve-se quem puder

Na nota anterior, parece haver uma contradição entre defender, ao mesmo tempo, o estado de direito e que a polícia atire em presos amotinados, mas não há, não. A polícia pode atirar para matar um preso quando este ameaça a vida de um inocente. É legítima defesa de terceiros.

Agora, é preciso analisar por que os presos se rebelam. Na maior parte das vezes, eles alegam falta de condições nas prisões - o que é verdade. Outro dia estava vendo na TV que uma carceragem com condições para abrigar 17 detentos estava com 90! Parece que é feito pros caras se rebelarem, mesmo.

Preso não pode ter regalia nenhuma; nada de TV e o escambau. No máximo, um radinho pra escutar futebol. Mas têm direito, sim, a um espaço decente, sem superlotação.

A Globo mostrou ontem porque não há rebeliões nos presídios americanos há muito tempo. Lá, o sistema carcerário foi completamente reformado depois de uma grande rebelião. Os presos perigosos ficam em celas separadas, vigiados por câmeras, sem direito ao tal "banho de sol" (quando aproveitam para combinar rebeliões e outras coisas) e muito menos a visitas íntimas. E mais: as visitas são criteriosamente selecionadas. Neguinho com passagem pela polícia não pode visitar ninguém, não. Presos perigosos só falam com as visitar separadas por aqueles vidros que a gente vê nos filmes. Só presos com penas leves têm direito ao contato com os outros. Ao menor sinal de algo errado, os presos são trancafiados e só saem das celas quando o diretor julgar adequado. Ou seja, lá as coisas funcionam, e o nível de corrupção é muito menor do que aqui.

E vou reforçar o que disse: se o secretário de segurança pública não quer divulgar os nomes dos mais de cem mortos pela polícia, é porque tem algo a esconder.O receio das pessoas em São Paulo, hoje, não é nem ser morto pelos bandidos, mas ser confundido com um deles pela polícia. Daí, já era. O Estado tem que proteger os cidadãos honestos, morem eles em higienópolis ou no Capão Redondo. Isso é estado de direito, é civilidade; é o que deveria diferenciar a polícia dos bandidos. Se não for assim, a população começa a temer tanto um quanto os outros. Ou seja, o salve-se quem puder, a barbárie.


sexta-feira, maio 19, 2006

Se correr o bicho pega...

Antes de mais nada, devo dizer que não compactuo com o discurso politicamente correto de que a bandidagem é fruto apenas da pobreza, da falta de educação, blá, blá, blá.Támbém me incomoda o fato de as entidades de direitos humanos não darem muita bola quando os mortos são policiais.

Feitas as ressalvas, vamos lá. É inadmissível que o governo paulista não divulgue os nomes dos 107 "suspeitos" mortos nos últimos dias. Isso só aumenta a suspeita de que, entre eles, há inocentes. O que seriam "inocentes"? Ora, pessoas sem passagem pela polícia. Dezessete deles nem sequer foram identificados.

Não é que eu tenha pena de bandido, não. O problema é que pode estar havendo simplesmente uma reação exacerbada da polícia, o que se configuraria numa situação fora do estado de direito. Não é possível que o Estado aja da mesma forma que os bandidos.

Eu preferiria que os policiais atirassem, e matassem, os verdadeiros bandidos responsáveis por essa calamidade. Não, não estou falando nos de Brasília, mas dos que fizeram as rebeliões que vão custar milhões aos cofres públicos. Por que é que a polícia não coloca atiradores de elite pra meter bala naqueles vagabundos que ficam se exibindo nos telhados dos presídios rebelados? Outro dia vi na televisão a imagem de um bandido com um refém que poderia muito bem ser alvejado por um bom atirador. Preferia que matassem esses vagabundos na frente das câmeras de TV a matarem um pobre coitado lá no Capão Redondo só porque o cara está na rua à noite.

Pelo que li, já tem grupo de extermínio agindo na periferia. Também são bandidos e a dúvida é saber se há policiais entre eles. Andam mascarados ao estilo ninja e alguns usam até camisa da Le Coq, numa alusão ao grupo de extermínio que agiu durante muito tempo no Espírito Santo.

Se de fato isso estiver acontecendo, torna ainda mais grave a já perversa situação da segurança pública em São Paulo. Seria mais um sinal de que a polícia não tem capacidade técnica para nos proteger. Estamos nas mãos do governador Marcola.

E assim o estado de direito, laico, civilizado, vai deixando de existir. Não há pra onde escapar: se correr dos bandidos, a polícia pode achar que você um deles e meter bala.

quarta-feira, maio 17, 2006

Você foi meu herói

Hoje faz um ano que perdi meu pai. O que sou devo a ele e à minha mãe. Refiro-me mais à criação do que à herança genética. Quando tiver condições, escreverei mais sobre ele.
Não sou fã do Fábio Jr., mas sempre me emocionei quando ouvi esta música.


Pai, pode ser que daqui a algum tempo

Haja tempo pra gente ser mais

Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez

Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta

Longos anos em busca de paz....

Pai, pode crer, eu to bem eu vou indo, to tentando vivendo e pedindo

Com loucura pra você renascer...

Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e não vou ficar mudo

Pra falar de amor pra você

Pai, senta aqui que o jantar ta na mesa, fala um pouco tua voz ta tão presa

Nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver

Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança

Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo

Nos teus passos você foi mais eu

Pai, eu cresci e não houve outro jeito,quero só recostar no teu peito

Pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de amor com meu filho

No tapete da sala de estar

Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo

Nem você nem ninguém ta sozinho, você faz parte desse caminho

Que hoje eu sigo em paz ... pai

terça-feira, maio 16, 2006

No colinho

Como trabalho num jornal "sério", vou dizer que o governo paulista sucumbiu à demonstração de força e organização dos bandidos, com os quais fez um acerto para dar fim aos atentados. Mas eu queria mesmo é, como faria o saudoso Notícias Populares, dizer que o governador Lembo sentou no colo do Marcola; só não teve beijo na boca.

O cessar-fogo teve como contrapartida regalias para os bandidos do PCC, os mesmos que deveriam ser tratados com o máximo rigor concedido pela lei. Aliás, lei que deve ser modificada para permitir o isolamento completo de bandidos perigosos como esses por tempo indeterminado.

Se a situação continuasse, o risco era de os bandidos pés-de-chinelo se aproveitarem para fazer a festa, já que a polícia simplesmente sumiu das ruas de São Paulo, desde sábado. Hoje, parece que as "viaturas" já voltaram para as ruas, já que a gente já não precisa mais deles, pois o Marcola tratou de nos poupar. Tudo sob o controle ... do Marcola.

Deboche

Recomendo uma matéria do grande Bob Fernandes no Terra Magazine. Bob revela que o chefe do PCC, Marcola, disse na cara do delegado do Deic que o mataria.

Ah, e recusou a pizza servida aos outros presos que junto com ele estavam na sede do Deic, em São Paulo; preferiu um x-picanha com batatas fritas, no que foi prontamente atendido.

segunda-feira, maio 15, 2006

Deserto

São Paulo está deserta. Nos quase sete anos que moro aqui, nunca vi a cidade tão vazia. O trânsito na Marginal Pinheiros, quando voltei pra casa, por volta das oito e meia, estava ótimo. Vim do Jaguaré até o aeroporto de Congonhas em 15 minutos. O problema no trânsito foi antes; por volta das seis da tarde o congestionamento passou dos 200 quilômetros.

Aqui em Moema, tudo muito quieto. A avenida dos Bandeirantes quase não faz barulho. O supermercado tinha só um caixa atendendo. Não foi oficial, mas um toque de recolher auto-imposto pela população.

O pânico começou à tarde, com uma onda de boatos. Diziam que a faculdade tal fora metralhada, que a empresa tinha sido saqueada... Escritórios e empresas diversas dispensaram os funcionários no meio da tarde.

Acho que houve uma reação exacerbada, claro, mas compreensível. As pessoas simplesmente não sabiam se teriam como voltar pra casa, já que os ônibus não circularam na zona sul. E também não queriam estar nas ruas à noite, já que não se tinha idéia do que poderia acontecer.

Neste exato momento, um silêncio incomum, daqueles típicos de cidade do interior.

Sob controle

A situação na capital paulista está, realmente, sob controle... dos bandidos. Em menos de meia hora, dois ônibus queimados na zona Leste, nos bairros de Guaianases e Itaquera. A população, principalmente a parte mais pobre, está sitiada. Os ônibus não circulam na zona Sul da cidade. Hoje à noite vou ter que buscar minha mulher no trabalho.

São Paulo sitiada

Os sites de notícia nem sequer conseguem acompanhar a velocidade dos acontecimentos na capital paulista. O Folha onoline informa que são 61 os ônibus queimados, mas a TV já mostra que são 68. O último deles no bairro de Itaim Paulista, na Zona Leste. Os bombeiros não se atrevem a correr para apagar o fogo. Temem ser alvos fáceis para os bandidos.

Nas ruas, as pessoas evitam passar por perto de viaturas e de prédios da polícia ou qualquer coisa parecida. Na zona sul, todos os terminais de ônibus estão fechados; nenhum coletivo circulou na manhã desta segunda-feira. O rodízio municipal de veículos foi suspenso e os carros com placas final 1 e 2 podem circular normalmente entre as 7 horas e as 10 horas da manhã e entre as 17h e às 20h.

Mais de 60 pessoas morreram até a madrugada de domingo. Mais de dez agências bancárias foram atacadas por coquetéis molotov e por tiros da bandidagem.

O governador Cláudio (mo)Lembo, que mais parece personagem saído de filme de terror trash, recusou a ajuda do governo federal porque a situação estaria "sob controle". Claro que está, sob o controle dos bandidos!! Eles controlam todos os presídios de São Paulo! E o governo paulista não consegue nem fazer funcionar os bloqueadores de celulares.

Qualquer gestor minimamente capacitado sabe que sem informação a bandidagem não faz nada. Aliás, sem informação ninguém faz nada certo. E é isso que falta aos nossos administradores: conhecimento. A polícia simplesmente desconhece o que vem a ser "inteligência". Nos Estados Unidos, a polícia desvenda um crime com base em um fio de cabelo encontrado na cena do crime. Aqui, o bandido pode deixar o currículo que nunca será encontrado.

A gente paga impostos que chegam a 38% de toda a riqueza produzida pelo país e tem que agüentar autoridades como estas que estão por aí!

Tudo isso e o Robert Fisk, prestigiado jornalista do The Independent, disse que cobrir um país como o Brasil seria monótono porque não é uma região de conflito. Passa uma semaninha no rio Rio ou em São Paulo para o senhor ver, Mr. Fisk!

domingo, maio 14, 2006

O Haiti é aqui

O país que comanda as tropas de paz no Haiti não só não consegue melhorar a sua própria segurança pública como ainda permite que a situação piore! A televisão tem mostrado a situação deplorável em que está metido o maior estado da Federação. A frase mais ouvida é "se os bandidos estão matando a polícia em plena luz do dia, o que farão de nós, civis"?

Informações do Folha online: "Segundo o balanço parcial do governo do Estado, até a noite deste domingo, foram 115 ataques. Morreram 20 policiais militares -12 deles em folga -, cinco policiais civis - todos em folga -, três guardas municipais, oito agentes penitenciários - todos em folga -, dois civis e 14 suspeitos, baleados em confrontos."

Na noite de sábado, o movimento de carros de polícia era muito acima do normal, aqui nas imediações da avenida Bandeirantes, perto do aeroporto. No domingo, mesmo com o clima de insegurança, arriscamos um passeio até o Memorial da América Latina, na Barra Funda. As ruas estavam bem vazias.

Tudo soa como um grande deboche. A bandidagem tudo pode; o Estado pouco faz. O governo paulista recusa ajuda da Polícia Federal para evitar que, na campanha, Lula diga que teve que socorrer o estado governado por Alckmin até poucos dias atrás. Não importa se pessoas estão sendo mortas.

Dos candidatos ouvidos, a maioria recorreu ao clichê politicamente correto do "é preciso investir em educação, blá, blá, blá". Não vi ninguém, nem a polícia, com uma proposta prática para enfrentar a bandidagem. Por exemplo: por que não atirar nos detentos que se exibem em telhados dos presídios? Sou completamente contra a tortura e acho que o Estado tem o dever de zelar pela vida dos presos, já que estão sob sua guarda. Mas daí a tolerar rebeliões vai uma grande distância. Claro que a polícia não intervém porque os amotinados se escondem por trás dos reféns.

É certo, por outro lado, que as cadeias estão cheias. O governo paulista fez demagogia ao implodir o Carandiru. Pra onde foram todas aquelas pessoas? Certamente, foram superlotar os presídios do interior.

Também é certo que as chamadas desigualdades sociais formam um quadro propício para a explosão do crime. Um jovem desempregado é muito mais facilmente atraído para o crime organizado, que lhes dá dinheiro e status.

Outro deboche a nossa Justiça. As leis - e principalmente o código de processo penal - são feitas para que os bandidos ricos, sejam eles deputados ou traficantes, se beneficiem de uma infinidade de recursos, que fazem a fortuna de muitos advogados. Justiça que tarda falha.

Por último, a fragilidade da polícia. Os policiais ganham pouco em todo o país. Os honestos fazem bicos para poder sobreviver. Os outros... bem... os outros fazem o papel de bandido; permitem a entrada de armas e celulares nos presídios e chegam a integrar o próprio crime organizado.

Mas, indo mais fundo na análise, é preciso mencionar um ponto completamente ignorado: o papel dos entes da Federação. O que fazem os Estados hoje em dia? Quase nada. Limitam-se a pagar a folha de pessoal. Não fazem estradas, não provêem educação com qualidade pelo menos razoável nem garantem a segurança das pessoas de bem. E os municípios? Idem.

É preciso um novo pacto federativo que dê mais autonomia aos estados e municípios; que deixe nos municípios a maior parte do dinheiros dos impostos. É mais para a população cobrar do prefeito do que do presidente da República. E cada estado tem que ter autonomia para adotar suas próprias regras. O que tem em comum a realidade sócio-econômica do interior do Piauí com a de Santa Catarina, por exemplo? O salário mínimo é uma renda considerável para um funcionário de uma prefeitura do interior do Ceará, mas é irrisório na capital paulista, onde uma diarista cobra R$ 60 por uma faxina.

Por fim, é preciso agir estrategicamente no curto e no longo prazos: muito rigor na repressão da bandidagem, agora, imediatamente, não importando se a causa é social, blá, blá, blá. Ao mesmo tempo, um investimento maciço na educação dos nossos jovens que possibilite resgatar as próximas gerações. No Brasil, até agora, o governo investiu para maquiar as estatísticas. Há mais pessoas estudando, menos analfabetos, mas cada vez mais gente formada em curso superior sem saber escrever um parágrafo inteligível em português padrão. Matemática, então, nem se fala.

sexta-feira, maio 12, 2006

Já faz um ano

No dia 12 de maio de 2005, defendi minha dissertação de mestrado na PUC, com nota 10. Não deu nem pra comemorar porque meu pai estava em coma. Minha irmã contou no ouvido dele que eu conseguira e ele esboçou uma reação. Foi um período duro. Deixei-o na UTI, em Santa Catarina, e vim pra São Paulo começar num trabalho novo e apresentar a dissertação. Cinco dias depois, voltei para o sepultamento.

quarta-feira, maio 10, 2006

Leandrinho matando a pau

Do USA Today

O armador Leandro Barbosa dos Phoenix Suns está ganhando apelidos mais rapidamente do que joga. O Borrão Brasileiro. Ligeirinho. O homem mais rápido do planeta, disse o técnico do Suns, Mike D'Antoni. E o mais recente, cunhado pelo companheiro de equipe Boris Diaw: "Papa-léguas".O que provoca a pergunta à medida que esquentam os playoffs da NBA: se o Phoenix Suns joga em velocidade warp, em que marcha joga Leandro.

O MVP da temporada Steve Nash (centro) é saudadado por Shawn Marion (esq) e Leandro"Leandro", disse o melhor jogador da temporada, Steve Nash, o orquestrador do ataque pegue-nos se puder, "tem uma marcha que desconheço totalmente. É engraçado assistir. Quem me dera eu pudesse pegá-la emprestada por um quarto ou dois apenas por diversão. Eu emprestaria meu carro para ele se ele me emprestasse suas rodas".
As rodas estão acelerando em ritmo de 500 Milhas de Indianápolis para Leandro e os Suns. Eles ativaram todos os cilindros novamente na segunda-feira, em uma demonstração ofensiva arrebatadora para abrir a segunda rodada dos playoffs contra o Los Angeles Clippers.O Suns acertaram 54,7% de fora do garrafão, 44,4% da linha de três pontos e 96% da linha de lance livre, obtendo desconcertantes 74 pontos na segunda metade do jogo -após 48 horas de descanso após a vitória emocionante no sétimo jogo contra os Los Angeles Lakers.
Eles se somaram à vitória por 130 a 123 no primeiro jogo das semifinais da Conferência Oeste -um inicio desencorajador para os Clippers, que desperdiçaram um jogo de 40 pontos de Elton Brand, 59,3% de arremessos certos, sete dias de descanso e a presença de um antigo torcedor ao lado da quadra, Billy Crystal."Nós meio que suportamos a tempestade, mas não podemos esperar fazer isto toda noite", alertou o ala James Jones de Phoenix.
Esta sempre é a questão com os defensivamente frouxos Suns, que vivem do ataque quando está sincronizado, mas que morrem quando os oponentes ditam o ritmo com um maior campo ofensivo. Todavia, a bola pequena contra homens grandes se transformou em uma corrida de atletismo em vez de uma luta de boxe, com outra vitória dos Suns na segunda-feira. O segundo jogo será na noite de quarta-feira, em Phoenix.
Desde que os Lakers desaceleraram o ritmo com sucesso e conquistaram uma vantagem de 3 a 1 na sua série, os Suns se reagruparam ofensivamente e venceram quatro consecutivas.Não se tratou apenas de uma volta ao habitual, mas sim uma volta ao incomum. Uma equipe com uma média elevada de 108,4 pontos em uma temporada regular devastou a equipe de Los Angeles nos playoffs com uma média de 122,8 pontos em 55,2% de arremessos de fora do garrafão, 42,9% de longa distância e 89,8% da linha de arremesso livre nos últimos quatro jogos. Isto inclui uma precisão de 61% nos arremessos em meio à pressão que foi o sétimo jogo no sábado.
Não é de se estranhar que Kobe Bryant saiu resmungando que "eles são como corredores olímpicos. Eles têm muito poder de fogo. Eles não cessavam de nos atacar em ondas".
Ondas. Faltou um ponto de Jones para os Suns colocarem sete jogadores somando dois dígitos no primeiro jogo contra os Clippers. Seis estão marcando dois dígitos em média nos playoffs."Eles não vão nos desacelerar", disse o ala Shawn Marion. Nash acrescentou: "Nós estamos melhorando. Estamos ficando mais equilibrados. Nosso ataque está claramente jogando com o tempo, confiança e ritmo que precisamos".
Ritmo, ritmo é o teste. É uma questão de escolher seu veneno com esta equipe, mesmo com Phil Jackson, dono de nove titulos, e agora Mike Dunleavy, o treinador que ressuscitou os Clippers, planejando uma desaceleração do jogo. Mas nenhum teve sucesso. "Ritmo", disse Dunleavy, "não é exatamente o que precisávamos". O que os Clippers precisavam era de um grande jogo no garrafão de Brand, com 6 acertos em 8, e sólido arremesso de fora. Eles conseguiram ambos -mas mesmo assim perderam. "Nosso objetivo é tentar segurá-los", disse Dunleavy. "Obviamente conseguimos passar a bola para Elton e criar algumas oportunidades para os demais. Mas foi um esforço perdido."Surpreendentemente, e talvez mais desanimadoramente para os Clippers, mesmo com o elevado número de acerto nos arremessos, os Suns os superaram."Nós temos que controlar melhor o tempo", disse Brand. "Para colocar o tempo a nosso favor nós precisamos limitar nossos arremessos rápidos. Este é o plano de jogo deles. Não pode ser um ouro de tolo. Este é o ritmo e estilo deles e não podemos fazer isto."Mas é mais fácil dizer que fazer. Pergunte aos Lakers, que contaram com Kwame Brown e Lamar Odom em vez de Bryant e perderam uma vantagem de 3 jogos a 1."Eu vou roubar uma fala da Disney e dizer que é mundo pequeno afinal", disse D'Antoni após a série com os Lakers. "Eu acho que baixinhos podem jogar."Foi outra validação do estilo de D'Antoni, questionado nas duas últimas temporadas pelo seu fracasso nos playoffs. Mas ele levou os Suns para as finais da conferência no ano passado, quando o time perdeu cinco jogos para os futuros campeões San Antonio Spurs -que os derrotaram em seu próprio jogo acelerado. Agora os Suns estão a três vitórias de outra final da conferência."Nós estamos sempre 'arruinados'", disse Nash, respondendo aos críticos. "Nós estamos 'arruinados' antes da temporada, nós estamos 'arruinados' durante a temporada, nós estamos 'arruinados' durante os playoffs. Isto não nos afeta porque sempre duvidam de nós."Preenchendo habilmente os buracosEsta é uma equipe que desafiou as expectativas durante toda a temporada. Ela venceu 54 jogos sem o machucado astro Amare Stoudemire e sem o pivô Kurt Thomas, que está sem jogar desde fevereiro por lesão. As duas lesões ocorreram após a reformulação dos Suns fora da temporada, que trouxe de volta apenas dois iniciantes e quatro jogadores do esforço de 62 vitórias da última temporada."Eu acho que nossa resistência e nossa perseverança foram fundamentais para nosso sucesso", disse Nash. "Nós tivemos tamanha mudança e troca de jogadores que é necessária muita abnegação e muita determinação para realmente apresentarmos o retrospecto que temos e chegarmos aos playoffs. Nós realmente temos que nos apoiar nisto, especialmente estando um pouco abaixo na estatura e enfrentando tantas lesões."Muitos Suns têm se destacado: Nash, Marion, o produtor de duplos dobros; o defensor Raja Bell, o xerife da defesa e ás dos três pontos; Diaw, a ameaça de triplo dobro da França que está com uma média de 21 pontos nos últimos cinco jogos; e o ala Tim Thomas, que foi posto para fora do Chicago Bulls.E é claro, o Borrão Brasileiro, Leandro. O jogador veloz seguiu sua temporada de estréia (máximo de 13,1 pontos, terceiro na liga em arremessos de três pontos com 44,4%) com uma segunda temporada como revelação. Contra os Lakers, nos jogos eliminatórios 6 e 7, o armador totalizou 48 pontos.Leandro tinha 17 pontos em 33 minutos fora do banco no primeiro jogo contra os Clippers. "Este é um grande ás de se ter", disse D'Antoni. "Ele abre tudo."Leandro, uma decepção nos playoffs da temporada passada, começou a mudar sua sorte no começo do segundo semestre do ano passado, quando o presidente dos Suns, Jerry Colangelo, também diretor da seleção americana, o viu jogar pelo Brasil na Copa das Américas, realizada na República Dominicana.Joe Johnston, um armador chave dos Suns na temporada passada, tinha acabado de partir para ganhar mais dinheiro e menos vitórias nos Atlanta Hawks."Eu tentei lhe dar um pouco de incentivo", disse Colangelo sobre Leandro. "Devido às trocas que fizemos ele teve uma grande oportunidade. Eu disse: 'Você precisa pegar esta chance. Você consegue'. A confiança dele aumentou muito. Era tudo o que ele precisava -sua confiança."Leandro Barbosa marcou 37 pontos contra os Estados Unidos em uma derrota -e não olhou para trás.Os Suns trouxeram o irmão de D'Antoni, Dan, um técnico colegial de 30 anos, para trabalhar individualmente com Leandro e os frutos disto foram excelentes."Ele me deixa melhor", disse Leandro, que fala inglês e português. "Ele faz com que eu me sinta confiante."Antes de cada jogo, Dan D'Antoni deixa notas no armário de Leandro para ele se concentrar. A lista é geralmente longa- 10 a 12 notas. Mas antes do sétimo jogo contra os Lakers, ele deixou uma simples mensagem: "Não faça muitas faltas e apenas jogue seu jogo. Está com você agora".A resposta de Barbosa: 26 pontos em 10 arremessos certos em 12, em 31 minutos."Eu estou me sentindo bem, à vontade, confiante", ele disse após o primeiro jogo. "Eu estou me divertindo."Ele é o corredor supremo da equipe e até tem estabelecido o tom com suas disparadas para a cesta e longos arremessos de três pontos."Nós estamos correndo, correndo, correndo e abrindo espaço para arremesso", disse Leandro. "É a forma como gosto de jogar."

terça-feira, maio 09, 2006

Quanta semelhança!

Os fazendeiros resolveram imitar o MST: fizeram uma série de manifestações por todo o país. Em comum, as ações também infringiram a lei: impediram a entrada de funcionários públicos e um órgão da fazenda, no Mato Grosso, e ergueram barreiras em várias rodovias importantes do país, impedindo o direito de ir e vir das pessoas.
E o que disse o ministro Roberto Rodrigues, o inimigo número 1 do MST neste governo esquizofrênico, que sempre critica as arruaças da turma do Stédile? "O movimento é legítimo!" E o que querem os "produtores rurais"? Ora, o de sempre: que o governo não lhes cobre as dívidas. Assim é o nosso capitalismo tupiniquim: quando dá lucro, o fazendeiro embolsa; quando dá prejuízo, a gente paga o pato.