sábado, novembro 18, 2006

Isso explica muita coisa

Dia desses, fui a um churrasco com alguns bons amigos, num aprazível canto da zona Sul de Florianópolis. Um amigo e colega jornalista me contou que retomara o curso de economia, que abandonara no finalzinho. Falamos do quão interessante (e chato) pode ser um curso de economia. Pra mim, economia é um curso perfeito porque reúne elementos do que pode haver de melhor em outras ciências humanas/sociais, da psicologia à política.

Mas, por aqui, em tempos de discursos bolivarianos, ainda grassa muita desconfiança de tudo que seja ligado à ciência, não raramente seguida por algum adjetivo do tipo "burguesa". Não é difícil entender porque estamos neste atraso todo.

Mas, voltando à economia, o meu amigo me contou um episódio que ilusta bem isso tudo. Um belo dia, um professor dele, do curso de economia da UFSC, comentou com os alunos (coitados) ter lido um artigo muito interessante de um "pensador" francês (tinha que ser) que considerava a matemática uma "ciência alientante". Isso mesmo!

Pergunto eu: como vamos tirar "effepaiff" do atraso em que se encontra com professores como esses ensinando nas nossas melhores escolas? É por isso que a grande maioria dos economistas sai da graduação praticamente analfabeta em matemática. E vão produzir o quê, essas criaturas, em termos acadêmicos? Lixo.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Assino embaixo

Dá-lhe, Dines! - em dia particularmente inspirado.
Os que atacam a imprensa, na tentativa de defender o lulismo, não criticam um veículo em particular, ou uma prática danosa, mas a instituição da imprensa livre. E não entendem que imprensa livre não significa imparcial, desinteressada.

terça-feira, novembro 14, 2006

Notícias de dois países latino-americanos

Segunda-feira agitada, esta! Lula deu um pulinho ali na Venezuela (com o aerolula tudo fica mais fácil) para participar de um comício do Chavez. Era a inauguração de uma ponte sobre o Rio Orinoco, entre o Brasil e a Venezuela, mas virou comício do presidente-candidato. Tudo na maior cara-de-pau.

Blairo Maggi, aquele que se vendeu por R$ 1 bilhão (por essa grana, até eu!), disse que se fosse no Brasil o tiranete estaria inelegível por 300 anos. E vejam como Chavez gosta do seu querido povo: a ponte já estava pronta há quatro meses, mas só foi inaugurada agora, porque Lula não podia estar lá durante a campanha daqui.

Na ausência de Lula, o Brasil teve o primeiro presidente comunista, Aldo Rebelo. Essa vai entrar para os livros de História.

Por fim, pra fechar com chavez de ouro (não consegui resistir!), o nosso Chavez Requião desapropriou uma fazenda de uma multinacional usada para pesquisa científica que fora invadida pelo movimento Via Campesina. Idade Média, aqui vamos nós!

quinta-feira, novembro 09, 2006

Em tempos de manifesto...

Esta eu tirei do blog do Claudio Shikida. Em tempos de manifesto em favor de Emir Sader, vale a pena ler um trechinho do depoimento de Eduardo Gianetti, no livro Conversas com Economistas Brasileiros.

"A vida intelectual brasileira ainda é muito tribal. Tem grupinhos de autores que dão tapinhas nas costas e que atacam junto as outras tribos.(...)Quando José Guilheme Merquior acusou Marilena Chauí de fazer aquele plágio, e, segundo a evidência, parece-me que constituiu plágio, chegaram a fazer um abaixo-assinado de solidariedade a Marilena Chauí, que é a reação mais tribal que se pode imaginar. Quer dizer, a pessoa fez um plágio e sucita um abaixo-assinado de apoio porque ela foi vítima de um ataque vil?!"

Como gostam de um manifesto por aqui, heim!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Dúvidas e considerações

Algumas considerações sobre o "caso Emir Sader".

1. Numa democracia, recorrer à Justiça é um direito básico de qualquer cidadão que se sinta prejudicado ou ofendido (ainda que eu ache que alguns endinheirados usem essa tática para intimidar os seus críticos). O senador Jorge Bornhausen se sentiu ofendido pelo artigo de Sader e recorreu à Justiça, o que é plenamente legítimo.

2. O juiz condenou Sader por injúria, ou seja, quando alguém ofende um outro por um juízo geral, não por ter cometido um fato específico, como fez Sader ao chamar o senador de "racista, pessoa abjeta", entre outros elogios.

3. Ignorante que sou em Direito, não consigo chegar a uma conclusão sobre se Sader foi condenado por um crime de opinião. Dizer que uma pessoa é racista significa imputar a ela um comportamento criminoso. Logo, está-se cometendo um crime se não se confirmar que tal pessoa praticou um ato racista.

4. No caso do senador, Sader entendeu que a expressão "esta raça" usada por ele teria conotação racista. Francamente, só com muita limitação intelectual ou má-fé, mesmo. "Esta raça" é uma expressão corrente que se refere a grupo, turma e similares.

5. Muitos dos "intelectuais" e jornalistas que assinaram o manifesto de apoio a Sader alegam que ele está sendo vítima de uma condenação por crime de opinião. Ele não teria ofendido o senador ao chamá-lo de "fascista, pessoa repulsiva da burguesia brasileira, racista, repulsivo, odioso..." Bom, se alguém que escreve isso não tem a intenção de ofender, então também não tem condição de dar aulas em uma universidade pública por absoluta falta de discernimento. Se assim não for, terá mentido na defesa.

6. Entre os que assinaram o manifesto, estão pessoas que foram à Justiça contra jornalistas que os teriam ofendido, principalmente contra Diogo Mainardi, o boquirroto da Veja. Ou seja, Eles podem processar o Mainardi por injúria, calúnia e difamação, mas o Bornhausen não pode processar o Sader pelo mesmo motivo??

7. Esse tipo de comportamento é um verdadeiro perigo porque mostra o messianismo deste pessoal (eu poderia usar a expressão "dessa raça", aqui): processar o Diogo Mainardi ou qualquer outro, como o próprio Bornhausen, porque são "de direita", da "elite branca" - pra ficar em alguns termos simplistas usados por Sader. Mas o sociológo não pode ser processado por ser "de esquerda", o bom moço, um elemento do conjunto dos joãozinho-do-passo-certo, a quem tudo é permitido por ser "de esquerda".

8. Por outro lado, não seria um risco também condenar Sader tão severamente, inclusive com a perda do cargo de professor? Isso não daria margem para que outros juízes condenem outros "intelectuais" - de esquerda ou de direita - por supostas opiniões? E dou o exemplo de intelectuais que escrevem regularmente na internet com críticas a pessoas de "esquerda" ou de "direita". O presidente Lula não poderia processar alguém que o chamasse pelos muitos apelidos que tem angariado nos quatro anos de (des)governo?

9. Falando disso me vem à cabeça o caso da crítica feita pelo professor Roberto Romano a um livro do "intelectual" Muniz Bandeira, publicado na finada revista Primeira Leitura. O autor do livro pediu direito de resposta por ter se sentido ofendido e, até onde eu sei, a revistanão chegou a publicar a resposta. Blogs que publicaram a crítica de Romano publicaram a resposta de Bandeira, como foi o caso do Tambosi. Também até onde eu sei, Bandeira pediu apenas direito de resposta. Não seria o caso de o senador Bornhausen ter se limitado a isso também, no caso do artigo ofensivo de Sader?

10. Enfim, meu receio é o de que, daqui para a frente, a patrulha fique tão intensa que não se possa escrever mais nada, sob pena de responder a processo judicial. Isso é da democracia, claro, mas pode se tornar uma dor de cabeça e um ônus insuportável para os que não têm condições de pagar bons advogados. E isso faz toda a diferença.

PS. Ia esquecendo: virou moda chamar de "fascista ou racista qualquer um que tenha posição diferente do senso comum, do politicamente correto. Eu mesmo fui alvo disso enquanto estudava, porque fazia parte de uma "raça" que satirizava os gays, a quem chamávamos de "viados".

quarta-feira, novembro 01, 2006

A coisa é muito séria

Abusos, ameaças e constrangimentos a jornalistas de Veja

A pretexto de obter informações para uma investigação interna da corregedoria sobre delitos funcionais de seus agentes e delegados, a Polícia Federal intimou cinco jornalistas de VEJA a prestar depoimentos. Eles foram os profissionais responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" destinada a afastar Freud Godoy, assessor da presidência da Republica, da tentativa de compra do dossiê falso que seria usado para incriminar políticos adversários do governo. Três dos cinco jornalistas intimados – Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro – foram ouvidos na tarde de terça-feira pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira.
Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. As perguntas giraram em torno da própria revista que, por sua vez, pareceu aos repórteres ser ela, sim, o objeto da investigação policial. Não houve violência física.
O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição.
Ao tomar o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira indagou os motivos pelos quais ela escrevera "essa falácia". A repórter da VEJA, então, perguntou ao delegado Moysés qual era o sentido de seu depoimento, uma vez que ele já chegara à conclusão antecipada de que as informações publicadas pela revista eram "falácias". Ao ditar esse trecho do depoimento para o escrivão, o delegado atribuiu a palavra à repórter, no que foi logo advertido pela representante do Ministério Público Federal, a procuradora Elizabeth Kobayashi. A procuradora pediu ao delegado que retirasse tal palavra do depoimento porque tratava-se de um juízo de valor dele próprio e que a repórter nunca admitira que escrevera falácias.
Embora a jornalista de VEJA estivesse depondo na condição de testemunha num inquérito sem nenhuma relação com a divulgação das fotos do dinheiro do dossiê, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou sobre reportagem anterior, assinada por ela, que tratava do tema. O delegado exigiu, então, da repórter que revelasse quem lhe dera um CD com as fotos. A repórter se recusou a revelar sua fonte.
Durante todo o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou sobre o que ele dizia ser uma operação de VEJA para "fabricar" notícias contra a Polícia Federal. Disse que a matéria fora preconcebida pelos editores da revista e quis saber quem fora o editor responsável pela expressão "Operação Abafa".
O delegado disse que as acusações contra o diretor-executivo da Superintendência da PF, Severino Alexandre, eram muito graves. E perguntou "Foi você quem as fez? Como vieram parar aqui?". Referindo-se à duração do depoimento, o delegado Moysés Eduardo Ferreira disse: "Se você ficou duas horas, seu chefe vai ficar quatro"
Indagada sobre sua participação na matéria, a repórter Camila Pereira disse ter-se limitado a redigir uma arte explicativa, a partir de entrevistas com advogados, sobre como a revelação da origem do dinheiro poderia ameaçar a candidatura e/ou um eventual segundo mandato do presidente Lula. O delegado perguntou quais advogados foram ouvidos. A repórter respondeu que seus nomes haviam sido publicados no próprio quadro. O delegado, então, perguntou se VEJA pagara pela colaboração dos advogados. Diante da resposta negativa, o delegado ditou para o escrevente que a repórter respondera que "normalmente a revista não paga por esse tipo de colaboração". A repórter, então, o corrigiu, dizendo que a revista nunca paga para suas fontes
Embora os repórteres de VEJA tenham sido convocados como testemunhas, o delegado Moysés Eduardo Ferreira impediu que eles se consultassem com a advogada que os acompanhava, Ana Dutra. Todo e qualquer aparte de Ana Dutra era considerado pelo delegado Ferreira como uma intervenção indevida. Em determinado momento, Ferreira ameaçou transformar a advogada em depoente. Ele também negou aos jornalistas de VEJA o direito a cópias de suas próprias declarações, alegando que tais depoimentos eram sigilosos. A repórter Júlia Duailibi foi impedida de conversar com o repórter Marcelo Carneiro.
A estranheza dos fatos é potencializada pela crescente hostilidade ideológica aos meios de comunicação independentes, pelas agressões de militantes pagos pelo governo contra jornalistas em exercício de suas funções e, em especial, pela leniência com que esses fatos foram tratados pelas autoridades. Quando a imprensa torna-se alvo de uma força política no exercício do poder deve-se acender o sinal de alerta de modo que a faísca seja apagada antes que se torne um incêndio. Nunca é demais lembrar: "Pior do que estar submetido à ditadura de uma minoria é estar submetido a uma ditadura da maioria."

Tudo o que eu queria dizer está resumido aqui

Há uns dias eu vinha pensando, nas poucas horas de folga, em algumas idéias para um artigo que juntasse eleições e a crítica da imprensa que alguns jornalistas governistas estão fazendo. Mesmo ganhando com 60% dos votos, eles reclamam da imprensa. Ou melhor, da Veja. Querem unanimidade; a aprovação unânime da administração do apedeuta. Tristes trópicos; aliás, bananão.
Agora, não preciso ter o trabalho de escrever mais nada. Está tudo aqui no artigo excelente de Gustavo Ioschpe. Simplesmente, perfeito.



Gustavo Ioschpe
Perversões da democracia
A função de todo sistema político é maximizar o bem-estar de seus cidadãos. A premissa da democracia é que ninguém melhor do que o próprio cidadão para julgar o que é melhor para si, e que da agregação das vontades individuais cumprir-se-á a vontade coletiva.

Nas democracias modernas, as vontades são expressas em voto e seus artífices são os eleitos. Para que o processo seja justo e atinja seus objetivos, são necessárias algumas condições. O eleitor precisa saber o que ocorre e o que cada candidato defende (informação) e precisa conseguir analisar esse conhecimento para julgar qual proposta será mais condizente à consecução de seu ideal de país (formação).
Em um país como o Brasil, em que o acesso à informação é precário e a capacidade de julgamento é prejudicada pelo baixo esclarecimento da maioria da população, três quartos dos cidadãos não são plenamente alfabetizados -a tentação de usar as limitações da democracia para solapá-la são enormes.
Em particular há duas tentações: a de sacrificar o futuro pelo presente e a de sacrificar a minoria pela maioria. Creio que o governo que acaba de ser reeleito comete ambos os abusos. Os paliativos oferecidos aos pobres são financiados por um aumento do peso do Estado, que tende a fazer com que o subdesenvolvimento perdure. Os pobres que recebem a ajuda não sabem disso, mas os governantes, sim.
Não apenas a pobreza de amanhã financia a de hoje, como se criou uma cultura de ressentimento e vilanização dos que pensam diferente. Quem aponta a nudez do rei é visto como elitista. Quem cobra a eficiência da gestão pública é tachado de privatista. Quem discorda da imposição de critérios raciais na orientação de políticas públicas é racista. Quem denuncia que o presidente bebe é expulso do país. Quem acredita que o respeito à lei e às instituições é um dever que voto nenhum pode alterar virou golpista. Os adversários políticos que não se vendem serão destruídos por dossiês criminosos.
A democracia está sendo solapada pela desqualificação do contraditório, pelo achincalhamento dos mecanismos de controle do Executivo da imprensa ao Congresso. Pão e mensalão: a receita da pax lulista.
Esse meio é seu próprio fim. O poder que corrompe é usado a serviço da manutenção do poder. Ninguém acredita que o Bolsa Família diminuirá a pobreza. É uma política sem finalidades que não a sua perpetuação. Os que crêem que o petismo morre com Lula são os que acreditaram que o mensalão decretava seu fim. As engrenagens que descosturam nossa fibra democrática estão a pleno vapor.
Assim é também porque os oposicionistas sacrificam o respeito às instituições por votos. Se continuar assim, a justiça econômica advirá da socialização da pobreza, a igualdade social virá por decreto e o processo eleitoral se transformará em mero simulacro de uma democracia que, por vontade popular entronizará a maravilha da brasilidade mantendo inalterado esse caloroso atoleiro em que nos transformamos.

terça-feira, outubro 31, 2006

Nada como o espírito democrático

Vejam como são democratas os petralhas. Um absurdo!

Da Folha online:

Militantes do PT agrediram verbalmente hoje jornalistas que cobriram a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Base Aérea de Brasília. Na chegada ao Palácio do Alvorada, os militantes voltaram a xingar os jornalistas. Um deles usou o mastro da bandeira do PT para tentar bater num repórter.À tarde, após coletiva do presidente-interino do PT, Marco Aurélio Garcia, um militante voltou a xingar os jornalistas.Garcia condenou a atitude da militância. "Se houve qualquer manifestação de intolerância, tem a nossa condenação muito clara. Todos sabem que muitas vezes divergimos sobre o comportamento da imprensa. Mas nunca a ponto de negar o papel que ela tem."No entanto, ele disse que a imprensa também deveria fazer uma "auto-reflexão" sobre sua atuação durante a campanha eleitoral.

Ah, e um diretor da Fenaj teria justificado que "os jornalistas provocam"! Esta minha "catchiguria"...
Será que isso nos dá uma idéia do que nos espera nos próximos quatro anos?

sábado, outubro 28, 2006

Lula desmascarado

Pronto; está aqui. Mais um mito do governo Lula cai por terra. Apesar de alardear que "nuncaantesneztepaiz" se investiu tanto no social, o professor Marcio Pochmann, da Unicamp, mostra que os gastos sociais de Lula são inferiores aos de FHC! O Marcio, com quem tive o prazer de trabalhar, faz diferença entre gasto social e gasto com assistência social. Para nós, leigos, é tudo a mesma coisa, mas para um profissional sério como ele, não.

Marcio é o tipo de pessoa de quem você até pode discordar, mas a quem nunca poderá acusar de falsear a realidade. Como secretário, foi a reserva moral do governo de Marta Suplicy, em São Paulo. Grande Marcio!

quarta-feira, outubro 25, 2006

E agora?


E falando em racismo... a foto ao lado (da EFE) põe por terra a estultice de que a cor da pele da gente denota raças diferentes. Tão diferentes que nasceram dois gêmeos, um negro e outro branco. Ambos muito fofos, né não?
Resta dizer, meu caros, que a idiotice não tem cor, não. Há idiotas brancos, negros, amarelos, vermelhos, rosas com bolinhas verdes... O que parece claro é que ONGs e outros picaretas se esmeram em disseminar a cizânia. Afinal, se não for assim, vão perder a razão de existir.

Conseguiram

Pronto. Eles conseguiram. Vejam no que dá esta história de cotas que levam em conta a cor da pele das pessoas. Um bando de idiotas se acha no direito de xingar os negros porque estariam tomando seus lugares nas escolas. Tanto os idiotas negros quanto os brancos incorrem no mesmo erro: o conceito de "raça" não se sustenta cientificamente. Somos todos iguais, portanto, como já declara nossa Constituição.

Da Folha de hoje:

KLEBER TOMAZDA
REPORTAGEM LOCAL

Três homens foram presos na madrugada de ontem colando panfletos racistas com críticas ao programa de cotas de vagas para afrodescendentes nas universidades públicas. O grupo foi flagrado com o material nas imediações da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, próximo a uma universidade.
Os três foram indiciados sob a acusação de crime de racismo - incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional. O crime é inafiançável e a pena é de 1 a 3 anos de prisão.
Os cartazes, que foram impressos do site do grupo White Power (Poder Branco) São Paulo, diziam: "Vestibulando branco. Hoje eles roubam sua vaga nas universidades públicas. E chamam isso de direitos iguais. Se você não agir agora, quem nos garante que eles não roubarão vagas nos concursos públicos? Devemos assegurar a existência de nossa raça e futuro de nossas crianças brancas". Também simula uma prova de vestibular feita por um negro com respostas com erros grosseiros e o carimbo de "aprovado".
O White Power São Paulo, que é investigado pelo Ministério Público desde 2004, se diz "nacional-socialista", prega a valorização da raça branca, a intolerância contra negros, judeus, nordestinos, imigrantes ilegais e homossexuais.
Os presos são: o autônomo Rogerio Costa Andrade, 27, o designer Eduardo Brandão Jarussi, 26, e o vendedor Emerson de Almeida Chieri, 34. À polícia, eles disseram que não são racistas. À Folha, disseram que têm o direito de expressar sua opinião (leia texto ao lado).
"O White Power é nazi-racista e está se organizando. Já foi denunciado por panfletagem pregando ódio contra negros e judeus no ABC há três meses", afirmou ontem Dojival Vieira dos Santos, da Afropress -Agência Afroétnica de Notícias. Segundo ele, o White Power se considera mais "ideológico do que os Skinheads [Cabeças Raspadas]", conhecidos pelas ações violentas.
A página do White Power SP na internet contém diversos artigos que enaltecem o nazismo. Ensina até "como divulgar a propaganda pró-branco", dá dicas de como colar os panfletos e até recomenda que os mesmos sejam afixados, entre 23h e 4h.
Segundo a polícia, os acusados, que são todos brancos, foram presos por volta da 0h35 de ontem. Dois têm a cabeça raspada: Andrade, que segundo a polícia possui tatuagens do grupo White Power e Skinhead, do qual teria sido membro atuante, e o designer Jarussi.
Já o vendedor Almeida Chieri, também indicado, já teve passagens na polícia por roubo, furto e posse de droga. "Não sabia que os cartazes tinham esse conteúdo. Pensei que se tratavam só de críticas as cotas para negros", disse ele à polícia.Chieri ainda alegou que tem dois filhos afrodescendentes com sua ex-mulher.
Os três foram transferidos para o CDP (Centro de Detenção Provisória) Independência, na capital.Eles já teriam afixado 20 dos 261 cartazes de cunho racista quando foram surpreendidos pela PM na esquina das avenidas Lins de Vasconcelos com a professor Noe Azevedo, nas proximidades da faculdade Unip e Metrô Vila Mariana.
Caso fique provado que os três ainda são responsáveis pela autoria do conteúdo dos cartazes, a pena pode aumentar para de 2 a 5 anos. Segundo a versão da polícia, Chieri estava com um soco inglês e um cartaz. Andrade segurava um tubo de cola e um rolo para pintar. Jarussi ficou dentro de um carro com cartazes.
O delegado-assistente Rui Diogo da Silva, do 36º DP, do Paraíso, onde foi feita a ocorrência, investiga a possibilidade de mais pessoas estarem envolvidas com os três acusados."Eles são contra a cota para negros e não se dizem racistas, mas a conduta prova o contrário. Menospreza a capacidade intelectual da raça negra", disse o delegado, que é afrodescendente e contrário às cotas raciais. "Acho que as cotas devem ser para alunos das escolas públicas, brancos ou negros."

sábado, outubro 21, 2006

Jornalismo oficial

A respeito da polêmica sobre a divulgação das fotos da dinheirama do dossiêgate, tenho lido muitos coleguinhas (entre eles, gente boa) criticar com veemência a postura dos jornais e TVs que as publicaram. Para mim, alguns textos não passam de defesa do governo travestida de crítica da imprensa. A discussão está toda lá no Observatório da Imprensa.

Surrupiei do blog do meu amigo Marcelo Soares alguns trechos com os quais concordo integralmente.

"Ilimar Franco (O Globo), em seu blog:
"Eu publicaria a foto do dinheiro. É de interesse jornalístico, ponto. Protegeria e ocultaria minha fonte. É assim que funciona a apuração jornalística. Se um jornalista disser para você o contrário pode ter certeza que estás diante de um mentiroso. A tentativa de criminalizar a apuração jornalística é um erro grave. Tem muita gente boa fazendo isso sem pensar nas consequências para o nosso árduo trabalho diário. É o seguinte: os jornalistas que conseguiram as fotos não revelaram a fonte. Tentaram proteger a fonte. Deviam tê-lo feito? Sim. Deviam fazer como a reportagem de Carta Capital, que conta uma história sem citar uma única fonte sequer. O mesmo método dos três delegados da PF da Veja, no governo Lula, ou das quatro fontes do mercado sobre corrupção no Banco Central, no governo Fernando Henrique. É assim mesmo. São histórias sensacionais, que denigrem instituições e lançam suspeitas sobre pessoas, diretorias ou corporações inteiras, mas sem um único patriota disposto a denunciar publicamente."

Paulo Moreira Leite (Estadão), em seu blog:
"Acho errado todo esforço para mudar de assunto no meio da investigação sobre a operação tabajara. A operação envolve uma ação condenável de manipulação eleitoral, que deve ser investigada a fundo. Todo esforço para demonstrar que o PT foi vítima de uma conspiração adversária perde o sentido quando se recorda que petistas de primeiro escalão montaram a operação suicida, que impediu a vitória de Lula no primeiro turno. Ou seja: mesmo que se demonstre que o lance original da operação tabajara tenha sido dado por um cérebro ligado ao PSDB, a CIA ou a quem quer seu seja, o máximo que essa informação revela diz respeito à qualificação e ao vergonhoso despreparo de determinados auxiliares de confiança Lula. Pode-se dar muitas voltas, mas a responsabilidade sempre retornará a este círculo. Outra coisa é o papel do delegado Edmilson Bruno. Não acho que caiba a um funcionário público esconder uma informação relevante da população. Sempre fui a favor da divulgação das fotos do dinheiro, porque essa é uma tradição do jornalismo brasileiro, seja em casos de apreensões de tijolos de maconha, de sacos de cocaína, de armas contrabandeadas. Não vejo por que mudar de hábitos quando eles iriam prejudicar o governo. Isso seria manipulação. Acho que também é manipulação um delegado definir quando essa informação será divulgada – em prazos que têm uma ligação direta com a votação para presidente da república."

Ali Kamel (TV Globo), no Observatório da Imprensa:
"Agiram mal a TV Globo e toda a imprensa ao divulgar as fotos? De maneira alguma, elas eram de extremo interesse público. Agiu mal a TV Globo ao preservar a fonte? Também não, porque ao mesmo tempo em que preservou a fonte, não fez, em nenhum momento, o que ela pediu: alegar que os CDs haviam sido furtados. Desde o primeiro instante a TV Globo disse a seus telespectadores que conseguira os CDs de uma fonte graduada da Polícia Federal, com isso deixando claro que se tratava de alguém da hierarquia da polícia. Em nenhum momento dissemos que os CDs por nós obtidos eram fruto de furto ou roubo. O que mais impressiona é a parte da reportagem em que se destaca a frase do delegado: "Tem de sair hoje à noite na TV. Tem de sair no Jornal Nacional". Trata-se de um caso de omissão cujo objetivo pode ter sido dar a entender que a intenção do delegado era vazar as fotos prioritariamente para a TV Globo. Nada mais falso. Conversando com quatro jornalistas, nenhum deles da TV Globo, o delegado, a certa altura, pergunta para qual televisão ele deve divulgar, alegando que precisa que as fotos saiam numa TV. Os repórteres, nenhum deles da TV Globo, sugerem a Globo e o SBT. O delegado pergunta então se há alguém da Globo nas proximidades, e os repórteres apontam para Rodrigo Bocardi, repórter do Jornal Nacional, que estava de plantão na Polícia Federal. Outro repórter do grupo acrescenta que também está na PF um repórter da TV Bandeirantes, a quem classifica de gente finíssima. O delegado alega que não tem CDs para todos, mas os repórteres asseguram a ele que tirarão cópias e farão a distribuição aos repórteres de TV."

sexta-feira, outubro 20, 2006

Darwin on line


Já está na internet a maior parte dos trabalhos do naturalista inglês Charles Darwin, o criador da Teoria da Evolução - assim mesmo, com caixa alta.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Recado

Cristovam foi tímido, mas deu o recado.
Da FSP de hoje:

MEDO: CRISTOVAM DIZ QUE TEME NOVO MANDATO PARA PT
Mesmo com a recomendação do PDT para não revelar seu voto, o senador Cristovam Buarque disse ontem que tem medo de um segundo mandato do presidente Lula: "Eu temo mais quatro anos do governo que mistura partido, governo e Estado". Na reunião do PDT, Cristovam defendeu a candidatura Alckmin como oportunidade de alternância de poder.

PS. O fato é que o PDT está parecendo o PMDB: é um partido em cada estado. Lá em cima, tem um governador apoiando o Lula; em São Paulo, apóia o Alckmin...

Golpe baixo

O PT continua com o mote de que o Alckmin privatizaria tudo o que pudesse, se fosse eleito. Eu não vejo grandes problemas nisso, não. Pelo contrário, acho até que tem coisa pra privatizar, sim, como o Aerolula. Mas as pesquisas indicam que a choldra não gosta de privatização, que o populacho repele essa idéia. Então, dá-lhe acusar o Alckmin de mascate do século XXI (melhor escrever em arábicos porque o Lula não lê algarismos romanos).

Eu sugiro à modorrenta campanha de Alckmin que parta para o ataque, ora essa. Poderia ser dito, por exemplo, que o presidente poderá fechar o Congresso e dar um golpe de Estado, caso seja reeleito. Afinal, ele mesmo confidenciou que o "diabo" o tem atentado a fazer isso.

Pensando bem, não sei se teria efeito positivo pro Alckmin. Vai que a tigrada gosta da idéia de termos outro ditadorzinho e isso impulsione ainda mais a candidatura do Noço Guia.

sábado, outubro 14, 2006

Music

Let the music play
I just wanna dance the night away
Here, right here, right here is where I’m gonna stay
All night long, ooh, ooh, ooh, ooh, ooh, wee

Let the music play on
Just until I feel this misery is gone
Movin? kickin? groovin? keep the music strong
On and on and on and on and on and on and on and on and on and on and on and on and on and on

quinta-feira, outubro 12, 2006

Bando

Os petralhas não dão folga na internet. Dêem uma espiada na nota "O spin doctor aloprado", do blog Deu no Jornal, do meu amigo Marcelo Soares.

Estes caras são malucos messiânicos. Um bando de vagabundos que não têm mais o que fazer a não ser infernizar a vida de quem trabalha. Vão trabalhar, petralhas! Vão pegar num cabo de enxada, bando de desocupados! Devem estar sendo pagos com dinheiro público, sem dúvida. Dinheiro das ongs mantidas pelo governo, como a do chuveirão Lorenzetti, que afanou R$ 18 milhões no desgoverno Lula.

Mais quatro anos desta gente lá em cima vai ser duro de agüentar. Ainda bem que já estou arrumando a papelada pra pular fora deste "acampamento", como diz o Tambosi.

Começa assim

Estudantes do Piauí que apóiam a candidatura do Noço Guia fizeram queimaram a revista Veja em praça pública, alegando que ela faz campanha sistemática contra o governo. Os moleques dizem que defendem a liberdade de imprensa, mas que Veja estaria sendo parcial.

Ora, ora, parcial. E daí? Onde é que está dito que uma revista ou um jornal não podem ser parciais? Os moleques certamente não conhecem a legislação. Jornais e revistas não são concessão de serviço público, como rádios e TVs; por isso, podem adotar a linha editorial que melhor lhes couber.

Veja nunca escondeu sua antipatia por Lula, assim como CartaCapital não esconde a simpatia. Estamos numa democracia, ora pois. Mas os moleques não sabem o que isso significa.

Em um certo país europeu, lá pela década de 40, os fanáticos também queimaram livros e revistas em praça pública; e a democracia foi assada. Mais tarde, as fogueiras continuaram, não queimando papel, mas gente.

Exagero meu? Pode ser, mas que o espírito "democrático" deste povo messiânico causa arrepios, ah isso causa!

quarta-feira, outubro 11, 2006

Ele mente, pra variar

Veja quem é que está mentindo, mesmo, sobre os cortes de gastos públicos no próximo governo.
Lula diz que Alckmin vai cortar, mas o ministro dele o desmente.


Da Folha de S. Paulo de hoje:

GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Enquanto a campanha do PT ataca a proposta de ajuste fiscal do oponente tucano, Geraldo Alckmin, o governo Luiz Inácio Lula da Silva estuda a ampliação do mecanismo que permite à União cortar gastos sociais impostos pela Constituição.
A medida foi defendida ontem pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento), do PT, com argumentos idênticos aos do programa do PSDB: a redução das despesas federais abrirá espaço para a queda da carga tributária e dos juros, além da ampliação dos investimentos.
"Precisamos dar alguns sinais claros na área fiscal aos agentes econômicos, para alavancar de vez nosso crescimento econômico", disse o ministro após audiência na Comissão de Orçamento. Com a ressalva de que só falava em nome de seu ministério, e não do governo, Bernardo propôs a ampliação da DRU (Desvinculação de Receita da União), a regra que hoje permite ao governo federal gastar livremente 20% de suas receitas: o percentual subiria gradualmente até 25% ou 30%.
Além da DRU, Bernardo defendeu a prorrogação da CPMF, o outro instrumento provisório que expirará no próximo ano. Para o tributo, porém, a proposta é torná-lo permanente, com uma redução gradual ao longo de dez ou 15 anos, de forma que a alíquota caia de 0,38% até 0,08%.
Criada em 1993 como parte do Plano Real e em vigor desde 1994, a DRU é usada para driblar as principais imposições constitucionais de gastos, caso do direcionamento de 18% da arrecadação de impostos à educação e de 100% da receita das contribuições sociais à seguridade. Com a DRU, esses percentuais incidem sobre uma base 20% menor. O PT, que combateu a DRU na oposição, rendeu-se a ela ao chegar ao poder. Em 2003, prorrogou a regra até o final de 2007. Naquela época, a ampliação da DRU foi cogitada, mas não vingou devido à reação da bancada petista.
As idéias de Bernardo retomam uma agenda intensamente debatida pelo governo Lula no ano passado e consensual entre os economistas de pensamento ortodoxo, que inspiram o programa de Alckmin. Apoiada pelo ex-ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), a proposta de um programa fiscal de longo prazo foi bombardeada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e prejudicada pela chegada do ano eleitoral. Mas nunca deixou a pauta das discussões reservadas do governo.
Com o segundo turno, o tema se tornou pretexto para ataques à candidatura tucana, cujo programa é explícito ao pregar a necessidade de redução de despesas -apesar de negar o corte de gastos sociais. Anteontem, a campanha de Lula divulgou documento afirmando que o ajuste fiscal de Alckmin irá "reduzir os benefícios conquistados pelos idosos", "interromper o processo de redução da pobreza e da desigualdade" e "provocar uma séria recessão".
O texto comentava declarações atribuídas ao economista Yoshiaki Nakano, ligado ao tucano, segundo as quais seria possível cortar despesas em cerca de 3% do PIB, algo como R$ 65 bilhões, a partir do primeiro ano de governo. "Deve ser um mal-entendido. Nakano é uma pessoa da mais alta qualificação e sabe que isso não é possível", disse Bernardo.