quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Luto

Quando eu a visitava, nas vezes em que ia para a minha cidade Natal, Araranguá, minha avó materna se despedia de mim com um "vai com Deus, meu filho, e que São Jorge te acompanhe". Eu, que não sou crente, me emocionava a cada vez. Sabia que era o que de melhor ela podia desejar pra gente.

Nesta quarta-feira de cinzas, ela nos deixou, ali por volta das três e meia da tarde. Já tinha 83 anos, dos quais inacreditáveis quase 69 vividos ao lado do seu Antoninho. Foram dos primeiros moradores do Arroio do Silva, que pertencia a Araranguá e dela se desmembrou para virar município, em 1994 (ou 1995, não sei). Meu tio Juca, filho do casal, foi o primeiro prefeito.

Todos a chamam de Dona Ceci. Seria Cecília? Quase. Lucília! Lucília Borges. O que não tinha no tamanho sobrava-lhe na coragem. Então não é preciso coragem para criar dez filhos, naqueles tempos difíceis em que água e luz eram um luxo? Criou-os! E eles cresceram; e a D. Ceci e o Seu Antoninho tiveram netos, bisnetos e, pasmem, quatro tataranetos!

Não creio que todos nós, que dependemos dela, tenhamos pago uma ínfima parte da dívida que acumulamos nestes 83 anos. A única coisa que posso dizer agora é "vá com Deus, Vó, e que São Jorge te acompanhe".

5 comentários:

marcelo soares disse...

Poxa, cara. Força aí. Não gosto nem de pensar no que me acontece se a minha véia (88 anos completados em janeiro) inventa de aprontar uma dessas com a gente. O brujo de la calle Maipú escreveu certa vez que "morir es un costumbre que sabe tener la gente". Triste costume. htt

Aluizio Amorim disse...

Pêsames, Ph. Minha avó materna desapareceu com 92 anos de idade. Guardo as melhores lembranças dela. As avós costumam ser extremamente condescendentes com os netos. Compreendo o seu sentimento.
abs
Aluízio Amorim

rogerio christofoletti disse...

Velho, meus sentimentos. Força!
No mais, segue a vida... Por aqui, não consigo nem uma brechinha procê. Já tentei com os CVs, mas a mentalidade reinante nem sempre é receptiva... tentemos...

ph disse...

Ô, meu caro, tem nada não! Agradeço, de coração, pelo seu empenho. Sei como são essas coisas. To tentando em vários lugares, mas a (não) receptividade é a mesma :)
Precisamos é marcar um papo pessoalmente, já que estamos praticamente do lado, não é mesmo?
abraço

rogerio christofoletti disse...

Certeza. É só marcar. A primeira rodada é por minha conta.