sábado, abril 25, 2009

Rumo à civilização

Meu amigo Maurício Oliveira fez alguns comentários no post anterior que merecem um outro específico. Concordo com ele que uma coisa é a impressão que temos de um outro país como visitantes. Outra, bem diferente, é imigrar.

Não tenho dúvidas disso. Estamos no processo de imigração há mais de dois anos. Nesse período, acompanho muitos blogs de gente que já foi ou está indo morar no Canadá. Acompanho a imprensa de lá diariamente. Ou seja, não tenho grandes ilusões. Sei que não estamos indo para o paraíso.

O Canadá tem lá os seus defeitos. E não estou me referindo ao frio e à neve. Falo, principalmente, da ingerência estatal na vida das pessoas. Eu, atualmente, sou um tanto liberal, e o Canadá tem uma tendência forte ao que se pode chamar de social-democracia.

Mas esse preço a pagar é pequeno. Lá, o governo tributa, mas dá em troca. O transporte público e a saúde funcionam e há segurança nas ruas.

Imigrar é uma decisão difícil - até mesmo extrema. No nosso caso, sempre quisemos morar fora. Não sei se será para sempre. Mas queremos ficar por lá pelo menos uns três anos para ter cidadania canadense.

Geralmente, os imigrantes que escolhem o Canadá (ou Austrália, Nova Zelândia) têm um perfil diferente dos demais. Eles não vão em busca de enriquecer, mas de outras coisas não menos caras, como estabilidade, segurança e uma vida melhor para os filhos.

A maioria tem curso superior e está razoavelmente bem estabelecida aqui no Brasil. Até porque, para passar com sucesso pelo processo, é preciso ter as qualificações: formação, idade, conhecimento do idioma e grana.

A única coisa de que discordo do Maurício é a história do destino. Se o destino me fez nascer no Brasil, problema dele. Eu mudo para o Canadá! Não tem essa de destino, não.

No nosso caso, se não gostarmos, voltamos e pronto. Conheço gente que foi e adorou (a grande maioria) e gente que detestou e voltou. Por isso que é uma coisa muito particular. Eu sou meio cigano. É tudo uma questão de perspectiva. Eu moraria em vários lugares do mundo, se me deixassem.

Mas eu não quero deixar a imagem de que estamos imigrando porque estamos desiludidos com o Brasil. A primeira razão é que sempre quisemos morar fora, e só agora tivemos a oportunidade.

É claro que a situação do país nos empurra para lá. Prefiro ter filhos lá a tê-los aqui e correr o risco de vê-los arrastados por um bando de botocudos do lado de fora do carro que eles tentam roubar. Estou exagerando? Pode ser, mas ainda ontem um outro episódio grotesco desses ocorreu - ainda bem que o menino sobreviveu.

Sim, a violência é uma das coisas que mais me incomodam por aqui. Simplesmente porque o medo nos impede de fazer coisas singelas, como sair à rua depois de uma certa hora da noite.

"Ah, mas lá no Canadá também tem violência". Sim. Em Toronto, matam em um ano o que matam em menos de um mês em São Paulo.

Civilidade. Pelo menos por alguns anos.

Ah, sim, Maurício, vocês serão muito bem recebidos por lá. Será uma honra.

sexta-feira, abril 24, 2009

Here we go!

No more Lulas, Dirceus, Protógenes, Dantas, Joaquins, Gilmares, Temeres, Renans, Sarneys, et caterva.

Isto é o que nos espera em breve.

Barbosa, o irritadinho

O episódio do STF desperta em mim o conflito entre o meu lado racional e o, digamos assim, emocional. Não consigo deixar de dar risadas ao rever o bate-boca. É hilário ver aqueles velhinhos lavando roupa suja naquele ambiente pomposo.

Mas, no fundo, no fundo, é episódio lastimável, sem dúvida. Achei desproporcional a reação de Joaquim Barbosa. Deveria haver algo mais por trás de tamanho destempero.

E há. Este texto aqui explica mais ou menos a realidade do STF. Barbosa veio do Ministério Público e teria visão conflitante da de seus pares. Esses se inclinariam mais para a defesa dos direitos individuais, enquanto Barbosa compactuaria com a ideia de as elites influenciam as decisões do STF. Por isso, seria tolerante com os métodos nada ortodoxos de investigação adotados pelo MP e pela PF naquelas operações de nomes engraçadinhos.

A base da democracia é justamente o respeito aos direitos individuais. Portanto, quem os defender intransigentemente tem o meu apoio e respeito.

terça-feira, abril 21, 2009

terça-feira, abril 07, 2009

Isn´t she lovely?


Hoje é um dia muito especial. Não, não é por causa do dia do jornalista. Muito mais importante do que isso. Hoje é aniversário da Renata - the love of my life.

Acho que é o décimo aniversário dela que passamos juntos. Além de linda, tem uma paciência de Jó para me aguentar por esses anos todos.

Por isso é que dei um jeitinho de transferir uma reunião que eu tinha no Rio para passar esse dia aqui com ela.

Como sou um pouquinho mais velho, falei pra ela que não dói nada passar dos 30. A não ser quando você se mete a jogar futebol duas vezes por semana, o que leva a dores musculares que persistem por três dias.

Como no próximo aniversário é bem possível que não estejamos mais por aqui (não, não quis dizer neste mundo, mas neste hemisfério), domingo teve almoço de família e hoje vai ter outro.

Parabéns, Rê!


ISN´T SHE LOVELY

Isn't she lovely
Isn't she wonderfull
Isn't she precious
Less than one minute old
I never thought through love we'd be
Making one as lovely as she
But isn't she lovely made from love

Isn't she pretty
Truly the angel's best
Boy, I'm so happy
We have been heaven blessed
I can't believe what God has done
through us he's given life to one
But isn't she lovely made from love

Isn't she lovely
Life and love are the same
Life is Aisha
The meaning of her name
Londie, it could have not been done
Without you who conceived the one
That's so very lovely made from love

quarta-feira, abril 01, 2009

Lei de imprensa

O STF julga hoje a constitucionalidade da Lei de Impresa e a obrigatoriedade de diploma específico para o exercício do jornalismo. Eu defendo o fim da exigência do diploma para jornalista (mas tenho um).

Assista ao vivo.

Simbolismo vazio

Hour of no power increases emissions

Bjorn Lomborg March 27, 2009

THIS Saturday, the World Wildlife Fund wants everybody on the planet to switch off their lights for an hour in a "global election between Earth and global warming", where switching off the lights "is a vote for Earth".

In Australia, where Earth Hour started, it evidently enjoys strong support from politicians, celebrities, corporate backers and the public. The efforts this Saturday certainly will be well-intentioned. Many of us worry about global warming and would like to be part of the solution.

Unfortunately, this event - as with many public proposals on climate change - is an entirely symbolic gesture that creates the mistaken impression that there are easy, quick fixes to climate change. One provincial British newspaper wrote this week: "Saving the planet could be as easy as switching off the lights in South Tyneside, green campaigners say."

It will take more than the metropolitan borough of South Tyneside, population 152,000, to solve global warming. Even if a billion people turn off their lights this Saturday, the entire event will be equivalent to switching off China's emissions for six short seconds.

In economic terms, the environmental and humanitarian benefits from the efforts of the entire developed world would add up to just $21,000.

The campaign doesn't ask anybody to do anything difficult, such as coping without heating, air-conditioning, telephones, the internet, hot food or cold drinks. Conceivably, if you or I sat in our houses watching television, with the heater and computer running, we could claim we're part of an answer to global warming, so long as the lights are switched off. The symbolism is almost perverse.

In Australia last year, Earth Hour's organisers required participating businesses to pledge to reduce their emissions by 5 per cent during the following year. This year, that requirement has been dropped. "We decided we'd actually downplay (concrete cuts)this time," the chief executive of WWF Australia told The Sunday Age.

There apparently has been no accounting of whether last year's sponsors lived up to their pledge. The Sunday Age reported last week: "An analysis of the key sponsors of Earth Hour reveals that most have reported increased emissions in their most recent figures."

And it gets worse: the event could cause higher overall pollution than if we just left our lights on. When asked to extinguish electricity, people turn to candlelight. Candles seem natural, but are almost 100 times less efficient than incandescent light globes, and more than 300 times less efficient than fluorescent lights.

If you use one candle for each extinguished globe, you're essentially not cutting CO2 at all, and with two candles you'll emit more CO2. Moreover, candles produce indoor air pollution 10 to 100 times the level of pollution caused by all cars, industry and electricity production.

No wonder that even committed climate campaigners are sceptical. Clive Hamilton, author of Scorcher: The Dirty Politics of Climate Change, told The Sunday Age last week that "we are well past the time for feel-good exercises aimed at raising awareness. It's like the band playing on as the Titanic sinks."

He said there was a real danger that Earth Hour convinced people we were making progress on climate change when we were not. And it let business and government off the hook.

There is still no cheap replacement for the carbon that we burn. This is the reason many promises of drastic CO2 cuts remain just empty promises and why past global agreements to cut CO2 have gone unfulfilled.

A meaningful solution to global warming needs to focus on research into and development of clean energy, instead of fixating on empty promises of carbon emission reductions.

It is vital to make solar and other new technology cheaper than fossil fuels quickly so we can turn off carbon energy sources for a lot longer than one hour and keep the planet running. Every country should agree to spend 0.05 per cent of its gross domestic product on low-carbon energy research and development.

The total global cost would be 10 times greater than present spending, yet be 10 times less than the cost of the Kyoto Protocol on carbon emission reductions. This response to global warming is a realistic, achievable one.

Fossil fuels literally gave us an enlightenment, by lighting our world and giving us protection from the fury of the elements. It is ironic that today's pure symbolism should hark back to a darker age.

Bjorn Lomborg is the director of Denmark-based think tank the Copenhagen Consensus Centre, adjunct professor at the Copenhagen Business School, and author of Cool It and The Skeptical Environmentalist.
Link to article: http://www.theaustralian.news.com.au/story/0,25197,25247677-7583,00.html