sábado, novembro 18, 2006

Isso explica muita coisa

Dia desses, fui a um churrasco com alguns bons amigos, num aprazível canto da zona Sul de Florianópolis. Um amigo e colega jornalista me contou que retomara o curso de economia, que abandonara no finalzinho. Falamos do quão interessante (e chato) pode ser um curso de economia. Pra mim, economia é um curso perfeito porque reúne elementos do que pode haver de melhor em outras ciências humanas/sociais, da psicologia à política.

Mas, por aqui, em tempos de discursos bolivarianos, ainda grassa muita desconfiança de tudo que seja ligado à ciência, não raramente seguida por algum adjetivo do tipo "burguesa". Não é difícil entender porque estamos neste atraso todo.

Mas, voltando à economia, o meu amigo me contou um episódio que ilusta bem isso tudo. Um belo dia, um professor dele, do curso de economia da UFSC, comentou com os alunos (coitados) ter lido um artigo muito interessante de um "pensador" francês (tinha que ser) que considerava a matemática uma "ciência alientante". Isso mesmo!

Pergunto eu: como vamos tirar "effepaiff" do atraso em que se encontra com professores como esses ensinando nas nossas melhores escolas? É por isso que a grande maioria dos economistas sai da graduação praticamente analfabeta em matemática. E vão produzir o quê, essas criaturas, em termos acadêmicos? Lixo.

6 comentários:

Anônimo disse...

E escolhem o Maílson da Nóbrega como paraninfo

Zappi disse...

O que acontece é que há uma incompreensão total da grandeza das invenções petistas. Essa atitude contra a matemática é fácil de explicar: é o ajuste do stalinismo soviético. Veja aqui como o Brasil vai mostrar ao mundo o caminho do século 21.

Bonassoli disse...

Impressionante como, a cada dia, a decepção só aumenta. É incrível, mas virar vidraça fez muito mal para a esquerda nacional.

Logo vai chegar o momento em que a direita será uma opção. Aí é o fim da picada. Coisa prá empacotar as tralhas e se mandar para a Suiça. Humm... melhor, para a Noruega.

Orlando Tambosi disse...

Meu caro PH,

aquilo que falava nos teus tempos de aula, está bem pior hoje. E, claro, sou ainda mais mal visto (menos na nossa Baiúca).

Na área de ciências humanas campeia a bobagem.

Saquinho, por favor.

Danilo Jorge disse...

Pára Paulo! Dê à matemática uma tamanho mais adequado. Alfred Marshall escreveu um tratato longo e entediante (Princípios de economia), um documento quase bíblico para os crentes no poder infalível do mercado, sem usar uma única equação matemática. O velho professor de Keynes jogou essa tralha toda para o anexo, para mostrar aos seus jovens alunos que era possível sim tratar de teoria econômica de forma mais erudita e com grande senso de abstração. Basta ver as dezenas de artigos sustentados nos mais variados modelos econométricos disponíveis no site da Anpec. Com raras exceções, a maioria chega a conclusões absolutamente óbvias, ululantes ou absurdas. É isso aí!

Anônimo disse...

Uma das boas coisas que aprendi na universidade foi que a matemática é a ciência número 1. A partir da matemática é que se constrói todo o resto.
Abraços de um fracassado aluno de matemática (só levava pau), mas que até hoje faz todas as contas de cabeça.
Damião