quinta-feira, março 27, 2008

"Capitalismo" brasileiro

Um amigo meu esquerdista me mandou um email sobre a criação de um Fundo que vai bancar a expansão do frigorífico JBS Friboi no exterior. O tal Fundo tem participação maciça do BNDES e dos fundos de pensão das estatais - os maiores investidores do país atualmente. O BNDES vai passar a ter 21% da empresa!

Para me provocar, ele sapecou "e ainda dizem que o governo não deve se meter!" Ele está certo: nossos empresários não são liberais, mas estatistas. Criticam o Estado na hora de pagar imposto, mas adoram um dinheirinho público.

De minha parte, retruquei: "e ainda falam em neoliberalismo! Não há, nem nunca houve, liberais no Brasil. Portanto, não há liberalismo, muito menos neoliberalismo - seja lá o que for isso." Até agora, não tive resposta.

2 comentários:

Anônimo disse...

PH, nunca vi alguém distribuir tanto dinheiro fácil quanto o tal do sr. BNDES. É impressionante! Toda semana apareciam duas ou três matérias dizendo que "a empresa tal conseguiu um financiamento de 'R$ dezenas de milhões' junto ao BNDES para comprar um terreno na lua." Todo mundo ganhava o seu! Enquanto isso, pra uma microempresa conseguir um mísero empréstimo de R$ 5 mil na CEF, demoram mais de três meses para responder que "não vai dar".
Abraço,
Marcelo Santos

guerson disse...

Oi Ph,

Vc falou uma coisa certa: "nossos empresários não são liberais, mas estatistas". Eu fico abismada em ver como os empresários brasileiros tratam suas empresas como um emprego público. É aquela historia de querer ganhar dinheiro a qualquer custo, disfrutar das mordomias, sem se preocupar muito de onde vem o dinheiro e pra onde vai.

Um amigo meu, canadense e antigo vice-presidente da Air Canada, foi contratado pela Varig pra ajudar a re-estruturar a companhia na época em que esta estava pra declarar falencia. Ele foi, passou semanas na Varig, fuçou em tudo e chegou a conclusão que a Varig foi pro buraco por uma mistura de incompetência de seus gerentes e desperdício. Os diretos, vice-presidentes, etc não sabiam PN mas recebiam salários absurdos. Quem mantinha a cia funcionando eram os funcionarios abaixo do gerente que ganhavam muito pouco. Mas o que mais o chocou foi o luxo - o presidente da Varig tinha uma escritório ENORME, de dois andares, maior do que a casa do canadense, em uma das areas mais caras de SP. Provavelmente ficaria chocado com o escritorio do presidente da Air Canada: uma salinha normal - sua unica regalia é ter uma secretária e uma janela.

Ah, e a empresa pagava apartamentos para seus diretores no Rio e em SP.

Meu amigo insistia que não fazia business sense para uma empresa com dificuldades financeiras, num mercado volátil como o da aviação civil, ter gastos desse porte com bobeira. É claro que ninguem queria abrir mão de suas regalias...