sexta-feira, maio 19, 2006

Se correr o bicho pega...

Antes de mais nada, devo dizer que não compactuo com o discurso politicamente correto de que a bandidagem é fruto apenas da pobreza, da falta de educação, blá, blá, blá.Támbém me incomoda o fato de as entidades de direitos humanos não darem muita bola quando os mortos são policiais.

Feitas as ressalvas, vamos lá. É inadmissível que o governo paulista não divulgue os nomes dos 107 "suspeitos" mortos nos últimos dias. Isso só aumenta a suspeita de que, entre eles, há inocentes. O que seriam "inocentes"? Ora, pessoas sem passagem pela polícia. Dezessete deles nem sequer foram identificados.

Não é que eu tenha pena de bandido, não. O problema é que pode estar havendo simplesmente uma reação exacerbada da polícia, o que se configuraria numa situação fora do estado de direito. Não é possível que o Estado aja da mesma forma que os bandidos.

Eu preferiria que os policiais atirassem, e matassem, os verdadeiros bandidos responsáveis por essa calamidade. Não, não estou falando nos de Brasília, mas dos que fizeram as rebeliões que vão custar milhões aos cofres públicos. Por que é que a polícia não coloca atiradores de elite pra meter bala naqueles vagabundos que ficam se exibindo nos telhados dos presídios rebelados? Outro dia vi na televisão a imagem de um bandido com um refém que poderia muito bem ser alvejado por um bom atirador. Preferia que matassem esses vagabundos na frente das câmeras de TV a matarem um pobre coitado lá no Capão Redondo só porque o cara está na rua à noite.

Pelo que li, já tem grupo de extermínio agindo na periferia. Também são bandidos e a dúvida é saber se há policiais entre eles. Andam mascarados ao estilo ninja e alguns usam até camisa da Le Coq, numa alusão ao grupo de extermínio que agiu durante muito tempo no Espírito Santo.

Se de fato isso estiver acontecendo, torna ainda mais grave a já perversa situação da segurança pública em São Paulo. Seria mais um sinal de que a polícia não tem capacidade técnica para nos proteger. Estamos nas mãos do governador Marcola.

E assim o estado de direito, laico, civilizado, vai deixando de existir. Não há pra onde escapar: se correr dos bandidos, a polícia pode achar que você um deles e meter bala.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ph,

vc tem razão. Isto tudo é muito preocupante. Agora há pouco postei no meu blog a íntegra do editorial de O Globo deste sábado. O jornal levanta a questão do valor da polícia e da sua importância. Por conta de vários equívocos, uma certa esquerda continua a considerar que segurança é assunto da direita. Um bobagem histriônica. Enfim, enquanto não se mudar esse pensamento e não fazer da polícia um importante e relspeitado órgão do Estado teremos a repetição de situações como esta vividas pela cidade de São Paulo e adjacências.

Cordial abraço do

Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

Marcelo disse...

É exatamente esse último o problema, mestre. Tem um blog no O Globo que fez a análise exata:

http://oglobo.globo.com/online/blogs/paulistana/