sábado, janeiro 14, 2006

Civilização

Voltava do trabalho ontem, já quase 8 da noite. Ao contrário dos outros dias de janeiro, o trânsito na Marginal Pinheiros estava carregado; o pessoal ansioso para descer para o litoral. Quando o trânsito finalmente começou a "andar", uma cena inusitada: um motoqueiro que passou por mim levantou o pé direito e acertou em cheio o retrovisor do carro que estava na minha frente porque ele (o carro) ameaçou ir um pouquinho mais para a esquerda. Uma coisa impressionante! Como é que ele conseguiu fazer aquilo eu até agora não entendi. Devia estar a uns 80 quilômetros por hora e, mesmo assim, conseguiu chutar o retrovisor do carro ao lado. Haja equilíbrio! E civilidade.

Uma cena que talvez ilustre em que nível se dá o relacionamento entre as pessoas na maior cidade do país. Costumo dizer que o trânsito mostra muito do comportamento social. Aqui em São Paulo, dar sinal para mudar de direção é cada vez mais raro. A impressão que se tem é que seta é acessório na maioria dos carros - e que os donos não instalam. Pra mim, isso é um sinal de que as pessoas simplesmente não reconhecem a existência - muito menos o direito - do "outro". Assim fica difícil qualquer tentativa de convivência social nos limites da civilidade. Saudade lá de Ijuí, no Rio Grande do Sul, cidade que visitava quando meu pai estudava por lá. Bastava pôr o pé na faixa de pedestre para que os motoristas parassem. Nem tudo está perdido.

3 comentários:

Aluizio Amorim disse...

pH,

o pior é que tudo sempre esteve perdido aqui no Bananão. É uma questão cultural sem solução. A diferença em tempos mais remotos e que havia menos brasileiros, ou melhor, menos botocudos cretinos, insolentes, malandros e atrevidos. E se vc notar, eles aumentaram com o PT no poder. Deram corda na patuléia que agora acha que é gente. E não é. Nunca foi nem será. Poderão me acusar de reacionário. Assumo. Sou reacionário sim contra essa horda mal-educada e de péssima índole, que constitui a imensa maioria da população brasileira. Há necessidade de chicote. Dia desses um motoqueiro arrancou o retrovisor do meu carro, que é eletrônico e custa caro. Tive que acionar o seguro que pagou, mas tive que marchar com a franquia. Quando o sujeito caiu no chão, vibrei e pensei: morreu, que maravilha! Menos uma peste solta no trânsito. Dia desses um motoqueiro, com outro na garupa, cortaram-me pela direita e ainda acharam ruim. Se esboçasse qualquer reação por certo poderiam até me matar. Depois vem o PT, PSOL, todos esses esquerdóides defender essa malta ignara. Quando vejo um motoqueiro estirado no asfalto me dá vontade de passar por cima. Aliás, tenho razões de sobra, porque o meu cunhado, casado com a única irmã que tenho, foi morto por um motoqueiro na Av. Beira Mar em Florianópolis recentemente. A porrada suspendeu o corpo do meu cunhado a uns três metros de altura. Quando cheguei no hospital ele já estava morto.
Desculpe o desabafo. Odeio esse País. Os brasileiros são cruéis, estúpidos, violentos e, sobretudo, perigosos, traiçoeiros, malignos.
O que vc narrou no post acontece a cada minuto no trânsito, infestado por essa praga chamada motoboy.
Pergunte para os professores dos colégios da periferia como agem essa molecada. Vc ficará horrorizado com o que lhes contarão os professores. Bom, o exemplo vem de cima. Um governo que apóia invasão da propriedade privada e faz tabula rasa do direito, só pode gerar uma sociedade desse tipo.
Abs
Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

ph disse...

Aluizio, o trânsito está realmente um caos em todo lugar. Até na outrora bucólica Frlorianópolis. Bons tempos aqueles! Sinto muito, mesmo, pela sua perda. Desejo paz e serenidade à sua irmã e à família. No ano passado, perdi meu pai; lá se vão sete meses. Os médicos disseram que foi uma fatalidade, mas desconfio que foi desleixo mesmo.
abraço

Carlito Costa disse...

Questões culturais têm solução. Só que dá muito trabalho e os resultados demoram, por isso é mais cômodo acreditar que nada tem jeito. O trânsito brasileiro é uma máquina de matar gente, alimentada por um de nossos problemas estruturais: a falta de uma cultura de respeito às regras. É parte do que nos mantém no andar de baixo do mundo. Perdemos nisso até para vizinhos do Cone Sul. A repressão aos crimes no trânsito é necessária - e a ênfase nela por quem perdeu parentes e amigos nas ruas é plenamente justificável. Mas enfrentar realmente o problema passa mais uma vez por aquela palavrinha mágica: Educação.