sábado, janeiro 28, 2006

SC não é mais aquela

O Multifário me incitou a falar de temas de SC. Como ando afastado há muito tempo, só posso comentar o que leio nos jornais - apesar de não confiar em jornalistas.
Matéria do Diário Catarinense de sexta-feira:

Ocorrências no Litoral ganha destaque na imprensa de Buenos Aires
A família de H. é a vítima mais recente de uma onda de assaltos contra turistas latinos que passam férias no Litoral de Santa Catarina.

Do início do mês até ontem, aconteceram pelo menos outros seis casos do gênero. Em um deles, ocorrido na Praia de Mariscal, em Bombinhas, no Litoral Norte, os bandidos renderam cinco famílias de turistas argentinos de uma só vez. Ao todo, 17 pessoas foram presas dentro de casa. Os marginais roubaram telefones celulares, câmeras fotográficas digitais e US$ 2,5 mil (R$ 5,7 mil). Em depoimento à Policia Civil, os turistas disseram ter sido torturados pelos assaltantes. Até ontem, nenhum assaltante havia sido preso.
Em Garopaba, no Litoral Sul, do último sábado até ontem, três famílias de argentinos foram presas dentro de casa por bandidos. Em um dos casos, os marginais renderam 13 pessoas de uma só vez para roubar jóias, relógios, malas, mais dólares e reais.
O delegado Anibal Geremias, da Delegacia de Polícia de Garopaba, disse ontem que "a polícia já tem suspeitos dos assaltos".
- Temos policiais que vieram de Florianópolis só para investigar estes casos - disse.

Já tratei aqui do problema da violência na cidade onde nasci, Araranguá, no Sul de SC. O meu grande amigo Giancarlo acha que se trata de um efeito estatístico: onde não há violência, um assassinato vira um acontecimento.
Concordo, mas é impossível negar que a violência está se tornando um problema no estado, coisa de dez anos para cá - e parece que aumentando geometricamente.
O estado pouco faz. Estou convencido que com o modelo de federação que temos hoje não permite que os estados façam mais do que administrar o caixa e pagar o funcionalismo público. Mas em alguns casos essa inércia é ainda mais preocupante, como no caso da Secretaria de Segurança Pública da nossa Santa e Bela Catarina. É preciso que os estados fiquem com uma parcela maior da arrecada e tenham mais autonomia administrativa. Daí, os governos não vão poder reclamar de falta de dinheiro e terão que admitir sua inépcia.
A violência vai atrapalhar o turismo em SC? Bom, se no Rio de Janeiro, onde o estado está como a camada de ozônio - cada dia menor, mais cheio de buracos - os turistas parecem não arredar pé, muito menos em SC, cujos índices de violência são de dar risadas se comparados com a decadência carioca. Mas que dói no coração ver que a gente já não pode mais ficar tranqüilo em praias lindas - e outrora sossegadas - como Garopaba e Mariscal, ah isso dói!

5 comentários:

Anônimo disse...

Não sei como chegaremos a um nível de tranqüilidade que desfrutávamos nos anos 1970. Eu acampava todos os finais de semana no Costão do Santinho (antes do resort é claro). Várias vezes fiquei sozinho na praia. Hoje não iria. Os selvagens estão em volta, estão em todas as praias. Lamento por nós.
Abraço
Carlos Damião

ph disse...

Damião, teu blog é muito, muito bom! Parabéns! Visito todos os dias para me inteirar dos assuntos da nossa queridíssima capital.
abs

Tambosi disse...

O Damião é otimista. Jamais voltaremos aos níveis de 70, nem querendo!
A coisa só vai piorar.
Não esquecer: não estamos fora do Bananão.

Abs.

Aluizio Amorim disse...

Quanto mais gente, pior. A tendência nos próximos anos será uma situação calamitosa em todo o país. Nem as pequenas cidades, outrora tranqüilas, escaparão. Eu continuo atribuindo essa violência ao mau caratismo congênito da maioria dos brasileiros. Já disse no meu blog que os brasileiros são cruéis e violentos. Basta ver o dia-a-dia no trânsito. Há um componente sádico na mente desses botocudos.
Cordial abraço do
Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

Bonassoli disse...

A violência em Santa Catarina é mais assustadora do que em outros estados. Talvez porquê ela - do jeito que é atualmente - simplesmente não existia há cinco anos.